terça-feira, 20 de julho de 2021

LIFESTYLE MEDICINE: A MEDICINA DO ESTILO DE VIDA

 


 
A ciência, desde sempre, é um exercício de evolução continuada. A medicina especialmente, tem sido bastante impactada pela evolução tecnológica, a cirurgia robótica já é uma realidade em diversos centros cirúrgicos mundo afora e, inclusive, no Brasil. A telemedicina tem contribuído em muito com o Sistema Único de Saúde (SUS) ao levar para os rincões deste nosso país a medicina especializada, exames de imagem e outros serviços que são acompanhados a distância por profissionais especializados, os quais direcionam a execução por parte de médicos generalistas, enfermeiros e outros profissionais de nível geral, ou mesmo, recebem os exames executados e providenciam um laudo qualificado. As células-tronco salvam vidas de pacientes desenganados ou recuperam sua qualidade de vida. Os procedimentos médicos se tornam cada vez menos invasivos, a recuperação pós-cirúrgica cada vez é mais rápida e a expectativa de vida tem aumentado sobejamente nos últimos anos.

Desde a descoberta do aparelho de Raio-X no final do século XIX, mais precisamente em 1895 pelo físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen, passando pela descoberta do eletrocardiograma em 1902 pelo fisiologista holandês Willen Einthoven e da Penicilina em 1928 pelo médico e bacteriologista Alexander Flaming, a medicina tem evoluído a passos largos. Na pandemia da Covid-19 a ciência tem sido um divisor de águas entre a desesperança causada pelo volume de mortes em função deste evento sanitário e a elaboração de vacinas em tempo recorde. Antes da vacina contra a Covid-19, a que foi elaborada em tempo mais rápido, foi contra a Caxumba, tendo levado 4 anos para o seu desenvolvimento, seguida pela vacina contra o Sarampo que demorou 9 anos para a sua elaboração.

A despeito da evolução da ciência e como consequência da medicina, o mundo tem voltado os seus olhos para terapias que adotam o conceito de tratar a saúde integrando a totalidade do ser humano: mente, corpo e emoções. Algumas destas práticas são milenares, outras estão associadas à medicina quântica, mas todas se veem incluídas nas Práticas Integrativas e Complementares (PICs), de discussão intensa em nosso país a partir dos anos 70 e que gerou a Política Nacional das Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no âmbito do SUS, através da Portaria GM/MS nº 9.712/2006. Já são 29 terapias complementares incluídas e disponibilizadas gratuitamente à população. Estas práticas não desprezam a necessidade e a importância do tratamento da medicina convencional, mas complementam as práticas alopáticas e apresentam resultados importantes.

Neste contexto de se valorizar e usufruir da medicina convencional que evolui de maneira exponencial em parceria com a tecnologia, a medicina natural, a qual adota o conceito de tratar a saúde na sua integralidade, priorizando a prevenção, está sendo redescoberta e com novas roupagens, ganha muita força. Nesta mesma linha temos a medicina do estilo de vida, a chamada “Lifestyle Medicine”.

Para a Lifestyle Medicine, prevenir é essencial e o melhor mecanismo para a prevenção de doenças é adotar hábitos saudáveis.

A medicina do estilo de vida é popular nos EUA a pelo menos duas décadas, chegando a ser disciplina de instituições de ensino como Haward, mas apenas em 2019 chegou com mais força no Brasil.

Ela se baseia em 6 pilares: nutrição, atividades físicas, sono, controle do consumo de substâncias toxicas, manejo do estresse e relacionamentos saudáveis.

No aspecto nutricional, a Lifestyle Medicine entende que a nossa alimentação se reflete em nossa aparência e qualidade de vida. A boa alimentação significaria diminuir o consumo de carnes e alimentos industrializados, aumentando o consumo de vegetais, tendo uma dieta balanceada e certificada por um nutricionista. As atividades físicas seriam fundamentais, o sedentarismo pode ser causa de diversos distúrbios, como por exemplo no músculo cardíaco. A qualidade do sono seria importante para manter a imunidade e evitar vários transtornos de âmbito psicossocial e alterações orgânicas.

Ao pensarmos em substâncias tóxicas, o excesso no uso de bebidas alcoólicas e o tabagismo estariam no topo da lista, podendo causar doenças cardiorrespiratórias e diversos tipos de câncer. Teríamos ainda o estresse, esse mecanismo orgânico que impulsiona decisões e é responsável pela preservação da espécie humana até os dias atuais, mas que quando acionado continuamente, pode causar transtornos mentais, depressão e alterações orgânicas que desencadeiem várias doenças.

Os relacionamentos também se mostram importantes para a medicina do estilo de vida, a qual preconiza que a solidão abrevia a expectativa de vida, assim como as pessoas com mais conexões sociais, com relacionamentos saudáveis e sem negativismo, tendem a ter uma vida mais longa.

Os profissionais que se especializaram na Lifestyle Medicine defendem que não se deve focar nas doenças e sim na melhoria da saúde geral das pessoas como mecanismo importante para evitá-las, mas também entendem que a adoção de um melhor estilo de vida pode contribuir para o tratamento de diversas patologias, em especial as doenças crônicas, como a Diabetes, a Pressão Alta e o Câncer. Pensando assim, estes profissionais estão se movimentando para o reconhecimento da disciplina no Brasil, transformando-a em uma residência ou especialização da carreira médica.

Ao tempo em que a medicina evolui em passos largos, outras vertentes de cuidados da saúde humana também ganham corpo. O importante é o entendimento de jamais se distanciar da ciência e que sem ela, não existe caminho para a sobrevivência de nossa espécie.

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