terça-feira, 4 de maio de 2021

MUDANÇA DE CLASSIFICAÇÃO DA COVID-19, A DOENÇA SE MOSTRA MAIS COMPLEXA

 


Dia 29 de abril de 2021 foi um marco terrível nesta pandemia, com o Brasil ultrapassando os 400 mil mortos, uma média de 2.700 óbitos por dia. Já percebemos que para alterar este quadro nefasto precisaremos de uma vacinação em massa aliada a ações de governança eficazes e a campanhas de conscientização da população que partam dos 3 entes federativos, municípios, estados e Governo Federal.

Neste momento, que boa parte do mundo empreende campanhas de vacinação em massa de sua gente, mas com foco no controle da contaminação e estudando o aparecimento de novas cepas virais, nosso país continua a mercê de narrativas negacionistas, com poucas vacinas disponíveis e colhendo os frutos do fracasso do enfrentamento desta pandemia, isto está explicitado diariamente através da perda de vidas e se tornou contundente no dia 29 de abril.

O descontrole da contaminação em nosso país se alia a vacinação insipiente e a falta de cuidados de muitos para nos tornar um celeiro de proliferação de novas variantes. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estes indicadores que citei estão gerando mutações das variantes que já circulavam, criando novas cepas virais mais agressivas, com maior velocidade de contaminação, que atingem de maneira importante pessoas com menos de 40 anos e que, inclusive, podem escapar parcialmente a imunidade adquirida pelas vacinas. Esta última característica se explica pela presença da mutação E484K, a qual pode driblar os anticorpos.

O terror causado por esta segunda onda ou, como preferem alguns cientistas, esta nova pandemia, tem como fatores principais a variante P1 (originada em Manaus-AM) e a P2 (originada no Rio de Janeiro), ainda as oriundas do Reino Unido (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.1.351). Soma-se a estas uma nova variante detectada em Belo Horizonte e região metropolitana, a qual, segundo estudos do Laboratório de Biologia Integrativa do Instituto de Ciência Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo setor de pesquisa e desenvolvimento do Grupo Pardini em parceria com o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Prefeitura de Belo Horizonte, apresenta um conjunto de 18 mutações nunca descritas anteriormente e que estão associadas a modificações já identificadas, as quais apresentam um aumento do risco de morte dos pacientes.

Esta nova pandemia que estamos vivenciando é consubstanciada pelo número de mortes por dia e delineada pelo perfil dos pacientes a superlotarem as UTIs país afora. Segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em amostragem de março de 2021, diferentemente do que ocorria anteriormente, neste momento, 52,2% das UTIs do Brasil estão sendo ocupadas por pessoas com menos de 40 anos, 58,1% dos pacientes em condição de UTI precisam de ventilação mecânica, um número recorde, e 1/3 dos pacientes graves não apresentam comorbidades.

O Sars-Cov-2 nesta nova etapa pandêmica se expressa através da doença por ele causada, a Covid-19, a se mostrar organicamente mais agressiva e complexa que antigamente. Isto somado a repetição de quadros clínicos importantes, faz com que os cientistas proponham a mudança da sua classificação.

Perante esta nova realidade e a constatação clínica da evolução da doença com a ampliação do risco de morte, um importante grupo de pesquisadores brasileiros de 6 instituições de assistência médica e pesquisa cientifica, quais sejam, Hospital Pró-Cardíaco, IOC/Fiocruz, Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE), Instituto Nacional do Câncer (INCA), Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná) e United Health Group, publicaram artigo na conceituada revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz onde defendem que o Sars-Cov-2 seja o primeiro agente reconhecido por atuar aumentando a formação de coágulos (trombos), os quais podem obstruir a circulação. Esta hipercoagulação poderia se manifestar nos pulmões, no cérebro, no aparelho gastrointestinal e em diversos outros órgãos. Este artigo propõe a reclassificação da doença, ao invés de ser identificada como uma Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), seria classificada como uma doença mais complexa, a Febre Viral Trombótica.

O referido artigo tem como base estudos elaborados na França e na Holanda, se alicerçando na constatação de manifestações trombóticas em pacientes internados, mesmo com a utilização de técnicas clínicas preventivas. Ainda houve a percepção de manifestações tromboembólicas pós alta hospitalar e em estudos histopatológicos em casos de óbito por Covid-19.

Vivemos o momento mais difícil da pandemia em nosso país, não deveria ser assim se tivéssemos, desde o início, elaborado um planejamento de contenção eficaz, preparado a nossa população para a realidade do que estamos vivendo e adquirido, antecipadamente, vacinas numa quantidade que nos permitisse já estarmos realizando uma vacinação em massa. Lamentavelmente nada disso foi feito.

A ciência de sua parte evoluiu no conhecimento do Sars-Cov-2 e da doença por ele causada, a Covid-19, paralelamente, por característica do vírus e em muito por nossos erros, a pandemia alterou seu patamar evolutivo para algo muito mais perigoso, que atinge um público-alvo plural e tem como cerne uma doença de maior complexidade.

Antes tarde do que nunca, com foco em evitarmos uma tragédia maior em perdas humanas, cabe a nós entendermos e termos atitudes perante este novo e difícil momento que vivemos.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

Vem comigo!!!

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