O Brasil chegou em 20 de maio de 2021 a marca de 41 milhões de vacinados com, ao menos, 1 dose de vacina para a Covid-19, isto representa 19,41% da população, o que é muito pouco e espelha a forma irresponsável com que foi tratado o combate à pandemia pelo Governo Federal. Com poucas vacinas e sem campanhas de conscientização de capilaridade nacional, estamos à mercê de novas variantes como a sul-africana, a britânica e, em especial, a P1, nascida em Manaus-AM, que vem sendo apontada como importante responsável pela segunda onda que varre o Brasil, apresentando picos altíssimos de casos e óbitos, assim como, mantem uma estabilidade igualmente alta nas incidências de contaminação e nas perdas humanas.
Nosso país já contabiliza mais de 430 mil óbitos, a dor destas perdas se soma ao temor pelo visível desgoverno desta terrível pandemia, as persistentes narrativas negacionistas e a insistência de alguns em encontrar razões científicas para o uso de medicações absolutamente ineficazes contra a Covid-19, algumas podendo ocasionar efeitos colaterais perigosos, neste quesito sobressai a Hidroxicloroquina e a Cloroquina.
Imersos em ações de governança ineficazes, por vezes incompletas ou mesmo tardias, o país caminha como um barco à deriva neste evento sanitário, esperando o que ainda há por vir, padecendo as consequências pandêmicas, as quais expressam, além da doença, o desemprego, as incertezas profissionais e futuras, ainda, as vertentes desta terrível desigualdade social que sempre vivemos.
De certo temos que, com base no divulgado pelo Ministério da Saúde (MS), no que tange a compra de vacinas e seu prazo de entrega, uma vacinação em massa só será possível no segundo semestre, acredito que mais para o final do ano. Enquanto isso, continuamos à mercê do vírus, da desumanidade e do despreparo de muitos governantes. Monitorando diariamente os noticiários com os números desta segunda onda e temendo por uma terceira ainda pior.
Com relação a uma possível terceira onda, em 13 de maio de 2021, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou sobre o risco “ainda mais grave” desta incidência, elencando como fatores importantes a manutenção de patamares elevados de casos e óbitos, o que possibilita o surgimento de novas variantes, a vacinação insipiente e a falta de conscientização da população. A possibilidade concreta desta terceira onda se tornou ainda mais forte em 20 de maio de 2021, data em que a Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão (SES-MA) confirmou os primeiros casos oficiais da cepa indiana (B.1.617.2) do coronavírus no Brasil, tendo como contaminados 6 tripulantes do navio Shandong da Zhi, vindo da África do Sul e que foi fretado pela Vale do Rio Doce para entregar minério de ferro em São Luís, sendo que um dos tripulantes seguia internado nesta data em um hospital particular da capital maranhense. Esclareço que a identificação da variante do Sars-Cov-2 responsável pela contaminação é feita através de teste genômico.
A variante indiana foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “variante de atenção”, tendo sido descoberta em outubro de 2020, sendo apontada como principal responsável pelo recorde de casos e óbitos apresentados pela Índia desde o final de abril. Esta cepa viral já foi detectada em 44 países, apresentando 3 versões com pequenas diferenças: a B.1.617.1, a B.1.617.2 e a B.1.617.3, todas originárias da Índia e que apresentam modificações importantes da proteína Spike, sendo as mais significativas a L452R, a E484Q e a P681R. A mutação E484Q se assemelha com a E484K, presente nas variantes sul-africana, britânica e na P1 brasileira, tendo potencial para driblar o sistema imunológico. As outras duas mutações são exclusivas desta variante e estão sendo objeto de análise. Estes “aprimoramentos” genéticos melhoram a capacidade de transmissão do vírus e permitem que ele consiga, com maior facilidade, invadir nosso organismo. É provável que esta variante tenha maior velocidade de contágio e seja mais agressiva que as outras e isto justifica o receio de que, assim como a P1 vitaminou a segunda onda brasileira, esta variante indiana venha fazer o mesmo com uma possível terceira onda.
Ao tempo em que nos deparamos com tantos desafios, o risco iminente de uma terceira onda, uma revoltante falta de vacinas, uma série interminável de erros e omissões por parte do Governo Federal, ainda somos afrontados pelo crescimento do turismo da vacina.
Pois é, haja desigualdade social, após o anúncio em 11 de maio de 2021 de que Nova Iorque (EUA) iria vacinar seus turistas com a vacina da Jansen (dose única) para a Covid-19, esquentou o turismo de vacinação nos EUA. Se em nosso país faltam vacinas, a situação dos EUA é oposta, com sobra de vacinas, boa parte da população vacinada e vendo cair de 3,4 milhões para 2,2 milhões o número de vacinados por dia no mês de maio, o Governo Americano desenvolveu uma série de ações de incentivo, as quais passam por reforçar as campanhas de conscientização e vacinais, sorteio de ingressos esportivos e até 1 milhão de dólares em sorteios da loteria.
Assim como o estado de Nova Iorque, em vários outros estados americanos é possível receber a vacina sem a necessidade de comprovar residência: Arizona, Luisiana, Alabama, Califórnia, Flórida, entre outros. Esta ação busca vacinar os imigrantes.
Cientes desta realidade, o setor do turismo no Brasil, identificou uma oportunidade e está disponibilizando pacotes que incluem a vacina.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!
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