Segundo o Ministério da Saúde (MS), em relatório divulgado em 14 de abril, pelo próprio Ministro, mais de 1,5 milhão de brasileiros não voltaram para tomar a 2ª dose da vacina contra a Covid-19, sendo que, os estados com piores indicadores são: São Paulo com 343 mil pessoas que não retornaram, Bahia com 148 mil e Rio de Janeiro 143 mil. O Jornal A Folha de São Paulo fez um levantamento divulgado em 09 de abril que relatava que mais de 500 mil brasileiros não haviam retornado para tomar a 2ª dose da vacina Coronavac. No mesmo caminho, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), divulgou relatório onde aponta a negativa para a 2ª dose da vacina em mais de 1,3 milhão de brasileiros.
Este fato é preocupante, precisa ser entendido e revertido neste momento em que o país bate recordes de óbitos pela Covid-19, tendo alcançado em 07 de abril 4.249 mortes em 24h, sendo líder mundial neste nefasto quesito.
Vivemos nosso pior momento, com a pandemia em alta, vitaminada por novas cepas virais mais agressivas, com maior velocidade de contágio, que atingem de maneira preocupante pessoas com menos de 40 anos e, lamentavelmente, temos pouca oferta de vacinas.
Segundo dados do Sistema Integrado de Mortalidade (SIM), plataforma criada pelo MS em 1979, em março houve um decréscimo populacional nos estados do Sul e em 12 das 50 cidades brasileiras com mais 500 mil habitantes. O Portal da Transparência da ARPEN/Brasil (Associação Brasileira de Registradores de Pessoas Naturais), criado em 2015 e que atua compilando dados dos Cartórios de Registro de Nascimentos, Casamentos e Óbitos, confirmou este fato histórico. Já a Revista Piauí publicou matéria em 13 de abril sobre estudo de pesquisadores da Universidade de Harvard (EUA), Universidade de Princeton (EUA), Universidade do Sul da California (EUA) e Universidade Federal de Minas Gerais, o qual dimensionou o impacto direto das mortes por Covid-19 no crescimento demográfico brasileiro, o resultado apresentado mostra que a pandemia diminuiu em 2 anos a expectativa de vida da população. Desde 1945 a expectativa de vida do brasileiro aumentava, em média, 5 meses a cada ano.
Mas uma pergunta não pode silenciar, perante o quadro terrível elaborado pela pandemia em nosso país, por que está ocorrendo a negação à 2ª dose da vacina?
Em setembro de 2020 foi divulgada uma pesquisa do IBOPE que mostrava que 1 em cada 4 brasileiros resistiam à ideia de tomar vacina contra a Covid-19, sendo o maior índice de rejeição na faixa de 25 aos 34 anos (34%) e entre evangélicos (36%). Na época, as principais justificativas elencadas se referiam a dúvidas quanto à segurança e a eficácia, ainda quanto a teorias da conspiração. A pesquisa entrevistou 1.000 pessoas por todo o país, com os seguintes resultados: 75% tomariam a vacina, 20% tinham dúvidas e 5% não tomariam em hipótese alguma.
O que estamos vendo acontecer era previsível e acaba sendo relativizado ao não identificarmos aqueles que efetivamente não irão se vacinar com dose alguma.
Mas, se a negação à vacina contra a Covid-19 começa a ser dimensionada na prática através dos que se negam a receber a 2ª dose, as causas, apesar de estarem presentes desde o início deste evento sanitário no país, acabaram se tornando sistêmicas ao não serem combatidas e, em muitas oportunidades, estimuladas por diversos governantes.
Tenho alertado desde o início desta pandemia sobre os erros e omissões do Governo Federal e do MS na condução desta grave crise sanitária. No afã de preparar a população com narrativas distantes da ciência e que miravam única e exclusivamente à preservação de nossa economia, objetivo obviamente não alcançado, os erros se sucederam. Com “ações de governança” que dimensionavam a ocorrência de uma “corrida de 100 metros e não de uma maratona”, se abstendo de vislumbrar a história e o comparativo do momento que vivemos com o vivido na última pandemia desta dimensão, isto há 100 anos, a da Gripe Espanhola, que transcorreu de janeiro de 1918 a dezembro de 1920, vitimando entre 50 e 100 milhões de pessoas mundo afora, 35 mil no Brasil. Com este “olhar vesgo” dos fatos, caminhamos embalados por narrativas negacionistas e ideológicas, a tragédia que era iminente, hoje é realidade.
Os erros na condução do enfrentamento se iniciaram pela falta de um discurso nacional por parte do MS, mas respeitando a equidade loco-regional, testes em massa para se identificar os contaminados e refrear a cadeia de contágio nunca ocorreram, as UTIs continuam insuficientes, a busca por curas milagrosas com medicações que, por vezes, trazem mais malefícios e já foram comprovadas cientificamente carecerem de eficácia no combate à Covid-19, continua despertando amplos debates e, inclusive, a tentativa de silenciar aqueles que procuram fazer um contraponto respaldado pela ciência. As vacinas não foram compradas em tempo e este caminho principal para o desfecho desta pandemia só deve se apresentar em maior quantidade, no segundo semestre.
Na ocasião da divulgação dos dados relativos à negação a 2ª dose da vacina, o Ministro da Saúde abordou a necessidade de se trabalhar a conscientização da população, pois é, Campanhas de Conscientização amplas precisam urgentemente serem desenvolvidas pela União, estados e municípios. Se é tarde para consertar esta tragédia nacional, sempre é tempo de evitar uma pior.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!
Vem comigo!!!
Contatos:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99916-0744
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com


Nenhum comentário:
Postar um comentário