terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

NA PANDEMIA, A IMPORTÂNCIA DA DIVERSIDADE DE VACINAS


 


A pandemia continua com o seu percurso avassalador e o seu vírus causador, o SARS-COV-2, preocupa com suas 2 mutações mensais comprovadas cientificamente e ao se apresentar em 3 novas cepas virais (sul-africana, britânica e brasileira) com maior velocidade de contágio, com alteração na faixa etária atingida e, a se comprovar, de maior letalidade. As vacinas que, recentemente, chegaram para encaminhar o fim deste evento sanitário, enfrentam o desafio de se mostrarem eficazes contra estas novas cepas virais e outras que se apresentem.

As novas cepas virais da África do Sul e do Reino Unido já foram sequenciadas, apresentando entre 8 e 11 alterações na proteína Spike do vírus, tendo a vacina de Oxford sofrido seu primeiro revés. Segundo estudos desenvolvidos pela Universidade de Oxford e de Witwatersrand, na África do Sul, o imunizante oferece proteção limitada contra casos leves e moderados da variante detectada naquele país, a sua eficácia de 70% foi reduzida, oscilando entre 10% e 26%, são dados preliminares, mas em função destes indicadores, o governo sul-africano suspendeu o seu uso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) se pronunciou sobre a vacina de Oxford ter redução de eficácia contra diferentes variantes, mas ser capaz de reduzir mortes, hospitalizações e casos graves. Contra a variante do Reino Unido, a vacina manteve a sua eficácia.

Temos diferentes tipos de vacinas a partir da sua elaboração: de vírus inativo (Sinovac-Coronavac, Bharat/Biotech, Sinopharm), de fragmento de proteína viral (Novamax, EpiVacCorona), de vetor viral replicante (Oxford/AstraZeneca, Jansen, CanSinoBio, Sputnik-V) e de RNA viral (Pfizer/BioNTech e Moderna).

Com exceção das elaboradas a partir do vírus inativo, as outras, notadamente mais avançadas e com maior eficácia, são desenvolvidas a partir de fragmentos da proteína Spike do vírus e variantes mais elaboradas, podem vir a driblar a sua capacidade de formar anticorpos, reduzindo a sua eficácia. A vacina de Oxford, elaborada a partir de um vetor viral replicante, um adenovírus, um dos mais de 200 vírus que causam o resfriado comum, assim como o Coronavírus, que tem em seu interior um fragmento da proteína Spike e foi desenvolvida em chipanzés, é um claro exemplo disso.

A Coronavac, desenvolvida a partir de um vírus inativo, apesar de apresentar menor eficácia, utiliza o vírus integralmente e isto pode ser um importante diferencial contra estas novas cepas virais, visto que as principais mutações ocorrem na proteína Spike, como já foi dito, base para a elaboração das demais vacinas. Claro que as vacinas serão reformuladas perante as novas cepas virais que forem surgindo, como ocorre com a vacina da gripe, entretanto, existe um tempo para isto, a AstraZeneca comunicou demorar 9 meses para a adequação da vacina de Oxford. Já as vacinas elaboradas a partir de RNA viral demandariam um tempo bem menor para a sua adequação.

As vacinas elaboradas a partir de RNA viral, a da Pfizer/BioNTech e da Moderna, são “top de linha”, com eficácia de 95% e 94,5%, respectivamente, sendo as únicas que apresentam estudos de 3ª fase de testes em humanos completos, mantendo a sua eficácia para todas as faixas etárias, com poucos e brandos episódios adversos relatados, ainda pode ser produzida e adequada às novas cepas virais em tempo bem menor que as outras, entretanto, necessitam de acondicionamento em temperaturas baixas, -80ºC e -20ºC, respectivamente, e como são elaboradas a partir de genoma da proteína Spike do vírus, possivelmente venham a ter a sua eficácia reduzida perante novas variantes.

A partir do fato que não existe uma vacina ideal e da realidade brasileira de país continental, com mais de 210 milhões de habitantes, onde a equidade regional escancara diferentes perfis epidemiológicos e etários, impõe a utilização de diferentes tipos de vacinas.

As vacinas a partir de RNA viral (Pfizer e Moderna) são as que apresentam resultados mais robustos para idosos e apesar da dificuldade com relação a conservação em baixas temperaturas, poderiam ser direcionadas para os grandes centros urbanos. Já as vacinas elaboradas a partir do vírus inativo (Coronavac) tem maiores chances de proteção contra novas cepas virais, como é o caso da variante que surgiu em Manaus, contudo, se provocam uma reação imunológica importante por formação de anticorpos, não demonstram a mesma efetividade na imunização celular, esta mais duradoura.

Além de melhor utilizar os pontos fortes de cada imunizante e relativizar suas deficiências, a disponibilidade de uma diversidade de vacinas poderia ampliar a cobertura vacinal. Afinal a vacinação continua vagarosa, por volta de 3% da população brasileira foi imunizada e isto é pouco, os resultados das vacinas devem surgir a partir de 20% de imunização da população.

Isto que abordo pode soar como uma utopia visto todos os desmandos e atitudes negacionistas por parte do Governo Federal e do Ministério da Saúde (MS) desde o início desta pandemia, tendo como ápice desta falta de governança a ausência de um planejamento logístico de compra de insumos e de vacinas, atualmente temos apenas duas disponibilizadas e em doses diminutas, os insumos (seringas, agulhas, entre outros), não foram adquiridos em tempo, portanto estamos utilizando a reserva técnica para outras vacinas.

Afora isto, a nova cepa viral (P1) surgida em Manaus – AM, gerou um caos sanitário nos estados do norte e não foi contida pelo MS, se disseminando por outros 12 estados, inclusive sofrendo uma mutação no Rio de Janeiro para uma nova cepa viral (P2).

Mas sempre há tempo de se fazer a coisa certa, o caminho para o encerramento desta pandemia são as vacinas e o seu uso em diversidade estreita este caminho.


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terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

NA PANDEMIA, O DESAFIO DA NOVA ESCOLA (Parte II)

A pandemia da Covid-19 entra em uma fase importante com a chegada das vacinas, apesar de novas cepas virais que vitaminam uma segunda onda, a qual assola de maneira impiedosa todos os países do globo. As vacinas descortinam o caminho para o encerramento deste evento sanitário, o que se espera para o primeiro semestre de 2022.


Este evento sem precedentes na história da humanidade carrega consigo a capacidade de desestruturar modelos políticos e econômicos, de desnudar problemas conjunturais, como a desigualdade social, a degradação ambiental, a fragilidade de sistemas de saúde que se somam a ações de governança ineficazes e ao radicalismo ideológico que impera em diversas partes do mundo. Em contraponto, também carrega consigo o viés de prover ou acelerar transformações em múltiplas áreas, nas relações e forma de trabalho, nos costumes, no relacionamento interpessoal e no modelo educacional.

O nosso modelo de ensino ainda tem como base o modelo criado entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, calcado em ferramentas e metodologia de aprendizagem que trazem resquícios da 2ª Revolução Industrial, que se iniciou em 1850. Entretanto, este modelo começou a mudar na prática em 2014 com a elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), promulgada pelo Ministério da Educação em 2017 e que visa atualizar o Plano Nacional de Educação.

A BNCC é o documento que determina os direitos de aprendizagem de todo o aluno cursando a Educação Básica no Brasil, tendo sua introdução e objetivos gerais já aprovados, apresentando 10 competências gerais, as quais ferramentam a educação brasileira para a transposição do modelo atual para a educação da 4ª Revolução Industrial, a 4.0. Suas competências específicas estão sendo construídas loco-regionalmente, através de oficinas que permitam o fluxo social e carecendo da aprovação dos Conselhos de Educação. Inicialmente se pretendia concluir esta etapa em 2021, mas a pandemia pode alterar este cronograma.

A Educação Básica se compõe do ensino infantil, fundamental e médio. Segundo o censo escolar de 2017, o Brasil conta com 184,1 mil escolas de Educação Básica, 2/3 destas sob responsabilidade dos municípios, sendo 21,7% da rede privada. Temos 67% das escolas brasileiras localizadas em áreas urbanas, 71,5% oferecem ensino fundamental e apenas 15,5%, ensino médio. Das escolas públicas de ensino fundamental, 46,8% dispõe de laboratório de informática, 65,6% tem acesso à internet e em 53,5% a internet é por banda larga, mas esta proporção se configura de maneira desigual pelas regiões do país, descortinando locais de extrema carência no seu sistema educacional. Lembro que, mais de 100 milhões de brasileiros estão conectados à internet em contraponto a 68 milhões que estão excluídos da era digital.

O ensino híbrido, o qual conjuga o ensino tradicional com ao menos um recurso tecnológico, parece ter sido descoberto na pandemia, mas, o Blended Learning surgiu nos EUA ainda nos anos 60, década em que começou a utilização da tecnologia em sala de aula, embalada pela 3ª Revolução Industrial iniciada em 1950, responsável pela transição da tecnologia analógica para a digital, pelo surgimento dos microcomputadores e, em 1969, da internet. Este conceito foi aprimorado e desenvolvido, ainda nos EUA, pelo Instituto Clayton Christensen nos anos 2000, chegando ao Brasil em 2014, a partir de um trabalho conjunto desenvolvido pelo Instituto Península e Fundação Lemann.

Os modelos de ensino híbrido se dividem em 2 grandes grupos: disruptivos e sustentados. No Brasil são mais aplicados os sustentados, sendo os modelos: rotação por estações, laboratório rotacional e sala de aula invertida. Todos eles mesclam o modelo tradicional com a tecnologia, se diferenciando na forma e na intensidade do uso dos meios digitais, mas se assemelhando no conceito de modificação na relação aluno e professor, em uma nova organização nas salas de aula, na didática de aprendizagem e no conceito de se fomentar o desenvolvimento de um aluno pesquisador, empreendedor e proativo.

O ensino híbrido é um conceito que está vertebrando a Educação 4.0, a qual surgiu a partir da 4ª Revolução Industrial que se iniciou em 2011 e que se conceitualiza no learning by doing, em português, “aprender fazendo”.

Se a pandemia impôs a ampliação do ensino online, também antecipará a mudança do nosso modelo de ensino, tardiamente e impactante para muitos, estamos entendendo o quanto está atrasado o nosso modelo educacional.

Neste momento de retorno às aulas, é importante que se tenha foco no que precisamos urgentemente fazer, qual seja, um projeto de retorno seguro, o qual tenha um planejamento sanitário sustentável que englobe protocolos, palestras para professores, pais e alunos, treinamento para os atores educacionais e assessoria para a sua implementação, assim como para os empreendedores, no intuito de estarem resguardados perante a legislação sanitária criada nesta pandemia. Este projeto sanitário precisa dialogar com o planejamento político pedagógico do estabelecimento ou sistema de ensino.

Claro que, o projeto de retorno seguro às aulas, que se divide em sanitário e pedagógico, precisa estar incluído em um planejamento estratégico que entenda que a transformação do modelo de ensino atual para o modelo de Educação 4.0 é irreversível.

Em um momento de mudança, de transformação, aqueles que entendem e comungam com o novo mundo que se avizinha, prosperam.

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

NA PANDEMIA, O DESAFIO DA NOVA ESCOLA


A pandemia da Covid-19 continua a todo vapor mundo afora em uma severa segunda onda. O Brasil oscila em aumento e diminuição de casos e óbitos em seus estados, mas perante um platô consolidado alto, o que é muito preocupante. Manaus-AM, vitaminada por uma nova e importante cepa viral, vê o colapso do seu sistema de saúde, situação que está se disseminando para outros estados do Norte.


Em contrapartida, a vacina Coronavac e, agora, um lote de 2 milhões de doses da vacina de Oxford, finalmente cedidas pela Índia, começam a imunizar a nossa população. Entretanto, a incompetência e os erros grosseiros que beiram a omissão, continuam por parte do Governo Federal e do Ministério da Saúde (MS). Incapaz de prover um plano de enfrentamento desta pandemia, sem testar a população em volume e eficácia suficientes para identificar o quantitativo de contaminados, provendo com isto o entendimento de sua real dimensão e um planejamento correto de ações, também se mostra incapaz de elaborar um planejamento e um plano de vacinação. Creio que faltarão insumos, como seringas e agulhas, afinal, não foram adquiridos previamente perante uma logística de imunização, assim como deveremos ter dificuldades em engatarmos uma imunização em massa, por ausência de vacinas. Soma-se a falta de governança desta pandemia, as narrativas do chefe da nação, distantes da ciência, negacionistas e discriminatórias, inclusive, contra países como a China, o que vêm dificultando a liberação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), necessário para a elaboração de nossas 2 vacinas.

Em um ambiente de caos que se instaurou neste país desde 2020, onde as discussões ideológicas prevaleceram sobre a ciência, na iminência de ser enquadrado em crime de responsabilidade pela condução errática desta pandemia e vendo a população desaprovar de maneira preocupante as suas atitudes, o chefe da nação tem mudado diametralmente sua postura e movido uma operação de guerra para salvar seu governo. Nesta conjuntura complexa, em um momento ímpar na história da humanidade, as mudanças ocorrem e são de difícil previsibilidade, entretanto, a 4ª Revolução Industrial, em curso desde 2011, é realidade e impacta de maneira definitiva o modelo educacional.

A 1ª Revolução Industrial se iniciou em 1760, na Inglaterra, sendo paradigma de produção de grande escala; a 2ª se iniciou em 1850 e abrangeu o desenvolvimento de indústrias elétricas, de petróleo, química e aço, ainda a evolução nos meios de transporte e comunicação; a 3ª se iniciou em 1950 e teve como marca a gradual evolução da mecânica analógica para a digital, o uso de microcomputadores e a criação da internet (1969); a 4ª se iniciou em 2011 e está relacionada com a conjunção das tecnologias existentes e que estão transformando o mundo.

A educação brasileira, na iminência do retorno às aulas, impactada não apenas pela pandemia, mas grandemente pela desigualdade social e falta de estrutura da educação pública, descortinada pela realidade destes alunos, alguns com mais de 10 meses sem aulas, em contraponto aos alunos da rede privada que mantiveram a grade curricular através do ensino à distância, se vê no desafio de um projeto de retorno seguro às aulas e também na realidade de que o ensino 4.0, da 4ª Revolução Industrial, não tem mais como ser adiado.

Perante o fato que 68 milhões de brasileiros estão excluídos da era digital, apenas 46,8% das escolas públicas de ensino fundamental dispõe de laboratório de informática, 65,6% tem acesso à internet e apenas em 53,5% a internet é por banda larga, podemos dimensionar o desafio das escolas públicas tanto para o retorno às aulas que, possivelmente, será hibrido, assim como a inevitável transposição para a educação 4.0. Claro que o ensino privado enfrentará este desafio em condições diferentes, mas deve haver o entendimento que precisará investir para montar e implementar um projeto que também envolva a adaptação de sua estrutura física, a qualificação de seus professores e investimentos em tecnologia.

A Base Nacional Curricular Comum (BNCC), atualizou e completou o Plano Nacional de Educação incluindo competências exigidas dos alunos que ferramentam a transição para a educação 4.0, a qual utiliza a conexão de ferramentas de uso diário na internet, automação, impressão 3D e inteligência artificial, baseando-se no conceito de learning by doing, em português, “aprender fazendo”. O conceito é amplo e tem como foco alterar o modelo de educação, transformar o perfil do aluno para um modelo pesquisador, empreendedor e proativo.

A pandemia acelerou esta transição do modelo educacional atual em nosso país, calcado em modelo de ensino desenvolvido entre as 1ª e 2ª grandes Guerras Mundiais, para a educação 4.0, claro que haverá um período de transição e este se inicia com um projeto de retorno seguro às aulas, as quais deverão ser híbridas (presenciais mescladas com online), com classes menores, com protocolos sanitários, exigindo palestras de conscientização para professores, pais e alunos, cursos de treinamento e assessoramento para a implementação de um projeto sanitário que se converse com o planejamento pedagógico provendo segurança para todos e, inclusive, jurídica para o empreendedor.

Paralelamente a esta primeira etapa de retorno seguro às aulas, muito importante, visto que esta pandemia ainda não está sob controle, há necessidade de os gestores educacionais entenderem que este evento sanitário acelerou um processo, que vejo irreversível, de mudança para um modelo educacional afeito ao mundo tecnológico em que vivemos.

O momento é de mudança, aqueles que entenderem isso, vão prosperar.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

VACINA É VIDA, A QUE SE DESTINA (PARTE-II)

 

O dia 17 de janeiro de 2021, um domingo, foi um dia histórico e que ficará gravado na memória de todo cidadão brasileiro, afinal a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em reunião de sua Diretoria Colegiada, transmitida ao vivo pelo seu canal no Youtube e por emissoras de televisão, aprovou o uso emergencial de um lote de 2 milhões de doses da vacina de Oxford importada da Índia e outro de 6 milhões de doses da vacina da Sinovac (Coronavac) importada da China. Momento aguardado por todos, visto esta pandemia que já ceifou mais de 200 mil vidas e contaminou mais de 8 milhões de pessoas em nosso país, que desestruturou a economia mundial, caminhando impassível em uma segunda onda que já chegou ao Brasil, que levou ao colapso do sistema de saúde de Manaus e que se dissemina por todo o país. O brasileiro que se acostumou a assistir a corridas de Fórmula-1 ou a partidas de futebol nas manhãs de domingo, proporcionou altos índices de audiência ao acompanhar esta reunião técnica da ANVISA em suas 5 horas de duração.

A ANVISA, autarquia especial criada pela Lei Federal nº 9782/1999, tem sua Diretoria Colegiada formada por 1 diretor geral e outros 4 diretores, indicados pelo Presidente da República com a aprovação do Senado Federal, fazendo audiências públicas e reuniões com transmissão em tempo real, mas nunca discutiu um tema tão aderente as necessidades da população e tão pouco amealhou tanta audiência, ainda, nunca havia aprovado o uso emergencial de uma vacina. Aliás, a legislação que permite o seu uso emergencial tem origem na Lei nº 13979/2020 (Quarentena Sanitária do Coronavírus), em seu art. 3º, § VIII, Parágrafo 7º, este tema foi judicializado no Supremo Tribunal Federal (STF) e foram mantidos os termos que constam na redação desta lei.

Esta reunião também foi importante por desconstruir, através da narrativa de seus diretores, a perigosa ilusão criada pelo Governo federal, com relevo para o Chefe da Nação, da eficácia do uso precoce de medicações sem comprovação cientifica no combate a Covid-19, como a Cloroquina, Hidroxicloroquina e Ivermectina, as quais foram motivo de protocolo de enfrentamento precoce formulado pelo Ministério da Saúde (MS), de discussões acaloradas do Chefe da Nação com representantes e entidades do meio cientifico, sem levar em conta os perigos de seus efeitos colaterais em contraponto a sua real eficácia e que hoje podem se somar a outras ações de governança inadvertidas ou irresponsáveis para imputar crimes de responsabilidade ao Presidente da República e ao seu Ministro da Saúde. Ainda foi enfatizado o amadorismo na condução do enfrentamento a esta pandemia, a começar pelo Governo Federal.

Tenho dito desde o inicio deste evento sanitário que a história seria um bom referencial do que deve ou não ser feito, tendo como base as pandemias da Peste Bubônica (século XIV) ou da Gripe Espanhola (jan. de 1919 - dez. de 1920), que a ciência, tão evoluída, seria a maior aliada, que não seria uma corrida de 100m e sim uma maratona, basta ver a Gripe Espanhola e suas 4 ondas, sendo a 2ª a mais agressiva, totalizando mais de 50 milhões de mortes, ainda que não seria lugar para amadores. Pois o MS, já há tempos comandado por um militar sem qualquer experiência na área e com seus cargos técnicos sendo preenchidos por indicações ideológicas/partidárias não construiu um plano de enfrentamento, não implementou uma testagem ampla da população para conceber um planejamento eficaz, se associou de maneira direta ou indireta aos negacionistas, se distanciou da ciência ao formular protocolos, comprar e distribuir medicações de combate sem qualquer comprovação cientifica.

Agora, não se mostra competente para formular um plano de vacinação, não adquiriu seringas, agulhas e outros insumos previamente, tendo que utilizar os já disponíveis para outras vacinas, errou ao apostar unicamente na vacina de Oxford tendo que se curvar e ver como tábua de salvação a vacina Coronavac, motivo de embate político do Governo Federal com o estado de São Paulo e ideológico com a China, também paga o preço das narrativas negacionistas e distantes da ciência do Chefe da Nação, não conseguindo formular acordos com empresas farmacêuticas do porte da Pfizer, a qual exige assinatura de termos de compromisso que impeçam uma tempestade de ações judiciais contra a empresa, pior, vê estas narrativas e atitudes discriminatórias, assim como a diplomacia ideológica e amadora do Itamaraty dificultarem a liberação por parte da China do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), necessário para a elaboração das nossas duas vacinas (Oxford e Coronavac), assim como teve dificuldade para o lote de 2 milhões de doses da vacina de Oxford por parte da Índia.

O Programa Nacional de Imunização (PNI) é modelo mundial, criado em 1973 e regido pela Lei Federal nº 6259/1975, sendo responsável pela erradicação da Varíola em 1973 e da Poliomielite em 1989, na epidemia da “Gripe Suína” em 2010, foi capaz de imunizar 80 milhões de pessoas em 3 meses. A vacina, desde a sua descoberta em 1796, sua chegada ao Brasil em 1804 e da nossa 1ª campanha de vacinação em 1904 (Varíola), se tornou um bem maior da humanidade, responsável pela erradicação mundial da Varíola (1980), que no século XX vitimou mais de 300 milhões de pessoas, sendo o caminho para o encerramento desta pandemia, mas precisamos de um planejamento eficaz e de tempo para surtirem seus efeitos.

Vacina não tem nacionalidade, tem segurança e eficácia, é garantia de viver.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

VACINAS É VIVER, A QUE SE DESTINA


 
Esta pandemia que aterroriza o mundo desde o início de 2020, já contaminou quase 100 milhões de pessoas e vitimou por volta de 2 milhões. O Brasil, terceiro país em casos e segundo em óbitos apresenta, oficialmente, mais de 8 milhões de contaminados e já passou dos 200 mil óbitos. No momento em que uma segunda onda, igualmente feroz, assola todos os países do globo, com duas novas cepas virais importantes surgindo no Reino Unido e na África do Sul, tendo o Reino Unido e a Alemanha em lockdown e os EUA com uma onda de contágio e mortes cada vez mais crescente, com o nosso país evidenciando uma nova onda de contágio em praticamente todos os estados e tendo Manaus, assim como no início desta pandemia, vendo o colapso do seu sistema de saúde e como fato novo, o surgimento de uma nova cepa viral, em contraponto, o direito de viver é reafirmado com o auxílio da ciência e com as vacinas que começam a imunizar as pessoas.

Segundo o site Our Word in Date, da Universidade de Oxford, o qual contabiliza em tempo real os países e o volume de pessoas imunizadas mundialmente, por volta de 60 países já iniciaram a imunização e mais de 30 milhões de pessoas já foram imunizadas, mas a discussão contrária à vacinação existe e é preocupante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia identificado em 2019 o perigo representado pelos movimentos contra a vacinação, isto é evidenciado no aumento de casos de algumas patologias que estavam erradicadas ou sob controle, por exemplo, o Sarampo registrou um aumento de 30% nos casos em todo o mundo e isto se deve, em boa parte, a recusa vacinal. A entidade expressou, inclusive, preocupação com o retorno da praticamente erradicada poliomielite e colocou a recusa a vacinação entre as 10 ameaças à saúde global.

Vivemos um mundo onde o extremismo ideológico, distante da ciência, aderente e, por vezes, construtor de fake news sobre diversos temas, tem desconstruído um trabalho de gerações de sanitaristas e de pessoas que procuram se informar sobre a veracidade dos fatos, a qual teve nas vacinas, ferramenta de custo/benefício importante na esfera da saúde, como principal responsável pela erradicação da Variola, da quase erradicação da Poliomielite e do controle de tantas outras doenças. Em um mundo abalado sanitariamente e financeiramente por esta pandemia, onde os sistemas políticos e econômicos estão sendo colocados em xeque, os ideários extremistas, o nacionalismo exacerbado e a xenofobia também focam as suas ações nefastas contra este bem maior das pessoas que é o direito de se proteger contra as doenças, através das vacinas.

As primeiras tentativas de se conceber uma vacina, remontam ao século XVIII, na China, na África e na Ásia, tendo como foco a Variola, doença viral que causava a morte de 30% dos infectados. Percebendo que os sobreviventes de um ataque de Variola não eram reincidentes da doença, estes povos tentavam provocá-la de uma forma mais branda, utilizando algodão contendo resíduos das feridas ou pus de infectados, introduzindo no nariz ou em arranhões, picando a pele com agulhas contaminadas ou até usando roupas íntimas de doentes, a isto se denominou Variolização.

A primeira vacina data de 1796, elaborada pelo médico inglês Edward Jenner, o qual observou que ordenhadoras contaminadas com Cowpox, doença do gado semelhante à Variola, se mostravam imunes a doença. Após uma série de experiências, ele inoculou um menino de 8 anos com o pus retirado de ferida de uma ordenhadora contaminada com Cowpox, o garoto apresentou uma infecção branda e se recuperou em 10 dias. Meses após, Dr. Jenner inoculou o menino com pus contaminado com Variola e o garoto não apresentou a doença. Esta vacina rudimentar chegou ao Brasil em 1804, comprada pelo Barão de Barbacena, visto o grande surto de Variola que assolava o país, trazida de Lisboa até a Bahia em navio, passada braço a braço, por negros escravizados. A Variola, responsável pela morte de 300 milhões de pessoas somente no século XX, foi declarada pela OMS como erradicada no mundo em 1980.

Desde então, a ética médica e os processos de elaboração de uma vacina evoluíram e a metodologia utilizada na descoberta da primeira vacina seriam inaceitáveis. Nos dias atuais o desenvolvimento de um imunizante abrange 6 etapas, baseia-se no tripé segurança, eficácia e qualidade, com rígido controle de todos os processos. Esta importante ferramenta sanitária, que é utilizada para doenças virais e bacterianas, salva milhões de vidas anualmente e tem o Brasil como modelo de operacionalização através do seu Programa Nacional de Imunização (PNI) criado em 1973 e regido pela Lei Federal nº 6259/1975, o qual abrange atualmente 36 mil salas de vacinação, por volta de 72 mil profissionais vacinadores, aplicando anualmente 300 mil imunológicos, entre os quais, 27 vacinas, 13 soros e 4 imunoglobulinas. Importante ressaltar que 16 vacinas constantes da Carteira Nacional de Imunização são obrigatórias, como rege o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Seria importante que campanhas sanitárias fossem implementadas, em 1973, em pleno regime militar, uma campanha de vacinação criada pelo Governo Federal, criou o personagem “Sujismundo”, negacionista e contrário à vacina e que era desconstruído para criar consciência na população da necessidade de se vacinar.

Vacina não tem nacionalidade, tem segurança e eficácia, é garantia de viver para muitos.

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

2021, ENTRE OS DESAFIOS E A ESPERANÇA

O ano de 2020 se encerrou, para muitos nem se iniciou ou ocorreu da pior maneira possível, visto esta pandemia da Covid-19 que mostrou suas garras em terras tupiniquins já a partir de março. Os precedentes históricos nos reportam a Peste Negra (século XIV) e a Gripe Espanhola (1918 a 1920), eventos estes que não são do domínio da maior parte da população e muito menos o entendimento de suas consequências. Por estarmos vivendo em um mundo globalizado e com bastante desenvolvimento tecnológico, a distância que separa os países se tornou transponível em curto espaço de tempo, portanto o Sars-CoV-2 se disseminou mundialmente com alguma facilidade. Esta globalização ainda conspirou para um caos econômico mundial, evento consequente desta situação sanitária, do distanciamento social por ela imposta e por ocasiões, a limitação, ou mesmo a proibição das atividades econômicas. Realmente o ano foi complicado e desafiador.

Se por um lado as causas mais aderentes desta pandemia são a superpopulação do planeta (mais de 7 bilhões de pessoas), a desigualdade social, a degradação ambiental, a fragilidade dos sistemas de saúde e os maus hábitos de higiene, certamente as ações de governança pouco eficazes e como percebemos claramente neste difícil ano, o radicalismo ideológico, o distanciamento da ciência, a pouca valorização da criatura humana, as narrativas populistas e mentirosas de muitos governantes, também são causas importantes.

Certamente foi um ano de aprendizado, onde o ser humano se desnudou entre o que há de melhor em sua essência, mas igualmente no que há de pior. Como tudo tem um preço, modelos políticos e econômicos bastante enraizados costumam ver seus alicerces ruírem nestes eventos pontuais e catastróficos, assim foi com a derrota de Trump, de seu nacionalismo extremado e xenofóbico nos EUA, varrido do mapa político ao tempo em que o país se vê como líder mundial em casos e óbitos pela Covid-19, com números crescentes. Creio que assim ocorrerá com outros líderes do mesmo naipe.

O ano se encerrou com a preocupação causada por uma segunda onda da doença a provocar aumento importante no número de casos e óbitos em vários países da Europa, o que acarretou protocolos sanitários mais restritivos, com os EUA em seu martírio de vivenciar uma onda contínua e crescente de casos e óbitos, ainda com uma nova cepa viral do Sars-CoV-2 (B.1.1.7) sendo identificada no Reino Unido, a qual apresenta ao menos 8 modificações na sua proteína S (Spike), uma mutação de maior velocidade de contágio, a se saber a sua agressividade, mas que poderá reduzir a eficácia da maior parte das vacinas. Em contrapartida, no apagar das luzes deste difícil ano, o Reino Unido iniciou a imunização da sua população com a vacina da Pfizer, logo a seguir os EUA também aprovaram esta vacina e iniciaram a imunização da população. A outra vacina de RNA, a da Moderna, segue o mesmo caminho.

O ano de 2021 se inicia com a identificação de outra cepa viral do Sars-CoV-2, na África do Sul, com mutações tão significativas quanto a identificada no Reino Unido, mas por se saber sua capacidade de contágio e agressividade. Também com a decretação em 05/01 de lockdown no Reino Unido por 6 semanas e na Alemanha. De maneira positiva, mais de 50 países já iniciaram a imunização de sua população, majoritariamente com a vacina da Pfizer, abrangendo mais de 17 milhões de pessoas. Na América Latina, a Costa Rica, o México, o Chile e a Argentina.

O povo brasileiro está carente de conviver com outras pessoas, de abraçar, de passear, de viver sua vida e de poder trabalhar sem medo do amanhã, isto está expresso na ocupação, sem sustentabilidade e regramentos sanitários, de nossas praias e outros equipamentos turísticos nesta temporada de verão. Conquanto o chefe da nação continua com sua narrativa dissonante da ciência e folclórica, o Ministério da Saúde (MS) continua a “bater cabeças”, tendo dificuldades em articular uma campanha de vacinação e também de chancelar, com precisão, o seu início, passando pelo constrangimento de licitar a compra de 332 milhões de seringas e agulhas, só conseguindo adquirir pouco mais de 7 milhões.

Entre os dias 29 e 31/12, o Brasil registrou mais de 1000 novas mortes diárias pela Covid-19, isto não acontecia desde agosto. O ano se iniciou nesta toada, parece um filme que se repete, os hospitais de São Paulo têm ocupação preocupante dos leitos de UTI da Covid-19. Manaus, com seu sistema de saúde em colapso, faz pedido emergencial para construção de 22 mil covas. Santa Catarina têm o estado praticamente todo em risco gravíssimo e é o 3º estado do país em óbitos neste momento. Enquanto isso, o Governo Federal continua hábil em desconstruir o entendimento coletivo do difícil momento em que passamos e dos cuidados sanitários que precisam ser adotados, igualmente incompetente ao prover políticas de enfrentamento desta pandemia e de vacinação da população. Quanto aos governos estaduais e municipais, salvo raras exceções, a omissão impera.

As vacinas são o caminho para o encerramento desta pandemia, devem se somar a ações de governança e campanhas consistentes de educação sanitária que fortaleçam o entendimento e as atitudes corretas a serem adotadas por parte dos cidadãos. Somente a somatória dos esforços governamentais, da ciência e individuais poderá levar ao controle deste ciclo pandêmico até o final de 2021 ou no primeiro semestre de 2022.

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terça-feira, 22 de dezembro de 2020

VACINAÇÃO: UM DIREITO COLETIVO


O mundo vive um misto de extrema preocupação e otimismo, afinal, uma 2ª onda da Covid-19 está atingindo, de maneira implacável, diversos países. A Europa começa a adotar medidas mais restritivas de distanciamento social. Os EUA continuam em seu martírio de campeão em casos e óbitos, com uma onda contínua e crescente. Em contrapartida, o otimismo mostra sua cara, com o Reino Unido sendo o primeiro país do Ocidente a iniciar uma imunização em massa contra a Covid-19, os EUA iniciaram logo em seguida. Já temos uma vacina com aprovação emergencial encaminhada, ou por se encaminhar, em diversos países, a da Pfizer/BioNTech e outra seguindo os mesmos passos, a da Moderna. Tanto uma quanto outra, elaboradas a partir de uma técnica inovadora, só agora utilizada em humanos, qual seja, a partir do RNA.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em relatório do dia 10/12, temos 214 vacinas em desenvolvimento, 162 em fase pré-clínica e 52 em fase clínica (mais avançada), destas, 13 estão em terceira e última fase de testes em humanos.

O Brasil continua à mercê de narrativas inapropriadas ao momento, por parte do Governo Federal, com o Presidente da República afirmando que não irá se imunizar e vendo crescer as “fake news” contrárias às vacinas, patrocinadas por grupos extremistas. Segundo o Plano Nacional de Imunização, formulado pelo Ministério da Saúde (MS), a imunização se inicia, possivelmente, em fevereiro de 2021. Até lá, ao Supremo Tribunal Federal (STF) caberá definir diversos parâmetros concernentes a uma futura imunização. Em 18/12 o STF decidiu pela obrigatoriedade da vacinação, cabendo a estados e municípios decidirem sobre a sua compulsoriedade. Já o Ministro Ricardo Lewandowski, acolheu o pedido do Governador do Maranhão, Flavio Dino, e autorizou que estados e municípios comprem vacinas aprovadas por autoridades sanitárias dos EUA, da União Europeia, da China e do Japão e que a ANVISA emita autorização de uso em até 72h.

Conquanto diversos países tenham iniciado, ou iniciarão, a imunização em massa, nosso país discute preceitos ideológicos e procura equacionar as disputas políticas. Afinal, poucos agentes públicos assumem responsabilidades e comungam com a racionalidade, neste momento, mas quase todos querem capitalizar os louros da vitória, representada pela vacina. Enquanto isso, o país vê crescer os casos e os óbitos, uma segunda onda da doença é evidente, mas as pessoas precisam trabalhar e o final do ano, assim como a temporada de verão, soam como esperança de melhores dias econômicos.

O MS, que havia apresentado um Plano Nacional de Imunização tosco, 24h depois, por solicitação do STF, apresentou outro plano, mais consistente, com mais de 100 páginas, mas igualmente vazio em plano logístico e cronograma operacional.

Neste plano, o MS garante já ter contratualizado 300 milhões de doses de vacinas, sendo: FioCruz/AstraZeneca, 100,4 milhões de doses até julho de 2021 e mais 30 milhões no segundo semestre, com R$ 1,9 bilhão investidos; Covax Facility (Consórcio de
Vacinas da OMS), 42,5 milhões de doses, com R$ 2,5 bilhões investidos; Pfizer, 70 milhões de doses (em negociação).

Um dia após a apresentação deste plano, o Ministro da Saúde afirmou que “possivelmente” tenhamos 38 milhões de doses da vacina garantidas para fevereiro de 2021, creio que esteja trabalhando com a posição da Astra/Zeneca de ter vacina disponibilizada no país nesta data, mas lembro que esta vacina está refazendo os testes de terceira fase e sua conclusão ainda é uma incógnita. O acordo com a vacina da Pfizer ainda não ocorreu e, em ocorrendo, cabe saber os prazos de entrega, visto que diversos países saíram na frente do Brasil na aquisição deste imunizante. De certo o acordo firmado com o Covax Facility, com contratação de imunizantes para 10% de nossa população, mas com cronograma de entrega não definido. Este plano se assemelha a uma obra de ficção elaborada por amadores e a isso se soma a demora para licitação de insumos, como seringas e agulhas, em um momento que estes produtos já faltam no mercado.

Quanto a obrigatoriedade da vacina, um dos temas mais combatidos por radicais que beiram a insanidade, importante dizer que a Lei nº 6259/1975 dá a prerrogativa de definição deste e de outros temas concernentes a vacinação ao MS, mas a Lei nº 13979/2020 (Quarentena Sanitária do Coronavírus) no seu § 3 do artigo 3º aborda que a vacina pode ser obrigatória, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) impõe que sejam compulsórias as vacinas constantes no Plano Nacional de Imunização (ex.: poliomielite). Já a Constituição Federal explicita em seu artigo 196 que a saúde é um direito de todos e dever do estado, portanto, em uma pandemia o direito coletivo se impõe ao direito individual. Baseado nisso e percebendo todo o radicalismo ideológico e distante da ciência que impera no país, o qual pode formar uma opinião forte contrária a vacinação, sou a favor da obrigatoriedade da vacina e que estados e municípios tenham o direito de definir suas posições, visto que o Governo Federal já se posicionou em contrário.

Lembro que obrigatoriedade de vacinação não significa condução coercitiva para se vacinar e sim restrições de direitos caso venha a não fazê-lo. Também que esta pandemia só começará a se encerrar com a vacinação em massa, a qual criará “imunização do rebanho” e isto demandará o ano de 2021 e talvez de 2022, mas precisamos começar.

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