terça-feira, 31 de agosto de 2021

HIPERTENSÃO ARTERIAL, DOENÇA QUE CRESCE PERIGOSAMENTE NO MUNDO

 


A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, em agosto de 2021, um amplo estudo global realizado em conjunto com o Imperial College de Londres, onde constatou que em cerca de 30 anos, o número de pessoas com Hipertensão Arterial dobrou.

Em 1990 havia algo em torno de 650 milhões de hipertensos, em 2019 esses números saltaram para aproximadamente 1,4 bilhão, destes, cerca de 700 milhões não sabem que tem a doença e, portanto, não estão sendo tratados. Este trabalho publicado na conceituada revista científica The Lancet, envolveu 1021 estudos, em 184 países e 104 milhões de participantes durante os anos de 1990 e 2019.

A pressão arterial é medida em milímetros (mm) ou centímetros (cm) de mercúrio (Hg), sendo considerados excelentes os valores de 120/80 mmHg ou 12/8 cmHg. Contudo, quando esta pressão se encontra de maneira continuada maior que 140/90 mmHg ou 14/9 comHg, é considerada alta.

Segundo a OMS, as doenças cardiovasculares são as primeiras causas de morte no mundo e, conforme o Ministério da Saúde (MS), 32,3% da população brasileira morre por este problema. A Hipertensão Arterial é responsável por 35% de todos os grandes eventos cardiovasculares.

No Brasil, cerca de 30% da nossa população é formada por hipertensos, conforme identifica a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Sendo uma doença crônica não transmissível (DCNT) definida por níveis pressóricos, quais sejam, níveis de pressão em dissintonia com o nível ideal, em que os benefícios do tratamento (não medicamentoso e/ou medicamentoso) superam os riscos. É o principal fator de risco modificável, qual seja, relacionado com hábitos de vida, com associação independente, linear e contínua para doenças cardiovasculares, entre elas o infarto agudo do miocárdio (IAM) e o acidente vascular cerebral (AVC), doença renal crônica e morte prematura. Associa-se a fatores de risco de ordem metabólica para as doenças do sistema cardiocirculatório e renal, como: dislipidemia (colesterol elevado ou gorduras no sangue), obesidade abdominal, intolerância à glicose e diabetes.

Quanto aos fatores de risco, temos os não modificáveis, com relevo para fatores genéticos e o envelhecimento. Os fatores modificáveis são: rotina de vida pouco saudável, maus hábitos alimentares (como o consumo exagerado de sal e a alimentação desbalanceada), sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, níveis elevados de colesterol, estresse e consumo de medicamentos (como corticoides e anti-inflamatórios). A diabetes e doenças com causa cardíaca pré-existentes, juntam-se aos fatores de risco.

A Hipertensão Arterial é uma doença de evolução silenciosa, em geral, não apresentando sintomas e isto é um problema, nos reportando à pesquisa da OMS em conjunto com o Imperial College de Londres, percebemos que, aproximadamente metade das pessoas acometidas, não estão em tratamento, na maior parte das vezes, por não saberem que são portadoras da doença. Esta situação faz com que a doença acabe sendo diagnosticada tardiamente, perante a existência de um problema de saúde mais grave, correlato à pré-existência da Hipertensão Arterial, por exemplo, doenças cardíacas e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Reitero que, a Hipertensão Arterial é o maior fator causador de morte prematura.

A despeito de ser uma doença silenciosa, quando em estágio mais avançado, alguns sintomas podem ocorrer: dor de cabeça, falta de ar, visão borrada, zumbido no ouvido, tontura e dores no peito.

O diagnóstico da Hipertensão Arterial é um ato médico baseado em procedimentos relativamente simples, quais sejam: anamnese (informações subjetivas colhidas do paciente), exame físico e exames complementares, fechando com isto, a investigação e diagnóstico da doença, sua etiologia, graus de comprometimento de órgãos–alvo e na identificação dos fatores de risco cardiovascular associados.

Esta doença não tem cura, sendo crônica e necessitando de cuidados por toda a vida, contudo, existe como preveni-la ou mesmo conviver de maneira harmoniosa com a sua existência, para tanto: exercite-se, reduza o consumo de sal, reduza a ingestão de álcool, evite o excesso de peso e gordura abdominal, não fume, evite o estresse e mantenha um bom nível de vitamina D no organismo (sintetizada principalmente pela exposição à luz solar).

Nos pacientes hipertensos leves, o controle do peso corporal, a alimentação saudável e balanceada, a prática de atividade física moderada e a diminuição do consumo de bebida alcoólica, podem ser o suficiente para uma estabilização do quadro clínico. Entretanto, é importante se manter sob cuidados médicos e seguir as orientações do profissional. Em quadros ou episódios mais severos, o uso de medicações se fará necessário, como: anti-hipertensivo (reduz a pressão arterial), diurético (elimina excesso de líquido), betabloqueador (retarda a frequência cardíaca e reduz a pressão arterial), inibidor da ECA (relaxa os vasos sanguíneos, prevenindo danos aos rins relacionados ao Diabetes) e bloqueador dos canais de Cálcio (relaxa os vasos sanguíneos).

A Hipertensão Arterial é uma das principais causas de morte e doenças globalmente, contudo, o sinal de alerta pode ser facilmente identificado com a medição da pressão arterial em casa ou nas Unidades Básicas de Saúde do SUS, os especialistas indicam que isto ocorra ao menos uma vez por ano para pessoas com mais de 20 anos e 2 vezes para aqueles que tem um histórico familiar da doença.

Entendo que prevenir é fundamental na medicina, através desta atitude se identificam precocemente doenças, inclusive as mais graves, em estágios que permitem um tratamento com resultados promissores. No caso da Hipertensão Arterial, a lógica da identificação precoce se faz muito importante.

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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

A VARIANTE DELTA ESTÁ MOTIVANDO A TERCEIRA DOSE DAS VACINAS CONTRA A COVID-19

 


Todas as vacinas são seguras, eficientes e impedem que as pessoas evoluam para quadros mais graves da Covid-19, entretanto, fazendo um comparativo com o futebol, mesmo um gênio, como o Leonel Messi, eventualmente perde um pênalti ou falha em um jogo importante, portanto, nenhuma vacina tem 100% de eficácia. As vacinas contra a Covid-19 não impedem a contaminação e não refreiam a transmissão, sendo que, as novas variantes do vírus, em especial a variante Delta (Indiana), tem diminuído a eficácia das vacinas.

As vacinas atuam de duas formas para proporcionar a imunização: na formação de anticorpos e provocando a memória celular. Temos diferentes tipos de vacinas já em utilização contra a Covid-19, que diferem quanto a tecnologia utilizada em sua elaboração: vírus inativo (CoronaVac), proteína viral (EpiVacCorona), vetor viral não replicante (Oxford-AstraZeneca) e genômica (Pfizer e Moderna). Existem outras sendo elaboradas que envolvem outros tipos de tecnologia, mas me aterei as que já estão em uso.

A técnica de elaboração das vacinas pode impactar na sua eficácia, contudo, atinge diretamente a forma como provoca a imunização no organismo humano e a alteração que pode vir a sofrer em sua eficácia frente a novas variantes virais.

Vamos lá, o que isso tem a ver com a variante delta e a terceira dose da vacina?

Olha só, as vacinas elaboradas com a tecnologia de vetor viral não replicante e genômica trabalham com parte da proteína Spike do Sars-Cov2, diferentemente das elaboradas por tecnologia de vírus inativo, as quais utilizam o vírus integral. As novas variantes apresentam modificações que podem driblar a eficácia das vacinas, contudo os imunizantes que utilizam o vírus integral tendem a ter uma menor queda de eficácia. Todavia, as vacinas elaboradas a partir de vírus inativo provocam uma imunização por formação de anticorpos importante, mas, é pouco presente a imunização por memória celular.

Afora isso, o fato de termos diferentes tipos de vacinas nos proporciona que, com o uso e o tempo, identifiquemos o tipo de imunizante mais indicado para uma determinada faixa etária ou mesmo, não indicado, se devemos imunizar gestantes (em que período da gravidez e com qual vacina), o tempo que a imunização se mantem ativa, entre outras informações que vão modificando o plano vacinal na busca de uma maior resolubilidade. Esclareço que, na autorização de uso temporária ou mesmo definitiva, inicialmente os organismos de controle, no Brasil a ANVISA, são bastante restritivos com foco na segurança, posteriormente a prática vai remodelar as indicações de uso.

Reitero que, todas as vacinas são seguras e eficientes, alterando a eficácia conforme o tipo de imunizante, entretanto são vacinas que foram elaboradas em tempo recorde. Anteriormente, o imunizante que havia sido elaborado em menor prazo, foi contra a Caxumba (4 anos), portanto, muito há de se evoluir e a presença destas novas variantes, em especial a Delta, é um desafio que explica a necessidade de uma cobertura vacinal de segurança, a terceira dose.

A Variante Delta já se instalou em mais de 100 países e tende a se tornar predominante mundialmente, se apresentando, segundo o governo britânico, entre 40% e 60% mais contagiosa que a variante Alpha (originária da Inglaterra) e duas vezes mais transmissível que a cepa viral original, identificada em Wuhan, na China. Segundo a Fiocruz, a Delta é 3 vezes mais contagiosa que a variante Gama (originada em Manaus-AM e ainda predominante no Brasil), tendo maior velocidade de transmissão e maior capacidade para driblar a imunização provocada pelas vacinas. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo dos EUA, 83% dos casos de Covid-19 no país, neste momento, são provocados pela variante Delta.

No Brasil, o estado do Rio de Janeiro se tornou o epicentro de um surto pandêmico da variante Delta. Segundo boletim recente da Secretaria de Estado da Saúde, esta variante responde por 66% das amostras coletadas na capital e 60% no estado. Já passamos dos mil casos sequenciados da variante Delta no país, sendo que, este surto se mostra mais preocupante na região sudeste, mas, nossa incapacidade de elaborar barreiras sanitárias já foi demonstrada amplamente nesta pandemia, portanto, esta variante tende a se tornar predominante no país.

A ANVISA, conforme a atualização na indicação e contraindicação que é normal ocorrer com medicações e imunizantes, vetou o uso da CoronaVac para crianças e adolescentes. Já no dia 18 de agosto, recomendou a aplicação de uma terceira dose desta vacina para idosos e imunossuprimidos, ao tempo que no dia 19 de agosto requereu da Pfizer estudos para uma terceira dose da vacina.

O Ministério da Saúde (MS), através de seu ministro Marcelo Queiroga, se manifestou em 18 de agosto, que haverá a aplicação de dose de reforço da vacina, a terceira dose, sendo inicialmente aplicada em idosos e profissionais da saúde. Segundo ele, estudos estão sendo feitos para a aplicação da terceira dose das vacinas da Pfizer, AstraZeneca e CoronaVac, contudo, não esclareceu quando isso vai ocorrer.

Os EUA iniciam a aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19 (Pfizer e Moderna) em 20 de setembro, vários outros países também estão com planejamento de fazê-lo. O governo brasileiro que não apostou nas vacinas e aderiu de maneira tardia a compra dos imunizantes vive o dilema de avançar na cobertura vacinal com duas doses ou apostar na terceira dose como maneira de impedir o estabelecimento da variante Delta no país.

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terça-feira, 24 de agosto de 2021

A TECNOLOGIA EVOLUINDO EXPONENCIALMENTE A CIÊNCIA E TRANSFORMANDO A MEDICINA.



Vivemos um tempo de imensa evolução tecnológica e isto impacta grandemente na evolução da ciência e está transformando a área médica, facilitando o acesso, modificando processos, salvando vidas e gerando empoderamento ao paciente.

Esta evolução está redefinindo os processos cirúrgicos, cada vez menos invasivos, com um pós-operatório menos traumático e uma recuperação mais rápida. A expectativa de vida da população está aumentando em função disto, países como o Japão alcançaram uma média de expectativa de vida de 85 anos, o Brasil já atingiu 74 anos.

Se a expectativa de vida tem aumentado, já existindo esperança de cura de muitas doenças e a reparação de restrições físicas congênitas ou adquiridas, em evolução proporcional, a qualidade de vida tem evoluído. Em paralelo a isso, a Tecnologia da Informação (TI) é utilizada de maneira cada vez mais eficaz para armazenar e compartilhar dados dos pacientes, os quais podem ser de todas as ordens e utilizados, por exemplo, numa emergência hospitalar para ter prontamente informações sobre o seu histórico clínico, possíveis alergias, doenças pré-existentes e outras informações vitais para a estabilização e tratamento.

A TI está sendo utilizada de maneira crescente para a gestão de estoque de clínicas e hospitais, em programas de prontuários cada vez mais sofisticados, na gestão administrativa de Estruturas de Atenção em Saúde e em uma infinidade de outros processos relacionados a gestão e aos cuidados em saúde de estrutura sanitárias de diferentes linhas de atenção. Na linha de cuidados, a telemedicina já se tornou ferramenta de uso corriqueiro em unidades de saúde e hospitais públicos, propiciando que o médico especialista instrua, a distância, o médico generalista ou os profissionais de enfermagem a executarem, por exemplo, exames onde os laudos são enviados on-line. O eletrocardiograma é um dos mais executados por telemedicina.

Em outro extremo, o da sofisticação tecnológica, robôs possibilitam cirurgias cada vez menos invasivas, mais eficientes e eficazes, apresentando um pós-operatório de melhor qualidade. Os exames de diagnóstico por imagem também evoluíram bastante, um exemplo disto é o Pet Scan (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons), o qual está sendo muito utilizado para o diagnóstico precoce do Câncer e é capaz de mostrar como o corpo está funcionando, visualizando as alterações em nível celular, sendo mais amplo em informações e na possibilidade da identificação precoce da doença que os exames de ressonância magnética e tomografia computadorizada. Na mesma medida, as células tronco possibilitam a recuperação de órgãos e tecidos, salvando pacientes outrora em estado terminal e restaurando a qualidade de vida.

Como vimos, a evolução tecnológica está impactando todos os processos médicos, desde a prevenção, elaboração de diagnóstico, passando pela linha de cuidados, os ritos cirúrgicos e pós-cirúrgicos. Da mesma forma, o acesso aos serviços também está sendo impactado e em processo rápido de transformação. A marcação de consultas online está crescendo em uso (inclusive no serviço público), os aplicativos de agendamento de serviços médicos no próprio domicilio e os Home Care, estão em franca expansão.

No passado, o médico ou a clínica se estabelecia e criava ou adquiria um ponto comercial próximo a farmácias, hospitais e locais de grande circulação de pessoas, apostava no volume e na notoriedade de profissionais da área envolvidos, no intuito de criar um local de procura óbvia (se organizando em condomínios ou clinicas), somando-se a isso o atendimento a pacientes de planos de saúde, a plantões em hospitais e o tempo a conspirar para retribuir o retorno pelo bom trabalho em visibilidade e crescimento profissional. Nos dias atuais esta cartilha se amplia com a incorporação de novas tecnologias no tratamento, no acesso do paciente e na divulgação do profissional.

Atualmente a tecnologia promoveu um empoderamento do paciente e os profissionais de saúde precisam ter à disposição várias ferramentas digitais para satisfazer o cliente na facilitação do acesso e na divulgação de seus serviços. Os projetos de marketing digital são uma necessidade cada vez mais presente, divulgando, nos conformes do que a lei permite, seu trabalho como profissional através de conteúdos publicados em plataformas digitais como: Facebook, Instagram e LinkedIn, também em sites e blogs. A tradicional secretária que fazia a agenda dos pacientes por telefone está sendo rapidamente substituída pelo catálogo online, onde se procura a especialidade desejada e o profissional mais próximo de sua residência.

Os processos internos de uma clínica também se alteraram bruscamente, os cadastros são eletrônicos e exigem dados importantes de pré-consulta que possibilitem a pós-consulta e a fidelização do paciente. Os agendamentos ainda são híbridos, mas se encaminham rapidamente para se tornarem unicamente online.

Como vemos, a tecnologia evoluiu incrivelmente a ciência, como exemplo, temos nesta pandemia da Covid-19 a elaboração de vacinas em tempo recorde, lembrando que anteriormente a vacina da Caxumba tinha sido elaborada em menor tempo (4 anos), com tecnologia bastante avançada (inclusive a genômica), seguras, eficientes e muito eficazes. Esta evolução também impactou todos os processos que constituem uma estrutura de atenção em saúde (desde uma clínica até um hospital), ainda a forma de acesso do paciente aos serviços e os mecanismos de informação.

A evolução tecnológica cria condições para vivermos mais e com maior qualidade de vida, ao mesmo tempo transforma de maneira irreversível a área da saúde e fortalece o empoderamento do paciente.

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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

LONGEVIDADE E QUALIDADE DE VIDA: COMO VIVER MAIS E MELHOR

 


O ser humano está vivendo mais, a despeito da pandemia que reduziu mundialmente a expectativa de vida das pessoas. No Brasil houve uma redução de 2 anos, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com a Universidade de Harvard (EUA), contudo, até 2019, a expectativa de vida do brasileiro seguia uma curva crescente até atingir a média de 74 anos. Ao compararmos com nossos vizinhos da América do Sul, temos uma expectativa de vida menor que a Argentina (76 anos), o Uruguai (77 anos) e o Chile (80 anos). O Japão é o país com maior expectativa de vida, 84 anos e a média mundial é de 66,57 anos.

Este aumento está diretamente relacionado com o desenvolvimento social e a evolução da ciência, entretanto, existe uma correlação entre renda e saúde, a qual é perceptível quando comparamos a expectativa de vida dos países ricos e pobres.

No Brasil, cerca de 35 milhões de pessoas não tem acesso à água potável e 100 milhões não tem acesso à coleta e tratamento de esgoto, segundo o Ranking do Saneamento elaborado pelo Instituto Trata Brasil e pela GO Associados. Sobrevivem com até R$ 247,00 por mês, algo em torno de 27 milhões de pessoas e com a pandemia, pesquisas indicam que este número tende a triplicar. Nosso país lidera o ranking mundial de pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada (9,3% da população), é o 5º em casos de Depressão (5,8% da população) e o 8º em número de suicídios por ano, 12 mil. Será que estes indicadores impactam na expectativa de vida do brasileiro?

No início do século XIX, a expectativa de vida na Europa tinha a média de 35 anos, na Ásia e na África girava em torno de 28 anos. O planeta era habitado por algo em torno de um bilhão de pessoas, hoje somos mais de sete bilhões. Esta superpopulação do planeta é um ambiente propício para a proliferação de diversas doenças, em especial as virais, como esta pandemia que assola o mundo desde o final de 2019. Esta situação se soma a degradação ambiental, aos maus hábitos alimentares e de higiene, a desigualdade social, a fragilidade dos sistemas de saúde de diversos países, a falta de acesso à água potável e a ausência de saneamento básico que atinge um contingente imenso de pessoas globalmente para configurar um núcleo amplo dos que vivem, de alguma forma, em situação de risco.

Apesar do desenvolvimento que vivemos em diversas áreas e neste século, de maneira importante, na área da tecnologia, a qual transforma diariamente a vida das pessoas, criando facilitações jamais imaginadas e impactando de maneira exponencial na evolução dos processos na área da saúde, de outra medida a superpopulação do planeta faz com que problemas conjunturais se ampliem e que a diferença entre ricos e pobres influencie decisivamente na longevidade da espécie humana.

Os problemas conjunturais como a falta de acesso à água potável e a precariedade das medidas de higiene e saneamento básico, influenciam negativamente na expectativa de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% das doenças registradas ao redor do mundo poderiam ser evitadas se os países investissem mais na resolução destes problemas, paradoxalmente, a evolução positiva na expectativa de vida tem como um dos seus indicadores a melhoria que o mundo tem alcançado nestes quesitos. A alimentação também se configura como indicador importante para a longevidade humana, sendo que o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, com alimentos mais nutritivos, estão sendo fundamentais para que as pessoas criem maior resistência às doenças, contudo, segundo a OMS, mais de 820 milhões de pessoas passaram fome em 2018.

A medicina e a tecnologia também se associam para configurar um indicador importante. Se a ciência transformou em realidade o caminho para o fim da pandemia da Covid-19 através das vacinas, as mais rápidas já elaboradas e com tecnologia extremamente avançada, como a genômica, na mesma medida, tem prolongado a vida humana, tornado as cirurgias menos invasivas e o pós-operatório menos traumático e mais rápido. Vivemos o tempo das cirurgias robóticas, das células-tronco e da telemedicina.

Se o perfil etário da humanidade está mudando com o envelhecimento da população, neste caminho os desafios se tornam diferentes e isto se explicita no aumento da taxa de suicídios de pessoas com mais de 70 anos no mundo, preocupação apontada pela OMS em 2018. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, em dados divulgados em 2018, houve um aumento de 5,5 para 8,9 suicídios por 100 mil habitantes, de pessoas com mais de 70 anos, entre os anos de 2012 e 2017, sendo que a população com mais de 60 anos, neste mesmo lapso temporal, aumentou em 18,8%.

Estamos vivendo por mais tempo, isto é fato. Conciliar longevidade e qualidade de vida nos faz conjugar o binômio saúde e bem-estar. Planejamento de vida se faz necessário, além de mudar a mentalidade com relação ao envelhecimento, entendê-lo como um processo continuado que se inicia com o nascimento. A sociedade também precisa evoluir o seu conceito com relação aos mais velhos, isto é importante em qualquer tempo, ainda mais neste momento onde a idade cronológica que caracteriza a velhice está sendo cada vez mais alongada. Os cuidados com a saúde física e mental são essenciais, assim como se manter ativo e jamais perder a chama dos sonhos.



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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...