quarta-feira, 13 de outubro de 2021

A MÚSICA COMO TERAPIA APLICADA À SAÚDE

 


A música é responsável por marcar momentos importantes da vida das pessoas, quantos de nós já se viram recordando de um momento especial e associando a música que estava ouvindo nessa ocasião. Na mesma medida, a música é uma forma importante de distração, tirando as pessoas da realidade vivida, por vezes difícil, acalmando e relaxando. Também é muito utilizada como um acompanhamento a estimular atividades físicas, acadêmicas ou de trabalho. Portanto, é indiscutível que a música mexe com as emoções das pessoas, subtrai a monotonia que, por vezes, impera em suas atividades cotidianas e é uma fonte inesgotável de diversão e entretenimento. Contudo, as suas funções terapêuticas na prevenção e auxílio no tratamento de doenças físicas e mentais é algo igualmente significativo e recebe uma denominação própria, Musicoterapia.

Os diferentes tipos de músicas provocam sensações dispares e efeitos diversos no corpo humano, nos conectando com lembranças, provocando nostalgia ou mesmo a sensação de extrema felicidade. As ondas sonoras são captadas pelos nossos tímpanos localizados nos ouvidos, sinais eletroquímicos são emitidos e atingem o córtex auditivo. A partir desta função básica, o som é analisado em relação ao tom, ritmo, volume, timbre, harmonia, localização espacial e ressonância, diversas áreas cerebrais são ativadas e, com isto, são mobilizadas, por exemplo: a memória, o movimento, a atenção e a emoção.

Ao ouvirmos a música que gostamos, é comum relatarmos uma sensação que mistura euforia e prazer, isto ocorre em função da liberação pelo cérebro da dopamina, neurotransmissor que desempenha importante papel na função cognitiva, emocional e comportamental. Esta afirmação é comprovada por estudo publicado pela Academia Nacional de Ciência dos EUA em 2018, o primeiro a demonstrar um papel causal da dopamina no prazer e motivação musical. Segundo a professora associada de Psicologia Cognitiva da Universidade de Lyon na França, Laura Ferreri, elaboradora deste estudo: “desfrutar de uma peça musical, obter prazer dela, querer ouvi-la novamente e estar disposto a gastar dinheiro por ela, depende fortemente da dopamina lançada em nossas sinapses”.

A música sendo utilizada como efeito curador remonta ao Egito antigo e está presente na cultura de diversos povos indígenas, contudo os primeiros estudos mais aprofundados sobre o seu impacto na saúde humana teriam sido elaborados na Grécia antiga. Grandes filósofos gregos entendiam a sua importância terapêutica, por exemplo: Platão receitava música e dança para os medos e fobias, Aristóteles indicava a utilização da música para tratar emoções incontroláveis e Hipócrates, considerado o pai da medicina ocidental, indicava a música para restabelecer o equilíbrio da natureza humana alterado pela doença. Fazendo um salto temporal, chegamos ao médico Robert Burton, o qual enaltece a importância da música no tratamento de pacientes que relatam melancolia, através da obra “Anatomia da Melancolia” (1632). No século XIX, o médico psiquiatra Philippe Pinel, um dos primeiros a realizar estudos sobre esquizofrenia e demência era um grande entusiasta do uso da música como tratamento.

O recorte histórico do surgimento da Musicoterapia é amplo, mas como ciência tem seus pilares em Emile Jacques Dalcroze, músico nascido em Viena na Áustria, criador de um sistema de ensino musical baseado no movimento corporal expressivo, mundialmente difundido a partir de 1930 e na Recreação Musical, surgida nos EUA após a 2ª Guerra Mundial, onde músicos faziam concertos aos veteranos de guerra presentes nos hospitais e enfermarias americanas, buscando melhorar sua saúde e qualidade de vida. A partir de 1950 começam a surgir cursos de formação em Musicoterapia em vários países, tendo caráter interdisciplinar e como base: a música, a ciência e a sensibilidade.

A Musicoterapia no Brasil surgiu na década de 50 através de Liddy Mignone, educadora musical que criou no Conservatório Brasileiro de Música um curso para a formação de musicoterapeutas. Atualmente a Musicoterapia é uma formação de nível superior com titulação de bacharelado possuindo duração média de 4 anos, combinando disciplinas do curso de música e da área de neurociência, tendo também o caráter de especialização ou pós-graduação para profissionais de diversas áreas. Está incluída na Política Nacional das Práticas Integrativas e Complementares (PNPICS), criada pela portaria GM/MS nº 971/2006, sendo disponibilizada gratuitamente no SUS.

A música como terapia pode ser aplicada de duas maneiras: passiva, com o paciente apenas escutando música ou ativa, quando o paciente interage com o terapeuta elaborando músicas ou tocando. A sua utilização tem um impacto direto e mensurável na saúde mental, atuando de maneira importante ao provocar uma resposta biológica que se contrapõe ao mecanismo do estresse, atua na diminuição da sensação de dor, também equilibrando os níveis hormonais e a pressão sanguínea, melhorando a frequência cardíaca e respiratória, como consequência, desempenhando um papel importante para prevenir ou auxiliar no tratamento de doenças do sistema cardiovascular. Se mostra ainda bastante efetiva no tratamento de pacientes que se recuperam de AVC, nos sintomas de demência relatados por pacientes acometidos pelo mal de Alzheimer, para incentivar a comunicação e a autoexpressão para portadores de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), entre outras utilizações terapêuticas.

Em 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a importância da Musicoterapia em ambientes hospitalares multidisciplinares, estando incluída nas Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas (MTCIs), como já foi dito, desde 2017, faz parte das PNPICS do SUS.

Vem comigo!!!
 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...