Nesta
segunda parte, abordarei os motivos, como agir com seus filhos e continuarei
junto com você a desvendar o suicídio de crianças e adolescentes, um tabu o
qual mistura preconceito e carência de informações, mas que precisa ter suas
razões identificadas, romper com este silêncio, bradar um sinal de alerta e se
uma vida for salva, este artigo terá alcançado o seu objetivo.
Motivos
estudados que podem levar a criança e o adolescente a tentar o suicídio:
· Sentimento
de abandono;
· Desajustamento
na escola ou em casa;
· Desesperança
em relação ao futuro;
· Uso
de álcool e drogas (cada vez mais precoce);
· Quadros
de doenças psicossociais: Depressão, Síndrome de Déficit de Atenção e
Hiperatividade, entre outras;
· Abusos
e maus-tratos;
· Maternidade
em idade prematura;
· Impulsividade
natural de crianças e adolescentes;
· Violência
social: Bullying;
· Fator
“Era Digital”.
Ao
observar os motivos identificados por especialistas percebemos os quadros de
doenças psicossociais, segundo o Dr. Marcelo Dault Von Der Heyde, médico
psiquiatra: “Perto de 90% em média, dos quadros de suicídio, tem algum
distúrbio mental por trás, seja em adultos ou adolescentes. E na maior parte
das vezes, são quadros tratáveis.” Ainda segundo o Dr. Marcelo: “A questão do
suicídio é uma emergência médica da mesma forma que o infarto ou uma infecção.
As pessoas precisam entender que, quando há intenção de suicídio isso é uma
emergência médica e precisa de ajuda imediata”.
Será
que, realmente em 90% dos casos de suicídio de crianças e adolescentes tem
alguma interferência de distúrbios psicossociais? Acreditando nesta tese que
alguns especialistas defendem, e a razão do suicídio dos outros 10%?
Quando
se observa novamente o quadro de motivos é de se perceber o desarranjo
familiar, a desesperança com relação ao futuro, abusos e maus-tratos e outros
motivos diretamente relacionados com questões familiares, a educação que é dada
a estas crianças e adolescentes e a sociedade em que vivemos, a qual por vezes
é bastante cruel e perversa.
Poderia
comentar ainda a maternidade prematura que faz com que muitas jovens, ainda na
adolescência, acabem atentando contra a própria vida, em situações as quais
precisam ser melhor apreciadas; ou o uso, em idades tenras, de álcool e drogas,
motivos que acredito estejam diretamente relacionados ao núcleo familiar destes
jovens. Mas para mim, pelo que eu tenho estudado e pesquisado, estes fatores
aos quais me reportei anteriormente, sempre estiveram aí e portanto, não
acredito que devam ser o real motivo desta curva de crescimento do suicídio de
crianças e adolescentes apresentada nos últimos anos, com exceção de dois
motivos que tem chamado a atenção de especialistas, como o professor da
Fundação Oswaldo Cruz, médico psiquiatra e psicanalista Dr. Carlos Estelitta
Lins, o qual defende que a sociedade em que vivemos e a “Era Digital” sejam os
grandes motivadores deste aumento considerável na incidência de suicídios nesta
faixa etária, nos últimos anos.
Segundo
a Dra. Angela de Leão Bley, doutora em Psicologia Clínica e Chefe do Serviço de
Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe de Curitiba-PR: “Em especial os pais,
mas também amigos e educadores, devem estar atentos a sinais que identificam
que há algo de errado com o psicológico de suas crianças e adolescentes,
podendo conotar em boa parte dos casos um distúrbio psicossocial e/ou uma
ideação suicida.”
Sinais
(Crianças):
· Apatia,
voz monótona;
· Sintomas
físicos (como dor de barriga, dor de cabeça e dificuldade em dormir
recorrentes);
· Irritação;
· Queda
no desempenho escolar ou não gosta mais de ir para a escola;
· Mudança
na alimentação (come muito ou come pouco);
Sinais
(Adolescentes):
· Conseguem
relatar de uma forma mais clara através de frases como: “eu sou um peso morto
para a família”, “ninguém gosta de mim”;
· Demonstrar
grau de desesperança;
· Mudança
de hábitos (escolar, alimentação, entre outros).
Segundo
o Dr. Marcelo Heyde, após identificar os sinais, o diálogo entre pais e filhos
deve ser o mais acolhedor possível, sem julgamento: “Muitas vezes o jovem quer
o diálogo, mas ele tem medo do julgamento e por isso evita”, ainda segundo o
Dr. Marcelo: “Saber escutar seus filhos é muito mais importante do que correr
atrás de sintomas escondidos”.
Ao
concluir a segunda parte deste artigo, onde me aprofundei em pesquisas,
identificando motivos e sinais perceptíveis de alterações psíquicas e/ou
comportamentais que possam antever o suicídio de crianças e adolescentes,
analisando e contextualizando os mesmos, cada vez mais percebo a carência de
pesquisas e de informações abalizadas sobre o tema, o que fortalece a intenção
deste trabalho de informar, alertar e como disse no início, se uma vida for
salva, este artigo terá alcançado o seu objetivo.
Na
próxima terça-feira, na terceira parte estarei desvendando dois motivos, os
quais estou firmando sólida convicção de serem catalisadores desta curva de
crescimento ocorrida nos últimos anos, do suicídio de crianças e adolescentes,
quais sejam: “A sociedade em que vivemos” e a “Era Digital”.
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