terça-feira, 18 de maio de 2021

NA PANDEMIA, REINFECÇÃO, TERCEIRA ONDA, ATUALIZANDO A COVID-19


A pandemia continua a todo vapor em nosso país, já são mais de 430 mil mortos, as vacinas ainda são escassas, campanhas de conscientização para informar e mobilizar a população são raras, uma segunda onda catapultada por novas cepas virais continua a nos assolar e a doença se mostra mais agressiva do que se imaginava.

Perante estas constatações e o entendimento que muito se aprendeu sobre o SARS-COV-2 e a COVID-19, mas muito ainda há de se aprender, da mesma forma que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) passa a limpo o fracasso do enfrentamento desta pandemia em nosso país, entendo que também podemos realinhar as informações que dispomos.

Como tenho dito regularmente o Brasil não deveria estar vivendo este terrível momento nesta pandemia, afinal países de igual desenvolvimento socioeconômico já estão em uma etapa bem mais avançada de vacinação. O Governo Federal através do Ministério da Saúde (MS) entre tantos erros cometidos no enfrentamento deste evento sanitário, também não deu o real valor as vacinas, não houve uma logística de compra antecipada de imunizantes e de insumos, tampouco um planejamento vacinal eficiente. Neste quesito proponho uma pergunta recorrente, se tivéssemos uma vacinação em massa da população neste momento, teríamos tantas mortes? Certamente não, afinal as vacinas, independente de sua origem ou eficácia, impedem que a doença evolua para estágios graves. Lembro que, as vacinas não impedem a contaminação pelo vírus, o SARS-COV2, mas sim imunizam contra a doença, a COVID-19, em menor ou maior proporção.

Nesta etapa da pandemia e aqui cabe o lembrete que este evento sanitário “não é uma corrida de 100 metros e sim uma maratona”, estamos vivendo uma segunda onda, ou como preferem alguns estudiosos uma nova pandemia, vitaminada por novas cepas virais ou variantes que apresentam diversas mutações, perfazendo um quadro novo e preocupante, onde pessoas com menos de 40 anos e sem comorbidades estão sendo atingidas de maneira importante, ainda percebe-se o aumento na velocidade de contágio e na agressividade da doença. Com relação a doença, cientistas renomados estão propondo a reclassificação da COVID-19 de Síndrome Respiratória Aguda Grave para algo mais complexo, Febre Trombótica Aguda.

Com relação ao vírus e a doença, duas perguntas são recorrentes: “É possível a reinfecção pela COVID-19?” e “A doença é mais grave que se imaginava?”.

Visto as novas variantes do SARS-COV2 que apresentam mutações importantes, é possível a reinfecção e isto tem ocorrido, mas em uma escala ainda pequena. Com relação a doença ser mais agressiva na reinfecção, esta é uma situação ainda por ser desvendada, mas se restaram sequelas importantes da primeira infecção, a reinfecção se torna preocupante. Já a doença se apresenta neste momento como mais grave que se imaginava, inicialmente tratada como uma patologia de ordem respiratória, atingindo um grupo de risco formado por pessoas com mais de 65 anos e com comorbidades, em função disso sendo classificada como Síndrome Respiratória Aguda Grave. Hoje, percebe-se uma nova doença sendo desnudada, a qual apresenta ação orgânica importante na formação de coágulos (trombos), os quais podem atingir os pulmões, o cérebro e diversos outros órgãos, obstruindo a circulação sanguínea e levando a quadros orgânicos graves, por isso, está sendo analisada a proposta de reclassificação da doença para Febre Trombótica Aguda.

No dia 10 de maio de 2021 foi divulgado através de matéria do jornal “Folha de São Paulo” e depois confirmado pelo MS que mais de 16 mil brasileiros foram imunizados com doses trocadas de vacinas contra a COVID-19, qual seja, tomaram a primeira dose de uma vacina e a segunda de outra. Erro grave e em um momento de escassez de vacinas, mas quais são os riscos deste erro? As duas vacinas disponíveis no Brasil neste momento, apresentam tecnologia de elaboração diferentes, a CoronaVac é elaborada a partir do vírus inativo (Coronavírus) e a vacina da Oxford/AstraZeneca a partir de um vetor viral replicante (Adenovírus, carregando em seu interior um fragmento da proteína Spike do Coronavírus). Apesar de serem vacinas diferentes, é consenso no meio cientifico que este erro não deve causar reações colaterais, entretanto, a imunização ficará incompleta. Ainda não é consenso como proceder para completar a imunização, neste momento se preconiza não aplicar uma terceira dose, seja de uma ou de outra, evitando a possibilidade de uma reação orgânica, ainda que seja feito um acompanhamento dos casos.

Quanto a uma possível terceira onda, lembro que a Gripe Espanhola, ultima pandemia deste porte, ocorrida há 100 anos (jan.1918-dez.1920), teve 4 ondas. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertaram em 13 de maio sobre o risco “ainda mais grave” de uma terceira onda, visto a incidência de casos e óbitos da Covid-19 se manterem em um patamar elevado, possibilitando o surgimento de novas variantes. Este indicador se soma a vacinação incipiente e a falta de consciência de parte da população para desenhar, segundo a Fiocruz, um quadro de situação favorável a uma terceira onda.

Muito aprendemos nesta pandemia, muitos erros foram cometidos, mas sempre há tempo de se fazer o certo e poupar muitas vidas, basta começar.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

Vem comigo!!!

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