quarta-feira, 3 de novembro de 2021

 

NOVEMBRO AZUL E O COMBATE AO CÂNCER DE PRÓSTATA


 



O Novembro Azul é uma campanha realizada por diversas entidades ao redor do mundo, promovendo a conscientização sobre os cuidados com a saúde do homem, tendo foco no combate ao Câncer de Próstata, trabalhando a prevenção e a importância do diagnóstico precoce da doença. Este mês é todo voltado as doenças que podem atingir os homens, abordando também a Depressão Masculina e o Câncer nos Testículos. O dia 17 de novembro é Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no início dos anos 2000.

Esta campanha se iniciou em 2003 na Austrália, através do movimento Movember, idealizado pelos amigos Travis Garone e Luke Slattery, os quais inspirados pela mãe de um outro amigo que desenvolvia ações de combate ao câncer de mama, idealizaram um concurso de bigodes para arrecadar fundos. Esta ação repercutiu e multiplicou, ao ponto de criarem a Fundação Movember, com todos os recursos arrecadados nas ações, agora mais articuladas, sendo destinados ao combate do Câncer de Próstata. O Movember foi institucionalizado na Austrália e se disseminou por diversos países, dando origem a outros movimentos, como o No-Shave November.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) iniciou em 2004, ações de esclarecimento sobre o câncer de próstata no mês de novembro e em 2011, o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) lançou a campanha Novembro Azul.

O câncer é um termo genérico que designa um grupo de doenças que pode afetar qualquer parte do corpo humano, sendo causado pela multiplicação desordenada de células, provocado por fatores internos normalmente associados a agentes externos. Os fatores internos prevalentes são os genéticos, hormonais e imunológicos, com os genéticos/hereditários originando de 5 a 10% dos casos. A idade também é um fator interno importante, sendo predominante no Câncer de Próstata. Entre 80 e 90% dos casos existe associação com causas externas: sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, excesso de peso, maus hábitos alimentares e de vida, entre outros.

O câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e foi responsável por 9,6 milhões de mortes em 2018, sendo o câncer de próstata responsável por 1,28 milhão de casos novos, segundo relato da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimava 65.840 novos casos para 2020, com 15.576 mortes, sendo o 2º tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros (o 1º é o câncer de pele não melanoma). É predominante na terceira idade, visto que mais de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.

A próstata é uma glândula existente apenas no homem, do tamanho de uma castanha, localizada abaixo da bexiga e a frente do reto, tendo como principal função auxiliar na produção de sêmen. Esta glândula pode desenvolver 3 doenças: a prostatite (inflamação que atinge 30% dos homens), a hiperplasia prostática benigna (HPB) e o câncer.

O Câncer de Próstata se apresenta normalmente assintomático em sua fase inicial, quando existem sintomas, estes são semelhantes ao do crescimento benigno da próstata, quais sejam: dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou noite e, inclusive, surgimento de sangue na urina. Em fase mais avançada: dores ósseas, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Segundo relato do INCA, o seu diagnóstico precoce, assim como em outros tipos de câncer, é responsável por 90% das curas. Entretanto, ainda se reveste de imenso “tabu” o exame de toque retal, utilizado para se prover um diagnóstico em conjunto com o exame de sangue para avaliar a dosagem de Antígeno Prostático Específico (PSA) e, em se reforçando a suspeita, a biopsia de confirmação. O diagnóstico pode ser fechado com a utilização de exames complementares de imagem.

Desde 2009, através da Portaria nº 1994, o Ministério da Saúde (MS) instituiu, no âmbito do SUS, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem.

O Câncer de Próstata representa quase 1/3 dos casos da doença em homens e a pandemia deve potencializar os indicadores da doença no Brasil, afinal, houve uma desassistência com relação a outras doenças, cirurgias eletivas foram desmarcadas por meses e exames preventivos ou de diagnóstico adiados. De outra medida, as pessoas também adiaram a visita ao médico. Estas situações provocadas pela pandemia se somam e antecipam um quadro preocupante, no qual estima-se o surgimento de mais de 65 mil novos casos por ano. Corroborando com esta percepção, segundo pesquisa de 2020 da SBU, houve uma redução de mais de 50% das cirurgias urológicas eletivas e de 25% das cirurgias de emergência. Outra pesquisa, da farmacêutica Janssen, identifica uma queda de 70% das cirurgias oncológicas e de até 90% das análises de biopsia, estimando que mais de 50 mil brasileiros deixaram de ter acesso ao diagnóstico de câncer.

A possibilidade de cura do Câncer de Próstata está diretamente relacionada ao diagnóstico precoce da doença, portanto, é necessário eliminar o medo, o preconceito e fazer visitas periódicas ao urologista, ao menos uma vez ao ano. A prevenção também é importante, para tanto, adotar um estilo de vida saudável, praticando esportes com regularidade, tendo uma alimentação saudável e eliminando fatores de risco, como o álcool e o tabagismo é essencial.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

BRASIL, O PAÍS MAIS ANSIOSO DO MUNDO

 


A ansiedade e o medo são reações normais do ser humano, provocadas por situações que geram extrema preocupação do indivíduo, por exemplo, uma prova difícil que irá fazer, uma entrevista de emprego, desafios profissionais ou alguma situação que possa trazer como consequência, o risco da vida. Nestes momentos, o mecanismo do estresse é acionado, o medo e a ansiedade se estabelecem, assim como ocorrem alterações metabólicas, as quais permitem que as pessoas tenham condições orgânicas para suplantar grandes desafios. Contudo, quando a sensação de ansiedade se torna recorrente e persistente, interferindo no desempenho social e profissional do indivíduo, o quadro orgânico pode relatar a existência de um Transtorno de Ansiedade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os Transtornos de Ansiedade são um conjunto de doenças psiquiátricas marcadas pela preocupação excessiva ou constante de que algo negativo vai acontecer. A entidade relata que por volta de 264 milhões de pessoas sofrem com Transtornos de Ansiedade, 3,6% da população mundial, sendo que, de 2005 a 2020 houve um aumento de 15%.

O Brasil é o país com maior taxa de pessoas com Transtornos de Ansiedade no mundo, segundo relatório da OMS de 2020. Algo em torno de 9,3% da população brasileira tem algum Transtorno de Ansiedade, portanto, quase 20 milhões de pessoas. Esses números vêm crescendo, em 2015 tínhamos 18,6 milhões de brasileiros padecendo de Transtornos de Ansiedade, sendo que, a pandemia deve potencializar esses números.

Os Transtornos de Ansiedade são doenças mentais, as quais podem assumir um quadro crônico, estado no qual o paciente já não responde de maneira resoluta as práticas terapêuticas, inclusive medicamentosas, existindo a prevalência de algum sintoma, portanto, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são muito importantes.

Quanto ao seu quadro clínico, temos diferentes tipos, quais sejam: Transtorno do Pânico, Fobia Específica, Fobia Social, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

No Transtorno do Pânico a sensação de medo e desconforto é intensa seguida por pelo menos 4 destes sintomas cognitivos ou somáticos: medo intenso com pico em cerca de 10 minutos, taquicardia, tremores ou abalos, sudorese, sensação de falta de ar ou sufocamento, dor ou desconforto torácico, náuseas ou desconforto abdominal, tontura vertigem ou sensação de desmaio, sensação de estar fora do corpo ou perda da realidade, medo de perder o controle ou enlouquecer, medo da morte, anestesia ou sensações de formigamento e calafrios ou ondas de calor. A Fobia Específica se caracteriza pelo medo excessivo e persistente de objetos e situações específicas. Na Fobia Social, existe o medo excessivo ou persistente de situações sociais ou de desempenho. Já no TOC, existe a presença de obsessões, quais sejam, pensamentos, impulsos e imagens recorrentes que causam intensa ansiedade ou sofrimento, também podem ocorrer compulsões, estas definidas por comportamentos repetitivos ou por atos mentais. No Transtorno de Estresse Pós-Traumático, a pessoa desenvolve este quadro após ser exposta a evento traumático onde sentiu medo intenso, impotência ou horror, este evento é revivido de maneira recorrente através de pensamento, imagem ou sonhos, ainda pela sensação da repetição do mesmo, causando reações fisiológicas (taquicardia, sudorese, entre outras).

O TAG é o tipo de transtorno mais comum, apresentando mais de 2 milhões de casos por ano no Brasil, se evidenciando por uma alta variedade de preocupações excessivas e pressentimentos cotidianos, podendo apresentar diversos sintomas físicos, por exemplo: tensão muscular, inquietação, fadiga, falta de ar, taquicardia, sudorese, tontura, diarreia, dificuldade para dormir, problemas de concentração e irritabilidade, causando prejuízos importantes no trabalho, nas relações sociais e familiares. O TAG pode se fazer acompanhar de outras doenças psiquiátricas em 25% dos casos, sendo a mais comum, a Depressão.

As causas ou fatores de risco dos Transtornos de Ansiedade são:

· Genéticos: com relevo para a hereditariedade;

· Comportamentais: timidez, negatividade, dificuldade em gerenciar o estresse e pessoas naturalmente ansiosas;

· Externos: eventos traumáticos vividos, violência e estresse familiar ou ambiental;

· Álcool, drogas ilícitas e condições médicas.

Os Transtornos de Ansiedade não têm cura, contudo, podem e precisam ser tratados, atitude que tende a controlar o problema totalmente e permitir ao paciente uma vida normal.

O tratamento envolve 3 frentes: Farmacológica, com o uso de medicações ansiolíticas, as quais atuam no sistema nervoso central auxiliando na inibição do mecanismo do estresse, relaxando e combatendo a insônia, também com o uso de antidepressivos, medicações que auxiliam no aumento das taxas de serotonina, neurotransmissor que atua estabilizando o sono e o humor; Psicoterápico, através da identificação das causas e desenvolvimento de uma terapia para combatê-las; e Comportamental, adotando bons hábitos de vida, como a prática de atividades físicas, bons hábitos alimentares, evitando substâncias estimulantes como a cafeína, abandonando hábitos nocivos a saúde como o vício em drogas ilícitas, no álcool e na nicotina. As Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas também podem ser um bom auxiliar terapêutico, por exemplo, através da musicoterapia e da meditação.

A ansiedade é um sentimento normal, mas, a persistência deste sentimento e o surgimento de sintomas correlatos podem identificar uma doença, a qual precisa ser tratada.

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terça-feira, 26 de outubro de 2021

O TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO (TEA) NÃO É UMA DOENÇA MENTAL





O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) se evidencia na infância, tendendo a persistir na adolescência e fase adulta, acarretando dificuldade de interação social e comunicação. Perante os seus diferentes graus, existem pessoas com o seu diagnóstico que executam a maioria de suas atividades cotidianas sem auxílio e outras necessitam de apoio para atividades básicas. Contudo, a pessoa diagnosticada com TEA não é portadora de uma doença mental, sendo uma condição que se relaciona com o desenvolvimento neurológico, alterando a compreensão, a relação que se tem com o mundo e com as pessoas.

Desde 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o autismo como um transtorno de desenvolvimento, conotado como um espectro, visto que cada indivíduo portador experimenta diferentes combinações de traços autistas e em diferentes intensidades. A OMS descreve o TEA como sendo um transtorno de desenvolvimento que afeta a comunicação e o comportamento, podendo ser diagnosticado em qualquer idade.

O psiquiatra suíço Eugen Bleuler criou o termo “autismo” em 1908 para descrever características de interiorização e fuga da realidade identificado em pacientes esquizofrênicos, este entendimento do autismo como um subgrupo da esquizofrenia foi referendado em 1952 pela Associação Americana de Psiquiatria ao publicar a 1ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM-1), referência mundial para pesquisadores e clínicos do seguimento ao fornecer as nomenclaturas e os critérios padrão para o diagnóstico dos transtornos mentais estabelecidos, sendo que, os sintomas do autismo estão classificados como um subgrupo da esquizofrenia infantil.

Nos anos 60 ampliaram as evidências de que o autismo seria um transtorno cerebral presente desde a infância, encontrado em todos os países, grupos socioeconômicos e étnico-raciais. Contudo, o início da compreensão mais ampla do autismo se deve ao psiquiatra Michael Rutter, que em 1978, o classificou como um distúrbio no desenvolvimento cognitivo. Este entendimento é sustentado pela ampliação de pesquisas científicas e pela alteração de sua classificação no DSM-3 como Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID). O conceito do autismo como um espectro se inicia com a psiquiatra Lorna Wing em 1981. Já em 1994, um estudo internacional avaliou mais de 1000 casos e definiu novos critérios para o autismo, tornando equivalente os sistemas do DSM-4 e da CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças). Todavia, apenas em 2013, o DSM-5 passa a abrigar todas as subcategorias do autismo em um único diagnóstico: Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

A OMS instituiu em 2007, o dia 2 de abril como Dia Mundial de Conscientização do Autismo, com a intenção de levar informação à população para reduzir a discriminação contra as pessoas portadoras do TEA, para fortalecer a importância do diagnóstico precoce e do tratamento. Segundo a entidade, cerca de 70 milhões de pessoas no mundo são afetadas pelo TEA.

No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas possuem algum grau do TEA, um caso a cada 110 pessoas. Desde 2012, através da Lei Berenice Piana (12.764/12) foi instituída a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, a qual determina o acesso ao diagnóstico precoce, tratamento, terapias e medicamentos pelo SUS, a educação e a proteção social, ao trabalho e a serviços que propiciem a igualdade de oportunidades. Em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (13.145/15) cria o Estatuto da Pessoa com Deficiência, o qual aumenta a proteção aos portadores de TEA ao definir a pessoa com deficiência como: “aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial”.

O autismo é apenas um dos transtornos que integram o TEA, este definido atualmente como uma série de quadros que podem variar quanto a intensidade dos sintomas e prejuízo gerado na rotina do indivíduo. Outros exemplos de transtornos que fazem parte do TEA são: Síndrome de Asperger e Transtorno Global de Desenvolvimento.

As causas do autismo ainda são nebulosas, seu desenvolvimento parece ocorrer a partir de uma combinação de influências genéticas e ambientais. Seus distúrbios podem ter origem hereditária, quanto aos fatores ambientais, os mais relevantes são: a idade paterna seguida da idade materna; a exposição de agentes intrauterinos como drogas, infecções e doenças autoimunes; baixo peso ao nascer; hipertensão e obesidade antes e durante a gestação.

Os critérios para o diagnóstico do autismo são apenas clínicos, através da observação direta do paciente, coleta de informações com pais e responsáveis, e a aplicação de escalas, questionários e protocolos padronizados de observação do comportamento. O sistema de diagnóstico tem evoluído e se modificado, sendo que, os EUA se baseiam no DSM-5 de 2013, outro sistema utilizado é o CID-11, elaborado pela OMS.

É importante a identificação precoce do TEA, com a implementação de terapias que reduzam os seus sintomas e permitam o bom desenvolvimento educacional, intelectual, familiar e social do paciente. O tratamento é influenciado pela variação de espectros identificados e o grau de autismo apresentado pelo paciente. Tanto o diagnóstico quanto o tratamento, são de responsabilidade do psiquiatra e/ou do psicólogo, tendo a fonoaudiologia um papel importante e podendo haver a necessidade de uma equipe multiprofissional. A terapia medicamentosa pode ser necessária em determinados casos e o controle alimentar se faz importante, na mesma medida, as Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas têm se mostrado eficazes para a interação do paciente com o mundo e com as pessoas, sendo utilizadas, por exemplo, a Musicoterapia e a Ecoterapia.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

DEPENDÊNCIA QUÍMICA, DOENÇA CRÔNICA QUE CRESCE MUNDIALMENTE

 


Desde 1964 a Organização Mundial da Saúde (OMS) introduziu o termo dependência química para designar o uso abusivo de drogas lícitas ou ilícitas, substituindo os termos “vício” e “habituação”. Em 1967, o termo “alcoolismo” começou a fazer parte do Código Internacional de Doenças (CID-8). Desde então, a dependência química é considerada uma doença crônica.

A OMS define a dependência química da seguinte forma: “estado psíquico e algumas vezes físico resultante da interação entre um organismo vivo e uma substância, caracterizado por modificações de comportamento e outras reações que sempre incluem o impulso a utilizar a substância de modo contínuo ou periódico”.

É comum que venhamos associar a palavra “drogas” com substâncias que podem causar dependência e malefícios para o organismo, neste caso teríamos as drogas lícitas, como o cigarro e o álcool e as drogas ilícitas, por exemplo: a maconha, a cocaína, a heroína e o crack. Contudo, o conceito de droga definido pela OMS é mais amplo, qual seja: “droga é qualquer substância que introduzida no seu organismo, interfere no seu funcionamento”. Portanto uma medicação poderia ser conotada como droga, por exemplo, a aspirina ou a penicilina. Conforme este entendimento, se torna fácil perceber que o uso do termo “droga” se tornou um “jargão” para designar as substâncias que fazem mal para o organismo humano.

Segundo o relatório mundial sobre drogas de 2021 da OMS, cerca de 275 milhões de pessoas usaram drogas no ano de 2020 e 36 milhões sofreram de transtornos associados ao uso de drogas. A OMS alerta que a pandemia potencializou riscos da dependência química. Este relatório aponta que entre 2010 e 2019 houve um aumento de 22% no número de pessoas que usam drogas, projeções indicam um aumento de 11% no consumo de drogas até 2030, cerca de 5,5% da população entre 15 e 64 anos já usou drogas pelo menos uma vez no ano de 2020 e 36,3 milhões de pessoas, 13% do número total de usuários, sofrem de transtornos associados ao uso de drogas.

No Brasil, segundo estudos desenvolvidos pela Lenad Família, quase 30 milhões de pessoas tem um familiar que seja dependente químico. Já a OMS estima que, cerca de 6% da população brasileira tem alguma dependência química, algo em torno de 12,4 milhões de pessoas. Em Santa Catarina, segundo pesquisa da Assembleia Legislativa do Estado (ALESC), de 2015, nesta época já havia mais de 125 mil dependentes químicos, sendo que, apenas 10% estavam em tratamento.

As causas da dependência química estão associadas a uma somatória de fatores de risco de ordem biopsicossociais. Os fatores internos se somam a fatores externos. Dentre os fatores internos, temos os biológicos, com relevo para a hereditariedade, os genéticos e os psicológicos. Quanto aos fatores externos, os aspectos sociais são bastante relevantes, assim como os familiares, a influência da mídia, visto que, a televisão, o rádio e a internet podem influenciar e favorecer o uso de substâncias como o álcool e o cigarro, ainda a interação das pessoas com o ambiente escolar ou universitário, locais onde o indivíduo pode sofrer algum tipo de violência verbal ou física, como o bullying, também a pressão pela inclusão a um grupo específico, o que pode propiciar o contato com as drogas.

Os sintomas não são tão fáceis de serem percebidos de início, visto que, a dependência química é um transtorno progressivo e consequentemente os sintomas se tornarão gradativamente mais intensos e aparentes, contudo, pode-se identificar os principais: Fissura ou Craving, que significa a vontade descontrolada de utilização; Dificuldade de Controlar o Uso, cada vez precisará utilizar uma quantidade maior da droga para obter o efeito desejado; Síndrome de Abstinência, o organismo se acostuma e se torna dependente da droga, portanto, quando o usuário permanece sem o seu uso, ocorrem reações orgânicas que podem provocar alterações de humor, irritabilidade, tremores, náusea, palpitação e alucinação, sendo que, a abstinência pode provocar alterações metabólicas mais graves, como: arritmia cardíaca, desidratação, elevação da pressão arterial e outras alterações importantes que podem levar a morte; Mudança de Comportamento, geralmente mudam as amizades, a pessoa passa a assumir riscos, mentir e abandonar interesses pessoais.

A dependência química pode provocar uma desestruturação global na vida das pessoas, prejudicando seus relacionamentos afetivos, profissionais e familiares, por vezes colocando o dependente em uma “situação de rua”, ainda pode provocar diversas doenças físicas e mentais, por exemplo: distúrbios comportamentais, doenças sexualmente transmissíveis, endocardite infecciosa (inflamação do tecido que reveste o coração), enfisema pulmonar (perda da elasticidade e destruição dos alvéolos pulmonares), insuficiência renal e hepática, desnutrição e comprometimento cerebral. Dentre as doenças mentais que pode acarretar está a Depressão, principal causadora do suicídio.

Esta doença crônica pode ser tratada, contudo o primeiro passo é o entendimento do indivíduo da sua condição de dependente e da aceitação desta realidade, afinal, muitas vezes a pessoa compreende que está doente, mas não demonstra disposição para, por exemplo, no caso do alcoolismo, entender que não poderá mais beber por toda sua vida. Os principais tipos de tratamento são: desintoxicação, psicoterapia, medicamentos e internação; quanto a sua duração, varia conforme o nível de dependência, o estágio de toxidade orgânica e o perfil psicológico do paciente, ainda a presença de transtornos mentais e doenças físicas oriundas da dependência.

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terça-feira, 19 de outubro de 2021

DOENÇA DE ALZHEIMER, MAIOR CAUSA DE DEMÊNCIA NO MUNDO



A Doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo, se manifestando através da deterioração das funções cognitivas, quais sejam: percepção, atenção, memória, raciocínio, linguagem, pensamento, entre outras. Sua evolução vai comprometendo progressivamente as atividades cotidianas, na mesma medida que os distúrbios neuropsiquiátricos e comportamentais vão se ampliando.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem por volta de 35,6 milhões de pessoas com DA no mundo, a entidade acredita que este número irá dobrar até 2030 e triplicar até 2050, sendo que a DA é a causa mais comum de Demência, sendo responsável por 70% dos casos. No Brasil, estima-se que existam cerca de 1,2 milhão de pessoas com DA.

Esclareço que, a Demência é um estado persistente de deterioração das funções cognitivas, com perda de memória, dificuldade de comunicação e compreensão, problemas de coordenação e de percepção visual, diminuição da capacidade de atenção, deterioração funcional e emocional, além disso, o paciente pode apresentar sintomas de ansiedade, depressão, delírios, alucinações e agressividade.

O aumento progressivo da incidência da DA no mundo está diretamente relacionado com o envelhecimento da população, visto que a sua prevalência e incidência são maiores entre pessoas idosas.

As causas da DA ainda não estão totalmente explicadas, contudo, a idade é um fator causal importante, assim como pode ocorrer a junção de várias outras causas, sendo as principais: genética, traumatismo craniano e as relacionadas ao estilo de vida, como o tabagismo, maus hábitos alimentares e o sedentarismo. O aspecto fisiopatológico da doença se identifica pelo acúmulo anormal de proteínas, chamadas proteínas Beta-amiloide e proteína Tau, as quais provocam desorganização e destruição de células neurais de diversas regiões do cérebro, principalmente no hipocampo e córtex.

Diversos estudos indicam que a incidência e a prevalência da DA duplicam a cada 5 anos após os 70 anos, 80% dos doentes têm mais de 75 anos e 67% são do sexo feminino. Estima-se que o risco global de ser diagnosticado com Doença de Alzheimer aos 65 anos será de 21% para as mulheres e de 11,5% para os homens. Apenas 5,6% dos casos incidem em pessoas com menos de 65 anos, sendo denominada de DA de início precoce.

O diagnóstico da DA se assemelha a de outras Demências neurodegenerativas e se utiliza de critérios de diagnóstico e a realização de exames complementares. As etapas do diagnóstico são: colheita da história clínica, exame neurológico e exame físico, avaliação cognitiva, avaliação do impacto nas atividades da vida diária, avaliação do impacto das alterações psicológicas e comportamentais, exames analíticos (laboratoriais), exames de imagem e exames adicionais (por exemplo, o genético).

A evolução do quadro clínico provocado pela doença, desde o estágio moderado até os mais avançados, pode levar de 8 a 12 anos, com a sobrevida da doença podendo chegar a 20 anos, mas sua média é de 8 anos. Durante este período, vão surgindo alterações de comportamento, intelectuais, dificuldades de expressão e entendimento, memória e o paciente vai se tornando cada vez mais dependente do auxílio de outra pessoa para o desempenho de suas atividades básicas. No início do quadro, o défice de memória é leve, permitindo que o paciente realize atividades como: dirigir, cuidar da casa, fazer compras. Já nos estágios intermediários, o défice de memória é mais intenso, assim como outras funções cognitivas são afetadas de maneira importante. Quando no estágio terminal da doença, o paciente é totalmente dependente, apresentando incontinência vesical e fecal, incapacidade de reconhecer os familiares, dificuldade em alimentar-se e locomover-se, por vezes adentrando a um estado vegetativo.

O médico alemão Alois Alzheimer foi o primeiro a descrever a doença em 1906. Ele desenvolveu e publicou um estudo a partir do caso de sua paciente Auguste Deter, uma mulher com boa saúde que desenvolveu um quadro de perda progressiva de memória, distúrbio de linguagem e desorientação, chegando à situação de necessitar de um cuidador, sendo que, ela começou a apresentar os sintomas com 51 anos e veio a falecer com 55 anos. Após seu falecimento, Dr. Alzheimer examinou seu cérebro e identificou as alterações que hoje são conhecidas e caracterizam a DA.

A DA não tem cura, contudo, houve uma evolução muito grande nas medicações de suporte, as quais aliviam os sintomas, assim como, novos tratamentos podem retardar temporariamente o agravamento dos sintomas de Demência e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mas, apesar da evolução da ciência, ainda não existem medicações ou tratamentos que impeçam a progressão da doença.

Durante muito tempo, o paciente portador da DA ou Mal de Alzheimer foi tratado como alguém “esclerosado” ou “caduco”, visto que, esta doença atinge predominantemente pessoas com mais de 65 anos, esta discriminação, estou certo, é coisa do passado e precisa ser evitada, de outra medida, ainda existe um tabu com relação a DA e este precisa ser combatido com a informação e a discussão sobre o tema.

Quanto a prevenção desta doença, as melhores dicas se referem a se manter ativo física e intelectualmente, ter uma alimentação saudável, não fumar, ter boas noites de sono, manter a saúde física e mental sob controle, claro, mesmo estando com uma idade mais avançada, se manter ativo em planejar a vida, elaborar e buscar sonhos.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...