terça-feira, 22 de junho de 2021

NA PANDEMIA, DEVEMOS ESCOLHER QUE VACINA TOMAR?


A primeira vacina foi elaborada em 1796, contra a Varíola, pelo médico inglês Edward Jenner, o qual observou que ordenhadoras contaminadas com Cowpox, doença que atinge o gado e é semelhante à Varíola, se mostravam imunes à doença. Após diversos trabalhos experimentais, ele inoculou um menino de 8 anos com o pus retirado de ferida de uma ordenhadora contaminada com Cowpox, o garoto apresentou uma infecção branda e se recuperou em 10 dias. Meses depois, o Dr. Jenner inoculou o menino com pus contaminado com Varíola e o garoto não apresentou a doença.

Imerso em um grande surto de Varíola, o Brasil, através do Barão de Barbacena, trouxe esta vacina rudimentar para o nosso país em 1804, sendo que, o último caso desta doença em solo nacional foi notificado em 1971. Mundialmente, após mais de 300 milhões de mortes pela doença apenas no século XX, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em 1980, a Varíola definitivamente erradicada no mundo.

A Varíola é uma doença infecciosa causada pelo vírus Orthopoxvirus e sua transmissão ocorre através de pessoas e objetos contaminados, este vírus pode sobreviver por até 24h em temperatura ambiente. Essa doença assolou a humanidade por séculos, sendo controlada pela descoberta e aprimoramento das vacinas, visto que, como todas as doenças onde o patógeno é um vírus, apenas existem medicações de suporte, utilizadas para mitigar os sintomas ou medicações para impedir a evolução da doença para quadros infecciosos mais graves. A sua erradicação nos anos 80 ocorreu após uma maciça campanha vacinal global comandada pela OMS, sendo a única doença erradicada mundialmente.

Atualmente, o desenvolvimento de uma vacina abrange 6 etapas e baseia-se no tripé: segurança, eficácia e qualidade, com rigoroso controle de todos os processos. Sendo utilizadas para doenças virais e bacterianas. As fases de elaboração de uma vacina são: 1 – definição da sua composição; 2 – testes em animais para comprovação dos dados obtidos “in vitro”; 3 – planejamento das fases clínicas; 4 – primeira fase de testes em humanos, testa a segurança, poucos voluntários (20 a 80), geralmente adultos saudáveis; 5 – segunda fase de testes em humanos, testa com maior profundidade a segurança e a eficácia, grupo de no máximo 100 pessoas; 6 – terceira fase de testes em humanos, testa a segurança e a eficácia no público-alvo, pode envolver milhares de pessoas de diferentes faixas etárias e etnias. Todas as etapas de desenvolvimento de uma vacina são acompanhadas pelos organismos de controle e a sua aprovação provisória ou definitiva carece do envio de amplas informações para as agências reguladoras dos países, no Brasil a ANVISA. Portanto, TODAS as vacinas aprovadas são seguras e eficientes.

Da tecnologia que envolve a elaboração de vacinas para doenças virais, temos as “convencionais”, a partir do vírus inativo (vacina da Gripe), a partir do vírus atenuado (vacina do Sarampo) e a partir da proteína do vírus. Contra a Covid-19, além destas vacinas ditas “convencionais”, temos imunizantes elaborados a partir de tecnologia nunca utilizada em vacinas para humanos: por vetor viral não-replicante, utiliza-se o adenovírus inativo (um dos mais de 200 vírus, juntamente com o Coronavírus, que causam o resfriado comum) e no seu interior é introduzido um fragmento da proteína Spike do Sars-Cov-2; genética, tecnologia avançada que utiliza pequena sequência genética (RNA) da proteína Spike do Sars-Cov-2, a qual vai “ensinar” o organismo humano a prover imunidade para a Covid-19.

Conforme as vacinas mais conhecidas disponibilizadas e sua tecnologia de elaboração, temos: genética, a da Pfizer/BioNTech e a da Moderna; a partir de vetor viral não-replicante, Oxford/AstraZeneca, Jansen (Johnson&Johnson), CanSinoBio e Sputnik-V; a partir de vírus inativo, Coronavac (Sinovac), Covaxin (Barat/Biotech) e Sinopharm; e por fragmento da proteína Spike do vírus, Novamax e EpiVacCorona.

Este breve histórico visa sedimentar o entendimento da importância das vacinas, desde o seu surgimento no século XVIII, virando o jogo de combate às doenças, especialmente as de origem viral. Esclareço que, os antibióticos não atuam contra os vírus, estes micro-organismos não são considerados estruturas vivas, dependem de associação com células de humanos ou de animais para atuarem. Os antibióticos são utilizados para combater doenças oportunistas perante o quadro infeccioso viral. Outros fármacos importantes para o combate às doenças igualmente não funcionam contra vírus, a não ser as medicações de controle para os sintomas e antivirais utilizados para impedir a manifestação ou a evolução da doença, como os utilizados contra o vírus HIV, que provoca a AIDS.

Ainda procurei fortalecer o entendimento da segurança e eficiência de TODAS as vacinas aprovadas, independente de sua eficácia. TODAS impedirão a evolução da doença para quadros severos. A saber, as vacinas não impedem a contaminação pelo Sars-Cov-2 e sim a manifestação da Covid-19.

A vacinação em massa nos EUA desde final de dezembro de 2020 (média de 3,4 milhões de vacinados por dia), somada a ações de governança focadas na ciência, fez com que o número de casos e de óbitos caísse de maneira exponencial. Hoje, os EUA, perante uma proximidade da imunização de rebanho vacinal e indicadores epidemiológicos favoráveis, está revertendo o uso da máscara (para os vacinados) em determinados locais e até permite um público controlado em eventos.

No Brasil temos poucas vacinas e este quadro só deve ser alterado mais para o final de 2021, mas TODAS SÃO IMPORTANTES e é pouco inteligente se escolher por esta ou aquela.

Vacina é vida, é o caminho para o encerramento desta pandemia.

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terça-feira, 15 de junho de 2021

ALÉM DA PANDEMIA, O MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO

 

A pandemia da COVID-19 já contaminou mais de 175 milhões de pessoas e vitimou mais de 3 milhões mundo a fora. No Brasil são mais de 17 milhões de casos e já passamos das 480 mil mortes. A despeito da dor pela perda de entes queridos e de amigos, do estresse diário oriundo das incertezas sanitárias, profissionais e financeiras, esta pandemia está transformando o mundo e as mudanças de processos profissionais e sociais criam uma enorme gama de responsabilidades e de oportunidades.

Há 100 anos, entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, a pandemia da Gripe Espanhola assolou um mundo ainda em guerra (a 1ª Grande Guerra se encerrou em 1918), contaminando mais de 500 milhões de pessoas (1/4 da população mundial a época), vitimando mais de 50 milhões, sendo 35 mil no Brasil. Esta pandemia de Influenza apresentou 4 ondas, sendo a segunda a mais agressiva e, além do aspecto sanitário, a economia global foi duramente castigada. Os países lutavam contra o impacto econômico do pós-guerra e este evento sanitário aprofundou as desigualdades sociais, a fome e o desemprego. Muitos cientistas apontam que um dos fatores que repercutiram na letalidade da pandemia foi a desnutrição.

A Gripe Espanhola foi ocasionada pelo vírus H1N1, uma mutação do vírus da gripe comum. Se na época o mundo registrava uma população aproximadamente 4 vezes menor que a atual (mais de 7 bilhões de pessoas), em contrapartida a evolução da ciência e da tecnologia era muito menor, vivia-se a 2ª Revolução Industrial (1850 – 1949), com o desenvolvimento de indústrias elétricas, de petróleo, química e aço, ainda, a evolução dos meios de transporte e de comunicação.

Assim como agora, o negacionismo à ciência e à doença eram intensos, a busca de remédios milagrosos fez com que no Brasil se descobrisse uma mistura a base de limão, cachaça e melaço, obviamente ineficaz contra a Influenza, mas que, para deleite de muitos, deu origem a popular caipirinha. O uso de máscaras e medidas de distanciamento social eram recomendados, assim como, teve início a utilização do álcool em gel para a higienização das mãos. As medidas terapêuticas recomendadas eram o descanso e o uso de medicações de sustentação contra os sintomas (febre, cefaleia, dores no corpo). Assim como agora, os sistemas de saúde colapsaram, o que fez com que o pós pandemia fosse de estruturação de sistemas públicos mais capilarizados e eficazes, inclusive no Brasil. Lembro que a vacinação contra a gripe só começou a ser feita na década de 1930.

Segundo pesquisadores do Federal Reserve dos EUA, do Federal Reserve de Nova Iorque e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), “as intervenções não farmacológicas, por exemplo, o fechamento de escolas, teatros e igrejas, a proibição de reuniões públicas e funerais, a colocação em quarentena dos casos suspeitos e a restrição de horários de abertura dos negócios não apenas reduziram a mortalidade, mas também mitigaram as consequências econômicas adversas da pandemia da Gripe Espanhola”.

Com o final da primeira Guerra Mundial (1914-1918), houve uma mudança geopolítica na Europa, a qual já se evidenciava com a revolução bolchevique de 1917 que ascendeu ao poder o socialismo de Lenin na Rússia. Os EUA reafirmaram sua hegemonia no setor industrial mundial, se beneficiando da crise europeia do pós-guerra. Já a Europa teve que se reinventar imersa em profunda crise social e econômica. A pandemia da Gripe Espanhola se somou aos efeitos do pós-guerra para transformar o mundo, imerso neste terrível evento sanitário, em um palco de problemas sociais, mudanças geopolíticas, crises econômicas, portanto, de muitos problemas, transformações e também de oportunidades.

Historicamente percebemos que eventos mundiais da dimensão de uma guerra mundial ou de uma pandemia, como a da Gripe Espanhola ou a que estamos vivendo, são os únicos capazes de desestruturar e criar novos modelos econômicos, provocar mudanças importantes nos processos sociais, políticos e nas formas de trabalho, além de impactar na melhoria de problemas conjunturais na saúde, educação, entre outras áreas.

A pandemia da COVID-19 já trouxe consequências para a política global, sendo fator decisivo para a derrota do extremismo conservador e nacionalista de Donald Trump nos EUA, com seu negacionismo à ciência e suas narrativas de desprezo a vida humana. A história continuará a ser passada a limpo e as vidas perdidas irão repercutir na desestabilização de homens públicos do mesmo naipe, assim como, este evento sanitário e a crise econômica oriunda dele, trará para a ordem do dia pautas relativas à desigualdade social, a superpopulação do planeta com sua fragilidade social e sanitária, a preservação do meio ambiente, a fragilidade dos sistemas de saúde e a ineficácia nas respostas globais à pandemia, entre outras.

De outra medida, o mundo digital, expoente da quarta revolução industrial que vivemos, se inseriu de maneira exponencial e definitiva nesta pandemia. A educação sofre mudanças importantes com a incorporação do ensino 4.0, o trabalho remoto veio para ficar e está transformando os ambientes e as relações de trabalho. O mundo em crise se transforma perante as necessidades e isto gera muitas dificuldades, mas também enormes oportunidades de prosperidade.

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terça-feira, 8 de junho de 2021

O BRASIL DA PANDEMIA, DE POUCAS VACINAS E DA COPA AMÉRICA



O Brasil já passou das 470 mil mortes pela Covid-19, pouco mais de 10% da população foi imunizada com as duas doses das vacinas, na iminência de uma terceira onda ou, como defendem alguns cientistas, já adentrando nessa nova onda em maio, neste momento, ela estaria se encorpando com novas variantes a entrarem ou se formarem no país, como a variante indiana que aqui já se faz presente. Apesar de alguns “terraplanistas” que insistem em defender medicações para tratamento precoce da Covid-19, as quais o mundo civilizado repudia e a ciência mostrou serem ineficazes e perigosas, precisamos mesmo de uma vacinação em massa, mas isto irá acontecer, parafraseando o ex-ministro Pazuelo, em dia “D” e hora “H”, que se mostra de difícil projeção, acredito que mais para o final de 2021. Neste quadro complicado que vive nosso país nesta pandemia, sediaremos a Copa América de Futebol.

Segundo o Painel de Análise de Excesso de Mortalidade por Causas Naturais no Brasil em 2021, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) em parceria com a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ARPEN-Brasil), e com a Organização Global de Saúde Pública Vital Strategies, houve um excesso de 64% no projetado, no que tange à mortalidade em nosso país entre 1º de janeiro e 17 de abril de 2021 (221.847 mortes além do esperado). Este número é bem próximo do que foi registrado ao longo de todo ano de 2020 (275.587 mortes a mais do que era esperado). Isto demonstra o recrudescimento da pandemia no Brasil e impactará na expectativa de vida de nossa população. Este painel ainda confirma que o excesso de mortes vem crescendo entre a população de até 59 anos, mostrando um novo perfil da pandemia, a qual, reitero, se mostra mais agressiva e atingindo uma população mais jovem.

Nosso país continua a caminhar sem rumo quanto a uma política nacional de contenção da Covid-19, o negacionismo ainda é intenso. Como percebemos, faltam vacinas e a população já se mostra, em sua maioria, insatisfeita e apreensiva, segundo pesquisas recentes. Esta insatisfação aumenta ao vermos uma realidade completamente diferente mundo afora, por exemplo, os EUA já tinham aplicado 293.7 milhões de vacinas contra a Covid-19 até 29 de maio de 2021, com isso, imunizou quase 60% de sua população, mais de 167 milhões de pessoas já receberam a primeira dose, enquanto algo em torno de 164 milhões foram completamente imunizadas. Estes indicadores fizeram com que os EUA flexibilizassem as medidas restritivas, revogassem o uso da máscara em determinados ambientes para a população vacinada e permitissem uma presença de público controlada em eventos esportivos. Eles colhem os frutos dos esforços implementados desde dezembro de 2020 pelo governo Biden, mesmo o ex-presidente Trump, um negacionista contumaz, não se eximiu de entender a importância das vacinas e de adquiri-las perante uma logística que permitisse uma vacinação em massa de sua população a partir desta data. Lembro que os EUA é um país continental como o Brasil, tem uma população de 328.2 milhões de habitantes (2019), nosso país pouco mais de 214 milhões (2021). Seu sistema de saúde público é por seguro social (Obamacare), o que torna a saúde dos americanos uma das mais caras do mundo, em contraponto ao sistema universal adotado em nosso país, extremamente capilarizado e que tem sido o alicerce do nosso enfrentamento pandêmico.

A Copa América inicialmente seria realizada na Colômbia, o que deixou de ocorrer em função da convulsão social em que está imerso o país, posteriormente, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Commebol) alterou a sede para a Argentina, a qual declinou de realizar a competição em 30 de maio, em função da crise sanitária causada pelo Coronavírus. Segundo o governo argentino, a pandemia no país é considerada fora de controle, com alta de casos e de óbitos, a preocupação do governo tem sido em viabilizar uma vacinação em massa da sua população, tendo sido divulgado em 31 de maio, um recorde de vacinação em um final de semana, 350 mil pessoas imunizadas.

O Brasil apresenta um quadro sanitário, acarretado pela pandemia, mais complexo que o da Argentina, visto sermos um país continental, temos um território e uma população bem maiores que do nosso vizinho, ainda não termos nos acertado quanto a uma política de contenção e não enxergarmos em um horizonte próximo, a possibilidade de uma vacinação em massa.

A despeito de mantermos nossos campeonatos de futebol ativos e de participarmos dos campeonatos da Commebol, sem presença de público, com protocolos, em tese, adequados, ainda que num calendário maluco (por vezes 48h entre as partidas), o fazemos sabendo dos riscos, mas com a responsabilidade de não prejudicar mais ainda os clubes e de não causar o desemprego de profissionais que dependem direta ou indiretamente do esporte.

Realizar a Copa América no Brasil significaria a entrada, em solo nacional, de 10 seleções, aproximadamente 650 pessoas vindas de países diferentes, além dos integrantes da seleção nacional, imprensa internacional e um número imenso de pessoas envolvidas na organização. A Commebol se propõe a vacinar as delegações, mas falta menos de 10 dias para o início da competição, nem daria para cumprir os 14 dias de isolamento mínimo.

Creio ser uma loucura, de complicada solução sanitária e com efeitos que podem fortalecer a terceira onda da pandemia e serem devastadores para o país.

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terça-feira, 1 de junho de 2021

A TERCEIRA ONDA DA PANDEMIA SE ENCAMINHA NO BRASIL

O Estados Unidos (EUA) tem avançado significativamente na vacinação da sua população de mais de 328 milhões de pessoas. Tendo iniciado em dezembro de 2020, algo em torno de 3,4 milhões de pessoas chegaram a ser vacinadas diariamente, este número reduziu para 2,4 milhões/dia em maio de 2021, o que fez com que as autoridades estimulassem a vacinação fortalecendo as campanhas de conscientização, através de sorteios de loterias e, inclusive, permitindo, em diversos estados, a vacinação sem a necessidade da comprovação de residência, com o intuito de atingir uma grande massa de imigrantes. Estão sendo disponibilizadas vacinas da Pfizer, da Moderna e da Jansen, as duas primeiras elaboradas a partir do genoma do vírus e apresentando maior eficácia entre todas as vacinas disponíveis. A da Jansen é uma vacina em dose única e, igualmente, com alto nível de eficácia.

Perante a logística de aquisição destes imunizantes e um planejamento vacinal bastante eficaz, boa parte da população dos EUA já foi vacinada, com isto os números de casos e de óbitos tem diminuído substancialmente. Em 10 de maio, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) divulgou uma queda de 21,2% no número de casos em 24h. Em 13 de maio, o CDC retirou a obrigatoriedade do uso de máscara na maioria dos ambientes para pessoas vacinadas (15 dias após a segunda dose ou a dose única), também está sendo permitido a presença de público, ainda controlado, em estádios e ginásios esportivos. Os EUA, com a vacinação em massa da sua população em ritmo avançado e com uma política de enfrentamento da pandemia do governo Biden seguindo o que propõe a ciência, apenas monitora a possibilidade de uma nova onda, mas vive a realidade de um novo normal.

O Brasil já passou dos 450 mil mortos nesta pandemia, com negacionismo intenso e com poucas campanhas de conscientização ou quando existentes, de baixa capilaridade, vê neste momento, os erros e omissões de nossos governantes sendo passado a limpo numa CPI do Senado Federal. Com poucas vacinas disponíveis, pouco mais de 10% de nossa população de mais de 210 milhões de pessoas tomou as duas doses da vacina. Os números de casos e de óbitos se mantém em patamares altos, apenas diferenciando a primeira da segunda onda e da terceira que já se estabelece, por picos abruptos de elevação de casos e de óbitos, pela maior ocupação dos leitos de UTI e pela identificação de novas variantes.

Nosso país sempre teve uma postura reativa à pandemia, jamais houve um planejamento de contenção eficaz que privilegiasse a ciência e a prevenção. Vivemos ainda a discutir medicações pretensamente salvadoras, como a Hidroxicloroquina e a Cloroquina, estas já descartadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por países como os EUA, visto sua absoluta ineficácia contra à Covid-19 comprovada por diversos estudos científicos abalisados e pela possibilidade de efeitos colaterais que podem levar à morte.

A nossa grande arma nesta pandemia tem sido o SUS, sistema de saúde de modelo universal e gratuito, extremamente capilarizado por todo o país e que, desde 1988, quando de sua criação, tem democratizado o acesso à saúde a este país de tanta desigualdade social. O Sistema Único de Saúde tem como modelo o mais bem referendado sistema universal do mundo, o do Reino Unido, mas, a maior parte dos países em estágio mais avançado de desenvolvimento e com padrões mais elevados de igualdade social, apresentam sistemas similares, cito: França, Espanha, Portugal, Alemanha, entre outros. Uma exceção é os EUA, com o seu Obamacare, modelo de seguro social, como era no Brasil antes do advento do SUS. Este modelo torna o tratamento de saúde muito oneroso por lá e de acesso pouco democratizado, sendo alvo de muitas críticas e acarretando o compromisso de mudança pelo atual presidente, Biden.

Portanto, o SUS tem sido o alicerce do enfrentamento desta pandemia, atrapalhado em seu trabalho por um Ministério da Saúde inoperante e omisso. Mas, o senhor Marcelo Queiroga, atual Ministro da Saúde, não concorda com isso. Em 25 de maio, ele atribuiu parte da culpa pelo mau controle da pandemia no Brasil aos problemas do SUS.

Neste momento, nosso país apresenta todos os condicionantes para uma terceira onda, quais sejam, manutenção em patamares altos de casos e de óbitos, uma vacinação insipiente, ações de governança ineficazes ou, em determinados casos, omissas e a ausência de campanhas de conscientização a se contraporem a um negacionismo intenso. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou sobre isso em 13 de maio de 2021, sendo que, estes indicadores que cito, nos transformam num potencial celeiro para a proliferação de novas cepas virais do Coronavírus que apresentem maior velocidade de contágio e sejam ainda mais agressivas.

Se a variante P1 (originada em Manaus-AM) impulsionou a segunda onda e deu novas cores à pandemia, a entrada da variante indiana pelo Maranhão, a qual não foi contida, visto que, uma pessoa infectada, passou por São Paulo e foi identificada como tal, no Rio de Janeiro, pode ser fator decisivo para a consolidação da terceira onda. Mas, temos ainda a variante P4, identificada no interior de São Paulo, que apresenta mutações existentes na indiana e na P1. Lamentável o fato da ANVISA não conseguir montar barreiras sanitárias eficazes em nossas fronteiras, nos aeroportos, entre outros.

A terceira onda, me parece, já está em curso.

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terça-feira, 25 de maio de 2021

NA PANDEMIA, O TURISMO DA VACINA E A VARIANTE INDIANA NO BRASIL

 

O Brasil chegou em 20 de maio de 2021 a marca de 41 milhões de vacinados com, ao menos, 1 dose de vacina para a Covid-19, isto representa 19,41% da população, o que é muito pouco e espelha a forma irresponsável com que foi tratado o combate à pandemia pelo Governo Federal. Com poucas vacinas e sem campanhas de conscientização de capilaridade nacional, estamos à mercê de novas variantes como a sul-africana, a britânica e, em especial, a P1, nascida em Manaus-AM, que vem sendo apontada como importante responsável pela segunda onda que varre o Brasil, apresentando picos altíssimos de casos e óbitos, assim como, mantem uma estabilidade igualmente alta nas incidências de contaminação e nas perdas humanas.

Nosso país já contabiliza mais de 430 mil óbitos, a dor destas perdas se soma ao temor pelo visível desgoverno desta terrível pandemia, as persistentes narrativas negacionistas e a insistência de alguns em encontrar razões científicas para o uso de medicações absolutamente ineficazes contra a Covid-19, algumas podendo ocasionar efeitos colaterais perigosos, neste quesito sobressai a Hidroxicloroquina e a Cloroquina.

Imersos em ações de governança ineficazes, por vezes incompletas ou mesmo tardias, o país caminha como um barco à deriva neste evento sanitário, esperando o que ainda há por vir, padecendo as consequências pandêmicas, as quais expressam, além da doença, o desemprego, as incertezas profissionais e futuras, ainda, as vertentes desta terrível desigualdade social que sempre vivemos.

De certo temos que, com base no divulgado pelo Ministério da Saúde (MS), no que tange a compra de vacinas e seu prazo de entrega, uma vacinação em massa só será possível no segundo semestre, acredito que mais para o final do ano. Enquanto isso, continuamos à mercê do vírus, da desumanidade e do despreparo de muitos governantes. Monitorando diariamente os noticiários com os números desta segunda onda e temendo por uma terceira ainda pior.

Com relação a uma possível terceira onda, em 13 de maio de 2021, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou sobre o risco “ainda mais grave” desta incidência, elencando como fatores importantes a manutenção de patamares elevados de casos e óbitos, o que possibilita o surgimento de novas variantes, a vacinação insipiente e a falta de conscientização da população. A possibilidade concreta desta terceira onda se tornou ainda mais forte em 20 de maio de 2021, data em que a Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão (SES-MA) confirmou os primeiros casos oficiais da cepa indiana (B.1.617.2) do coronavírus no Brasil, tendo como contaminados 6 tripulantes do navio Shandong da Zhi, vindo da África do Sul e que foi fretado pela Vale do Rio Doce para entregar minério de ferro em São Luís, sendo que um dos tripulantes seguia internado nesta data em um hospital particular da capital maranhense. Esclareço que a identificação da variante do Sars-Cov-2 responsável pela contaminação é feita através de teste genômico.

A variante indiana foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “variante de atenção”, tendo sido descoberta em outubro de 2020, sendo apontada como principal responsável pelo recorde de casos e óbitos apresentados pela Índia desde o final de abril. Esta cepa viral já foi detectada em 44 países, apresentando 3 versões com pequenas diferenças: a B.1.617.1, a B.1.617.2 e a B.1.617.3, todas originárias da Índia e que apresentam modificações importantes da proteína Spike, sendo as mais significativas a L452R, a E484Q e a P681R. A mutação E484Q se assemelha com a E484K, presente nas variantes sul-africana, britânica e na P1 brasileira, tendo potencial para driblar o sistema imunológico. As outras duas mutações são exclusivas desta variante e estão sendo objeto de análise. Estes “aprimoramentos” genéticos melhoram a capacidade de transmissão do vírus e permitem que ele consiga, com maior facilidade, invadir nosso organismo. É provável que esta variante tenha maior velocidade de contágio e seja mais agressiva que as outras e isto justifica o receio de que, assim como a P1 vitaminou a segunda onda brasileira, esta variante indiana venha fazer o mesmo com uma possível terceira onda.

Ao tempo em que nos deparamos com tantos desafios, o risco iminente de uma terceira onda, uma revoltante falta de vacinas, uma série interminável de erros e omissões por parte do Governo Federal, ainda somos afrontados pelo crescimento do turismo da vacina.

Pois é, haja desigualdade social, após o anúncio em 11 de maio de 2021 de que Nova Iorque (EUA) iria vacinar seus turistas com a vacina da Jansen (dose única) para a Covid-19, esquentou o turismo de vacinação nos EUA. Se em nosso país faltam vacinas, a situação dos EUA é oposta, com sobra de vacinas, boa parte da população vacinada e vendo cair de 3,4 milhões para 2,2 milhões o número de vacinados por dia no mês de maio, o Governo Americano desenvolveu uma série de ações de incentivo, as quais passam por reforçar as campanhas de conscientização e vacinais, sorteio de ingressos esportivos e até 1 milhão de dólares em sorteios da loteria.

Assim como o estado de Nova Iorque, em vários outros estados americanos é possível receber a vacina sem a necessidade de comprovar residência: Arizona, Luisiana, Alabama, Califórnia, Flórida, entre outros. Esta ação busca vacinar os imigrantes.

Cientes desta realidade, o setor do turismo no Brasil, identificou uma oportunidade e está disponibilizando pacotes que incluem a vacina.

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terça-feira, 18 de maio de 2021

NA PANDEMIA, REINFECÇÃO, TERCEIRA ONDA, ATUALIZANDO A COVID-19


A pandemia continua a todo vapor em nosso país, já são mais de 430 mil mortos, as vacinas ainda são escassas, campanhas de conscientização para informar e mobilizar a população são raras, uma segunda onda catapultada por novas cepas virais continua a nos assolar e a doença se mostra mais agressiva do que se imaginava.

Perante estas constatações e o entendimento que muito se aprendeu sobre o SARS-COV-2 e a COVID-19, mas muito ainda há de se aprender, da mesma forma que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) passa a limpo o fracasso do enfrentamento desta pandemia em nosso país, entendo que também podemos realinhar as informações que dispomos.

Como tenho dito regularmente o Brasil não deveria estar vivendo este terrível momento nesta pandemia, afinal países de igual desenvolvimento socioeconômico já estão em uma etapa bem mais avançada de vacinação. O Governo Federal através do Ministério da Saúde (MS) entre tantos erros cometidos no enfrentamento deste evento sanitário, também não deu o real valor as vacinas, não houve uma logística de compra antecipada de imunizantes e de insumos, tampouco um planejamento vacinal eficiente. Neste quesito proponho uma pergunta recorrente, se tivéssemos uma vacinação em massa da população neste momento, teríamos tantas mortes? Certamente não, afinal as vacinas, independente de sua origem ou eficácia, impedem que a doença evolua para estágios graves. Lembro que, as vacinas não impedem a contaminação pelo vírus, o SARS-COV2, mas sim imunizam contra a doença, a COVID-19, em menor ou maior proporção.

Nesta etapa da pandemia e aqui cabe o lembrete que este evento sanitário “não é uma corrida de 100 metros e sim uma maratona”, estamos vivendo uma segunda onda, ou como preferem alguns estudiosos uma nova pandemia, vitaminada por novas cepas virais ou variantes que apresentam diversas mutações, perfazendo um quadro novo e preocupante, onde pessoas com menos de 40 anos e sem comorbidades estão sendo atingidas de maneira importante, ainda percebe-se o aumento na velocidade de contágio e na agressividade da doença. Com relação a doença, cientistas renomados estão propondo a reclassificação da COVID-19 de Síndrome Respiratória Aguda Grave para algo mais complexo, Febre Trombótica Aguda.

Com relação ao vírus e a doença, duas perguntas são recorrentes: “É possível a reinfecção pela COVID-19?” e “A doença é mais grave que se imaginava?”.

Visto as novas variantes do SARS-COV2 que apresentam mutações importantes, é possível a reinfecção e isto tem ocorrido, mas em uma escala ainda pequena. Com relação a doença ser mais agressiva na reinfecção, esta é uma situação ainda por ser desvendada, mas se restaram sequelas importantes da primeira infecção, a reinfecção se torna preocupante. Já a doença se apresenta neste momento como mais grave que se imaginava, inicialmente tratada como uma patologia de ordem respiratória, atingindo um grupo de risco formado por pessoas com mais de 65 anos e com comorbidades, em função disso sendo classificada como Síndrome Respiratória Aguda Grave. Hoje, percebe-se uma nova doença sendo desnudada, a qual apresenta ação orgânica importante na formação de coágulos (trombos), os quais podem atingir os pulmões, o cérebro e diversos outros órgãos, obstruindo a circulação sanguínea e levando a quadros orgânicos graves, por isso, está sendo analisada a proposta de reclassificação da doença para Febre Trombótica Aguda.

No dia 10 de maio de 2021 foi divulgado através de matéria do jornal “Folha de São Paulo” e depois confirmado pelo MS que mais de 16 mil brasileiros foram imunizados com doses trocadas de vacinas contra a COVID-19, qual seja, tomaram a primeira dose de uma vacina e a segunda de outra. Erro grave e em um momento de escassez de vacinas, mas quais são os riscos deste erro? As duas vacinas disponíveis no Brasil neste momento, apresentam tecnologia de elaboração diferentes, a CoronaVac é elaborada a partir do vírus inativo (Coronavírus) e a vacina da Oxford/AstraZeneca a partir de um vetor viral replicante (Adenovírus, carregando em seu interior um fragmento da proteína Spike do Coronavírus). Apesar de serem vacinas diferentes, é consenso no meio cientifico que este erro não deve causar reações colaterais, entretanto, a imunização ficará incompleta. Ainda não é consenso como proceder para completar a imunização, neste momento se preconiza não aplicar uma terceira dose, seja de uma ou de outra, evitando a possibilidade de uma reação orgânica, ainda que seja feito um acompanhamento dos casos.

Quanto a uma possível terceira onda, lembro que a Gripe Espanhola, ultima pandemia deste porte, ocorrida há 100 anos (jan.1918-dez.1920), teve 4 ondas. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertaram em 13 de maio sobre o risco “ainda mais grave” de uma terceira onda, visto a incidência de casos e óbitos da Covid-19 se manterem em um patamar elevado, possibilitando o surgimento de novas variantes. Este indicador se soma a vacinação incipiente e a falta de consciência de parte da população para desenhar, segundo a Fiocruz, um quadro de situação favorável a uma terceira onda.

Muito aprendemos nesta pandemia, muitos erros foram cometidos, mas sempre há tempo de se fazer o certo e poupar muitas vidas, basta começar.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

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terça-feira, 11 de maio de 2021

A TRISTE PERDA DO COMEDIANTE PAULO GUSTAVO PARA A COVID-19 E SEUS ENSINAMENTOS

 


O Brasil se viu chocado e mais triste com a perda do comediante de 42 anos, Paulo Gustavo, para a Covid-19. Maior nome da comédia nacional neste momento, além de jovem e de apresentar um bom estado de saúde, diferentemente do que foi ventilado, não tendo comorbidades, visto que a asma moderada e sob controle que ele apresentava não o colocava no grupo de risco.

Quando uma pessoa famosa, como ele, morre em virtude desta terrível doença, impacta a todos, mas quando este famoso é um jovem que não apresentava doença pré-estabelecida que pudesse agravar seu quadro orgânico, isto nos obriga a pensar nos tantos anônimos que já perderam as suas vidas, somando mais de 400 mil em nosso país, no quanto esta doença evoluiu para algo mais complexo e perigoso, ainda no retumbante fracasso do enfrentamento desta pandemia no Brasil e que, se esse rapaz tivesse sido vacinado, muito provavelmente teria vencido a Covid-19.

O número de perdas humanas nesta pandemia nos choca, mas, segundo estudo do conceituado Institute for Metrics and Evaluation (IHME) da Escola de Medicina da Universidade de Washington, os números oficiais estão distantes da realidade, tanto no mundo quanto no Brasil, senão vejamos, para o IHME, globalmente 6,9 milhões de pessoas perderam suas vidas para o vírus, o dobro da contabilidade oficial e no Brasil já teríamos chegado as 595 mil mortes. Isto mostra que a subnotificação está generalizada e que esta pandemia tem uma dimensão mais catastrófica do que nos é dado conhecimento.

A gravidade da doença também está sendo posta à prova, no início foi conotada como uma patologia de ordem respiratória que atingiria de maneira perigosa pessoas com mais de 65 anos e que apresentassem comorbidades, ou seja, uma ou mais doenças já existentes que colocassem o paciente no grupo de risco, para tanto, sendo classificada como uma Síndrome Respiratória Aguda Grave. Nos dias atuais percebe-se que a doença evoluiu para algo mais complexo, o que faz com que renomados cientistas defendam que o Sars-Cov-2 seja o primeiro agente reconhecido por sua ação importante na formação de coágulos (trombos), podendo provocar uma hipercoagulação nos pulmões, no cérebro e em diversos outros órgãos, obstruindo a circulação e levando a quadros orgânicos graves. Esta constatação faz com que esteja na mesa de discussão a reclassificação da Covid-19 para Febre Viral Trombótica.

O caso de Paulo Gustavo consubstancia esta visão que o mundo científico está tendo sobre a complexidade que a doença atingiu, ele teve 100% dos seus pulmões comprometidos, o que gerou diversas intercorrências. O boletim médico divulgado pelo Hospital Copa Star no dia 03 de abril informou o agravamento do seu estado clínico acarretado por uma embolia gasosa disseminada, incluindo o sistema nervoso central. Esclareço que a embolia gasosa é oriunda da entrada de bolhas de ar na corrente sanguínea, isto prejudica o fluxo sanguíneo para determinadas partes do corpo, podendo deteriorar tecidos e órgãos. Este quadro clínico foi causado por uma ruptura entre brônquios e veias ocorrida no pulmão, acarretando a entrada de bolhas de ar no sistema circulatório.

Ao tempo que a doença se mostra mais complexa, as novas cepas virais igualmente apresentam maior velocidade de contágio, maior agressividade e estão atingindo, de maneira significativa, pessoas com menos de 40 anos e sem comorbidades. As variantes P1 (originada em Manaus-AM), P2 (originada no Rio de Janeiro), a sul-africana e a britânica, se somam a identificada em Belo Horizonte-MG e região metropolitana para explicarem esta nova pandemia que estamos vivendo no Brasil, a qual catapultou para números estratosféricos o volume de casos e mortes.

Mas a despeito de todas estas constatações, uma pergunta não quer silenciar, se Paulo Gustavo tivesse sido vacinado, ele ainda estaria vivo?

Acredito que sim, da mesma maneira que muitos outros anônimos que perderam suas vidas nesta etapa da pandemia, onde as vacinas já estão disponíveis.

Neste quesito, uma outra constatação que a perda deste brilhante e jovem comediante pode nos trazer é sobre o inaceitável fracasso do combate à pandemia em solo nacional, afinal, se houvesse uma logística de compra antecipada de vacinas e de outros insumos por parte do Ministério da Saúde, seguido por um planejamento vacinal bem elaborado, neste momento em que boa parte do mundo civilizado está desenvolvendo uma vacinação em massa da sua gente, com certeza este rapaz teria sido vacinado e suas chances de padecer de um estágio mais avançado da Covid-19, seriam diminutas. Novamente me reporto aos milhares de anônimos que, assim como Paulo Gustavo, perderam suas vidas perante a impossibilidade de se vacinar.

A perda deste jovem e notável comediante ainda pode alertar os muitos que insistem em negar esta pandemia, aglomerando, frequentando festas clandestinas, não cumprindo orientações de cuidados sanitários e de distanciamento social. Igualmente traz a luz da realidade às autoridades que insistem com narrativas dissonantes da ciência e com planejamentos de contenção ineficazes.

Pois é, a pandemia é originária de um vírus e de uma doença mais complexos que imaginávamos, muito se errou, mas ainda é tempo de fazer o que é certo e de salvar vidas.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

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