terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

NA PANDEMIA, A IMPORTÂNCIA DA DIVERSIDADE DE VACINAS


 


A pandemia continua com o seu percurso avassalador e o seu vírus causador, o SARS-COV-2, preocupa com suas 2 mutações mensais comprovadas cientificamente e ao se apresentar em 3 novas cepas virais (sul-africana, britânica e brasileira) com maior velocidade de contágio, com alteração na faixa etária atingida e, a se comprovar, de maior letalidade. As vacinas que, recentemente, chegaram para encaminhar o fim deste evento sanitário, enfrentam o desafio de se mostrarem eficazes contra estas novas cepas virais e outras que se apresentem.

As novas cepas virais da África do Sul e do Reino Unido já foram sequenciadas, apresentando entre 8 e 11 alterações na proteína Spike do vírus, tendo a vacina de Oxford sofrido seu primeiro revés. Segundo estudos desenvolvidos pela Universidade de Oxford e de Witwatersrand, na África do Sul, o imunizante oferece proteção limitada contra casos leves e moderados da variante detectada naquele país, a sua eficácia de 70% foi reduzida, oscilando entre 10% e 26%, são dados preliminares, mas em função destes indicadores, o governo sul-africano suspendeu o seu uso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) se pronunciou sobre a vacina de Oxford ter redução de eficácia contra diferentes variantes, mas ser capaz de reduzir mortes, hospitalizações e casos graves. Contra a variante do Reino Unido, a vacina manteve a sua eficácia.

Temos diferentes tipos de vacinas a partir da sua elaboração: de vírus inativo (Sinovac-Coronavac, Bharat/Biotech, Sinopharm), de fragmento de proteína viral (Novamax, EpiVacCorona), de vetor viral replicante (Oxford/AstraZeneca, Jansen, CanSinoBio, Sputnik-V) e de RNA viral (Pfizer/BioNTech e Moderna).

Com exceção das elaboradas a partir do vírus inativo, as outras, notadamente mais avançadas e com maior eficácia, são desenvolvidas a partir de fragmentos da proteína Spike do vírus e variantes mais elaboradas, podem vir a driblar a sua capacidade de formar anticorpos, reduzindo a sua eficácia. A vacina de Oxford, elaborada a partir de um vetor viral replicante, um adenovírus, um dos mais de 200 vírus que causam o resfriado comum, assim como o Coronavírus, que tem em seu interior um fragmento da proteína Spike e foi desenvolvida em chipanzés, é um claro exemplo disso.

A Coronavac, desenvolvida a partir de um vírus inativo, apesar de apresentar menor eficácia, utiliza o vírus integralmente e isto pode ser um importante diferencial contra estas novas cepas virais, visto que as principais mutações ocorrem na proteína Spike, como já foi dito, base para a elaboração das demais vacinas. Claro que as vacinas serão reformuladas perante as novas cepas virais que forem surgindo, como ocorre com a vacina da gripe, entretanto, existe um tempo para isto, a AstraZeneca comunicou demorar 9 meses para a adequação da vacina de Oxford. Já as vacinas elaboradas a partir de RNA viral demandariam um tempo bem menor para a sua adequação.

As vacinas elaboradas a partir de RNA viral, a da Pfizer/BioNTech e da Moderna, são “top de linha”, com eficácia de 95% e 94,5%, respectivamente, sendo as únicas que apresentam estudos de 3ª fase de testes em humanos completos, mantendo a sua eficácia para todas as faixas etárias, com poucos e brandos episódios adversos relatados, ainda pode ser produzida e adequada às novas cepas virais em tempo bem menor que as outras, entretanto, necessitam de acondicionamento em temperaturas baixas, -80ºC e -20ºC, respectivamente, e como são elaboradas a partir de genoma da proteína Spike do vírus, possivelmente venham a ter a sua eficácia reduzida perante novas variantes.

A partir do fato que não existe uma vacina ideal e da realidade brasileira de país continental, com mais de 210 milhões de habitantes, onde a equidade regional escancara diferentes perfis epidemiológicos e etários, impõe a utilização de diferentes tipos de vacinas.

As vacinas a partir de RNA viral (Pfizer e Moderna) são as que apresentam resultados mais robustos para idosos e apesar da dificuldade com relação a conservação em baixas temperaturas, poderiam ser direcionadas para os grandes centros urbanos. Já as vacinas elaboradas a partir do vírus inativo (Coronavac) tem maiores chances de proteção contra novas cepas virais, como é o caso da variante que surgiu em Manaus, contudo, se provocam uma reação imunológica importante por formação de anticorpos, não demonstram a mesma efetividade na imunização celular, esta mais duradoura.

Além de melhor utilizar os pontos fortes de cada imunizante e relativizar suas deficiências, a disponibilidade de uma diversidade de vacinas poderia ampliar a cobertura vacinal. Afinal a vacinação continua vagarosa, por volta de 3% da população brasileira foi imunizada e isto é pouco, os resultados das vacinas devem surgir a partir de 20% de imunização da população.

Isto que abordo pode soar como uma utopia visto todos os desmandos e atitudes negacionistas por parte do Governo Federal e do Ministério da Saúde (MS) desde o início desta pandemia, tendo como ápice desta falta de governança a ausência de um planejamento logístico de compra de insumos e de vacinas, atualmente temos apenas duas disponibilizadas e em doses diminutas, os insumos (seringas, agulhas, entre outros), não foram adquiridos em tempo, portanto estamos utilizando a reserva técnica para outras vacinas.

Afora isto, a nova cepa viral (P1) surgida em Manaus – AM, gerou um caos sanitário nos estados do norte e não foi contida pelo MS, se disseminando por outros 12 estados, inclusive sofrendo uma mutação no Rio de Janeiro para uma nova cepa viral (P2).

Mas sempre há tempo de se fazer a coisa certa, o caminho para o encerramento desta pandemia são as vacinas e o seu uso em diversidade estreita este caminho.


Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

Vem comigo!!!



Contatos:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99916-0744 E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com


 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

NA PANDEMIA, O DESAFIO DA NOVA ESCOLA (Parte II)

A pandemia da Covid-19 entra em uma fase importante com a chegada das vacinas, apesar de novas cepas virais que vitaminam uma segunda onda, a qual assola de maneira impiedosa todos os países do globo. As vacinas descortinam o caminho para o encerramento deste evento sanitário, o que se espera para o primeiro semestre de 2022.


Este evento sem precedentes na história da humanidade carrega consigo a capacidade de desestruturar modelos políticos e econômicos, de desnudar problemas conjunturais, como a desigualdade social, a degradação ambiental, a fragilidade de sistemas de saúde que se somam a ações de governança ineficazes e ao radicalismo ideológico que impera em diversas partes do mundo. Em contraponto, também carrega consigo o viés de prover ou acelerar transformações em múltiplas áreas, nas relações e forma de trabalho, nos costumes, no relacionamento interpessoal e no modelo educacional.

O nosso modelo de ensino ainda tem como base o modelo criado entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, calcado em ferramentas e metodologia de aprendizagem que trazem resquícios da 2ª Revolução Industrial, que se iniciou em 1850. Entretanto, este modelo começou a mudar na prática em 2014 com a elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), promulgada pelo Ministério da Educação em 2017 e que visa atualizar o Plano Nacional de Educação.

A BNCC é o documento que determina os direitos de aprendizagem de todo o aluno cursando a Educação Básica no Brasil, tendo sua introdução e objetivos gerais já aprovados, apresentando 10 competências gerais, as quais ferramentam a educação brasileira para a transposição do modelo atual para a educação da 4ª Revolução Industrial, a 4.0. Suas competências específicas estão sendo construídas loco-regionalmente, através de oficinas que permitam o fluxo social e carecendo da aprovação dos Conselhos de Educação. Inicialmente se pretendia concluir esta etapa em 2021, mas a pandemia pode alterar este cronograma.

A Educação Básica se compõe do ensino infantil, fundamental e médio. Segundo o censo escolar de 2017, o Brasil conta com 184,1 mil escolas de Educação Básica, 2/3 destas sob responsabilidade dos municípios, sendo 21,7% da rede privada. Temos 67% das escolas brasileiras localizadas em áreas urbanas, 71,5% oferecem ensino fundamental e apenas 15,5%, ensino médio. Das escolas públicas de ensino fundamental, 46,8% dispõe de laboratório de informática, 65,6% tem acesso à internet e em 53,5% a internet é por banda larga, mas esta proporção se configura de maneira desigual pelas regiões do país, descortinando locais de extrema carência no seu sistema educacional. Lembro que, mais de 100 milhões de brasileiros estão conectados à internet em contraponto a 68 milhões que estão excluídos da era digital.

O ensino híbrido, o qual conjuga o ensino tradicional com ao menos um recurso tecnológico, parece ter sido descoberto na pandemia, mas, o Blended Learning surgiu nos EUA ainda nos anos 60, década em que começou a utilização da tecnologia em sala de aula, embalada pela 3ª Revolução Industrial iniciada em 1950, responsável pela transição da tecnologia analógica para a digital, pelo surgimento dos microcomputadores e, em 1969, da internet. Este conceito foi aprimorado e desenvolvido, ainda nos EUA, pelo Instituto Clayton Christensen nos anos 2000, chegando ao Brasil em 2014, a partir de um trabalho conjunto desenvolvido pelo Instituto Península e Fundação Lemann.

Os modelos de ensino híbrido se dividem em 2 grandes grupos: disruptivos e sustentados. No Brasil são mais aplicados os sustentados, sendo os modelos: rotação por estações, laboratório rotacional e sala de aula invertida. Todos eles mesclam o modelo tradicional com a tecnologia, se diferenciando na forma e na intensidade do uso dos meios digitais, mas se assemelhando no conceito de modificação na relação aluno e professor, em uma nova organização nas salas de aula, na didática de aprendizagem e no conceito de se fomentar o desenvolvimento de um aluno pesquisador, empreendedor e proativo.

O ensino híbrido é um conceito que está vertebrando a Educação 4.0, a qual surgiu a partir da 4ª Revolução Industrial que se iniciou em 2011 e que se conceitualiza no learning by doing, em português, “aprender fazendo”.

Se a pandemia impôs a ampliação do ensino online, também antecipará a mudança do nosso modelo de ensino, tardiamente e impactante para muitos, estamos entendendo o quanto está atrasado o nosso modelo educacional.

Neste momento de retorno às aulas, é importante que se tenha foco no que precisamos urgentemente fazer, qual seja, um projeto de retorno seguro, o qual tenha um planejamento sanitário sustentável que englobe protocolos, palestras para professores, pais e alunos, treinamento para os atores educacionais e assessoria para a sua implementação, assim como para os empreendedores, no intuito de estarem resguardados perante a legislação sanitária criada nesta pandemia. Este projeto sanitário precisa dialogar com o planejamento político pedagógico do estabelecimento ou sistema de ensino.

Claro que, o projeto de retorno seguro às aulas, que se divide em sanitário e pedagógico, precisa estar incluído em um planejamento estratégico que entenda que a transformação do modelo de ensino atual para o modelo de Educação 4.0 é irreversível.

Em um momento de mudança, de transformação, aqueles que entendem e comungam com o novo mundo que se avizinha, prosperam.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

Vem comigo!!!


Contatos:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99916-0744
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com

 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

NA PANDEMIA, O DESAFIO DA NOVA ESCOLA


A pandemia da Covid-19 continua a todo vapor mundo afora em uma severa segunda onda. O Brasil oscila em aumento e diminuição de casos e óbitos em seus estados, mas perante um platô consolidado alto, o que é muito preocupante. Manaus-AM, vitaminada por uma nova e importante cepa viral, vê o colapso do seu sistema de saúde, situação que está se disseminando para outros estados do Norte.


Em contrapartida, a vacina Coronavac e, agora, um lote de 2 milhões de doses da vacina de Oxford, finalmente cedidas pela Índia, começam a imunizar a nossa população. Entretanto, a incompetência e os erros grosseiros que beiram a omissão, continuam por parte do Governo Federal e do Ministério da Saúde (MS). Incapaz de prover um plano de enfrentamento desta pandemia, sem testar a população em volume e eficácia suficientes para identificar o quantitativo de contaminados, provendo com isto o entendimento de sua real dimensão e um planejamento correto de ações, também se mostra incapaz de elaborar um planejamento e um plano de vacinação. Creio que faltarão insumos, como seringas e agulhas, afinal, não foram adquiridos previamente perante uma logística de imunização, assim como deveremos ter dificuldades em engatarmos uma imunização em massa, por ausência de vacinas. Soma-se a falta de governança desta pandemia, as narrativas do chefe da nação, distantes da ciência, negacionistas e discriminatórias, inclusive, contra países como a China, o que vêm dificultando a liberação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), necessário para a elaboração de nossas 2 vacinas.

Em um ambiente de caos que se instaurou neste país desde 2020, onde as discussões ideológicas prevaleceram sobre a ciência, na iminência de ser enquadrado em crime de responsabilidade pela condução errática desta pandemia e vendo a população desaprovar de maneira preocupante as suas atitudes, o chefe da nação tem mudado diametralmente sua postura e movido uma operação de guerra para salvar seu governo. Nesta conjuntura complexa, em um momento ímpar na história da humanidade, as mudanças ocorrem e são de difícil previsibilidade, entretanto, a 4ª Revolução Industrial, em curso desde 2011, é realidade e impacta de maneira definitiva o modelo educacional.

A 1ª Revolução Industrial se iniciou em 1760, na Inglaterra, sendo paradigma de produção de grande escala; a 2ª se iniciou em 1850 e abrangeu o desenvolvimento de indústrias elétricas, de petróleo, química e aço, ainda a evolução nos meios de transporte e comunicação; a 3ª se iniciou em 1950 e teve como marca a gradual evolução da mecânica analógica para a digital, o uso de microcomputadores e a criação da internet (1969); a 4ª se iniciou em 2011 e está relacionada com a conjunção das tecnologias existentes e que estão transformando o mundo.

A educação brasileira, na iminência do retorno às aulas, impactada não apenas pela pandemia, mas grandemente pela desigualdade social e falta de estrutura da educação pública, descortinada pela realidade destes alunos, alguns com mais de 10 meses sem aulas, em contraponto aos alunos da rede privada que mantiveram a grade curricular através do ensino à distância, se vê no desafio de um projeto de retorno seguro às aulas e também na realidade de que o ensino 4.0, da 4ª Revolução Industrial, não tem mais como ser adiado.

Perante o fato que 68 milhões de brasileiros estão excluídos da era digital, apenas 46,8% das escolas públicas de ensino fundamental dispõe de laboratório de informática, 65,6% tem acesso à internet e apenas em 53,5% a internet é por banda larga, podemos dimensionar o desafio das escolas públicas tanto para o retorno às aulas que, possivelmente, será hibrido, assim como a inevitável transposição para a educação 4.0. Claro que o ensino privado enfrentará este desafio em condições diferentes, mas deve haver o entendimento que precisará investir para montar e implementar um projeto que também envolva a adaptação de sua estrutura física, a qualificação de seus professores e investimentos em tecnologia.

A Base Nacional Curricular Comum (BNCC), atualizou e completou o Plano Nacional de Educação incluindo competências exigidas dos alunos que ferramentam a transição para a educação 4.0, a qual utiliza a conexão de ferramentas de uso diário na internet, automação, impressão 3D e inteligência artificial, baseando-se no conceito de learning by doing, em português, “aprender fazendo”. O conceito é amplo e tem como foco alterar o modelo de educação, transformar o perfil do aluno para um modelo pesquisador, empreendedor e proativo.

A pandemia acelerou esta transição do modelo educacional atual em nosso país, calcado em modelo de ensino desenvolvido entre as 1ª e 2ª grandes Guerras Mundiais, para a educação 4.0, claro que haverá um período de transição e este se inicia com um projeto de retorno seguro às aulas, as quais deverão ser híbridas (presenciais mescladas com online), com classes menores, com protocolos sanitários, exigindo palestras de conscientização para professores, pais e alunos, cursos de treinamento e assessoramento para a implementação de um projeto sanitário que se converse com o planejamento pedagógico provendo segurança para todos e, inclusive, jurídica para o empreendedor.

Paralelamente a esta primeira etapa de retorno seguro às aulas, muito importante, visto que esta pandemia ainda não está sob controle, há necessidade de os gestores educacionais entenderem que este evento sanitário acelerou um processo, que vejo irreversível, de mudança para um modelo educacional afeito ao mundo tecnológico em que vivemos.

O momento é de mudança, aqueles que entenderem isso, vão prosperar.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

Vem comigo!!!


Contatos:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99916-0744
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com

 

TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...