NOVEMBRO AZUL E O COMBATE AO CÂNCER DE PRÓSTATA
O Novembro Azul é uma campanha realizada por diversas entidades ao redor do mundo, promovendo a conscientização sobre os cuidados com a saúde do homem, tendo foco no combate ao Câncer de Próstata, trabalhando a prevenção e a importância do diagnóstico precoce da doença. Este mês é todo voltado as doenças que podem atingir os homens, abordando também a Depressão Masculina e o Câncer nos Testículos. O dia 17 de novembro é Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no início dos anos 2000.
Esta campanha se iniciou em 2003 na Austrália, através do movimento Movember, idealizado pelos amigos Travis Garone e Luke Slattery, os quais inspirados pela mãe de um outro amigo que desenvolvia ações de combate ao câncer de mama, idealizaram um concurso de bigodes para arrecadar fundos. Esta ação repercutiu e multiplicou, ao ponto de criarem a Fundação Movember, com todos os recursos arrecadados nas ações, agora mais articuladas, sendo destinados ao combate do Câncer de Próstata. O Movember foi institucionalizado na Austrália e se disseminou por diversos países, dando origem a outros movimentos, como o No-Shave November.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) iniciou em 2004, ações de esclarecimento sobre o câncer de próstata no mês de novembro e em 2011, o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) lançou a campanha Novembro Azul.
O câncer é um termo genérico que designa um grupo de doenças que pode afetar qualquer parte do corpo humano, sendo causado pela multiplicação desordenada de células, provocado por fatores internos normalmente associados a agentes externos. Os fatores internos prevalentes são os genéticos, hormonais e imunológicos, com os genéticos/hereditários originando de 5 a 10% dos casos. A idade também é um fator interno importante, sendo predominante no Câncer de Próstata. Entre 80 e 90% dos casos existe associação com causas externas: sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, excesso de peso, maus hábitos alimentares e de vida, entre outros.
O câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e foi responsável por 9,6 milhões de mortes em 2018, sendo o câncer de próstata responsável por 1,28 milhão de casos novos, segundo relato da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimava 65.840 novos casos para 2020, com 15.576 mortes, sendo o 2º tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros (o 1º é o câncer de pele não melanoma). É predominante na terceira idade, visto que mais de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.
A próstata é uma glândula existente apenas no homem, do tamanho de uma castanha, localizada abaixo da bexiga e a frente do reto, tendo como principal função auxiliar na produção de sêmen. Esta glândula pode desenvolver 3 doenças: a prostatite (inflamação que atinge 30% dos homens), a hiperplasia prostática benigna (HPB) e o câncer.
O Câncer de Próstata se apresenta normalmente assintomático em sua fase inicial, quando existem sintomas, estes são semelhantes ao do crescimento benigno da próstata, quais sejam: dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou noite e, inclusive, surgimento de sangue na urina. Em fase mais avançada: dores ósseas, infecção generalizada ou insuficiência renal.
Segundo relato do INCA, o seu diagnóstico precoce, assim como em outros tipos de câncer, é responsável por 90% das curas. Entretanto, ainda se reveste de imenso “tabu” o exame de toque retal, utilizado para se prover um diagnóstico em conjunto com o exame de sangue para avaliar a dosagem de Antígeno Prostático Específico (PSA) e, em se reforçando a suspeita, a biopsia de confirmação. O diagnóstico pode ser fechado com a utilização de exames complementares de imagem.
Desde 2009, através da Portaria nº 1994, o Ministério da Saúde (MS) instituiu, no âmbito do SUS, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem.
O Câncer de Próstata representa quase 1/3 dos casos da doença em homens e a pandemia deve potencializar os indicadores da doença no Brasil, afinal, houve uma desassistência com relação a outras doenças, cirurgias eletivas foram desmarcadas por meses e exames preventivos ou de diagnóstico adiados. De outra medida, as pessoas também adiaram a visita ao médico. Estas situações provocadas pela pandemia se somam e antecipam um quadro preocupante, no qual estima-se o surgimento de mais de 65 mil novos casos por ano. Corroborando com esta percepção, segundo pesquisa de 2020 da SBU, houve uma redução de mais de 50% das cirurgias urológicas eletivas e de 25% das cirurgias de emergência. Outra pesquisa, da farmacêutica Janssen, identifica uma queda de 70% das cirurgias oncológicas e de até 90% das análises de biopsia, estimando que mais de 50 mil brasileiros deixaram de ter acesso ao diagnóstico de câncer.
A possibilidade de cura do Câncer de Próstata está diretamente relacionada ao diagnóstico precoce da doença, portanto, é necessário eliminar o medo, o preconceito e fazer visitas periódicas ao urologista, ao menos uma vez ao ano. A prevenção também é importante, para tanto, adotar um estilo de vida saudável, praticando esportes com regularidade, tendo uma alimentação saudável e eliminando fatores de risco, como o álcool e o tabagismo é essencial.
Vem comigo!!!
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