A pandemia da Covid-19 continua a todo vapor mundo afora em uma severa segunda onda. O Brasil oscila em aumento e diminuição de casos e óbitos em seus estados, mas perante um platô consolidado alto, o que é muito preocupante. Manaus-AM, vitaminada por uma nova e importante cepa viral, vê o colapso do seu sistema de saúde, situação que está se disseminando para outros estados do Norte.
Em contrapartida, a vacina Coronavac e, agora, um lote de 2 milhões de doses da vacina de Oxford, finalmente cedidas pela Índia, começam a imunizar a nossa população. Entretanto, a incompetência e os erros grosseiros que beiram a omissão, continuam por parte do Governo Federal e do Ministério da Saúde (MS). Incapaz de prover um plano de enfrentamento desta pandemia, sem testar a população em volume e eficácia suficientes para identificar o quantitativo de contaminados, provendo com isto o entendimento de sua real dimensão e um planejamento correto de ações, também se mostra incapaz de elaborar um planejamento e um plano de vacinação. Creio que faltarão insumos, como seringas e agulhas, afinal, não foram adquiridos previamente perante uma logística de imunização, assim como deveremos ter dificuldades em engatarmos uma imunização em massa, por ausência de vacinas. Soma-se a falta de governança desta pandemia, as narrativas do chefe da nação, distantes da ciência, negacionistas e discriminatórias, inclusive, contra países como a China, o que vêm dificultando a liberação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), necessário para a elaboração de nossas 2 vacinas.
Em um ambiente de caos que se instaurou neste país desde 2020, onde as discussões ideológicas prevaleceram sobre a ciência, na iminência de ser enquadrado em crime de responsabilidade pela condução errática desta pandemia e vendo a população desaprovar de maneira preocupante as suas atitudes, o chefe da nação tem mudado diametralmente sua postura e movido uma operação de guerra para salvar seu governo. Nesta conjuntura complexa, em um momento ímpar na história da humanidade, as mudanças ocorrem e são de difícil previsibilidade, entretanto, a 4ª Revolução Industrial, em curso desde 2011, é realidade e impacta de maneira definitiva o modelo educacional.
A 1ª Revolução Industrial se iniciou em 1760, na Inglaterra, sendo paradigma de produção de grande escala; a 2ª se iniciou em 1850 e abrangeu o desenvolvimento de indústrias elétricas, de petróleo, química e aço, ainda a evolução nos meios de transporte e comunicação; a 3ª se iniciou em 1950 e teve como marca a gradual evolução da mecânica analógica para a digital, o uso de microcomputadores e a criação da internet (1969); a 4ª se iniciou em 2011 e está relacionada com a conjunção das tecnologias existentes e que estão transformando o mundo.
A educação brasileira, na iminência do retorno às aulas, impactada não apenas pela pandemia, mas grandemente pela desigualdade social e falta de estrutura da educação pública, descortinada pela realidade destes alunos, alguns com mais de 10 meses sem aulas, em contraponto aos alunos da rede privada que mantiveram a grade curricular através do ensino à distância, se vê no desafio de um projeto de retorno seguro às aulas e também na realidade de que o ensino 4.0, da 4ª Revolução Industrial, não tem mais como ser adiado.
Perante o fato que 68 milhões de brasileiros estão excluídos da era digital, apenas 46,8% das escolas públicas de ensino fundamental dispõe de laboratório de informática, 65,6% tem acesso à internet e apenas em 53,5% a internet é por banda larga, podemos dimensionar o desafio das escolas públicas tanto para o retorno às aulas que, possivelmente, será hibrido, assim como a inevitável transposição para a educação 4.0. Claro que o ensino privado enfrentará este desafio em condições diferentes, mas deve haver o entendimento que precisará investir para montar e implementar um projeto que também envolva a adaptação de sua estrutura física, a qualificação de seus professores e investimentos em tecnologia.
A Base Nacional Curricular Comum (BNCC), atualizou e completou o Plano Nacional de Educação incluindo competências exigidas dos alunos que ferramentam a transição para a educação 4.0, a qual utiliza a conexão de ferramentas de uso diário na internet, automação, impressão 3D e inteligência artificial, baseando-se no conceito de learning by doing, em português, “aprender fazendo”. O conceito é amplo e tem como foco alterar o modelo de educação, transformar o perfil do aluno para um modelo pesquisador, empreendedor e proativo.
A pandemia acelerou esta transição do modelo educacional atual em nosso país, calcado em modelo de ensino desenvolvido entre as 1ª e 2ª grandes Guerras Mundiais, para a educação 4.0, claro que haverá um período de transição e este se inicia com um projeto de retorno seguro às aulas, as quais deverão ser híbridas (presenciais mescladas com online), com classes menores, com protocolos sanitários, exigindo palestras de conscientização para professores, pais e alunos, cursos de treinamento e assessoramento para a implementação de um projeto sanitário que se converse com o planejamento pedagógico provendo segurança para todos e, inclusive, jurídica para o empreendedor.
Paralelamente a esta primeira etapa de retorno seguro às aulas, muito importante, visto que esta pandemia ainda não está sob controle, há necessidade de os gestores educacionais entenderem que este evento sanitário acelerou um processo, que vejo irreversível, de mudança para um modelo educacional afeito ao mundo tecnológico em que vivemos.
O momento é de mudança, aqueles que entenderem isso, vão prosperar.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!
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