terça-feira, 29 de junho de 2021

NA PANDEMIA, SERÁ QUE O BRASIL ESTÁ VACINANDO BASTANTE?

 

Que as vacinas são o caminho para o encerramento desta pandemia, estou certo que é uma afirmação que todos concordam, com exceção de um grupo de negacionistas, talvez os mesmos que acreditam na teoria de que a Terra é plana (terraplanistas), os quais vivem por propagar “fake news”, alardeando efeitos colaterais nefastos das vacinas, sua ineficácia contra a Covid-19 e o pouco tempo para a sua elaboração como um sinônimo de desprestígio dos imunizantes. Pois é, de malucos o mundo e, especialmente o Brasil, tem de sobra neste momento.

O Governo Federal, o qual reduziu o Ministério da Saúde (MS) e sua história que remonta a 1953, ano de sua fundação, a um monumento a falta de credibilidade e maestro de desacertos na contenção da pandemia, passando pelo constrangimento de referendar e mesmo indicar medicações sem comprovação científica para uso precoce contra a doença, o dito “kit covid”, tem se esmerado em divulgar que o Brasil é o 4º país que mais vacina no mundo. Será isso verdade?

As vacinas não impedem a contaminação pelo Sars-Cov-2 e sim a manifestação da doença ou quando isto ocorre, não incidirá na sua forma mais grave. Nenhuma vacina é 100% eficaz, mas todas são seguras e eficientes. Existem diferentes tipos de vacinas e estas diferenças na elaboração dos imunizantes afetam na formação das barreiras de defesa do corpo (sistema imunológico), que podem ser por formação de anticorpos ou por memória celular. Para exemplificar, as elaboradas a partir do vírus inativo (Coronavac) provocam imunização importante por formação de anticorpos e pouca imunização por memória celular, já as de elaboração genômica (Pfizer) provocam imunização importante por formação de anticorpos e celular. Entretanto, as elaboradas a partir do vírus inativo, por utilizarem a integralidade do vírus, parecem ser menos suscetíveis a perderem a eficácia perante novas variantes.

Ainda de se ressaltar que todas as vacinas podem causar algum efeito colateral, é bobagem e “fake news” que uma ou outra pode ter uma reação pós vacinal maior, mas todas são seguras. Com o tempo e estudos, será natural que determinada vacina seja indicada para uma faixa etária e para situações orgânicas específicas, mas todas continuarão sendo importantes, seguras e eficientes.

Após abordar um pouco sobre as vacinas, fica mais fácil de se entender a importância da vacinação e também que o encerramento desta pandemia está sendo encaminhado pelas vacinas, mas depende da conscientização das pessoas em fazerem a sua parte com relação aos cuidados de higiene, ao uso da máscara e aos regramentos de distanciamento social, para tanto, campanhas de conscientização, ferramenta importante e que, lamentavelmente, pouco está sendo trabalhada no Brasil da pandemia, devem se associar a ações de governança que repercutam os aconselhamentos da ciência.

Os EUA, o Reino Unido e boa parte da Europa estão conseguindo virar o jogo nesta pandemia com uma imunização em massa da sua população, campanhas de conscientização extremamente capilarizadas e um comando nacional de enfrentamento que se materializa em ações de governança eficazes. Lembro que, a imunização coletiva deve ser utilizada perante um projeto vacinal e no caso da Covid-19, remonta a mais de 70% da população vacinada.

Mas então, acrescidos destas informações, será que o Brasil está vacinando bastante?

Segundo o ranking global da Universidade de Oxford, se considerarmos apenas o número total de doses que cada país aplicou, o Brasil aparece em 4º lugar, mas se compararmos o total de doses aplicadas com o tamanho da população, aí a coisa muda de figura, o nosso país aparece em 78º lugar entre os 190 países e territórios congregados a Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil é o 6º país mais populoso do mundo, com mais de 212 milhões de habitantes, tendo capacidade, segundo o próprio MS, de vacinar 2,4 milhões de pessoas por dia, poucas vezes chegou a vacinar 1 milhão por dia nesta pandemia, a bem da verdade, estes números tem aumentado, mas por vezes, faltam vacinas. Afinal, se o Governo Federal e o MS fracassaram rotundamente no combate à pandemia, igualmente o fizeram ao não conceber uma logística de compra antecipada dos imunizantes e a uma campanha vacinal vertebrada. Lamentavelmente, o que vemos hoje é um “fiasco” mundial que está expresso nas mais de 500 mil mortes que temos no país.

Para se entender melhor este fato, a China tem vacinado 20 milhões de pessoas por dia, os EUA tiveram uma média de 3,4 milhões por dia, índice que caiu a partir de maio para 2,4 milhões, momento em que intensificou as campanhas de conscientização e disponibilizou a vacina para imigrantes, sem terem que comprovar residência. Aliás, este fato fez com que aquecesse o “turismo da vacina” de brasileiros em busca do imunizante nos EUA. Hoje, os EUA estão próximos da imunização de coletiva e assim como diversos países do mundo estão revogando o uso da máscara em determinados locais para os vacinados e as medidas de restrição sanitária.

Se formos analisar a velocidade de doses aplicadas diariamente por milhão de habitantes, a coisa fica pior, o Brasil aparece em 89º lugar no mundo e 13º na América.

Com patamares altos de casos e óbitos, novas variantes que se sucedem e uma terceira onda já presente, é de se aguardar a verdade de se vacinar bastante a partir do segundo semestre.

Vacina é vida, é o caminho para o encerramento desta pandemia.

Vem comigo!!!

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