terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

NA PANDEMIA, O DESAFIO DA NOVA ESCOLA (Parte II)

A pandemia da Covid-19 entra em uma fase importante com a chegada das vacinas, apesar de novas cepas virais que vitaminam uma segunda onda, a qual assola de maneira impiedosa todos os países do globo. As vacinas descortinam o caminho para o encerramento deste evento sanitário, o que se espera para o primeiro semestre de 2022.


Este evento sem precedentes na história da humanidade carrega consigo a capacidade de desestruturar modelos políticos e econômicos, de desnudar problemas conjunturais, como a desigualdade social, a degradação ambiental, a fragilidade de sistemas de saúde que se somam a ações de governança ineficazes e ao radicalismo ideológico que impera em diversas partes do mundo. Em contraponto, também carrega consigo o viés de prover ou acelerar transformações em múltiplas áreas, nas relações e forma de trabalho, nos costumes, no relacionamento interpessoal e no modelo educacional.

O nosso modelo de ensino ainda tem como base o modelo criado entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, calcado em ferramentas e metodologia de aprendizagem que trazem resquícios da 2ª Revolução Industrial, que se iniciou em 1850. Entretanto, este modelo começou a mudar na prática em 2014 com a elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), promulgada pelo Ministério da Educação em 2017 e que visa atualizar o Plano Nacional de Educação.

A BNCC é o documento que determina os direitos de aprendizagem de todo o aluno cursando a Educação Básica no Brasil, tendo sua introdução e objetivos gerais já aprovados, apresentando 10 competências gerais, as quais ferramentam a educação brasileira para a transposição do modelo atual para a educação da 4ª Revolução Industrial, a 4.0. Suas competências específicas estão sendo construídas loco-regionalmente, através de oficinas que permitam o fluxo social e carecendo da aprovação dos Conselhos de Educação. Inicialmente se pretendia concluir esta etapa em 2021, mas a pandemia pode alterar este cronograma.

A Educação Básica se compõe do ensino infantil, fundamental e médio. Segundo o censo escolar de 2017, o Brasil conta com 184,1 mil escolas de Educação Básica, 2/3 destas sob responsabilidade dos municípios, sendo 21,7% da rede privada. Temos 67% das escolas brasileiras localizadas em áreas urbanas, 71,5% oferecem ensino fundamental e apenas 15,5%, ensino médio. Das escolas públicas de ensino fundamental, 46,8% dispõe de laboratório de informática, 65,6% tem acesso à internet e em 53,5% a internet é por banda larga, mas esta proporção se configura de maneira desigual pelas regiões do país, descortinando locais de extrema carência no seu sistema educacional. Lembro que, mais de 100 milhões de brasileiros estão conectados à internet em contraponto a 68 milhões que estão excluídos da era digital.

O ensino híbrido, o qual conjuga o ensino tradicional com ao menos um recurso tecnológico, parece ter sido descoberto na pandemia, mas, o Blended Learning surgiu nos EUA ainda nos anos 60, década em que começou a utilização da tecnologia em sala de aula, embalada pela 3ª Revolução Industrial iniciada em 1950, responsável pela transição da tecnologia analógica para a digital, pelo surgimento dos microcomputadores e, em 1969, da internet. Este conceito foi aprimorado e desenvolvido, ainda nos EUA, pelo Instituto Clayton Christensen nos anos 2000, chegando ao Brasil em 2014, a partir de um trabalho conjunto desenvolvido pelo Instituto Península e Fundação Lemann.

Os modelos de ensino híbrido se dividem em 2 grandes grupos: disruptivos e sustentados. No Brasil são mais aplicados os sustentados, sendo os modelos: rotação por estações, laboratório rotacional e sala de aula invertida. Todos eles mesclam o modelo tradicional com a tecnologia, se diferenciando na forma e na intensidade do uso dos meios digitais, mas se assemelhando no conceito de modificação na relação aluno e professor, em uma nova organização nas salas de aula, na didática de aprendizagem e no conceito de se fomentar o desenvolvimento de um aluno pesquisador, empreendedor e proativo.

O ensino híbrido é um conceito que está vertebrando a Educação 4.0, a qual surgiu a partir da 4ª Revolução Industrial que se iniciou em 2011 e que se conceitualiza no learning by doing, em português, “aprender fazendo”.

Se a pandemia impôs a ampliação do ensino online, também antecipará a mudança do nosso modelo de ensino, tardiamente e impactante para muitos, estamos entendendo o quanto está atrasado o nosso modelo educacional.

Neste momento de retorno às aulas, é importante que se tenha foco no que precisamos urgentemente fazer, qual seja, um projeto de retorno seguro, o qual tenha um planejamento sanitário sustentável que englobe protocolos, palestras para professores, pais e alunos, treinamento para os atores educacionais e assessoria para a sua implementação, assim como para os empreendedores, no intuito de estarem resguardados perante a legislação sanitária criada nesta pandemia. Este projeto sanitário precisa dialogar com o planejamento político pedagógico do estabelecimento ou sistema de ensino.

Claro que, o projeto de retorno seguro às aulas, que se divide em sanitário e pedagógico, precisa estar incluído em um planejamento estratégico que entenda que a transformação do modelo de ensino atual para o modelo de Educação 4.0 é irreversível.

Em um momento de mudança, de transformação, aqueles que entendem e comungam com o novo mundo que se avizinha, prosperam.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

Vem comigo!!!


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