terça-feira, 6 de julho de 2021

PANDEMIA DA COVID-19 PROVOCA PREOCUPANTE DESASSISTÊNCIA NO SUS


Esta pandemia da Covid-19 que já contaminou mais de 18,4 milhões de pessoas no Brasil e vitimou mais de 514 mil, trouxe à tona diversos problemas conjunturais, alguns conhecidos, outros escondidos em camadas mais profundas da nossa sociedade. A desigualdade social se tornou insustentável, os desmandos administrativos e o mau uso do dinheiro público nos afrontam diariamente, assim como o negacionismo e as narrativas distantes da ciência, desrespeitosas com a figura humana, por vezes discriminatórias e agressivas, que vemos de muitos homens públicos. A economia que já não andava bem, foi para a UTI, dividindo os poucos leitos com pacientes de Covid-19, padecendo de uma terapia distante dos bancos escolares, a qual não consegue entender que sem tratar a saúde da população atingida pela pandemia, os indicadores econômicos não melhorarão. Portanto, vacinas, políticas de estado focadas na saúde e campanhas de conscientização, salvam vidas e, igualmente, salvarão nosso modelo econômico.

Perante esta imensa quantidade de más notícias, vemos emergir como grande alicerce do combate a pandemia em nosso país, o tão contestado SUS. Pois é, muitos não sabem como era antes da Constituição de 1988, a qual mudou o nosso modelo de sistema de saúde público para o Universal, tendo a partir do artigo 196 da Constituição Federal: “A saúde é direito de todos e dever do Estado...”, se definido por um sistema de saúde gratuito e acessível para todos, o Sistema Único de Saúde. Mas, até o advento do SUS, nosso sistema de saúde público tinha o modelo de Seguro Social, acesso gratuito para quem tinha carteira de trabalho assinada ou então pagava pelos serviços. A oferta de serviços era restrita e não era capilarizada como ocorre hoje através da Estratégia de Saúde da Família (ESF), Política Nacional da Atenção Básica e que oferta serviços para uma população adstrita através de Unidades Básicas de Saúde e um grupo multiprofissional. Lembro que a ESF é a porta de entrada do SUS e gerencia os encaminhamentos para as linhas de atenção secundária e terciária.

O SUS, um dos maiores sistemas universais do mundo, inspirado no modelo inglês, sempre teve gargalos, causados pelo subfinanciamento do Governo Federal, fato histórico, também pelas dificuldades de investimentos na área hospitalar e de alta tecnologia, visto os recursos envolvidos, pela gratuidade dos serviços e pela dificuldade, igualmente histórica, de contrapartida financeira dos planos privados. Mas, mesmo com estes gargalos, perante o completo fracasso das políticas de enfrentamento da pandemia por parte do Governo Federal e do Ministério da Saúde (MS), se não fosse o SUS, certamente o Brasil teria muito mais mortes nesta pandemia.

Que o SUS é importante e precisa de mais investimentos, a realidade desta pandemia fez com que a maioria dos brasileiros entendessem isso, mas em função desta demanda irrestrita de pacientes acometidos pela Covid-19, a desassistência de outros serviços se tornou um problema sério e que precisa ser enfrentado.

O pneumologista do Hospital Universitário Eumory de Atlanta (EUA), Victor Tseng, foi quem inicialmente propôs a análise das consequências pandêmicas e a sua tabulação em 4 ondas. A primeira onda da pandemia (casos e óbitos), a segunda onda do colapso dos sistemas de saúde, a terceira onda do agravamento de doenças crônicas pelo não tratamento e a quarta onda do adoecimento mental da população. Mas a prática dos fatos já mostra a desassistência brutal de outros procedimentos e o abismo sanitário causado.

Segundo dados do Datasus, referentes apenas ao ano de 2020, a atenção primária teve queda de 49% nos atendimentos, as consultas especializadas tiveram uma redução de 25% (em média) e as internações reduziram em 16%. Este comparativo se faz perante a média de procedimentos realizados de 2017 a 2019. Esclareço que, o SUS é responsável por 65% das internações do nosso país, antes da pandemia, o volume de internações anuais se mantinha estável ano após ano, com oscilações de 3% para mais ou para menos. Com relação as doenças cardiovasculares, uma das principais causas de mortes em nosso país, houve uma redução de hospitalização de 16%, em contraponto existem evidências que apontam para um aumento de óbitos em casa. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, entre março e maio de 2020, houve um aumento de 32% nos óbitos por distúrbios cardiovasculares em casa.

Quando observamos a situação dos pacientes acometidos de câncer, segundo o relatório Radar do Câncer do Instituto Oncoguia, houve uma diminuição de 39% no volume de biopsias e uma diminuição de 5% nas internações hospitalares.

Estes indicadores refletem as restrições de acesso ou diminuição de oferta de diversos serviços do SUS neste evento sanitário, mas também o fato de muitas pessoas adiarem as suas consultas ou procedimentos hospitalares por receio de se contaminarem.

O encerramento desta pandemia se dará a partir de uma vacinação em massa dos brasileiros que nos faça alcançar a imunização coletiva (mais de 70% da população vacinada), com ações de governança que sejam regradas pela ciência, ainda pela conscientização dos brasileiros. Entretanto, não podemos fechar os olhos à realidade da desassistência a população que este terrível evento sanitário causou e precisamos, desde já, enfrentar esta dura realidade.

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quinta-feira, 1 de julho de 2021

CERTIFICADO DE VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19 E A OBRIGATORIEDADE DAS VACINAS

Eu sou o Dr. Antonio Ballestero Jr., resido em Itapema-SC, me formei Cirurgião Dentista em 1987 pela Faculdade de Odontologia da Universidade São Francisco-SP e sou pós-graduado em Gestão Hospitalar. Tenho mais de 28 anos de experiência em gestão de saúde, percurso iniciado em 1993 na condição de Secretário Municipal de Saúde de Balneário Camboriú-SC (cargo ocupado em outras oportunidades). Atuo como consultor para prefeituras, hospitais públicos e privados, clínicas, entidades e consórcios. Tenho um trabalho intenso como Palestrante, Colunista de jornais e rádios e Blogueiro. Atualmente presido o Instituto Abaeté de Saúde e Desenvolvimento Humano.

O convite para participar do No Ponto SC me enche de orgulho e responsabilidade, estarei todas as quartas-feiras neste espaço “Desvendando a Saúde do Brasil”, com conteúdos exclusivos que abordarão temas relativos à saúde e o seu impacto no âmbito pessoal, profissional e conjuntural, com opinião sobre os fatos e sobre este mundo em constante transformação, numa abordagem que visa o entendimento de todos.

Vivemos num mundo de desafios diários e transformações impostas pela pandemia da Covid-19. São milhares de contaminados e mortos mundo afora e o nosso país foi atingido de maneira visceral, a partir do fracasso na contenção deste evento sanitário e, agora, de um planejamento vacinal eivado de erros.

A vacina é o caminho para o encerramento desta pandemia, fato comprovado em diversos países, os quais, diferentemente do Brasil, apostaram na ciência e nos imunizantes. Os EUA é um bom exemplo, com uma logística antecipada de compra de vacinas, começaram uma imunização em massa da sua população ainda no final de 2020. Perante esta situação, já estão por alcançar a imunização coletiva vacinal (mais de 70% da população) e embasados nesta realidade, com políticas de enfrentamento de comando centralizado, focadas na ciência e em amplas campanhas de conscientização, estão revertendo as medidas de restrição, como o uso da máscara para os imunizados em determinados locais e a presença de público em eventos.

A importância das vacinas para o desfecho desta pandemia é de tal ordem que já se projeta um documento de certificação dos vacinados, o qual será exigência para a emissão de passaporte e, talvez, de outros documentos. Mas como isso vai funcionar?

A primeira vacina foi elaborada pelo médico inglês Edward Jenner em 1796 (Varíola), chegando ao Brasil em 1804 e desde então as vacinas se tornaram a principal forma de combate contra as doenças virais. Esclareço que não existem medicações que combatam os vírus e sim de suporte, que amenizam os sintomas, além de determinados antivirais específicos, como no caso do HIV-AIDS, que evitam ou retardam a manifestação da doença ou impedem a evolução para quadros mais graves. Após mais de 300 milhões de mortes, apenas no século XX, a Varíola foi erradicada no Brasil em 1971 e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1980 no mundo, sendo a única doença mundialmente erradicada. A vacina foi fundamental para a erradicação da Varíola e é, no controle de diversas doenças de origem bacteriana ou viral.

A saber, o Programa Nacional de Imunização (PNI) foi criado em 1973 e regulamentado pela Lei Federal nº 6259/1975, sendo referência mundial antes desta pandemia. O Brasil foi capaz de, a partir de uma ampla campanha vacinal, erradicar a Varíola (1971) e a Poliomielite (1989). Perante o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), existe uma carteira de vacinas obrigatórias, o artigo 196 da Constituição Federal diz que “A saúde é um direito de todos e um dever do Estado”, estamos regidos pela Lei Federal nº 13.979/2020 (Lei da Quarentena Sanitária do Coronavírus). Tanto a prática imposta pelo ECA, quanto o artigo 196, quanto a Lei da Quarentena Sanitária e decisões sobre o tema do Supremo Tribunal Federal, permitem a obrigatoriedade vacinal do imunizante contra a Covid-19. O Ministério da Saúde, conforme o PNI, é o responsável pela decisão sobre a obrigatoriedade das vacinas, pela organização e operacionalização da cobertura vacinal do brasileiro.

O Certificado de Vacinação de Covid-19 para viagens, apesar de ainda não ser uma realidade, é motivo de ampla discussão, visto a magnitude da pandemia, as incertezas quanto ao seu efetivo controle e os prejuízos causados a indústria do turismo. Na prática, este documento irá substituir a necessidade de apresentar um teste negativo para a doença ou fazer quarentena. Ele difere dos Passes de Saúde, iniciativa em fase de elaboração por companhias aéreas, entidades não-governamentais e empresas de tecnologia com intuito de agregar e padronizar informações de cada passageiro sobre a Covid-19 com foco na retomada das viagens internacionais. Também difere do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP), emitido pela ANVISA e aprovado pela OMS, sendo utilizado há mais de 50 anos para comprovar a imunidade a diversas doenças, sendo a vacina mais exigida (125 países) a da Febre Amarela.

Neste momento, o Ministério do Turismo e o Ministério da Saúde firmaram uma parceria para estimular o uso da plataforma Conecte SUS como certificado digital de vacinação. A ideia é que prefeitos e governadores utilizem esta ferramenta para a retomada segura das atividades turísticas no país.

As vacinas contra a Covid-19 poderiam ser obrigatórias por motivos sanitários, entretanto, na prática, por razões econômicas, acabarão sendo a partir da realidade da existência de um Certificado de Vacinação.

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terça-feira, 29 de junho de 2021

NA PANDEMIA, SERÁ QUE O BRASIL ESTÁ VACINANDO BASTANTE?

 

Que as vacinas são o caminho para o encerramento desta pandemia, estou certo que é uma afirmação que todos concordam, com exceção de um grupo de negacionistas, talvez os mesmos que acreditam na teoria de que a Terra é plana (terraplanistas), os quais vivem por propagar “fake news”, alardeando efeitos colaterais nefastos das vacinas, sua ineficácia contra a Covid-19 e o pouco tempo para a sua elaboração como um sinônimo de desprestígio dos imunizantes. Pois é, de malucos o mundo e, especialmente o Brasil, tem de sobra neste momento.

O Governo Federal, o qual reduziu o Ministério da Saúde (MS) e sua história que remonta a 1953, ano de sua fundação, a um monumento a falta de credibilidade e maestro de desacertos na contenção da pandemia, passando pelo constrangimento de referendar e mesmo indicar medicações sem comprovação científica para uso precoce contra a doença, o dito “kit covid”, tem se esmerado em divulgar que o Brasil é o 4º país que mais vacina no mundo. Será isso verdade?

As vacinas não impedem a contaminação pelo Sars-Cov-2 e sim a manifestação da doença ou quando isto ocorre, não incidirá na sua forma mais grave. Nenhuma vacina é 100% eficaz, mas todas são seguras e eficientes. Existem diferentes tipos de vacinas e estas diferenças na elaboração dos imunizantes afetam na formação das barreiras de defesa do corpo (sistema imunológico), que podem ser por formação de anticorpos ou por memória celular. Para exemplificar, as elaboradas a partir do vírus inativo (Coronavac) provocam imunização importante por formação de anticorpos e pouca imunização por memória celular, já as de elaboração genômica (Pfizer) provocam imunização importante por formação de anticorpos e celular. Entretanto, as elaboradas a partir do vírus inativo, por utilizarem a integralidade do vírus, parecem ser menos suscetíveis a perderem a eficácia perante novas variantes.

Ainda de se ressaltar que todas as vacinas podem causar algum efeito colateral, é bobagem e “fake news” que uma ou outra pode ter uma reação pós vacinal maior, mas todas são seguras. Com o tempo e estudos, será natural que determinada vacina seja indicada para uma faixa etária e para situações orgânicas específicas, mas todas continuarão sendo importantes, seguras e eficientes.

Após abordar um pouco sobre as vacinas, fica mais fácil de se entender a importância da vacinação e também que o encerramento desta pandemia está sendo encaminhado pelas vacinas, mas depende da conscientização das pessoas em fazerem a sua parte com relação aos cuidados de higiene, ao uso da máscara e aos regramentos de distanciamento social, para tanto, campanhas de conscientização, ferramenta importante e que, lamentavelmente, pouco está sendo trabalhada no Brasil da pandemia, devem se associar a ações de governança que repercutam os aconselhamentos da ciência.

Os EUA, o Reino Unido e boa parte da Europa estão conseguindo virar o jogo nesta pandemia com uma imunização em massa da sua população, campanhas de conscientização extremamente capilarizadas e um comando nacional de enfrentamento que se materializa em ações de governança eficazes. Lembro que, a imunização coletiva deve ser utilizada perante um projeto vacinal e no caso da Covid-19, remonta a mais de 70% da população vacinada.

Mas então, acrescidos destas informações, será que o Brasil está vacinando bastante?

Segundo o ranking global da Universidade de Oxford, se considerarmos apenas o número total de doses que cada país aplicou, o Brasil aparece em 4º lugar, mas se compararmos o total de doses aplicadas com o tamanho da população, aí a coisa muda de figura, o nosso país aparece em 78º lugar entre os 190 países e territórios congregados a Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil é o 6º país mais populoso do mundo, com mais de 212 milhões de habitantes, tendo capacidade, segundo o próprio MS, de vacinar 2,4 milhões de pessoas por dia, poucas vezes chegou a vacinar 1 milhão por dia nesta pandemia, a bem da verdade, estes números tem aumentado, mas por vezes, faltam vacinas. Afinal, se o Governo Federal e o MS fracassaram rotundamente no combate à pandemia, igualmente o fizeram ao não conceber uma logística de compra antecipada dos imunizantes e a uma campanha vacinal vertebrada. Lamentavelmente, o que vemos hoje é um “fiasco” mundial que está expresso nas mais de 500 mil mortes que temos no país.

Para se entender melhor este fato, a China tem vacinado 20 milhões de pessoas por dia, os EUA tiveram uma média de 3,4 milhões por dia, índice que caiu a partir de maio para 2,4 milhões, momento em que intensificou as campanhas de conscientização e disponibilizou a vacina para imigrantes, sem terem que comprovar residência. Aliás, este fato fez com que aquecesse o “turismo da vacina” de brasileiros em busca do imunizante nos EUA. Hoje, os EUA estão próximos da imunização de coletiva e assim como diversos países do mundo estão revogando o uso da máscara em determinados locais para os vacinados e as medidas de restrição sanitária.

Se formos analisar a velocidade de doses aplicadas diariamente por milhão de habitantes, a coisa fica pior, o Brasil aparece em 89º lugar no mundo e 13º na América.

Com patamares altos de casos e óbitos, novas variantes que se sucedem e uma terceira onda já presente, é de se aguardar a verdade de se vacinar bastante a partir do segundo semestre.

Vacina é vida, é o caminho para o encerramento desta pandemia.

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terça-feira, 22 de junho de 2021

NA PANDEMIA, DEVEMOS ESCOLHER QUE VACINA TOMAR?


A primeira vacina foi elaborada em 1796, contra a Varíola, pelo médico inglês Edward Jenner, o qual observou que ordenhadoras contaminadas com Cowpox, doença que atinge o gado e é semelhante à Varíola, se mostravam imunes à doença. Após diversos trabalhos experimentais, ele inoculou um menino de 8 anos com o pus retirado de ferida de uma ordenhadora contaminada com Cowpox, o garoto apresentou uma infecção branda e se recuperou em 10 dias. Meses depois, o Dr. Jenner inoculou o menino com pus contaminado com Varíola e o garoto não apresentou a doença.

Imerso em um grande surto de Varíola, o Brasil, através do Barão de Barbacena, trouxe esta vacina rudimentar para o nosso país em 1804, sendo que, o último caso desta doença em solo nacional foi notificado em 1971. Mundialmente, após mais de 300 milhões de mortes pela doença apenas no século XX, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em 1980, a Varíola definitivamente erradicada no mundo.

A Varíola é uma doença infecciosa causada pelo vírus Orthopoxvirus e sua transmissão ocorre através de pessoas e objetos contaminados, este vírus pode sobreviver por até 24h em temperatura ambiente. Essa doença assolou a humanidade por séculos, sendo controlada pela descoberta e aprimoramento das vacinas, visto que, como todas as doenças onde o patógeno é um vírus, apenas existem medicações de suporte, utilizadas para mitigar os sintomas ou medicações para impedir a evolução da doença para quadros infecciosos mais graves. A sua erradicação nos anos 80 ocorreu após uma maciça campanha vacinal global comandada pela OMS, sendo a única doença erradicada mundialmente.

Atualmente, o desenvolvimento de uma vacina abrange 6 etapas e baseia-se no tripé: segurança, eficácia e qualidade, com rigoroso controle de todos os processos. Sendo utilizadas para doenças virais e bacterianas. As fases de elaboração de uma vacina são: 1 – definição da sua composição; 2 – testes em animais para comprovação dos dados obtidos “in vitro”; 3 – planejamento das fases clínicas; 4 – primeira fase de testes em humanos, testa a segurança, poucos voluntários (20 a 80), geralmente adultos saudáveis; 5 – segunda fase de testes em humanos, testa com maior profundidade a segurança e a eficácia, grupo de no máximo 100 pessoas; 6 – terceira fase de testes em humanos, testa a segurança e a eficácia no público-alvo, pode envolver milhares de pessoas de diferentes faixas etárias e etnias. Todas as etapas de desenvolvimento de uma vacina são acompanhadas pelos organismos de controle e a sua aprovação provisória ou definitiva carece do envio de amplas informações para as agências reguladoras dos países, no Brasil a ANVISA. Portanto, TODAS as vacinas aprovadas são seguras e eficientes.

Da tecnologia que envolve a elaboração de vacinas para doenças virais, temos as “convencionais”, a partir do vírus inativo (vacina da Gripe), a partir do vírus atenuado (vacina do Sarampo) e a partir da proteína do vírus. Contra a Covid-19, além destas vacinas ditas “convencionais”, temos imunizantes elaborados a partir de tecnologia nunca utilizada em vacinas para humanos: por vetor viral não-replicante, utiliza-se o adenovírus inativo (um dos mais de 200 vírus, juntamente com o Coronavírus, que causam o resfriado comum) e no seu interior é introduzido um fragmento da proteína Spike do Sars-Cov-2; genética, tecnologia avançada que utiliza pequena sequência genética (RNA) da proteína Spike do Sars-Cov-2, a qual vai “ensinar” o organismo humano a prover imunidade para a Covid-19.

Conforme as vacinas mais conhecidas disponibilizadas e sua tecnologia de elaboração, temos: genética, a da Pfizer/BioNTech e a da Moderna; a partir de vetor viral não-replicante, Oxford/AstraZeneca, Jansen (Johnson&Johnson), CanSinoBio e Sputnik-V; a partir de vírus inativo, Coronavac (Sinovac), Covaxin (Barat/Biotech) e Sinopharm; e por fragmento da proteína Spike do vírus, Novamax e EpiVacCorona.

Este breve histórico visa sedimentar o entendimento da importância das vacinas, desde o seu surgimento no século XVIII, virando o jogo de combate às doenças, especialmente as de origem viral. Esclareço que, os antibióticos não atuam contra os vírus, estes micro-organismos não são considerados estruturas vivas, dependem de associação com células de humanos ou de animais para atuarem. Os antibióticos são utilizados para combater doenças oportunistas perante o quadro infeccioso viral. Outros fármacos importantes para o combate às doenças igualmente não funcionam contra vírus, a não ser as medicações de controle para os sintomas e antivirais utilizados para impedir a manifestação ou a evolução da doença, como os utilizados contra o vírus HIV, que provoca a AIDS.

Ainda procurei fortalecer o entendimento da segurança e eficiência de TODAS as vacinas aprovadas, independente de sua eficácia. TODAS impedirão a evolução da doença para quadros severos. A saber, as vacinas não impedem a contaminação pelo Sars-Cov-2 e sim a manifestação da Covid-19.

A vacinação em massa nos EUA desde final de dezembro de 2020 (média de 3,4 milhões de vacinados por dia), somada a ações de governança focadas na ciência, fez com que o número de casos e de óbitos caísse de maneira exponencial. Hoje, os EUA, perante uma proximidade da imunização de rebanho vacinal e indicadores epidemiológicos favoráveis, está revertendo o uso da máscara (para os vacinados) em determinados locais e até permite um público controlado em eventos.

No Brasil temos poucas vacinas e este quadro só deve ser alterado mais para o final de 2021, mas TODAS SÃO IMPORTANTES e é pouco inteligente se escolher por esta ou aquela.

Vacina é vida, é o caminho para o encerramento desta pandemia.

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terça-feira, 15 de junho de 2021

ALÉM DA PANDEMIA, O MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO

 

A pandemia da COVID-19 já contaminou mais de 175 milhões de pessoas e vitimou mais de 3 milhões mundo a fora. No Brasil são mais de 17 milhões de casos e já passamos das 480 mil mortes. A despeito da dor pela perda de entes queridos e de amigos, do estresse diário oriundo das incertezas sanitárias, profissionais e financeiras, esta pandemia está transformando o mundo e as mudanças de processos profissionais e sociais criam uma enorme gama de responsabilidades e de oportunidades.

Há 100 anos, entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, a pandemia da Gripe Espanhola assolou um mundo ainda em guerra (a 1ª Grande Guerra se encerrou em 1918), contaminando mais de 500 milhões de pessoas (1/4 da população mundial a época), vitimando mais de 50 milhões, sendo 35 mil no Brasil. Esta pandemia de Influenza apresentou 4 ondas, sendo a segunda a mais agressiva e, além do aspecto sanitário, a economia global foi duramente castigada. Os países lutavam contra o impacto econômico do pós-guerra e este evento sanitário aprofundou as desigualdades sociais, a fome e o desemprego. Muitos cientistas apontam que um dos fatores que repercutiram na letalidade da pandemia foi a desnutrição.

A Gripe Espanhola foi ocasionada pelo vírus H1N1, uma mutação do vírus da gripe comum. Se na época o mundo registrava uma população aproximadamente 4 vezes menor que a atual (mais de 7 bilhões de pessoas), em contrapartida a evolução da ciência e da tecnologia era muito menor, vivia-se a 2ª Revolução Industrial (1850 – 1949), com o desenvolvimento de indústrias elétricas, de petróleo, química e aço, ainda, a evolução dos meios de transporte e de comunicação.

Assim como agora, o negacionismo à ciência e à doença eram intensos, a busca de remédios milagrosos fez com que no Brasil se descobrisse uma mistura a base de limão, cachaça e melaço, obviamente ineficaz contra a Influenza, mas que, para deleite de muitos, deu origem a popular caipirinha. O uso de máscaras e medidas de distanciamento social eram recomendados, assim como, teve início a utilização do álcool em gel para a higienização das mãos. As medidas terapêuticas recomendadas eram o descanso e o uso de medicações de sustentação contra os sintomas (febre, cefaleia, dores no corpo). Assim como agora, os sistemas de saúde colapsaram, o que fez com que o pós pandemia fosse de estruturação de sistemas públicos mais capilarizados e eficazes, inclusive no Brasil. Lembro que a vacinação contra a gripe só começou a ser feita na década de 1930.

Segundo pesquisadores do Federal Reserve dos EUA, do Federal Reserve de Nova Iorque e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), “as intervenções não farmacológicas, por exemplo, o fechamento de escolas, teatros e igrejas, a proibição de reuniões públicas e funerais, a colocação em quarentena dos casos suspeitos e a restrição de horários de abertura dos negócios não apenas reduziram a mortalidade, mas também mitigaram as consequências econômicas adversas da pandemia da Gripe Espanhola”.

Com o final da primeira Guerra Mundial (1914-1918), houve uma mudança geopolítica na Europa, a qual já se evidenciava com a revolução bolchevique de 1917 que ascendeu ao poder o socialismo de Lenin na Rússia. Os EUA reafirmaram sua hegemonia no setor industrial mundial, se beneficiando da crise europeia do pós-guerra. Já a Europa teve que se reinventar imersa em profunda crise social e econômica. A pandemia da Gripe Espanhola se somou aos efeitos do pós-guerra para transformar o mundo, imerso neste terrível evento sanitário, em um palco de problemas sociais, mudanças geopolíticas, crises econômicas, portanto, de muitos problemas, transformações e também de oportunidades.

Historicamente percebemos que eventos mundiais da dimensão de uma guerra mundial ou de uma pandemia, como a da Gripe Espanhola ou a que estamos vivendo, são os únicos capazes de desestruturar e criar novos modelos econômicos, provocar mudanças importantes nos processos sociais, políticos e nas formas de trabalho, além de impactar na melhoria de problemas conjunturais na saúde, educação, entre outras áreas.

A pandemia da COVID-19 já trouxe consequências para a política global, sendo fator decisivo para a derrota do extremismo conservador e nacionalista de Donald Trump nos EUA, com seu negacionismo à ciência e suas narrativas de desprezo a vida humana. A história continuará a ser passada a limpo e as vidas perdidas irão repercutir na desestabilização de homens públicos do mesmo naipe, assim como, este evento sanitário e a crise econômica oriunda dele, trará para a ordem do dia pautas relativas à desigualdade social, a superpopulação do planeta com sua fragilidade social e sanitária, a preservação do meio ambiente, a fragilidade dos sistemas de saúde e a ineficácia nas respostas globais à pandemia, entre outras.

De outra medida, o mundo digital, expoente da quarta revolução industrial que vivemos, se inseriu de maneira exponencial e definitiva nesta pandemia. A educação sofre mudanças importantes com a incorporação do ensino 4.0, o trabalho remoto veio para ficar e está transformando os ambientes e as relações de trabalho. O mundo em crise se transforma perante as necessidades e isto gera muitas dificuldades, mas também enormes oportunidades de prosperidade.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

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terça-feira, 8 de junho de 2021

O BRASIL DA PANDEMIA, DE POUCAS VACINAS E DA COPA AMÉRICA



O Brasil já passou das 470 mil mortes pela Covid-19, pouco mais de 10% da população foi imunizada com as duas doses das vacinas, na iminência de uma terceira onda ou, como defendem alguns cientistas, já adentrando nessa nova onda em maio, neste momento, ela estaria se encorpando com novas variantes a entrarem ou se formarem no país, como a variante indiana que aqui já se faz presente. Apesar de alguns “terraplanistas” que insistem em defender medicações para tratamento precoce da Covid-19, as quais o mundo civilizado repudia e a ciência mostrou serem ineficazes e perigosas, precisamos mesmo de uma vacinação em massa, mas isto irá acontecer, parafraseando o ex-ministro Pazuelo, em dia “D” e hora “H”, que se mostra de difícil projeção, acredito que mais para o final de 2021. Neste quadro complicado que vive nosso país nesta pandemia, sediaremos a Copa América de Futebol.

Segundo o Painel de Análise de Excesso de Mortalidade por Causas Naturais no Brasil em 2021, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) em parceria com a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ARPEN-Brasil), e com a Organização Global de Saúde Pública Vital Strategies, houve um excesso de 64% no projetado, no que tange à mortalidade em nosso país entre 1º de janeiro e 17 de abril de 2021 (221.847 mortes além do esperado). Este número é bem próximo do que foi registrado ao longo de todo ano de 2020 (275.587 mortes a mais do que era esperado). Isto demonstra o recrudescimento da pandemia no Brasil e impactará na expectativa de vida de nossa população. Este painel ainda confirma que o excesso de mortes vem crescendo entre a população de até 59 anos, mostrando um novo perfil da pandemia, a qual, reitero, se mostra mais agressiva e atingindo uma população mais jovem.

Nosso país continua a caminhar sem rumo quanto a uma política nacional de contenção da Covid-19, o negacionismo ainda é intenso. Como percebemos, faltam vacinas e a população já se mostra, em sua maioria, insatisfeita e apreensiva, segundo pesquisas recentes. Esta insatisfação aumenta ao vermos uma realidade completamente diferente mundo afora, por exemplo, os EUA já tinham aplicado 293.7 milhões de vacinas contra a Covid-19 até 29 de maio de 2021, com isso, imunizou quase 60% de sua população, mais de 167 milhões de pessoas já receberam a primeira dose, enquanto algo em torno de 164 milhões foram completamente imunizadas. Estes indicadores fizeram com que os EUA flexibilizassem as medidas restritivas, revogassem o uso da máscara em determinados ambientes para a população vacinada e permitissem uma presença de público controlada em eventos esportivos. Eles colhem os frutos dos esforços implementados desde dezembro de 2020 pelo governo Biden, mesmo o ex-presidente Trump, um negacionista contumaz, não se eximiu de entender a importância das vacinas e de adquiri-las perante uma logística que permitisse uma vacinação em massa de sua população a partir desta data. Lembro que os EUA é um país continental como o Brasil, tem uma população de 328.2 milhões de habitantes (2019), nosso país pouco mais de 214 milhões (2021). Seu sistema de saúde público é por seguro social (Obamacare), o que torna a saúde dos americanos uma das mais caras do mundo, em contraponto ao sistema universal adotado em nosso país, extremamente capilarizado e que tem sido o alicerce do nosso enfrentamento pandêmico.

A Copa América inicialmente seria realizada na Colômbia, o que deixou de ocorrer em função da convulsão social em que está imerso o país, posteriormente, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Commebol) alterou a sede para a Argentina, a qual declinou de realizar a competição em 30 de maio, em função da crise sanitária causada pelo Coronavírus. Segundo o governo argentino, a pandemia no país é considerada fora de controle, com alta de casos e de óbitos, a preocupação do governo tem sido em viabilizar uma vacinação em massa da sua população, tendo sido divulgado em 31 de maio, um recorde de vacinação em um final de semana, 350 mil pessoas imunizadas.

O Brasil apresenta um quadro sanitário, acarretado pela pandemia, mais complexo que o da Argentina, visto sermos um país continental, temos um território e uma população bem maiores que do nosso vizinho, ainda não termos nos acertado quanto a uma política de contenção e não enxergarmos em um horizonte próximo, a possibilidade de uma vacinação em massa.

A despeito de mantermos nossos campeonatos de futebol ativos e de participarmos dos campeonatos da Commebol, sem presença de público, com protocolos, em tese, adequados, ainda que num calendário maluco (por vezes 48h entre as partidas), o fazemos sabendo dos riscos, mas com a responsabilidade de não prejudicar mais ainda os clubes e de não causar o desemprego de profissionais que dependem direta ou indiretamente do esporte.

Realizar a Copa América no Brasil significaria a entrada, em solo nacional, de 10 seleções, aproximadamente 650 pessoas vindas de países diferentes, além dos integrantes da seleção nacional, imprensa internacional e um número imenso de pessoas envolvidas na organização. A Commebol se propõe a vacinar as delegações, mas falta menos de 10 dias para o início da competição, nem daria para cumprir os 14 dias de isolamento mínimo.

Creio ser uma loucura, de complicada solução sanitária e com efeitos que podem fortalecer a terceira onda da pandemia e serem devastadores para o país.

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terça-feira, 1 de junho de 2021

A TERCEIRA ONDA DA PANDEMIA SE ENCAMINHA NO BRASIL

O Estados Unidos (EUA) tem avançado significativamente na vacinação da sua população de mais de 328 milhões de pessoas. Tendo iniciado em dezembro de 2020, algo em torno de 3,4 milhões de pessoas chegaram a ser vacinadas diariamente, este número reduziu para 2,4 milhões/dia em maio de 2021, o que fez com que as autoridades estimulassem a vacinação fortalecendo as campanhas de conscientização, através de sorteios de loterias e, inclusive, permitindo, em diversos estados, a vacinação sem a necessidade da comprovação de residência, com o intuito de atingir uma grande massa de imigrantes. Estão sendo disponibilizadas vacinas da Pfizer, da Moderna e da Jansen, as duas primeiras elaboradas a partir do genoma do vírus e apresentando maior eficácia entre todas as vacinas disponíveis. A da Jansen é uma vacina em dose única e, igualmente, com alto nível de eficácia.

Perante a logística de aquisição destes imunizantes e um planejamento vacinal bastante eficaz, boa parte da população dos EUA já foi vacinada, com isto os números de casos e de óbitos tem diminuído substancialmente. Em 10 de maio, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) divulgou uma queda de 21,2% no número de casos em 24h. Em 13 de maio, o CDC retirou a obrigatoriedade do uso de máscara na maioria dos ambientes para pessoas vacinadas (15 dias após a segunda dose ou a dose única), também está sendo permitido a presença de público, ainda controlado, em estádios e ginásios esportivos. Os EUA, com a vacinação em massa da sua população em ritmo avançado e com uma política de enfrentamento da pandemia do governo Biden seguindo o que propõe a ciência, apenas monitora a possibilidade de uma nova onda, mas vive a realidade de um novo normal.

O Brasil já passou dos 450 mil mortos nesta pandemia, com negacionismo intenso e com poucas campanhas de conscientização ou quando existentes, de baixa capilaridade, vê neste momento, os erros e omissões de nossos governantes sendo passado a limpo numa CPI do Senado Federal. Com poucas vacinas disponíveis, pouco mais de 10% de nossa população de mais de 210 milhões de pessoas tomou as duas doses da vacina. Os números de casos e de óbitos se mantém em patamares altos, apenas diferenciando a primeira da segunda onda e da terceira que já se estabelece, por picos abruptos de elevação de casos e de óbitos, pela maior ocupação dos leitos de UTI e pela identificação de novas variantes.

Nosso país sempre teve uma postura reativa à pandemia, jamais houve um planejamento de contenção eficaz que privilegiasse a ciência e a prevenção. Vivemos ainda a discutir medicações pretensamente salvadoras, como a Hidroxicloroquina e a Cloroquina, estas já descartadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por países como os EUA, visto sua absoluta ineficácia contra à Covid-19 comprovada por diversos estudos científicos abalisados e pela possibilidade de efeitos colaterais que podem levar à morte.

A nossa grande arma nesta pandemia tem sido o SUS, sistema de saúde de modelo universal e gratuito, extremamente capilarizado por todo o país e que, desde 1988, quando de sua criação, tem democratizado o acesso à saúde a este país de tanta desigualdade social. O Sistema Único de Saúde tem como modelo o mais bem referendado sistema universal do mundo, o do Reino Unido, mas, a maior parte dos países em estágio mais avançado de desenvolvimento e com padrões mais elevados de igualdade social, apresentam sistemas similares, cito: França, Espanha, Portugal, Alemanha, entre outros. Uma exceção é os EUA, com o seu Obamacare, modelo de seguro social, como era no Brasil antes do advento do SUS. Este modelo torna o tratamento de saúde muito oneroso por lá e de acesso pouco democratizado, sendo alvo de muitas críticas e acarretando o compromisso de mudança pelo atual presidente, Biden.

Portanto, o SUS tem sido o alicerce do enfrentamento desta pandemia, atrapalhado em seu trabalho por um Ministério da Saúde inoperante e omisso. Mas, o senhor Marcelo Queiroga, atual Ministro da Saúde, não concorda com isso. Em 25 de maio, ele atribuiu parte da culpa pelo mau controle da pandemia no Brasil aos problemas do SUS.

Neste momento, nosso país apresenta todos os condicionantes para uma terceira onda, quais sejam, manutenção em patamares altos de casos e de óbitos, uma vacinação insipiente, ações de governança ineficazes ou, em determinados casos, omissas e a ausência de campanhas de conscientização a se contraporem a um negacionismo intenso. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou sobre isso em 13 de maio de 2021, sendo que, estes indicadores que cito, nos transformam num potencial celeiro para a proliferação de novas cepas virais do Coronavírus que apresentem maior velocidade de contágio e sejam ainda mais agressivas.

Se a variante P1 (originada em Manaus-AM) impulsionou a segunda onda e deu novas cores à pandemia, a entrada da variante indiana pelo Maranhão, a qual não foi contida, visto que, uma pessoa infectada, passou por São Paulo e foi identificada como tal, no Rio de Janeiro, pode ser fator decisivo para a consolidação da terceira onda. Mas, temos ainda a variante P4, identificada no interior de São Paulo, que apresenta mutações existentes na indiana e na P1. Lamentável o fato da ANVISA não conseguir montar barreiras sanitárias eficazes em nossas fronteiras, nos aeroportos, entre outros.

A terceira onda, me parece, já está em curso.

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