terça-feira, 19 de janeiro de 2021

VACINAS É VIVER, A QUE SE DESTINA


 
Esta pandemia que aterroriza o mundo desde o início de 2020, já contaminou quase 100 milhões de pessoas e vitimou por volta de 2 milhões. O Brasil, terceiro país em casos e segundo em óbitos apresenta, oficialmente, mais de 8 milhões de contaminados e já passou dos 200 mil óbitos. No momento em que uma segunda onda, igualmente feroz, assola todos os países do globo, com duas novas cepas virais importantes surgindo no Reino Unido e na África do Sul, tendo o Reino Unido e a Alemanha em lockdown e os EUA com uma onda de contágio e mortes cada vez mais crescente, com o nosso país evidenciando uma nova onda de contágio em praticamente todos os estados e tendo Manaus, assim como no início desta pandemia, vendo o colapso do seu sistema de saúde e como fato novo, o surgimento de uma nova cepa viral, em contraponto, o direito de viver é reafirmado com o auxílio da ciência e com as vacinas que começam a imunizar as pessoas.

Segundo o site Our Word in Date, da Universidade de Oxford, o qual contabiliza em tempo real os países e o volume de pessoas imunizadas mundialmente, por volta de 60 países já iniciaram a imunização e mais de 30 milhões de pessoas já foram imunizadas, mas a discussão contrária à vacinação existe e é preocupante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia identificado em 2019 o perigo representado pelos movimentos contra a vacinação, isto é evidenciado no aumento de casos de algumas patologias que estavam erradicadas ou sob controle, por exemplo, o Sarampo registrou um aumento de 30% nos casos em todo o mundo e isto se deve, em boa parte, a recusa vacinal. A entidade expressou, inclusive, preocupação com o retorno da praticamente erradicada poliomielite e colocou a recusa a vacinação entre as 10 ameaças à saúde global.

Vivemos um mundo onde o extremismo ideológico, distante da ciência, aderente e, por vezes, construtor de fake news sobre diversos temas, tem desconstruído um trabalho de gerações de sanitaristas e de pessoas que procuram se informar sobre a veracidade dos fatos, a qual teve nas vacinas, ferramenta de custo/benefício importante na esfera da saúde, como principal responsável pela erradicação da Variola, da quase erradicação da Poliomielite e do controle de tantas outras doenças. Em um mundo abalado sanitariamente e financeiramente por esta pandemia, onde os sistemas políticos e econômicos estão sendo colocados em xeque, os ideários extremistas, o nacionalismo exacerbado e a xenofobia também focam as suas ações nefastas contra este bem maior das pessoas que é o direito de se proteger contra as doenças, através das vacinas.

As primeiras tentativas de se conceber uma vacina, remontam ao século XVIII, na China, na África e na Ásia, tendo como foco a Variola, doença viral que causava a morte de 30% dos infectados. Percebendo que os sobreviventes de um ataque de Variola não eram reincidentes da doença, estes povos tentavam provocá-la de uma forma mais branda, utilizando algodão contendo resíduos das feridas ou pus de infectados, introduzindo no nariz ou em arranhões, picando a pele com agulhas contaminadas ou até usando roupas íntimas de doentes, a isto se denominou Variolização.

A primeira vacina data de 1796, elaborada pelo médico inglês Edward Jenner, o qual observou que ordenhadoras contaminadas com Cowpox, doença do gado semelhante à Variola, se mostravam imunes a doença. Após uma série de experiências, ele inoculou um menino de 8 anos com o pus retirado de ferida de uma ordenhadora contaminada com Cowpox, o garoto apresentou uma infecção branda e se recuperou em 10 dias. Meses após, Dr. Jenner inoculou o menino com pus contaminado com Variola e o garoto não apresentou a doença. Esta vacina rudimentar chegou ao Brasil em 1804, comprada pelo Barão de Barbacena, visto o grande surto de Variola que assolava o país, trazida de Lisboa até a Bahia em navio, passada braço a braço, por negros escravizados. A Variola, responsável pela morte de 300 milhões de pessoas somente no século XX, foi declarada pela OMS como erradicada no mundo em 1980.

Desde então, a ética médica e os processos de elaboração de uma vacina evoluíram e a metodologia utilizada na descoberta da primeira vacina seriam inaceitáveis. Nos dias atuais o desenvolvimento de um imunizante abrange 6 etapas, baseia-se no tripé segurança, eficácia e qualidade, com rígido controle de todos os processos. Esta importante ferramenta sanitária, que é utilizada para doenças virais e bacterianas, salva milhões de vidas anualmente e tem o Brasil como modelo de operacionalização através do seu Programa Nacional de Imunização (PNI) criado em 1973 e regido pela Lei Federal nº 6259/1975, o qual abrange atualmente 36 mil salas de vacinação, por volta de 72 mil profissionais vacinadores, aplicando anualmente 300 mil imunológicos, entre os quais, 27 vacinas, 13 soros e 4 imunoglobulinas. Importante ressaltar que 16 vacinas constantes da Carteira Nacional de Imunização são obrigatórias, como rege o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Seria importante que campanhas sanitárias fossem implementadas, em 1973, em pleno regime militar, uma campanha de vacinação criada pelo Governo Federal, criou o personagem “Sujismundo”, negacionista e contrário à vacina e que era desconstruído para criar consciência na população da necessidade de se vacinar.

Vacina não tem nacionalidade, tem segurança e eficácia, é garantia de viver para muitos.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

Vem comigo!!!

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