terça-feira, 11 de maio de 2021

A TRISTE PERDA DO COMEDIANTE PAULO GUSTAVO PARA A COVID-19 E SEUS ENSINAMENTOS

 


O Brasil se viu chocado e mais triste com a perda do comediante de 42 anos, Paulo Gustavo, para a Covid-19. Maior nome da comédia nacional neste momento, além de jovem e de apresentar um bom estado de saúde, diferentemente do que foi ventilado, não tendo comorbidades, visto que a asma moderada e sob controle que ele apresentava não o colocava no grupo de risco.

Quando uma pessoa famosa, como ele, morre em virtude desta terrível doença, impacta a todos, mas quando este famoso é um jovem que não apresentava doença pré-estabelecida que pudesse agravar seu quadro orgânico, isto nos obriga a pensar nos tantos anônimos que já perderam as suas vidas, somando mais de 400 mil em nosso país, no quanto esta doença evoluiu para algo mais complexo e perigoso, ainda no retumbante fracasso do enfrentamento desta pandemia no Brasil e que, se esse rapaz tivesse sido vacinado, muito provavelmente teria vencido a Covid-19.

O número de perdas humanas nesta pandemia nos choca, mas, segundo estudo do conceituado Institute for Metrics and Evaluation (IHME) da Escola de Medicina da Universidade de Washington, os números oficiais estão distantes da realidade, tanto no mundo quanto no Brasil, senão vejamos, para o IHME, globalmente 6,9 milhões de pessoas perderam suas vidas para o vírus, o dobro da contabilidade oficial e no Brasil já teríamos chegado as 595 mil mortes. Isto mostra que a subnotificação está generalizada e que esta pandemia tem uma dimensão mais catastrófica do que nos é dado conhecimento.

A gravidade da doença também está sendo posta à prova, no início foi conotada como uma patologia de ordem respiratória que atingiria de maneira perigosa pessoas com mais de 65 anos e que apresentassem comorbidades, ou seja, uma ou mais doenças já existentes que colocassem o paciente no grupo de risco, para tanto, sendo classificada como uma Síndrome Respiratória Aguda Grave. Nos dias atuais percebe-se que a doença evoluiu para algo mais complexo, o que faz com que renomados cientistas defendam que o Sars-Cov-2 seja o primeiro agente reconhecido por sua ação importante na formação de coágulos (trombos), podendo provocar uma hipercoagulação nos pulmões, no cérebro e em diversos outros órgãos, obstruindo a circulação e levando a quadros orgânicos graves. Esta constatação faz com que esteja na mesa de discussão a reclassificação da Covid-19 para Febre Viral Trombótica.

O caso de Paulo Gustavo consubstancia esta visão que o mundo científico está tendo sobre a complexidade que a doença atingiu, ele teve 100% dos seus pulmões comprometidos, o que gerou diversas intercorrências. O boletim médico divulgado pelo Hospital Copa Star no dia 03 de abril informou o agravamento do seu estado clínico acarretado por uma embolia gasosa disseminada, incluindo o sistema nervoso central. Esclareço que a embolia gasosa é oriunda da entrada de bolhas de ar na corrente sanguínea, isto prejudica o fluxo sanguíneo para determinadas partes do corpo, podendo deteriorar tecidos e órgãos. Este quadro clínico foi causado por uma ruptura entre brônquios e veias ocorrida no pulmão, acarretando a entrada de bolhas de ar no sistema circulatório.

Ao tempo que a doença se mostra mais complexa, as novas cepas virais igualmente apresentam maior velocidade de contágio, maior agressividade e estão atingindo, de maneira significativa, pessoas com menos de 40 anos e sem comorbidades. As variantes P1 (originada em Manaus-AM), P2 (originada no Rio de Janeiro), a sul-africana e a britânica, se somam a identificada em Belo Horizonte-MG e região metropolitana para explicarem esta nova pandemia que estamos vivendo no Brasil, a qual catapultou para números estratosféricos o volume de casos e mortes.

Mas a despeito de todas estas constatações, uma pergunta não quer silenciar, se Paulo Gustavo tivesse sido vacinado, ele ainda estaria vivo?

Acredito que sim, da mesma maneira que muitos outros anônimos que perderam suas vidas nesta etapa da pandemia, onde as vacinas já estão disponíveis.

Neste quesito, uma outra constatação que a perda deste brilhante e jovem comediante pode nos trazer é sobre o inaceitável fracasso do combate à pandemia em solo nacional, afinal, se houvesse uma logística de compra antecipada de vacinas e de outros insumos por parte do Ministério da Saúde, seguido por um planejamento vacinal bem elaborado, neste momento em que boa parte do mundo civilizado está desenvolvendo uma vacinação em massa da sua gente, com certeza este rapaz teria sido vacinado e suas chances de padecer de um estágio mais avançado da Covid-19, seriam diminutas. Novamente me reporto aos milhares de anônimos que, assim como Paulo Gustavo, perderam suas vidas perante a impossibilidade de se vacinar.

A perda deste jovem e notável comediante ainda pode alertar os muitos que insistem em negar esta pandemia, aglomerando, frequentando festas clandestinas, não cumprindo orientações de cuidados sanitários e de distanciamento social. Igualmente traz a luz da realidade às autoridades que insistem com narrativas dissonantes da ciência e com planejamentos de contenção ineficazes.

Pois é, a pandemia é originária de um vírus e de uma doença mais complexos que imaginávamos, muito se errou, mas ainda é tempo de fazer o que é certo e de salvar vidas.

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terça-feira, 4 de maio de 2021

MUDANÇA DE CLASSIFICAÇÃO DA COVID-19, A DOENÇA SE MOSTRA MAIS COMPLEXA

 


Dia 29 de abril de 2021 foi um marco terrível nesta pandemia, com o Brasil ultrapassando os 400 mil mortos, uma média de 2.700 óbitos por dia. Já percebemos que para alterar este quadro nefasto precisaremos de uma vacinação em massa aliada a ações de governança eficazes e a campanhas de conscientização da população que partam dos 3 entes federativos, municípios, estados e Governo Federal.

Neste momento, que boa parte do mundo empreende campanhas de vacinação em massa de sua gente, mas com foco no controle da contaminação e estudando o aparecimento de novas cepas virais, nosso país continua a mercê de narrativas negacionistas, com poucas vacinas disponíveis e colhendo os frutos do fracasso do enfrentamento desta pandemia, isto está explicitado diariamente através da perda de vidas e se tornou contundente no dia 29 de abril.

O descontrole da contaminação em nosso país se alia a vacinação insipiente e a falta de cuidados de muitos para nos tornar um celeiro de proliferação de novas variantes. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estes indicadores que citei estão gerando mutações das variantes que já circulavam, criando novas cepas virais mais agressivas, com maior velocidade de contaminação, que atingem de maneira importante pessoas com menos de 40 anos e que, inclusive, podem escapar parcialmente a imunidade adquirida pelas vacinas. Esta última característica se explica pela presença da mutação E484K, a qual pode driblar os anticorpos.

O terror causado por esta segunda onda ou, como preferem alguns cientistas, esta nova pandemia, tem como fatores principais a variante P1 (originada em Manaus-AM) e a P2 (originada no Rio de Janeiro), ainda as oriundas do Reino Unido (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.1.351). Soma-se a estas uma nova variante detectada em Belo Horizonte e região metropolitana, a qual, segundo estudos do Laboratório de Biologia Integrativa do Instituto de Ciência Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo setor de pesquisa e desenvolvimento do Grupo Pardini em parceria com o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Prefeitura de Belo Horizonte, apresenta um conjunto de 18 mutações nunca descritas anteriormente e que estão associadas a modificações já identificadas, as quais apresentam um aumento do risco de morte dos pacientes.

Esta nova pandemia que estamos vivenciando é consubstanciada pelo número de mortes por dia e delineada pelo perfil dos pacientes a superlotarem as UTIs país afora. Segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em amostragem de março de 2021, diferentemente do que ocorria anteriormente, neste momento, 52,2% das UTIs do Brasil estão sendo ocupadas por pessoas com menos de 40 anos, 58,1% dos pacientes em condição de UTI precisam de ventilação mecânica, um número recorde, e 1/3 dos pacientes graves não apresentam comorbidades.

O Sars-Cov-2 nesta nova etapa pandêmica se expressa através da doença por ele causada, a Covid-19, a se mostrar organicamente mais agressiva e complexa que antigamente. Isto somado a repetição de quadros clínicos importantes, faz com que os cientistas proponham a mudança da sua classificação.

Perante esta nova realidade e a constatação clínica da evolução da doença com a ampliação do risco de morte, um importante grupo de pesquisadores brasileiros de 6 instituições de assistência médica e pesquisa cientifica, quais sejam, Hospital Pró-Cardíaco, IOC/Fiocruz, Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE), Instituto Nacional do Câncer (INCA), Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná) e United Health Group, publicaram artigo na conceituada revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz onde defendem que o Sars-Cov-2 seja o primeiro agente reconhecido por atuar aumentando a formação de coágulos (trombos), os quais podem obstruir a circulação. Esta hipercoagulação poderia se manifestar nos pulmões, no cérebro, no aparelho gastrointestinal e em diversos outros órgãos. Este artigo propõe a reclassificação da doença, ao invés de ser identificada como uma Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), seria classificada como uma doença mais complexa, a Febre Viral Trombótica.

O referido artigo tem como base estudos elaborados na França e na Holanda, se alicerçando na constatação de manifestações trombóticas em pacientes internados, mesmo com a utilização de técnicas clínicas preventivas. Ainda houve a percepção de manifestações tromboembólicas pós alta hospitalar e em estudos histopatológicos em casos de óbito por Covid-19.

Vivemos o momento mais difícil da pandemia em nosso país, não deveria ser assim se tivéssemos, desde o início, elaborado um planejamento de contenção eficaz, preparado a nossa população para a realidade do que estamos vivendo e adquirido, antecipadamente, vacinas numa quantidade que nos permitisse já estarmos realizando uma vacinação em massa. Lamentavelmente nada disso foi feito.

A ciência de sua parte evoluiu no conhecimento do Sars-Cov-2 e da doença por ele causada, a Covid-19, paralelamente, por característica do vírus e em muito por nossos erros, a pandemia alterou seu patamar evolutivo para algo muito mais perigoso, que atinge um público-alvo plural e tem como cerne uma doença de maior complexidade.

Antes tarde do que nunca, com foco em evitarmos uma tragédia maior em perdas humanas, cabe a nós entendermos e termos atitudes perante este novo e difícil momento que vivemos.

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terça-feira, 27 de abril de 2021

A 4ª ONDA DESTA PANDEMIA: A SAÚDE MENTAL EM FRANGALHOS


Vivemos um turbilhão de emoções desconexas nesta pandemia, no início pouco sabíamos sobre a Covid-19, mas, quem se atém a ciência e a história sempre teve caminhos para entender a sua longevidade e as dimensões de suas consequências. Bastaria recorrer aos livros e se inteirar sobre a última pandemia deste porte, ocorrida há 100 anos, perdurando de janeiro de 1918 a dezembro de 1920, a Gripe Espanhola, a qual teve 4 ondas e vitimou entre 50 e 100 milhões de pessoas mundo afora, 35 mil no Brasil. Claro que, a ciência e a tecnologia evoluíram sobejamente desde então, mas seu veículo maior de propagação, o ser humano, foi ampliado de maneira exponencial com o crescimento populacional.

Infelizmente, muitos governantes confrontaram a ciência, as narrativas negacionistas e a falta de governança nas ações de enfrentamento se somaram à busca por remédios que levassem à cura milagrosa ou até a prevenção da doença. De erros em erros, permeados pela omissão de alguns que se preocuparam muito com seus interesses pessoais e pouco em contribuir para o bem comum, chegamos a mais de um ano de pandemia, onde estas situações ainda ocorrem, mesmo que em menor proporção. Felizes com o aparecimento das vacinas no apagar das luzes de 2020, mas contabilizando mais de 3 milhões de mortos no mundo e vivendo a angústia do aparecimento de novas cepas virais mais perigosas.

Nosso país fracassou no enfrentamento desta pandemia, portanto, as consequências são terríveis e se apresentam através de um descontrole no aumento de casos e mortes diariamente. Não adquirimos vacinas antecipadamente, temos poucas à disposição neste momento e vivemos na esperança de um segundo semestre de 2021 embalado por uma vacinação em massa, ainda a olhar os gráficos de óbitos por dia, ansiosos por uma desaceleração, o que já percebemos que ocorre, mas sem ações de governança eficazes, sem a conscientização da população sobre os resguardos sanitários que se deve ter e com poucas vacinas, creio que, os casos e os óbitos novamente aumentarão.

Perante esta situação complexa que vivemos há mais de um ano, pontuada com pouquíssimas boas notícias, como anda a nossa saúde mental?

O mecanismo do estresse, reação orgânica que ocorre quando passamos por situações onde nos sentimos ameaçados, que é responsável pela sobrevivência da raça humana até os dias atuais, onde através de hormônios liberados pelo sistema nervoso central (hipotálamo e hipófise), que ativam as glândulas suprarrenais a liberarem a adrenalina e o cortisol, hormônios estes que alteram as funções orgânicas, aumentando o batimento cardíaco, ampliando a oxigenação dos pulmões, entre outros, nos tornando alertas e aptos para suplantarmos situações que entendemos como perigosas. Este importante mecanismo se torna destrutivo para a saúde física e mental quando é ativado ininterruptamente, situação que vivemos nesta pandemia, podendo ainda desencadear ou potencializar doenças e transtornos mentais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 bilhão de pessoas apresentam transtornos mentais, uma pessoa se suicida a cada 40 segundos no mundo e 3 milhões morrem anualmente em função do alcoolismo, estes números certamente irão se ampliar de maneira ainda imprevisível. Os estudiosos entendem que a Depressão e os Transtornos de Ansiedade devem atingir tetos mais elevados, assim como a instabilidade emocional da população pode levar meses e até anos para voltar a patamares aceitáveis.

A 4ª onda, relativa ao descontrole de casos de doenças mentais, não se refere as ondas da pandemia propriamente dita, mas de suas consequências. O pneumologista do Hospital Universitário Eumory, de Atlanta (EUA), Victor Tseng, foi que inicialmente propôs a separação de suas consequências em 4 ondas. A 1ª onda foca na pandemia (casos e óbitos), a 2ª onda no colapso dos sistemas de saúde, a 3ª onda no agravamento de outras doenças crônicas pelo não tratamento e a 4ª onda está relacionada com o adoecimento mental da população. Importante ressaltar que estas 4 ondas podem ocorrer simultaneamente e desde o início da pandemia já existe um processo de comprometimento da saúde mental da sociedade.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a partir do momento que a 4ª onda de consequências deste terrível evento sanitário se instala, diferentemente das ondas de uma pandemia que oscilam em aumento e diminuição de casos, esta onda crescente de doenças mentais não apresentará uma curva decrescente, formando um platô que pode levar anos para ser revertido aos níveis anteriores. De acordo com pesquisa da ABP, ainda de 2020, realizada em 23 estados e no Distrito Federal, 47,9% dos psiquiatras entrevistados relataram aumento nos atendimentos, 89,2% identificaram agravamento do quadro psiquiátrico dos pacientes, 67,8% atenderam novos pacientes, 69,3% atenderam pacientes que já haviam recebido alta. Já a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), fez um levantamento entre março e abril de 2020 em 23 estados e identificou aumento de 90% nos casos de Depressão. Lembro que a Depressão é a principal causa do suicídio e, reitero, que este levantamento ocorreu no início da pandemia.

À mercê deste evento sanitário que, acredito, esteja controlado no Brasil apenas em 2022, a instabilidade emocional do brasileiro está posta à prova. Com insegurança relativa à nossa saúde e de nossos entes queridos, com incertezas no âmbito profissional e financeiro, e percebendo a falta de governança desta crise sanitária, a discussão sobre o estado atual da saúde mental da população precisa estar na ordem do dia.

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terça-feira, 20 de abril de 2021

PANDEMIA EM ALTA, POUCAS VACINAS E 1,5 MILHÃO DE BRASILEIROS RECUSAM A 2ª DOSE

Segundo o Ministério da Saúde (MS), em relatório divulgado em 14 de abril, pelo próprio Ministro, mais de 1,5 milhão de brasileiros não voltaram para tomar a 2ª dose da vacina contra a Covid-19, sendo que, os estados com piores indicadores são: São Paulo com 343 mil pessoas que não retornaram, Bahia com 148 mil e Rio de Janeiro 143 mil. O Jornal A Folha de São Paulo fez um levantamento divulgado em 09 de abril que relatava que mais de 500 mil brasileiros não haviam retornado para tomar a 2ª dose da vacina Coronavac. No mesmo caminho, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), divulgou relatório onde aponta a negativa para a 2ª dose da vacina em mais de 1,3 milhão de brasileiros.


Este fato é preocupante, precisa ser entendido e revertido neste momento em que o país bate recordes de óbitos pela Covid-19, tendo alcançado em 07 de abril 4.249 mortes em 24h, sendo líder mundial neste nefasto quesito.

Vivemos nosso pior momento, com a pandemia em alta, vitaminada por novas cepas virais mais agressivas, com maior velocidade de contágio, que atingem de maneira preocupante pessoas com menos de 40 anos e, lamentavelmente, temos pouca oferta de vacinas.

Segundo dados do Sistema Integrado de Mortalidade (SIM), plataforma criada pelo MS em 1979, em março houve um decréscimo populacional nos estados do Sul e em 12 das 50 cidades brasileiras com mais 500 mil habitantes. O Portal da Transparência da ARPEN/Brasil (Associação Brasileira de Registradores de Pessoas Naturais), criado em 2015 e que atua compilando dados dos Cartórios de Registro de Nascimentos, Casamentos e Óbitos, confirmou este fato histórico. Já a Revista Piauí publicou matéria em 13 de abril sobre estudo de pesquisadores da Universidade de Harvard (EUA), Universidade de Princeton (EUA), Universidade do Sul da California (EUA) e Universidade Federal de Minas Gerais, o qual dimensionou o impacto direto das mortes por Covid-19 no crescimento demográfico brasileiro, o resultado apresentado mostra que a pandemia diminuiu em 2 anos a expectativa de vida da população. Desde 1945 a expectativa de vida do brasileiro aumentava, em média, 5 meses a cada ano.

Mas uma pergunta não pode silenciar, perante o quadro terrível elaborado pela pandemia em nosso país, por que está ocorrendo a negação à 2ª dose da vacina?

Em setembro de 2020 foi divulgada uma pesquisa do IBOPE que mostrava que 1 em cada 4 brasileiros resistiam à ideia de tomar vacina contra a Covid-19, sendo o maior índice de rejeição na faixa de 25 aos 34 anos (34%) e entre evangélicos (36%). Na época, as principais justificativas elencadas se referiam a dúvidas quanto à segurança e a eficácia, ainda quanto a teorias da conspiração. A pesquisa entrevistou 1.000 pessoas por todo o país, com os seguintes resultados: 75% tomariam a vacina, 20% tinham dúvidas e 5% não tomariam em hipótese alguma.

O que estamos vendo acontecer era previsível e acaba sendo relativizado ao não identificarmos aqueles que efetivamente não irão se vacinar com dose alguma.

Mas, se a negação à vacina contra a Covid-19 começa a ser dimensionada na prática através dos que se negam a receber a 2ª dose, as causas, apesar de estarem presentes desde o início deste evento sanitário no país, acabaram se tornando sistêmicas ao não serem combatidas e, em muitas oportunidades, estimuladas por diversos governantes.

Tenho alertado desde o início desta pandemia sobre os erros e omissões do Governo Federal e do MS na condução desta grave crise sanitária. No afã de preparar a população com narrativas distantes da ciência e que miravam única e exclusivamente à preservação de nossa economia, objetivo obviamente não alcançado, os erros se sucederam. Com “ações de governança” que dimensionavam a ocorrência de uma “corrida de 100 metros e não de uma maratona”, se abstendo de vislumbrar a história e o comparativo do momento que vivemos com o vivido na última pandemia desta dimensão, isto há 100 anos, a da Gripe Espanhola, que transcorreu de janeiro de 1918 a dezembro de 1920, vitimando entre 50 e 100 milhões de pessoas mundo afora, 35 mil no Brasil. Com este “olhar vesgo” dos fatos, caminhamos embalados por narrativas negacionistas e ideológicas, a tragédia que era iminente, hoje é realidade.

Os erros na condução do enfrentamento se iniciaram pela falta de um discurso nacional por parte do MS, mas respeitando a equidade loco-regional, testes em massa para se identificar os contaminados e refrear a cadeia de contágio nunca ocorreram, as UTIs continuam insuficientes, a busca por curas milagrosas com medicações que, por vezes, trazem mais malefícios e já foram comprovadas cientificamente carecerem de eficácia no combate à Covid-19, continua despertando amplos debates e, inclusive, a tentativa de silenciar aqueles que procuram fazer um contraponto respaldado pela ciência. As vacinas não foram compradas em tempo e este caminho principal para o desfecho desta pandemia só deve se apresentar em maior quantidade, no segundo semestre.

Na ocasião da divulgação dos dados relativos à negação a 2ª dose da vacina, o Ministro da Saúde abordou a necessidade de se trabalhar a conscientização da população, pois é, Campanhas de Conscientização amplas precisam urgentemente serem desenvolvidas pela União, estados e municípios. Se é tarde para consertar esta tragédia nacional, sempre é tempo de evitar uma pior.

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terça-feira, 13 de abril de 2021

MARÇO HISTÓRICO EM SANTA CATARINA, COM MORTES SUPERANDO NASCIMENTOS


Os estados do Sul do país tiveram uma queda inédita de sua população no mês de março de 2021. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul apresentaram mais mortes que nascimentos, segundo dados compilados no Sistema Integrado de Mortalidade (SIM), plataforma virtual do Ministério da Saúde (MS). Esta plataforma foi criada em 1979, portanto, esta é a data mais antiga de registro destes indicadores no país, anteriormente estes dados eram compilados unicamente através do registro em cartórios. Desde a criação do SIM isto nunca havia ocorrido.

O Portal da Transparência da Arpen/Brasil (Associação Brasileira de Registradores de Pessoas Naturais), criado em 2015 e que compila dados dos cartórios de registro de nascimentos, óbitos e casamentos, confirma esta informação e informa que foram registrados no sistema em março, 34.439 óbitos contra 34.211 nascimentos nos estados do Sul do país, estes dados foram atualizados em 07 de abril e podem sofrer alterações, mas chancelam as informações do SIM. Se faz importante como comparativo os dados de março de 2020, onde foram registrados 28.820 nascimentos e 15.762 mortes.

O relatório apresentado pelo Portal Arpen/Brasil, com base em dados dos Cartórios de Registro Civil, identifica 17.220 óbitos, no conjunto dos 3 estados do Sul do país no mês de março, causados pela Covid-19, portanto, 50% dos óbitos. Segundo este portal, o Rio Grande do Sul apresentou neste período, 8.148 emissões de Certidões de Óbitos, o Paraná 5.737 e Santa Catarina 3.335. Estes números sombrios são um alerta neste momento que o Sul do país é o epicentro da pandemia, mesmo para os negacionistas, os quais contestam, inclusive, os atestados de óbitos, onde a “causa mortis” é pela Covid-19.

Esta inversão da lógica do binômio nascimentos/óbitos, portanto, morrendo mais pessoas do que nascendo, não é fato isolado dos estados do Sul, sendo também identificada em 12 das 50 cidades do país com mais de 500 mil habitantes no mês de março, o mais mortal desta pandemia e existe a possibilidade concreta desta situação inédita e complicada, se alastrar por todo o país, a partir do mês de abril.

O Brasil fracassou rotundamente no combate a esta pandemia, somos o país com maior número diário de óbitos pela Covid-19 e os recordes são batidos dia após dia. Em 06 de abril, estabeleceu-se a marca de 4.195 óbitos em 24h, na mesma data em que Santa Catarina registrou número recorde de mortes com 226 óbitos em 24h. Somos assolados por uma segunda onda ou, como identificam alguns cientistas, uma nova pandemia, catapultada por uma nova cepa viral, a P1, nascida em Manaus-AM, mais contagiosa, agressiva, que atinge de maneira preocupante uma população mais jovem e que aterroriza com a possibilidade de pulverizar a eficácia das vacinas. As vacinas, único caminho para o encerramento deste terrível evento, são escassas neste momento. Entretanto, sobram os que negam, os que querem ocultar dados e fatos, como se nada estivesse acontecendo, imbuídos na única missão de resguardar seus interesses, claro, existem também aqueles que querem utilizar a pandemia para catapultar seus negócios, neste caso, entendo que uma crise deste porte é um celeiro de oportunidades para prosperar, mas, respeito humano e empatia precisa haver.

O mês de março descortinou uma nova pandemia, onde o fracasso no combate deste evento sanitário foi desnudado na toada de cepas virais mais agressivas, que, segundo dados da plataforma UTIs Brasileiras, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), fazem com que 52,2% das UTIs do Brasil sejam ocupadas por pessoas com menos de 40 anos, portanto, invertendo a lógica de faixa etária atingida de maneira mais grave e o total de pacientes que precisam de ventilação mecânica atingiu 58,1%, ambas as taxas são recordes. De maneira igualmente inédita, 1/3 dos pacientes graves não apresentam comorbidades. Estes e outros dados divulgados pela AMIB foram coletados a partir da expressiva amostragem de 20.865 leitos de UTI no país, 25% do total existente, destes, 1/3 atende o SUS e 2/3 o Sistema Suplementar. O relatório da AMIB reforça percepções do meio científico e propõe conclusões, quais sejam, as novas cepas virais efetivamente são mais agressivas e parecem atingir de maneira importante os mais jovens, a vacinação das pessoas mais idosas parece estar contribuindo para a inversão desta lógica de faixa etária mais atingida e a falta de conscientização e cuidados demonstra ser relevante, contribuindo para os mais jovens serem o grupo mais atingido neste momento.

Ao tempo em que a pandemia mostra a sua cara mais agressiva, fazendo história ao provocar a inédita situação de termos mais mortes que nascimentos no Sul do país e em algumas das maiores cidades brasileiras, e com uma quantidade pequena de vacinas disponibilizadas para a população, surpreende negativamente a matéria divulgada pelo jornal A Folha de São Paulo, a partir de dados levantados pelo próprio jornal, segundo a qual 14,13% das pessoas vacinadas com a vacina Coronavac, não retornaram para tomar a 2ª dose, por volta de 500 mil pessoas.

O momento é difícil, as pessoas vivem a dicotomia de temerem por suas vidas, mas ao mesmo tempo pela paralisação das atividades econômicas e o caos que isto poderia causar. Acredito que o caos já fez do nosso país a sua morada, uma unidade nacional no combate a pandemia seria o remédio ideal, com narrativas próximas à ciência, ações de governança mais eficazes, vacinas para todos e campanhas de conscientização.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...