Se o mundo enxerga com entusiasmo o advento das vacinas e acompanha uma vacinação maciça em diversos países, detém um olhar atento a 6 novas cepas virais (sul-africana, britânica, 2 brasileiras e 2 norte-americanas) que podem alterar a eficácia dos imunizantes, fato que ocorreu na África do Sul, onde perante a variante sul-africana, a vacina de Oxford/AstraZeneca reduziu sua eficácia para algo em torno de 10% a 26%. A maior parte dos países mantém o monitoramento da evolução da pandemia para, a partir de indicadores consistentes, prover uma dosimetria nas ações de distanciamento social, lembro que a pouco tempo, o Reino Unido esteve em lockdown. Claro, procuram em ações e campanhas continuadas, conscientizar as pessoas do seu importante papel que se expressa no uso da máscara, em atitudes de higiene e de distanciamento social.
Nosso país continua a sua sina de desgoverno nesta pandemia, não fomos capazes de elaborar um planejamento sustentável de contenção, o Governo Federal, a partir do Chefe da Nação, adotou uma postura de relativizar um evento tão grave, com narrativas negacionistas, contrárias às medidas de distanciamento social e, inclusive, contrárias às vacinas. Foi incapaz de prover uma campanha nacional de educação sanitária, sempre trabalhou com “a porta arrombada”, democratizando para estados e municípios o ônus de sua absoluta ineficácia em ações de governança desta grave crise sanitária e demonstrando total falta de empatia e compaixão com as vítimas, tanto desta pandemia, quanto em boa proporção destes desmandos governamentais.
Neste momento sofremos com a falta de um planejamento vacinal, está sendo ridicularizado o Programa Nacional de Imunização (PNI), existente desde 1973, regido pela Lei Federal nº 6259/1975, referência mundial, programa responsável pela erradicação da Varíola em 1973 e da Poliomielite em 1979.
Estamos correndo atrás de vacinas, tardiamente, temos uma campanha vacinal letárgica, não foi feita uma logística de compra de insumos (seringas, agulhas, entre outros) antecipadamente, agora o mercado está aquecido, os valores estão altos e existe dificuldade de pronta entrega. Portanto, temos 2 vacinas (Oxford e Coronavac) sendo aplicadas, mas em doses diminutas e estamos usando as 60 milhões de agulhas e seringas que são a reserva técnica para outras vacinas. Contudo, não faltam narrativas para desviar o foco do problema, o qual não é pequeno, e também para jogar a estados e municípios a responsabilidade, senão vejamos, ao ser judicializado para adquirir seringas e agulhas em quantitativo suficiente para uma vacinação em massa, o que significaria 1 milhão de doses aplicadas por dia, o Chefe da Nação justificou, judicialmente, não ser esta questão de sua responsabilidade, contrariando a legislação que cria o Sistema Único de Saúde (SUS) e a PNI, além das pactuações tripartites entre Governo Federal, estados e municípios.
Afora isto, vemos uma nova onda varrendo o país, vitaminada por uma nova cepa viral surgida em Manaus-AM (P1), a qual ainda não foi sequenciada, mas que se apresenta com maior velocidade de contágio e atingindo de maneira importante, as pessoas mais jovens. O Ministério da Saúde (MS) não conseguiu conter esta nova variante, a qual colapsou o sistema de saúde de Manaus, se disseminou por todo o estado, pelos estados do Norte e já se faz presente em 12 estados brasileiros. No Rio de Janeiro, segundo a Fundação Oswaldo Cruz, se mutou em uma nova cepa viral, a P2, ainda a ser melhor avaliada.
Santa Catarina vive o seu momento mais crítico nesta pandemia, se em momento anterior passamos por uma situação difícil, com a região do Vale do Rio Itajaí, Médio Vale, Grande Florianópolis e Sul do estado vendo o seu sistema de saúde a beira de colapsar e outras regiões alternando o aumento de casos e óbitos, neste momento percebemos que a pandemia se disseminou pelo interior do estado, com vislumbre de atingir de maneira horizontal todas as regiões, portanto, será difícil remanejar pacientes para leitos de retaguarda e de UTIs de regiões menos afetadas. Ainda, esta nova onda está atingindo de maneira importante, pessoas mais jovens, o que me leva a acreditar que a falta de cuidados individuais se soma a presença da nova variante surgida em Manaus (P1) a provocar esta situação.
O Governo Estadual contingenciou 1 bilhão de reais para o enfrentamento deste difícil momento pandêmico, sendo 600 milhões para a aquisição de leitos de UTI no sistema suplementar e 300 milhões para compra de vacinas.
O quadro atual catarinense tem como causa o que contextualizei anteriormente, era previsível que isto iria ocorrer e entendo que os estados do Sul deveriam se unir para suprir a omissão por parte do Governo Federal, implementando a partir de uma ampla campanha de educação sanitária, ações de controle e enfrentamento, as quais passam pela aquisição de vacinas, o único caminho para o encerramento desta pandemia.
Mas, infelizmente, “quem não tem projeto não tem futuro, tem destino”, com base no que não foi feito, na falta de conscientização sanitária de muitos e com os sistemas de saúde municipais colapsando, foi implementado um lockdown de 2 finais de semana. Isto vai resolver? Lamentavelmente, creio que não e medidas mais severas hão de vir.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!
Vem comigo!!!
Contatos:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99916-0744
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com













