O Outubro Rosa é um evento mundial que ocorre entre 1 e 31 de outubro e tem o objetivo de conscientizar a população, focando na importância da prevenção do Câncer de Mama e no diagnóstico precoce da doença.
Este movimento surgiu em 1990, quando aconteceu a 1ª corrida pela cura, em Nova Iorque (EUA), organizada pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e, desde então é promovida anualmente na cidade. Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi (EUA) escolheram o mês de outubro para promover ações com foco no diagnóstico precoce e prevenção da doença, tendo se disseminado por diversos estados americanos e, posteriormente, no formato de campanha, sendo aprovada pelo Congresso Americano, o qual instituiu este mês para epicentro das ações e como símbolo, o laço rosa lançado na primeira corrida pela cura. O Outubro Rosa é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual instituiu o dia 19 de outubro como Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama.
No Brasil, o Outubro Rosa iniciou em 2002, com a iluminação, em rosa, do Obelisco do Ibirapuera, se disseminando pelo país em 2008. Em 2011 foi incluído na campanha o diagnóstico precoce e a prevenção do Câncer de Colo de Útero. O Ministério da Saúde (MS) está incorporado a esta campanha com ações de conscientização e disponibilização de exames, sendo mais utilizados a mamografia e a ultrassonografia para o diagnóstico de Câncer de Mama, e o Papanicolau para o diagnóstico do Câncer de Colo de Útero. Diversas entidades participam, com relevo para a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Instituto Nacional do Câncer (INCA).
Segundo a SBM, o diagnóstico precoce da doença é fundamental, sendo responsável por 95% de curas relatadas. A entidade preconiza a importância de as pessoas adotarem um estilo de vida saudável com a prática de atividades físicas e alimentação adequada, isto evita uma série de doenças, inclusive o Câncer. Soma-se a estas atitudes o entendimento, por parte da mulher, da importância de se apalpar os seios na frente do espelho e na identificação de irregularidades ou nódulos, procurar imediatamente o auxílio médico. Ainda ter uma rotina de visitas ao Ginecologista, ao menos anual, efetuando exames que podem identificar precocemente um Câncer de Colo de Útero ou de Mama.
O Câncer é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células, provocada por fatores internos que normalmente estão associados a agentes externos. Dos fatores internos se sobressaem os genéticos, os hormonais e os imunológicos, sendo que, os genéticos/hereditários são responsáveis por 5% a 10% dos casos. A idade também é um fator interno importante e os cuidados precisam ser redobrados a partir dos 40 anos. Entre 80% e 90% dos casos estão associadas causas externas, sendo as mais presentes: sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, excesso de peso, maus hábitos alimentares e de vida. No Câncer de Colo de Útero, além destes fatores, sobressai a infecção pelo vírus Papiloma Humanus (HPV) e por outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), com relevo para a Clamídia, ainda o uso incorreto de anticoncepcionais e múltiplas gestações.
A OMS alertava, em relatório de 2018, que o Câncer é a 2ª principal causa de mortes no mundo, com 9,6 milhões de mortes anuais. O Câncer de Mama apresentou 2,09 milhões de casos, com 16% de letalidade (627 mil mortes).
No Brasil, o INCA relata que entre os anos de 1980 – 2014, houveram 285.165 mortes por Câncer de Mama, estima-se que para cada ano do triênio 2020 – 2022, sejam diagnosticados 66.280 novos casos de Câncer de Mama, um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mulheres. Santa Catarina é um dos estados com maior incidência de Câncer de Mama, em 20 anos houve um aumento de 158% e, segundo o INCA, em 2020, estimava-se mais de 3.370 casos novos. A confirmação destes números se faz prejudicada em função da pandemia.
Segundo dados da OMS de 2021, o número de novos casos de Câncer de Mama em 2020 representou 11,7% do total de todos os diagnósticos da doença no ano e superou o Câncer de Pulmão, que até então era o tipo de Câncer com maior incidência no mundo, contudo, o Câncer de Pulmão continua a ser o que mais leva à morte.
Conforme especialistas da área, o aumento mundial na incidência de Câncer de Mama pode estar relacionado a fatores sociais, com revelo para o envelhecimento da população e a maternidade cada vez mais tardia, ainda a maus hábitos alimentares e de vida, os quais conduzem para a obesidade, o sedentarismo e o consumo excessivo de álcool.
A pandemia da Covid-19 gerou desassistência a outras doenças, a diminuição da procura dos serviços médicos, assim como a saúde mental das pessoas foi bastante atingida e isto pode provocar o surgimento de novas doenças ou potencializar as preexistentes. É bem provável que o Câncer de Mama apresente aumento de casos tendo como fator as consequências pandêmicas. Segundo artigo publicado em abril de 2021 na Revista Saúde Pública, a partir de dados coletados do DataSUS, teria ocorrido uma diminuição de 42% na realização de mamografias para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos durante o ano de 2020 na rede pública. Estes dados comparativos com o ano de 2019 identificariam que por volta de 4 mil mulheres podem ter deixado de realizar o diagnóstico para Câncer de Mama. Outra pesquisa, esta elaborada em 2021 pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) a pedido da Pfizer, intitulada de “Câncer de Mama: tabu, falta de clareza sobre a doença, diagnóstico precoce e autocuidado”, identificou que 47% das mulheres deixaram de frequentar o ginecologista ou o mastologista durante a pandemia da Covid-19.
Quando abordamos o combate ao Câncer de Mama, a prevenção e o diagnóstico precoce são ações de amor a vida.
Vem comigo!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário