quarta-feira, 4 de agosto de 2021

O DRAMA DA GINASTA SIMONE BILES, SAÚDE MENTAL OU INTELIGÊNCIA EMOCIONAL?

 


 
A maior ginasta olímpica da atualidade e uma das maiores da história, Simone Biles, surpreendeu o mundo ao abandonar as disputas dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Simone tem apenas 23 anos e está no ápice da sua forma física e técnica, tendo despontado no Campeonato Mundial realizado na Antuérpia em 2013, com duas medalhas de ouro, aliás, são 19 medalhas de ouro, 3 de prata e 3 de bronze ganhas em campeonatos mundiais. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, se consolidou como maior nome do esporte ao conquistar quatro medalhas de ouro e uma de bronze. Pois então, o que aconteceu com esta atleta praticamente imbatível, que deveria estabelecer um novo recorde de medalhas de ouro ganhas em olimpíadas e é considerada, juntamente com Nadia Comaneci, as duas maiores ginastas olímpicas da história? A explicação vem do desabafo da própria Simone: “Para quem diz que eu desisti, eu não desisti. Minha mente e corpo simplesmente estão fora de sintonia.”

Segundo a psicologia, Inteligência Emocional é a capacidade de identificar e lidar com as emoções, com nossos sentimentos pessoais e de outros indivíduos. Existem pessoas que conseguem focar e concluir suas tarefas, atingindo suas metas, mesmo convivendo com a tristeza, dúvidas e a ansiedade, mas, muitas não conseguem. Esta habilidade permite que as pessoas administrem melhor seus sentimentos e repercutam isto nas suas ações.

A Inteligência Emocional pode ser desenvolvida, mas os fatores que levam a uma instabilidade emocional de tal ordem que impeça o exercício de suas habilidades físicas e/ou intelectuais podem ter como fator motivador o estresse, transtornos e doenças psicossociais, qual seja, a saúde mental.

O mecanismo do estresse, reação orgânica que ocorre quando passamos por situações de extrema pressão ou quando nos sentimos ameaçados, sendo responsável pela sobrevivência da raça humana até os dias atuais, se elabora através de hormônios liberados pelo sistema nervoso central (hipotálamo e hipófise), que ativam as glândulas suprarrenais a liberarem a adrenalina e o cortisol, hormônios que alteram as funções orgânicas, aumentando o batimento cardíaco, ampliando a oxigenação dos pulmões, entre outras alterações metabólicas, nos tornando alertas e aptos para suplantarmos situações que entendemos como perigosas. Este importante mecanismo se torna destrutivo para a saúde física e mental quando é ativado initerruptamente, podendo ainda provocar ou potencializar doenças e transtornos mentais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 5% da população mundial sofre de Depressão e 10% apresenta algum tipo de Transtorno de Ansiedade. A OMS identifica a Depressão como principal causadora do suicídio, relatando mais de 800 mil suicídios por ano no mundo. O Brasil é o país com maior taxa de pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada (9,3% da nossa população) e o 5º em casos de depressão (5,8% da nossa população).

Reitero que, quando falamos em Inteligência Emocional não podemos nos dissociar do fato que transtornos ou doenças psicossociais, provocadas ou agravadas pelo mecanismo do estresse, podem atuar como causas de seu desequilíbrio, entretanto já é clássica a frase que diz: “As pessoas são contratadas por suas habilidades técnicas, mas são demitidas pelo seu comportamento ou por sua instabilidade emocional”.

A Inteligência Emocional, portanto, não é uma habilidade inata e sim desenvolvida, Howard Gardner elaborou a Teoria das Múltiplas Inteligências nos anos 80, segundo a qual existem 8 tipos de inteligência: Linguística, Musical, Lógica/Matemática, Visual/Espacial, Corporal/Cinestésica, Interpessoal, Intrapessoal e Naturalista. A partir desta teoria, Daniel Coleman, considerado o pai da IE, evoluiu um conceito que está relacionado com a Inteligência Interpessoal e Intrapessoal, o seu domínio desenvolveria a capacidade de perceber nossas emoções, saber identificá-las, compreender seus gatilhos e como consequência, desenvolver maneiras de gerenciá-las. Perante este conceito existem mais de 50 tipos de emoções.

Daniel Coleman atribui 80% do sucesso das pessoas aos fatores relativos a Inteligência Emocional e identificou 5 características pessoais associadas aos que dominam esta habilidade: Automotivação, Autoconsciência, Empatia, Controle Emocional e Habilidade nos Relacionamentos Interpessoais.

Os estudiosos identificam 7 maneiras para desenvolver a Inteligência Emocional: criar consciência sobre comportamentos e reações; dominar emoções; melhorar a comunicação ao seu redor; treinar seu cérebro para elaborar respostas e não reagir por impulsos; conhecer seus pontos fortes, fragilidades e limites; desenvolver a empatia e tornar-se resiliente.

O ser humano carrega consigo dores e traumas que impactam a sua saúde mental, se transformando em gatilhos que são acionados em momentos específicos por situações que fogem ao seu controle. Estas dores e traumas, associadas ou não a situações orgânicas e sociais podem desencadear transtornos ou patologias psicossociais. Portanto, é necessário identificar as causas que levam a uma situação de desequilíbrio de ordem emocional como a vivida pela ginasta Simone Biles e isto precisa ser tratado.

O desenvolvimento da Inteligência Emocional contribui para o entendimento e o controle de nossos gatilhos emocionais, para que possamos conviver com nossas fragilidades psicossociais momentâneas ou crônicas, criando as condições para que ultrapassemos com êxito os momentos de maior exigência emocional, potencializando nossas virtudes e traçando um caminho mais fácil para se atingir o sucesso e a felicidade.

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terça-feira, 3 de agosto de 2021

O NEGACIONISMO E A PANDEMIA DOS NÃO VACINADOS





A pandemia ainda não acabou e novas variantes, como a Delta, a tão temida cepa viral indiana de maior velocidade de contágio e, aparentemente, mais agressiva, estão aí para nos preocupar. No Brasil, a variante P1 ou Gama, originária de Manaus-AM, ainda é dominante, sendo apontada como fator importante para a segunda onda pandêmica que vivenciamos até abril deste ano, entretanto, a Delta mostra as suas garras, já apresentando circulação comunitária em várias localidades e sendo motivo para alerta, podendo em pouco tempo vir a ser dominante.

Apesar da preocupação com este evento sanitário persistir e de ainda não estarmos em condições epidemiológicas de voltarmos a ter uma vida normal, a evolução da vacinação com mais de 96 milhões de brasileiros tendo sido imunizados com, ao menos, uma dose da vacina, equivalente a 60% da nossa população, fez com que o índice de contaminação caísse cerca de 40% e o de óbitos em 42% entre 25 de junho e 25 de julho, segundo dados do LocalizaSUS, plataforma do Ministério da Saúde (MS).

A ampliação da cobertura vacinal contra a Covid-19 ainda faz perceber uma inversão gradativa de grupos etários mais atingidos. Se antes da vacina as pessoas com mais de 65 anos eram as mais atingidas, com maior impacto na faixa etária de 70 a 79 anos, este perfil mudou e colocou as pessoas entre 50 e 59 anos como mais atingidas. Com a evolução da vacinação, a pirâmide etária dos mais atingidos tende a se inverter e focar nos grupos sem cobertura vacinal ou com cobertura incompleta e nas pessoas social e economicamente mais ativas.

Mesmo preocupante, o momento é de otimismo em função das vacinas, entretanto, é inconcebível que o Governo Federal e o MS, que tanto erraram e se omitiram nesta pandemia, não elaborem campanhas de conscientização, orientando as pessoas da importância de se vacinar, de manter as medidas de biossegurança, como o uso da máscara, de distanciamento social e higienização das mãos. Na mesma medida, não existe uma política de biossegurança no ambiente escolar, apenas protocolos frágeis e uma tentativa de implementação de um modelo de ensino híbrido, que mescle presencial e remoto. Ensino 4.0, da 4ª Revolução Industrial, método de ensino que já era presente nos EUA, na Europa e em diversos países mundo afora, o qual se tornou prevalente globalmente na pandemia, ainda é um sonho distante neste país carente de acesso aos meios digitais na maior parte de nossas escolas públicas. No ensino particular existe uma tentativa de se implementar um modelo que, ao tempo que proteja os alunos, também traga para os bancos escolares as evoluções do ensino que este evento sanitário fez com que se tornassem definitivas. Mas mesmo no ensino privado, o planejamento de retomada das aulas foi frágil, carente de projeto e de execução.

Se antes das vacinas, alguns países como o Brasil, apostaram na imunização de rebanho e em medicações sem comprovação científica, priorizando a saúde econômica em detrimento à políticas de combate efetivas à pandemia, absurdos que custaram muitas vidas, neste momento existe um senso de maioria de que a retomada econômica caminha passo a passo com o ritmo vacinal e é preocupante a desigualdade mundial na vacinação, conforme alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 27 de julho, se pronunciando que ”a desigualdade de acesso às vacinas entre os países tendem a impactar na recuperação econômica global.”

Perante esta realidade que ainda é pandêmica, mas nos traz o otimismo das vacinas como caminho para a retomada da normalidade de nossas vidas, a ação nefasta dos negacionistas trabalha para frustrar nossas expectativas quanto ao fim deste martírio sanitário. Segundo o médico Anthony Fauci, Chefe da Força Tarefa de Combate ao Coronavírus do governo dos EUA, estaria se formando nos EUA “uma pandemia entre os não vacinados”.

Tanto lá quanto no Brasil, o negacionismo a este evento sanitário é muito forte e neste momento, segundo pesquisa de opinião da CNN americana, 80% dos americanos que não se vacinaram, não pretendem fazê-lo.

Os EUA vacinaram até o momento, mais de 162,7 milhões de pessoas, com 49% de sua população já tendo sido plenamente vacinada. Sendo que, até abril lideravam o ritmo de vacinação global, com uma média de 3,5 milhões de pessoas sendo vacinadas por dia, estes números caíram em maio para 2,4 milhões/dia, momento em que o governo ampliou as campanhas de conscientização e implementou diversas estratégias para se ampliar a cobertura vacinal, como a de se permitir que os imigrantes se vacinassem sem comprovação de residência. Entretanto, o negacionismo da era Trump ainda é prevalente no país e isto faz com que haja extrema dificuldade para se ampliar a cobertura vacinal. Essa “pandemia dos não vacinados” já se expressa no aumento na média móvel de casos em 53% em uma semana, com data de corte em 25 de julho, sendo que 80% dos casos, são da variante Delta. Os hospitais estão voltando a ficar lotados e 99,5% das mortes por Covid-19 estão ocorrendo entre grupos não vacinados.

A pandemia ainda não se encerrou e precisamos nos cuidar, é fundamental que os governos implementem ações de governança que envolvam campanhas de conscientização e o monitoramento da evolução pandêmica com suas novas cepas virais, assim como as vacinas são o caminho, mas tomar cuidado com o negacionismo e os “terraplanistas de plantão” é uma atitude sábia.

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quarta-feira, 28 de julho de 2021

MEDICINA QUÂNTICA, TERAPIA COMPLEMENTAR OU UM NOVO CONCEITO DE VIDA?

 


Desde algum tempo tem se ouvido falar bastante da Medicina Quântica ou Terapia Quântica, se inserindo nas práticas da medicina não convencional ou como se refere a Organização Mundial da Saúde (OMS), Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas (MTCI), em nosso país, Práticas Integrativas e Complementares (PICs).

Os terapeutas quânticos se utilizam de aparelhos ou ferramentas que tem como base de funcionamento os conhecimentos de física ou mecânica quântica. Adotando o conceito de tratar o ser humano de maneira integral: corpo, mente e emoções. Através de diferentes técnicas procuram diagnosticar e tratar possíveis desequilíbrios energéticos, identificando suas causas e com isso prevenindo ou auxiliando no tratamento de doenças orgânicas e psicossociais, contribuindo para o equilíbrio emocional e a integração da saúde com o bem estar gerando qualidade de vida.

Importante ressaltar que as MTCI, a Medicina Quântica inclusive, se entendem como terapias complementares às da medicina convencional, se integrando a estas para potencializar resultados. Ainda que existem diversas terapias incluídas nas MTCI, muitas destas milenares, sendo que no Brasil, desde 2006, temos instituída a Politica Nacional das Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no âmbito do SUS, regida pela portaria GM/MS nº 571/2006 e que disponibiliza gratuitamente à população 29 terapias complementares, entre estas, algumas incluídas na Medicina Quântica.

As MTCI, com as terapias quânticas vindo à frente, são a febre do momento e isto soa como um contrassenso, visto que, a medicina convencional, impulsionada pela tecnologia, evolui de maneira exponencial. Nos atendo a alguns marcos da evolução da medicina, tais como: a descoberta do aparelho de Raio X em 1895 pelo físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen, a descoberta do aparelho de eletrocardiograma em 1902 pelo fisiologista holandês Willen Einthoven, ou a descoberta da Penicilina em 1928 pelo médico e bacteriologista Alexander Fleming, percebemos que, apesar de evolutiva, a ciência caminhou com certa lentidão e dificuldade para proporcionar estas evoluções. Entretanto, nos dias atuais, a evolução tecnológica está proporcionando uma revolução na área médica e isto se percebe através de ferramentas como a telemedicina que leva para os rincões de nosso país, pelo SUS, a possibilidade de acompanhamento e emissão de laudos por médicos especializados à distância, as cirurgias robóticas presentes em diversos centros cirúrgicos país afora, as quais são menos invasivas, mais eficientes, eficazes e com recuperação pós-operatória menos traumática. Ainda podemos abordar o uso das células-tronco a curar doenças antes incuráveis ou a evolução das vacinas, sendo visível isto na elaboração das vacinas contra a COVID-19, elaboradas em tempo recorde, lembrando que anteriormente a vacina que havia sido criada em tempo mais rápido foi a da Caxumba, levando 4 anos, também a sua tecnologia de elaboração, se antes utilizávamos para humanos as elaboradas a partir do vírus atenuado ou inativo, para a COVID-19 temos vacinas a partir do vírus inativo, de proteína do vírus, de vetor viral não-replicante e, inclusive, de tecnologia mais avançada, a genômica. Pois é, o que justifica então a grande procura das terapias complementares, em especial, as incluídas na Medicina Quântica?

Talvez a explicação esteja no fato que estas terapias complementares trazem em seu bojo um conceito de tratar integralmente o ser humano: corpo, mente e emoções, privilegiando a prevenção das doenças, focando na manutenção da saúde como forma de tratar ou evitar as doenças, entendendo que o equilíbrio global das pessoas repercute e evidencia o binômio saúde e bem-estar, além de potencializar virtudes e tornar mais fácil o caminho para se alcançar os objetivos de vida.

Dentre as terapias quânticas, o Biomagnetismo Médico ou Par Magnético é a mais procurada. Este método terapêutico não invasivo foi desenvolvido pelo cientista e médico mexicano Isaac Goiz Durán em 1988, se utilizando de imãs de potência média, colocados em partes específicas do corpo, tendo a premissa que os órgãos e suas células formadoras emitem frequências eletromagnéticas específicas e, portanto, como toda onda eletromagnética, necessita de um equilíbrio entre os polos positivo e negativo para que haja a transmissão fluida de energia. Neste contexto, o Par Magnético designa os dois imãs (positivo e negativo) que sempre atuam em dupla para identificar situações de desequilíbrio. Estes desequilíbrios ou alterações de polarização geram um ambiente com um PH mais ácido ou mais alcalino, o que propicia o desenvolvimento de diversas patologias, por exemplo: o PH mais ácido permite o desenvolvimento de vírus e fungos, onde o PH é mais alcalino, está privilegiado o desenvolvimento de bactérias e parasitas. As causas destes desequilíbrios teriam como origem diversos fatores: alimentação, toxinas, microrganismos, emoções e situações estressantes.

O método terapêutico do Biomagnetismo Médico entende que a partir da aplicação da técnica é possível corrigir alterações do PH e assim eliminar não somente os sintomas, mas atacar a causa de muitas doenças. Funcionaria como um “scanner biomagnético”, sendo que, o terapeuta, ao reconhecer as áreas em desequilíbrio, aplicaria um conjunto de imãs, em pares, nesses pontos.

A evolução da medicina convencional potencializada pelo desenvolvimento tecnológico é sentida e muito importante, entretanto, não podemos deixar de perceber que as terapias incluídas nas Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas, com relevo para as da Medicina Quântica, além de praticamente serem desprovidas de efeitos colaterais, podem fortalecer o trabalho de prevenção e combate de diversas doenças, ainda trazem um novo conceito de entendimento do ser humano, das suas fragilidades e necessidades, assim como uma nova proposta que concilia saúde, bem-estar e felicidade em viver.
 
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terça-feira, 27 de julho de 2021

O OTIMISMO GERADO PELAS VACINAS E OS ÓRFÃOS DA PANDEMIA.


Os tempos de pandemia tem sido difíceis, as mortes se somam no mundo e em nosso país, onde mais de 546 mil pessoas já perderam suas vidas, os desabrigados de seus empregos, os soterrados em dívidas e os que desenvolveram ou potencializaram distúrbios mentais neste país que já era, antes da pandemia, primeiro no mundo em casos de Transtorno de Ansiedade Generalizada, quinto em casos de Depressão e oitavo em incidências de suicídio, se somam aos que perderam entes queridos ou amigos, nesta caminhada por um turbilhão de más notícias e desesperança.

Apesar das dores, da angústia e do pessimismo desta longa jornada pandêmica, o momento se mostra de otimismo com o advento das vacinas e a chegada destas no braço das pessoas. Mesmo em nosso país, que tardiamente adquiriu imunizantes contra a COVID-19, estratégia cunhada em erros, omissões e o consequente aumento no número de mortes, já sentimos os efeitos da vacinação com a diminuição no número de casos e óbitos nos grupos priorizados e uma mudança no perfil deste evento sanitário. Se antes da vacinação a faixa etária mais atingida era a partir dos 65 anos, sendo mais intenso o binômio contágio/óbitos entre as pessoas de 70 a 79 anos, neste momento, a faixa etária mais atingida é abaixo dos 59 anos e conforme a vacinação se torne em massa, os indicadores levam a acreditar em uma redução global nos casos e nos óbitos. Portanto, a vacinação e seus resultados, que já começam a aparecer, estão gerando otimismo e isto é importante.

Este ambiente otimista gerado pela vacinação repercute em vários setores no Brasil. A perspectiva de uma vacinação mais rápida e massificada e a consequente retomada da economia repercutiu, já em 14/06 na queda de 1,13% na cotação do Dólar e vários outros indicadores sinalizam para uma retomada econômica que caminha passo a passo com o ritmo vacinal. Antes disso, em 24/05, o estudo “Barômetro COVID-19” apontava que 30% dos brasileiros já se sentiam confortáveis para viagens domésticas e 16% para ir ao exterior, tendo em conta que esta pesquisa foi aplicada em 11,5 mil pessoas de 21 países, entre 15 e 19 de abril, sendo feito um recorte para a situação do turismo. Importante enfatizar que boa parte dos países pesquisados estão em estágios mais avançados de vacinação que o nosso país. Segundo dois estudos da consultoria Kantar, desta mesma época, o avanço da vacinação contra a COVID-19 está proporcionando perspectivas de aquecimento nas atividades turísticas no Brasil e no mundo.

Em contraponto a isto, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em levantamento apresentado em 05 de julho, os brasileiros atingiram o maior índice de endividamento desde 2010, com 69,7% da população estando com seu crédito negativado. Na mesma ordem, 14,8 milhões de pessoas estão desempregadas. Portanto, dos mais de 211 milhões de brasileiros, algo em torno de 148 milhões estão inseridos em organismos de proteção ao crédito, com dívidas, boa parte delas de difícil quitação e consequentemente se posicionando como órfãos da economia.
 

Em situação de orfandade mais contundente estão as mais de 130.363 crianças brasileiras de até 17 anos que perderam seus pais por causa da COVID-19, entre março de 2020 e abril de 2021. Esta pesquisa foi publicada em 20 de julho na conceituada revista cientifica britânica The Lancet. Isto significa 2,4 órfãos para cada mil brasileiros menores de idade, a 4ª maior incidência entre 21 países estudados, sendo que em números absolutos o Brasil ocupa o 2º lugar nesta pesquisa. Este trabalho foi desenvolvido por pesquisadores do Imperial College de Londres, da Universidade de Oxford no Reino Unido e de outras instituições mundialmente renomadas, somando 16 coautores e sendo coordenado por Susan Willis, do Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC). Este é o primeiro estudo global de orfandade causada pela pandemia.
 

São mais de 862 mil crianças órfãs em 21 países, identificados pela ocorrência de 77% das mortes globais por COVID-19 até 30 de abril de 2021. Esta pesquisa traz outras informações e identifica que mais de 1 milhão de menores perderam um dos pais ou o seu responsável.
 

O Brasil, segundo país em óbitos pela COVID-19, como não poderia deixar de ser, é bastante atingido pela orfandade de menores em função da pandemia. Isto implica que medidas governamentais precisam urgentemente ser implementadas para a proteção destas crianças, tanto no âmbito do reordenamento familiar ou na busca de um encaminhamento de responsabilidade e acolhimento familiar pela adoção, quanto no aspecto de proteção econômica e social de menores de baixa renda.
 

De outra medida, é preciso se entender que o otimismo com as vacinas e seus resultados é importante e justificável. Entretanto, as vacinas não protegem do contágio pelo SARS-COV2, atuam com eficiência, segurança e eficácia variável na evolução da doença para estágios mais graves, reduzindo de maneira exponencial a incidência de internações e de óbitos. Perante este entendimento é fundamental a manutenção do uso da máscara, das medidas de higiene e distanciamento social, assim como, que os governos se mantenham alertas, atuantes nas ações de governança desta crise e no monitoramento de novas cepas virais, como a preocupante variante indiana, a Delta.
 

É difícil prever quando esta pandemia se encerrará, o caminho são as vacinas, mas também precisamos cuidar de nossos órfãos.

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quarta-feira, 21 de julho de 2021

MEDICINAS TRADICIONAIS, COMPLEMENTARES E INTEGRATIVAS, A MEDICINA NATURAL EM ALTA.



Se a ciência e a medicina convencional evoluem a olhos vistos impactadas pelo desenvolvimento tecnológico, de outra medida, a medicina tradicional, com algumas de suas terapias tendo origem milenar, está cada vez mais na ordem do dia. Mas afinal, no que consistem estas terapias “alternativas” ou Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) cunhou o termo, reconhece as Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI) e assim as define: “se refere a um amplo conjunto de práticas de atenção à saúde baseado em teorias e experiências de diferentes culturas utilizadas para a promoção da saúde, prevenção e recuperação, levando em consideração o ser integral em todas as suas dimensões.”

Segundo a OMS, as MTCI constituem importante modelo de cuidado a saúde, se constituindo na principal oferta de serviços à população em diversos países, em especial na Ásia, sendo também muito utilizadas em diversos países Europeus. Em outros, se insere nos sistemas de saúde de forma complementar ao sistema convencional. Conforme a Organização Panamericana de Saúde (OPAS), na América do Sul, Argentina, Bolívia, Brasil, Equador e Peru possuem legislação, modelos e/ou normas próprias para a regulamentação das MTCI.

No Brasil, as MTCI são muito discutidas desde os anos 70 e a partir da reforma sanitária que culminou com o advento do Sistema Único de Saúde (SUS) através da Constituição Federal de 1988, estas discussões tomaram corpo em 2006 com a aprovação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no âmbito do SUS, regida pela Portaria GM/MS nº 971 de 3 de maio de 2006.

Em nosso país a discussão a respeito das MTCI esbarra no fato de termos uma medicina inspirada no modelo dos EUA, baseada em evidências cientificas e o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem reiteradas vezes questionado a sua resolubilidade e o fato de não ter fundamento na Medicina Baseada em Evidências (MBE), qual seja, ignoram a integração da habilidade clínica com a melhor evidência cientifica disponível. Em função deste posicionamento do CFM, nosso país adota a terminologia de Práticas Integrativas e Complementares, ao invés da terminologia preconizada pela OMS, Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas. Contudo, o CFM reconhece como especialidades médicas algumas das práticas incorporadas no MTCI (PNPIC no Brasil), como acupuntura e a homeopatia.

Mas enfim, qual o conceito adotado pelas Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas?

As MTCI entendem que prevenir é melhor que remediar, portanto privilegiam a prevenção das doenças. Tratam o ser humano de forma integral: corpo, mente e emoções, entendendo que todo desequilíbrio pode causar uma futura doença, perante esta lógica, evitam ou tratam as causas de possíveis patologias.

O SUS oferece, atualmente, 29 procedimentos que estão incluídos na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPICs). Estes procedimentos têm início na Atenção Primária e são disponibilizados gratuitamente à população, sendo que os municípios podem aderir a esta política e receber recursos para implementar estes serviços.

As MTCI também são muito difundidas no Sistema Suplementar, clínicas que trabalham com estas práticas integrativas e algumas delas que integram a medicina convencional com esta medicina natural, estão aumentando de número e são muito procuradas.

Dentre as práticas mais procuradas, está a Fitoterapia e isto se torna emblemático em nosso país, visto que temos a maior parcela de biodiversidade do mundo, 15 a 20% do total mundial de toda a flora, além de possuirmos cerca de 55 mil espécies vegetais catalogadas. Isto levando em consideração que apenas 8% destas espécies vegetais foram estudadas para pesquisas de compostos bioativos e apenas 1.100 espécies foram avaliadas em suas propriedades medicinais.

As MTCI (OMS) ou PICs (no Brasil) englobam diversas outras terapias: Quiropraxia, Imposição de Mãos, Meditação, Aromaterapia, Cromoterapia, Hipnoterapia, Ozonioterapia, Reiki, Naturopatia, Bioenergética, entre outras.

Um campo amplo de terapias, as quais também se inserem nas MTCI, são as que se baseiam na Medicina Quântica, a qual utiliza ferramentas para identificar desequilíbrios no corpo, na mente e nas emoções, evitando com isso, doenças e com o equilíbrio integral do ser humano, buscam gerar saúde e bem-estar.

As Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas ou, como são denominadas no Brasil, Práticas Integrativas e Complementares, como a sua própria designação explica, complementam as terapias e procedimentos da Medicina Convencional e esta não deve jamais ser abandonada. A intenção destas terapias alternativas é de que se integrem às terapias convencionais na busca por saúde e bem-estar.

Vivemos num mundo tecnológico, de avanços constantes e rápidos da ciência e da medicina, entretanto, a busca do ser humano por modelos alternativos de terapias que tratem a sua saúde, inegavelmente, tem crescido bastante e a redescoberta de terapias milenares ou o aparecimento de novas técnicas, como as da Medicina Quântica, ou mesmo a Lifestyle Medicine, a Medicina do Estilo de Vida, é uma realidade para a qual não podemos nos omitir e que se bem utilizadas, podem trazer muitos benefícios tanto para a prevenção, quanto para o tratamento de diversas doenças.

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terça-feira, 20 de julho de 2021

LIFESTYLE MEDICINE: A MEDICINA DO ESTILO DE VIDA

 


 
A ciência, desde sempre, é um exercício de evolução continuada. A medicina especialmente, tem sido bastante impactada pela evolução tecnológica, a cirurgia robótica já é uma realidade em diversos centros cirúrgicos mundo afora e, inclusive, no Brasil. A telemedicina tem contribuído em muito com o Sistema Único de Saúde (SUS) ao levar para os rincões deste nosso país a medicina especializada, exames de imagem e outros serviços que são acompanhados a distância por profissionais especializados, os quais direcionam a execução por parte de médicos generalistas, enfermeiros e outros profissionais de nível geral, ou mesmo, recebem os exames executados e providenciam um laudo qualificado. As células-tronco salvam vidas de pacientes desenganados ou recuperam sua qualidade de vida. Os procedimentos médicos se tornam cada vez menos invasivos, a recuperação pós-cirúrgica cada vez é mais rápida e a expectativa de vida tem aumentado sobejamente nos últimos anos.

Desde a descoberta do aparelho de Raio-X no final do século XIX, mais precisamente em 1895 pelo físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen, passando pela descoberta do eletrocardiograma em 1902 pelo fisiologista holandês Willen Einthoven e da Penicilina em 1928 pelo médico e bacteriologista Alexander Flaming, a medicina tem evoluído a passos largos. Na pandemia da Covid-19 a ciência tem sido um divisor de águas entre a desesperança causada pelo volume de mortes em função deste evento sanitário e a elaboração de vacinas em tempo recorde. Antes da vacina contra a Covid-19, a que foi elaborada em tempo mais rápido, foi contra a Caxumba, tendo levado 4 anos para o seu desenvolvimento, seguida pela vacina contra o Sarampo que demorou 9 anos para a sua elaboração.

A despeito da evolução da ciência e como consequência da medicina, o mundo tem voltado os seus olhos para terapias que adotam o conceito de tratar a saúde integrando a totalidade do ser humano: mente, corpo e emoções. Algumas destas práticas são milenares, outras estão associadas à medicina quântica, mas todas se veem incluídas nas Práticas Integrativas e Complementares (PICs), de discussão intensa em nosso país a partir dos anos 70 e que gerou a Política Nacional das Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no âmbito do SUS, através da Portaria GM/MS nº 9.712/2006. Já são 29 terapias complementares incluídas e disponibilizadas gratuitamente à população. Estas práticas não desprezam a necessidade e a importância do tratamento da medicina convencional, mas complementam as práticas alopáticas e apresentam resultados importantes.

Neste contexto de se valorizar e usufruir da medicina convencional que evolui de maneira exponencial em parceria com a tecnologia, a medicina natural, a qual adota o conceito de tratar a saúde na sua integralidade, priorizando a prevenção, está sendo redescoberta e com novas roupagens, ganha muita força. Nesta mesma linha temos a medicina do estilo de vida, a chamada “Lifestyle Medicine”.

Para a Lifestyle Medicine, prevenir é essencial e o melhor mecanismo para a prevenção de doenças é adotar hábitos saudáveis.

A medicina do estilo de vida é popular nos EUA a pelo menos duas décadas, chegando a ser disciplina de instituições de ensino como Haward, mas apenas em 2019 chegou com mais força no Brasil.

Ela se baseia em 6 pilares: nutrição, atividades físicas, sono, controle do consumo de substâncias toxicas, manejo do estresse e relacionamentos saudáveis.

No aspecto nutricional, a Lifestyle Medicine entende que a nossa alimentação se reflete em nossa aparência e qualidade de vida. A boa alimentação significaria diminuir o consumo de carnes e alimentos industrializados, aumentando o consumo de vegetais, tendo uma dieta balanceada e certificada por um nutricionista. As atividades físicas seriam fundamentais, o sedentarismo pode ser causa de diversos distúrbios, como por exemplo no músculo cardíaco. A qualidade do sono seria importante para manter a imunidade e evitar vários transtornos de âmbito psicossocial e alterações orgânicas.

Ao pensarmos em substâncias tóxicas, o excesso no uso de bebidas alcoólicas e o tabagismo estariam no topo da lista, podendo causar doenças cardiorrespiratórias e diversos tipos de câncer. Teríamos ainda o estresse, esse mecanismo orgânico que impulsiona decisões e é responsável pela preservação da espécie humana até os dias atuais, mas que quando acionado continuamente, pode causar transtornos mentais, depressão e alterações orgânicas que desencadeiem várias doenças.

Os relacionamentos também se mostram importantes para a medicina do estilo de vida, a qual preconiza que a solidão abrevia a expectativa de vida, assim como as pessoas com mais conexões sociais, com relacionamentos saudáveis e sem negativismo, tendem a ter uma vida mais longa.

Os profissionais que se especializaram na Lifestyle Medicine defendem que não se deve focar nas doenças e sim na melhoria da saúde geral das pessoas como mecanismo importante para evitá-las, mas também entendem que a adoção de um melhor estilo de vida pode contribuir para o tratamento de diversas patologias, em especial as doenças crônicas, como a Diabetes, a Pressão Alta e o Câncer. Pensando assim, estes profissionais estão se movimentando para o reconhecimento da disciplina no Brasil, transformando-a em uma residência ou especialização da carreira médica.

Ao tempo em que a medicina evolui em passos largos, outras vertentes de cuidados da saúde humana também ganham corpo. O importante é o entendimento de jamais se distanciar da ciência e que sem ela, não existe caminho para a sobrevivência de nossa espécie.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...