terça-feira, 3 de agosto de 2021

O NEGACIONISMO E A PANDEMIA DOS NÃO VACINADOS





A pandemia ainda não acabou e novas variantes, como a Delta, a tão temida cepa viral indiana de maior velocidade de contágio e, aparentemente, mais agressiva, estão aí para nos preocupar. No Brasil, a variante P1 ou Gama, originária de Manaus-AM, ainda é dominante, sendo apontada como fator importante para a segunda onda pandêmica que vivenciamos até abril deste ano, entretanto, a Delta mostra as suas garras, já apresentando circulação comunitária em várias localidades e sendo motivo para alerta, podendo em pouco tempo vir a ser dominante.

Apesar da preocupação com este evento sanitário persistir e de ainda não estarmos em condições epidemiológicas de voltarmos a ter uma vida normal, a evolução da vacinação com mais de 96 milhões de brasileiros tendo sido imunizados com, ao menos, uma dose da vacina, equivalente a 60% da nossa população, fez com que o índice de contaminação caísse cerca de 40% e o de óbitos em 42% entre 25 de junho e 25 de julho, segundo dados do LocalizaSUS, plataforma do Ministério da Saúde (MS).

A ampliação da cobertura vacinal contra a Covid-19 ainda faz perceber uma inversão gradativa de grupos etários mais atingidos. Se antes da vacina as pessoas com mais de 65 anos eram as mais atingidas, com maior impacto na faixa etária de 70 a 79 anos, este perfil mudou e colocou as pessoas entre 50 e 59 anos como mais atingidas. Com a evolução da vacinação, a pirâmide etária dos mais atingidos tende a se inverter e focar nos grupos sem cobertura vacinal ou com cobertura incompleta e nas pessoas social e economicamente mais ativas.

Mesmo preocupante, o momento é de otimismo em função das vacinas, entretanto, é inconcebível que o Governo Federal e o MS, que tanto erraram e se omitiram nesta pandemia, não elaborem campanhas de conscientização, orientando as pessoas da importância de se vacinar, de manter as medidas de biossegurança, como o uso da máscara, de distanciamento social e higienização das mãos. Na mesma medida, não existe uma política de biossegurança no ambiente escolar, apenas protocolos frágeis e uma tentativa de implementação de um modelo de ensino híbrido, que mescle presencial e remoto. Ensino 4.0, da 4ª Revolução Industrial, método de ensino que já era presente nos EUA, na Europa e em diversos países mundo afora, o qual se tornou prevalente globalmente na pandemia, ainda é um sonho distante neste país carente de acesso aos meios digitais na maior parte de nossas escolas públicas. No ensino particular existe uma tentativa de se implementar um modelo que, ao tempo que proteja os alunos, também traga para os bancos escolares as evoluções do ensino que este evento sanitário fez com que se tornassem definitivas. Mas mesmo no ensino privado, o planejamento de retomada das aulas foi frágil, carente de projeto e de execução.

Se antes das vacinas, alguns países como o Brasil, apostaram na imunização de rebanho e em medicações sem comprovação científica, priorizando a saúde econômica em detrimento à políticas de combate efetivas à pandemia, absurdos que custaram muitas vidas, neste momento existe um senso de maioria de que a retomada econômica caminha passo a passo com o ritmo vacinal e é preocupante a desigualdade mundial na vacinação, conforme alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 27 de julho, se pronunciando que ”a desigualdade de acesso às vacinas entre os países tendem a impactar na recuperação econômica global.”

Perante esta realidade que ainda é pandêmica, mas nos traz o otimismo das vacinas como caminho para a retomada da normalidade de nossas vidas, a ação nefasta dos negacionistas trabalha para frustrar nossas expectativas quanto ao fim deste martírio sanitário. Segundo o médico Anthony Fauci, Chefe da Força Tarefa de Combate ao Coronavírus do governo dos EUA, estaria se formando nos EUA “uma pandemia entre os não vacinados”.

Tanto lá quanto no Brasil, o negacionismo a este evento sanitário é muito forte e neste momento, segundo pesquisa de opinião da CNN americana, 80% dos americanos que não se vacinaram, não pretendem fazê-lo.

Os EUA vacinaram até o momento, mais de 162,7 milhões de pessoas, com 49% de sua população já tendo sido plenamente vacinada. Sendo que, até abril lideravam o ritmo de vacinação global, com uma média de 3,5 milhões de pessoas sendo vacinadas por dia, estes números caíram em maio para 2,4 milhões/dia, momento em que o governo ampliou as campanhas de conscientização e implementou diversas estratégias para se ampliar a cobertura vacinal, como a de se permitir que os imigrantes se vacinassem sem comprovação de residência. Entretanto, o negacionismo da era Trump ainda é prevalente no país e isto faz com que haja extrema dificuldade para se ampliar a cobertura vacinal. Essa “pandemia dos não vacinados” já se expressa no aumento na média móvel de casos em 53% em uma semana, com data de corte em 25 de julho, sendo que 80% dos casos, são da variante Delta. Os hospitais estão voltando a ficar lotados e 99,5% das mortes por Covid-19 estão ocorrendo entre grupos não vacinados.

A pandemia ainda não se encerrou e precisamos nos cuidar, é fundamental que os governos implementem ações de governança que envolvam campanhas de conscientização e o monitoramento da evolução pandêmica com suas novas cepas virais, assim como as vacinas são o caminho, mas tomar cuidado com o negacionismo e os “terraplanistas de plantão” é uma atitude sábia.

Vem comigo!!!

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