segunda-feira, 21 de outubro de 2019

DESVENDANDO UM TABU: SUICIDIO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES. (Parte II)

           


Nesta segunda parte, abordarei os motivos, como agir com seus filhos e continuarei junto com você a desvendar o suicídio de crianças e adolescentes, um tabu o qual mistura preconceito e carência de informações, mas que precisa ter suas razões identificadas, romper com este silêncio, bradar um sinal de alerta e se uma vida for salva, este artigo terá alcançado o seu objetivo.

Motivos estudados que podem levar a criança e o adolescente a tentar o suicídio:

· Sentimento de abandono;
· Desajustamento na escola ou em casa;
· Desesperança em relação ao futuro;
· Uso de álcool e drogas (cada vez mais precoce);
· Quadros de doenças psicossociais: Depressão, Síndrome de Déficit de Atenção e Hiperatividade, entre outras;
· Abusos e maus-tratos;
· Maternidade em idade prematura;
· Impulsividade natural de crianças e adolescentes;
· Violência social: Bullying;
· Fator “Era Digital”.
Ao observar os motivos identificados por especialistas percebemos os quadros de doenças psicossociais, segundo o Dr. Marcelo Dault Von Der Heyde, médico psiquiatra: “Perto de 90% em média, dos quadros de suicídio, tem algum distúrbio mental por trás, seja em adultos ou adolescentes. E na maior parte das vezes, são quadros tratáveis.” Ainda segundo o Dr. Marcelo: “A questão do suicídio é uma emergência médica da mesma forma que o infarto ou uma infecção. As pessoas precisam entender que, quando há intenção de suicídio isso é uma emergência médica e precisa de ajuda imediata”. 

Será que, realmente em 90% dos casos de suicídio de crianças e adolescentes tem alguma interferência de distúrbios psicossociais? Acreditando nesta tese que alguns especialistas defendem, e a razão do suicídio dos outros 10%? 

Quando se observa novamente o quadro de motivos é de se perceber o desarranjo familiar, a desesperança com relação ao futuro, abusos e maus-tratos e outros motivos diretamente relacionados com questões familiares, a educação que é dada a estas crianças e adolescentes e a sociedade em que vivemos, a qual por vezes é bastante cruel e perversa. 

Poderia comentar ainda a maternidade prematura que faz com que muitas jovens, ainda na adolescência, acabem atentando contra a própria vida, em situações as quais precisam ser melhor apreciadas; ou o uso, em idades tenras, de álcool e drogas, motivos que acredito estejam diretamente relacionados ao núcleo familiar destes jovens. Mas para mim, pelo que eu tenho estudado e pesquisado, estes fatores aos quais me reportei anteriormente, sempre estiveram aí e portanto, não acredito que devam ser o real motivo desta curva de crescimento do suicídio de crianças e adolescentes apresentada nos últimos anos, com exceção de dois motivos que tem chamado a atenção de especialistas, como o professor da Fundação Oswaldo Cruz, médico psiquiatra e psicanalista Dr. Carlos Estelitta Lins, o qual defende que a sociedade em que vivemos e a “Era Digital” sejam os grandes motivadores deste aumento considerável na incidência de suicídios nesta faixa etária, nos últimos anos.

Segundo a Dra. Angela de Leão Bley, doutora em Psicologia Clínica e Chefe do Serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe de Curitiba-PR: “Em especial os pais, mas também amigos e educadores, devem estar atentos a sinais que identificam que há algo de errado com o psicológico de suas crianças e adolescentes, podendo conotar em boa parte dos casos um distúrbio psicossocial e/ou uma ideação suicida.”

Sinais (Crianças): 

· Apatia, voz monótona;
· Sintomas físicos (como dor de barriga, dor de cabeça e dificuldade em dormir recorrentes);
· Irritação;
· Queda no desempenho escolar ou não gosta mais de ir para a escola;
· Mudança na alimentação (come muito ou come pouco);
Sinais (Adolescentes):
· Conseguem relatar de uma forma mais clara através de frases como: “eu sou um peso morto para a família”, “ninguém gosta de mim”;
· Demonstrar grau de desesperança;
· Mudança de hábitos (escolar, alimentação, entre outros).
Segundo o Dr. Marcelo Heyde, após identificar os sinais, o diálogo entre pais e filhos deve ser o mais acolhedor possível, sem julgamento: “Muitas vezes o jovem quer o diálogo, mas ele tem medo do julgamento e por isso evita”, ainda segundo o Dr. Marcelo: “Saber escutar seus filhos é muito mais importante do que correr atrás de sintomas escondidos”.

Ao concluir a segunda parte deste artigo, onde me aprofundei em pesquisas, identificando motivos e sinais perceptíveis de alterações psíquicas e/ou comportamentais que possam antever o suicídio de crianças e adolescentes, analisando e contextualizando os mesmos, cada vez mais percebo a carência de pesquisas e de informações abalizadas sobre o tema, o que fortalece a intenção deste trabalho de informar, alertar e como disse no início, se uma vida for salva, este artigo terá alcançado o seu objetivo.

Na próxima terça-feira, na terceira parte estarei desvendando dois motivos, os quais estou firmando sólida convicção de serem catalisadores desta curva de crescimento ocorrida nos últimos anos, do suicídio de crianças e adolescentes, quais sejam: “A sociedade em que vivemos” e a “Era Digital”.  

Vem comigo!!!

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