terça-feira, 19 de outubro de 2021

DOENÇA DE ALZHEIMER, MAIOR CAUSA DE DEMÊNCIA NO MUNDO



A Doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo, se manifestando através da deterioração das funções cognitivas, quais sejam: percepção, atenção, memória, raciocínio, linguagem, pensamento, entre outras. Sua evolução vai comprometendo progressivamente as atividades cotidianas, na mesma medida que os distúrbios neuropsiquiátricos e comportamentais vão se ampliando.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem por volta de 35,6 milhões de pessoas com DA no mundo, a entidade acredita que este número irá dobrar até 2030 e triplicar até 2050, sendo que a DA é a causa mais comum de Demência, sendo responsável por 70% dos casos. No Brasil, estima-se que existam cerca de 1,2 milhão de pessoas com DA.

Esclareço que, a Demência é um estado persistente de deterioração das funções cognitivas, com perda de memória, dificuldade de comunicação e compreensão, problemas de coordenação e de percepção visual, diminuição da capacidade de atenção, deterioração funcional e emocional, além disso, o paciente pode apresentar sintomas de ansiedade, depressão, delírios, alucinações e agressividade.

O aumento progressivo da incidência da DA no mundo está diretamente relacionado com o envelhecimento da população, visto que a sua prevalência e incidência são maiores entre pessoas idosas.

As causas da DA ainda não estão totalmente explicadas, contudo, a idade é um fator causal importante, assim como pode ocorrer a junção de várias outras causas, sendo as principais: genética, traumatismo craniano e as relacionadas ao estilo de vida, como o tabagismo, maus hábitos alimentares e o sedentarismo. O aspecto fisiopatológico da doença se identifica pelo acúmulo anormal de proteínas, chamadas proteínas Beta-amiloide e proteína Tau, as quais provocam desorganização e destruição de células neurais de diversas regiões do cérebro, principalmente no hipocampo e córtex.

Diversos estudos indicam que a incidência e a prevalência da DA duplicam a cada 5 anos após os 70 anos, 80% dos doentes têm mais de 75 anos e 67% são do sexo feminino. Estima-se que o risco global de ser diagnosticado com Doença de Alzheimer aos 65 anos será de 21% para as mulheres e de 11,5% para os homens. Apenas 5,6% dos casos incidem em pessoas com menos de 65 anos, sendo denominada de DA de início precoce.

O diagnóstico da DA se assemelha a de outras Demências neurodegenerativas e se utiliza de critérios de diagnóstico e a realização de exames complementares. As etapas do diagnóstico são: colheita da história clínica, exame neurológico e exame físico, avaliação cognitiva, avaliação do impacto nas atividades da vida diária, avaliação do impacto das alterações psicológicas e comportamentais, exames analíticos (laboratoriais), exames de imagem e exames adicionais (por exemplo, o genético).

A evolução do quadro clínico provocado pela doença, desde o estágio moderado até os mais avançados, pode levar de 8 a 12 anos, com a sobrevida da doença podendo chegar a 20 anos, mas sua média é de 8 anos. Durante este período, vão surgindo alterações de comportamento, intelectuais, dificuldades de expressão e entendimento, memória e o paciente vai se tornando cada vez mais dependente do auxílio de outra pessoa para o desempenho de suas atividades básicas. No início do quadro, o défice de memória é leve, permitindo que o paciente realize atividades como: dirigir, cuidar da casa, fazer compras. Já nos estágios intermediários, o défice de memória é mais intenso, assim como outras funções cognitivas são afetadas de maneira importante. Quando no estágio terminal da doença, o paciente é totalmente dependente, apresentando incontinência vesical e fecal, incapacidade de reconhecer os familiares, dificuldade em alimentar-se e locomover-se, por vezes adentrando a um estado vegetativo.

O médico alemão Alois Alzheimer foi o primeiro a descrever a doença em 1906. Ele desenvolveu e publicou um estudo a partir do caso de sua paciente Auguste Deter, uma mulher com boa saúde que desenvolveu um quadro de perda progressiva de memória, distúrbio de linguagem e desorientação, chegando à situação de necessitar de um cuidador, sendo que, ela começou a apresentar os sintomas com 51 anos e veio a falecer com 55 anos. Após seu falecimento, Dr. Alzheimer examinou seu cérebro e identificou as alterações que hoje são conhecidas e caracterizam a DA.

A DA não tem cura, contudo, houve uma evolução muito grande nas medicações de suporte, as quais aliviam os sintomas, assim como, novos tratamentos podem retardar temporariamente o agravamento dos sintomas de Demência e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mas, apesar da evolução da ciência, ainda não existem medicações ou tratamentos que impeçam a progressão da doença.

Durante muito tempo, o paciente portador da DA ou Mal de Alzheimer foi tratado como alguém “esclerosado” ou “caduco”, visto que, esta doença atinge predominantemente pessoas com mais de 65 anos, esta discriminação, estou certo, é coisa do passado e precisa ser evitada, de outra medida, ainda existe um tabu com relação a DA e este precisa ser combatido com a informação e a discussão sobre o tema.

Quanto a prevenção desta doença, as melhores dicas se referem a se manter ativo física e intelectualmente, ter uma alimentação saudável, não fumar, ter boas noites de sono, manter a saúde física e mental sob controle, claro, mesmo estando com uma idade mais avançada, se manter ativo em planejar a vida, elaborar e buscar sonhos.

Vem comigo!!!
 

 

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