terça-feira, 8 de junho de 2021

O BRASIL DA PANDEMIA, DE POUCAS VACINAS E DA COPA AMÉRICA



O Brasil já passou das 470 mil mortes pela Covid-19, pouco mais de 10% da população foi imunizada com as duas doses das vacinas, na iminência de uma terceira onda ou, como defendem alguns cientistas, já adentrando nessa nova onda em maio, neste momento, ela estaria se encorpando com novas variantes a entrarem ou se formarem no país, como a variante indiana que aqui já se faz presente. Apesar de alguns “terraplanistas” que insistem em defender medicações para tratamento precoce da Covid-19, as quais o mundo civilizado repudia e a ciência mostrou serem ineficazes e perigosas, precisamos mesmo de uma vacinação em massa, mas isto irá acontecer, parafraseando o ex-ministro Pazuelo, em dia “D” e hora “H”, que se mostra de difícil projeção, acredito que mais para o final de 2021. Neste quadro complicado que vive nosso país nesta pandemia, sediaremos a Copa América de Futebol.

Segundo o Painel de Análise de Excesso de Mortalidade por Causas Naturais no Brasil em 2021, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) em parceria com a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ARPEN-Brasil), e com a Organização Global de Saúde Pública Vital Strategies, houve um excesso de 64% no projetado, no que tange à mortalidade em nosso país entre 1º de janeiro e 17 de abril de 2021 (221.847 mortes além do esperado). Este número é bem próximo do que foi registrado ao longo de todo ano de 2020 (275.587 mortes a mais do que era esperado). Isto demonstra o recrudescimento da pandemia no Brasil e impactará na expectativa de vida de nossa população. Este painel ainda confirma que o excesso de mortes vem crescendo entre a população de até 59 anos, mostrando um novo perfil da pandemia, a qual, reitero, se mostra mais agressiva e atingindo uma população mais jovem.

Nosso país continua a caminhar sem rumo quanto a uma política nacional de contenção da Covid-19, o negacionismo ainda é intenso. Como percebemos, faltam vacinas e a população já se mostra, em sua maioria, insatisfeita e apreensiva, segundo pesquisas recentes. Esta insatisfação aumenta ao vermos uma realidade completamente diferente mundo afora, por exemplo, os EUA já tinham aplicado 293.7 milhões de vacinas contra a Covid-19 até 29 de maio de 2021, com isso, imunizou quase 60% de sua população, mais de 167 milhões de pessoas já receberam a primeira dose, enquanto algo em torno de 164 milhões foram completamente imunizadas. Estes indicadores fizeram com que os EUA flexibilizassem as medidas restritivas, revogassem o uso da máscara em determinados ambientes para a população vacinada e permitissem uma presença de público controlada em eventos esportivos. Eles colhem os frutos dos esforços implementados desde dezembro de 2020 pelo governo Biden, mesmo o ex-presidente Trump, um negacionista contumaz, não se eximiu de entender a importância das vacinas e de adquiri-las perante uma logística que permitisse uma vacinação em massa de sua população a partir desta data. Lembro que os EUA é um país continental como o Brasil, tem uma população de 328.2 milhões de habitantes (2019), nosso país pouco mais de 214 milhões (2021). Seu sistema de saúde público é por seguro social (Obamacare), o que torna a saúde dos americanos uma das mais caras do mundo, em contraponto ao sistema universal adotado em nosso país, extremamente capilarizado e que tem sido o alicerce do nosso enfrentamento pandêmico.

A Copa América inicialmente seria realizada na Colômbia, o que deixou de ocorrer em função da convulsão social em que está imerso o país, posteriormente, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Commebol) alterou a sede para a Argentina, a qual declinou de realizar a competição em 30 de maio, em função da crise sanitária causada pelo Coronavírus. Segundo o governo argentino, a pandemia no país é considerada fora de controle, com alta de casos e de óbitos, a preocupação do governo tem sido em viabilizar uma vacinação em massa da sua população, tendo sido divulgado em 31 de maio, um recorde de vacinação em um final de semana, 350 mil pessoas imunizadas.

O Brasil apresenta um quadro sanitário, acarretado pela pandemia, mais complexo que o da Argentina, visto sermos um país continental, temos um território e uma população bem maiores que do nosso vizinho, ainda não termos nos acertado quanto a uma política de contenção e não enxergarmos em um horizonte próximo, a possibilidade de uma vacinação em massa.

A despeito de mantermos nossos campeonatos de futebol ativos e de participarmos dos campeonatos da Commebol, sem presença de público, com protocolos, em tese, adequados, ainda que num calendário maluco (por vezes 48h entre as partidas), o fazemos sabendo dos riscos, mas com a responsabilidade de não prejudicar mais ainda os clubes e de não causar o desemprego de profissionais que dependem direta ou indiretamente do esporte.

Realizar a Copa América no Brasil significaria a entrada, em solo nacional, de 10 seleções, aproximadamente 650 pessoas vindas de países diferentes, além dos integrantes da seleção nacional, imprensa internacional e um número imenso de pessoas envolvidas na organização. A Commebol se propõe a vacinar as delegações, mas falta menos de 10 dias para o início da competição, nem daria para cumprir os 14 dias de isolamento mínimo.

Creio ser uma loucura, de complicada solução sanitária e com efeitos que podem fortalecer a terceira onda da pandemia e serem devastadores para o país.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

Vem comigo!!!

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