segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

2021, ENTRE OS DESAFIOS E A ESPERANÇA

O ano de 2020 se encerrou, para muitos nem se iniciou ou ocorreu da pior maneira possível, visto esta pandemia da Covid-19 que mostrou suas garras em terras tupiniquins já a partir de março. Os precedentes históricos nos reportam a Peste Negra (século XIV) e a Gripe Espanhola (1918 a 1920), eventos estes que não são do domínio da maior parte da população e muito menos o entendimento de suas consequências. Por estarmos vivendo em um mundo globalizado e com bastante desenvolvimento tecnológico, a distância que separa os países se tornou transponível em curto espaço de tempo, portanto o Sars-CoV-2 se disseminou mundialmente com alguma facilidade. Esta globalização ainda conspirou para um caos econômico mundial, evento consequente desta situação sanitária, do distanciamento social por ela imposta e por ocasiões, a limitação, ou mesmo a proibição das atividades econômicas. Realmente o ano foi complicado e desafiador.

Se por um lado as causas mais aderentes desta pandemia são a superpopulação do planeta (mais de 7 bilhões de pessoas), a desigualdade social, a degradação ambiental, a fragilidade dos sistemas de saúde e os maus hábitos de higiene, certamente as ações de governança pouco eficazes e como percebemos claramente neste difícil ano, o radicalismo ideológico, o distanciamento da ciência, a pouca valorização da criatura humana, as narrativas populistas e mentirosas de muitos governantes, também são causas importantes.

Certamente foi um ano de aprendizado, onde o ser humano se desnudou entre o que há de melhor em sua essência, mas igualmente no que há de pior. Como tudo tem um preço, modelos políticos e econômicos bastante enraizados costumam ver seus alicerces ruírem nestes eventos pontuais e catastróficos, assim foi com a derrota de Trump, de seu nacionalismo extremado e xenofóbico nos EUA, varrido do mapa político ao tempo em que o país se vê como líder mundial em casos e óbitos pela Covid-19, com números crescentes. Creio que assim ocorrerá com outros líderes do mesmo naipe.

O ano se encerrou com a preocupação causada por uma segunda onda da doença a provocar aumento importante no número de casos e óbitos em vários países da Europa, o que acarretou protocolos sanitários mais restritivos, com os EUA em seu martírio de vivenciar uma onda contínua e crescente de casos e óbitos, ainda com uma nova cepa viral do Sars-CoV-2 (B.1.1.7) sendo identificada no Reino Unido, a qual apresenta ao menos 8 modificações na sua proteína S (Spike), uma mutação de maior velocidade de contágio, a se saber a sua agressividade, mas que poderá reduzir a eficácia da maior parte das vacinas. Em contrapartida, no apagar das luzes deste difícil ano, o Reino Unido iniciou a imunização da sua população com a vacina da Pfizer, logo a seguir os EUA também aprovaram esta vacina e iniciaram a imunização da população. A outra vacina de RNA, a da Moderna, segue o mesmo caminho.

O ano de 2021 se inicia com a identificação de outra cepa viral do Sars-CoV-2, na África do Sul, com mutações tão significativas quanto a identificada no Reino Unido, mas por se saber sua capacidade de contágio e agressividade. Também com a decretação em 05/01 de lockdown no Reino Unido por 6 semanas e na Alemanha. De maneira positiva, mais de 50 países já iniciaram a imunização de sua população, majoritariamente com a vacina da Pfizer, abrangendo mais de 17 milhões de pessoas. Na América Latina, a Costa Rica, o México, o Chile e a Argentina.

O povo brasileiro está carente de conviver com outras pessoas, de abraçar, de passear, de viver sua vida e de poder trabalhar sem medo do amanhã, isto está expresso na ocupação, sem sustentabilidade e regramentos sanitários, de nossas praias e outros equipamentos turísticos nesta temporada de verão. Conquanto o chefe da nação continua com sua narrativa dissonante da ciência e folclórica, o Ministério da Saúde (MS) continua a “bater cabeças”, tendo dificuldades em articular uma campanha de vacinação e também de chancelar, com precisão, o seu início, passando pelo constrangimento de licitar a compra de 332 milhões de seringas e agulhas, só conseguindo adquirir pouco mais de 7 milhões.

Entre os dias 29 e 31/12, o Brasil registrou mais de 1000 novas mortes diárias pela Covid-19, isto não acontecia desde agosto. O ano se iniciou nesta toada, parece um filme que se repete, os hospitais de São Paulo têm ocupação preocupante dos leitos de UTI da Covid-19. Manaus, com seu sistema de saúde em colapso, faz pedido emergencial para construção de 22 mil covas. Santa Catarina têm o estado praticamente todo em risco gravíssimo e é o 3º estado do país em óbitos neste momento. Enquanto isso, o Governo Federal continua hábil em desconstruir o entendimento coletivo do difícil momento em que passamos e dos cuidados sanitários que precisam ser adotados, igualmente incompetente ao prover políticas de enfrentamento desta pandemia e de vacinação da população. Quanto aos governos estaduais e municipais, salvo raras exceções, a omissão impera.

As vacinas são o caminho para o encerramento desta pandemia, devem se somar a ações de governança e campanhas consistentes de educação sanitária que fortaleçam o entendimento e as atitudes corretas a serem adotadas por parte dos cidadãos. Somente a somatória dos esforços governamentais, da ciência e individuais poderá levar ao controle deste ciclo pandêmico até o final de 2021 ou no primeiro semestre de 2022.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

Vem comigo!!!

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