terça-feira, 4 de maio de 2021

MUDANÇA DE CLASSIFICAÇÃO DA COVID-19, A DOENÇA SE MOSTRA MAIS COMPLEXA

 


Dia 29 de abril de 2021 foi um marco terrível nesta pandemia, com o Brasil ultrapassando os 400 mil mortos, uma média de 2.700 óbitos por dia. Já percebemos que para alterar este quadro nefasto precisaremos de uma vacinação em massa aliada a ações de governança eficazes e a campanhas de conscientização da população que partam dos 3 entes federativos, municípios, estados e Governo Federal.

Neste momento, que boa parte do mundo empreende campanhas de vacinação em massa de sua gente, mas com foco no controle da contaminação e estudando o aparecimento de novas cepas virais, nosso país continua a mercê de narrativas negacionistas, com poucas vacinas disponíveis e colhendo os frutos do fracasso do enfrentamento desta pandemia, isto está explicitado diariamente através da perda de vidas e se tornou contundente no dia 29 de abril.

O descontrole da contaminação em nosso país se alia a vacinação insipiente e a falta de cuidados de muitos para nos tornar um celeiro de proliferação de novas variantes. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estes indicadores que citei estão gerando mutações das variantes que já circulavam, criando novas cepas virais mais agressivas, com maior velocidade de contaminação, que atingem de maneira importante pessoas com menos de 40 anos e que, inclusive, podem escapar parcialmente a imunidade adquirida pelas vacinas. Esta última característica se explica pela presença da mutação E484K, a qual pode driblar os anticorpos.

O terror causado por esta segunda onda ou, como preferem alguns cientistas, esta nova pandemia, tem como fatores principais a variante P1 (originada em Manaus-AM) e a P2 (originada no Rio de Janeiro), ainda as oriundas do Reino Unido (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.1.351). Soma-se a estas uma nova variante detectada em Belo Horizonte e região metropolitana, a qual, segundo estudos do Laboratório de Biologia Integrativa do Instituto de Ciência Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo setor de pesquisa e desenvolvimento do Grupo Pardini em parceria com o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Prefeitura de Belo Horizonte, apresenta um conjunto de 18 mutações nunca descritas anteriormente e que estão associadas a modificações já identificadas, as quais apresentam um aumento do risco de morte dos pacientes.

Esta nova pandemia que estamos vivenciando é consubstanciada pelo número de mortes por dia e delineada pelo perfil dos pacientes a superlotarem as UTIs país afora. Segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em amostragem de março de 2021, diferentemente do que ocorria anteriormente, neste momento, 52,2% das UTIs do Brasil estão sendo ocupadas por pessoas com menos de 40 anos, 58,1% dos pacientes em condição de UTI precisam de ventilação mecânica, um número recorde, e 1/3 dos pacientes graves não apresentam comorbidades.

O Sars-Cov-2 nesta nova etapa pandêmica se expressa através da doença por ele causada, a Covid-19, a se mostrar organicamente mais agressiva e complexa que antigamente. Isto somado a repetição de quadros clínicos importantes, faz com que os cientistas proponham a mudança da sua classificação.

Perante esta nova realidade e a constatação clínica da evolução da doença com a ampliação do risco de morte, um importante grupo de pesquisadores brasileiros de 6 instituições de assistência médica e pesquisa cientifica, quais sejam, Hospital Pró-Cardíaco, IOC/Fiocruz, Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE), Instituto Nacional do Câncer (INCA), Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná) e United Health Group, publicaram artigo na conceituada revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz onde defendem que o Sars-Cov-2 seja o primeiro agente reconhecido por atuar aumentando a formação de coágulos (trombos), os quais podem obstruir a circulação. Esta hipercoagulação poderia se manifestar nos pulmões, no cérebro, no aparelho gastrointestinal e em diversos outros órgãos. Este artigo propõe a reclassificação da doença, ao invés de ser identificada como uma Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), seria classificada como uma doença mais complexa, a Febre Viral Trombótica.

O referido artigo tem como base estudos elaborados na França e na Holanda, se alicerçando na constatação de manifestações trombóticas em pacientes internados, mesmo com a utilização de técnicas clínicas preventivas. Ainda houve a percepção de manifestações tromboembólicas pós alta hospitalar e em estudos histopatológicos em casos de óbito por Covid-19.

Vivemos o momento mais difícil da pandemia em nosso país, não deveria ser assim se tivéssemos, desde o início, elaborado um planejamento de contenção eficaz, preparado a nossa população para a realidade do que estamos vivendo e adquirido, antecipadamente, vacinas numa quantidade que nos permitisse já estarmos realizando uma vacinação em massa. Lamentavelmente nada disso foi feito.

A ciência de sua parte evoluiu no conhecimento do Sars-Cov-2 e da doença por ele causada, a Covid-19, paralelamente, por característica do vírus e em muito por nossos erros, a pandemia alterou seu patamar evolutivo para algo muito mais perigoso, que atinge um público-alvo plural e tem como cerne uma doença de maior complexidade.

Antes tarde do que nunca, com foco em evitarmos uma tragédia maior em perdas humanas, cabe a nós entendermos e termos atitudes perante este novo e difícil momento que vivemos.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

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terça-feira, 27 de abril de 2021

A 4ª ONDA DESTA PANDEMIA: A SAÚDE MENTAL EM FRANGALHOS


Vivemos um turbilhão de emoções desconexas nesta pandemia, no início pouco sabíamos sobre a Covid-19, mas, quem se atém a ciência e a história sempre teve caminhos para entender a sua longevidade e as dimensões de suas consequências. Bastaria recorrer aos livros e se inteirar sobre a última pandemia deste porte, ocorrida há 100 anos, perdurando de janeiro de 1918 a dezembro de 1920, a Gripe Espanhola, a qual teve 4 ondas e vitimou entre 50 e 100 milhões de pessoas mundo afora, 35 mil no Brasil. Claro que, a ciência e a tecnologia evoluíram sobejamente desde então, mas seu veículo maior de propagação, o ser humano, foi ampliado de maneira exponencial com o crescimento populacional.

Infelizmente, muitos governantes confrontaram a ciência, as narrativas negacionistas e a falta de governança nas ações de enfrentamento se somaram à busca por remédios que levassem à cura milagrosa ou até a prevenção da doença. De erros em erros, permeados pela omissão de alguns que se preocuparam muito com seus interesses pessoais e pouco em contribuir para o bem comum, chegamos a mais de um ano de pandemia, onde estas situações ainda ocorrem, mesmo que em menor proporção. Felizes com o aparecimento das vacinas no apagar das luzes de 2020, mas contabilizando mais de 3 milhões de mortos no mundo e vivendo a angústia do aparecimento de novas cepas virais mais perigosas.

Nosso país fracassou no enfrentamento desta pandemia, portanto, as consequências são terríveis e se apresentam através de um descontrole no aumento de casos e mortes diariamente. Não adquirimos vacinas antecipadamente, temos poucas à disposição neste momento e vivemos na esperança de um segundo semestre de 2021 embalado por uma vacinação em massa, ainda a olhar os gráficos de óbitos por dia, ansiosos por uma desaceleração, o que já percebemos que ocorre, mas sem ações de governança eficazes, sem a conscientização da população sobre os resguardos sanitários que se deve ter e com poucas vacinas, creio que, os casos e os óbitos novamente aumentarão.

Perante esta situação complexa que vivemos há mais de um ano, pontuada com pouquíssimas boas notícias, como anda a nossa saúde mental?

O mecanismo do estresse, reação orgânica que ocorre quando passamos por situações onde nos sentimos ameaçados, que é responsável pela sobrevivência da raça humana até os dias atuais, onde através de hormônios liberados pelo sistema nervoso central (hipotálamo e hipófise), que ativam as glândulas suprarrenais a liberarem a adrenalina e o cortisol, hormônios estes que alteram as funções orgânicas, aumentando o batimento cardíaco, ampliando a oxigenação dos pulmões, entre outros, nos tornando alertas e aptos para suplantarmos situações que entendemos como perigosas. Este importante mecanismo se torna destrutivo para a saúde física e mental quando é ativado ininterruptamente, situação que vivemos nesta pandemia, podendo ainda desencadear ou potencializar doenças e transtornos mentais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 bilhão de pessoas apresentam transtornos mentais, uma pessoa se suicida a cada 40 segundos no mundo e 3 milhões morrem anualmente em função do alcoolismo, estes números certamente irão se ampliar de maneira ainda imprevisível. Os estudiosos entendem que a Depressão e os Transtornos de Ansiedade devem atingir tetos mais elevados, assim como a instabilidade emocional da população pode levar meses e até anos para voltar a patamares aceitáveis.

A 4ª onda, relativa ao descontrole de casos de doenças mentais, não se refere as ondas da pandemia propriamente dita, mas de suas consequências. O pneumologista do Hospital Universitário Eumory, de Atlanta (EUA), Victor Tseng, foi que inicialmente propôs a separação de suas consequências em 4 ondas. A 1ª onda foca na pandemia (casos e óbitos), a 2ª onda no colapso dos sistemas de saúde, a 3ª onda no agravamento de outras doenças crônicas pelo não tratamento e a 4ª onda está relacionada com o adoecimento mental da população. Importante ressaltar que estas 4 ondas podem ocorrer simultaneamente e desde o início da pandemia já existe um processo de comprometimento da saúde mental da sociedade.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a partir do momento que a 4ª onda de consequências deste terrível evento sanitário se instala, diferentemente das ondas de uma pandemia que oscilam em aumento e diminuição de casos, esta onda crescente de doenças mentais não apresentará uma curva decrescente, formando um platô que pode levar anos para ser revertido aos níveis anteriores. De acordo com pesquisa da ABP, ainda de 2020, realizada em 23 estados e no Distrito Federal, 47,9% dos psiquiatras entrevistados relataram aumento nos atendimentos, 89,2% identificaram agravamento do quadro psiquiátrico dos pacientes, 67,8% atenderam novos pacientes, 69,3% atenderam pacientes que já haviam recebido alta. Já a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), fez um levantamento entre março e abril de 2020 em 23 estados e identificou aumento de 90% nos casos de Depressão. Lembro que a Depressão é a principal causa do suicídio e, reitero, que este levantamento ocorreu no início da pandemia.

À mercê deste evento sanitário que, acredito, esteja controlado no Brasil apenas em 2022, a instabilidade emocional do brasileiro está posta à prova. Com insegurança relativa à nossa saúde e de nossos entes queridos, com incertezas no âmbito profissional e financeiro, e percebendo a falta de governança desta crise sanitária, a discussão sobre o estado atual da saúde mental da população precisa estar na ordem do dia.

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terça-feira, 20 de abril de 2021

PANDEMIA EM ALTA, POUCAS VACINAS E 1,5 MILHÃO DE BRASILEIROS RECUSAM A 2ª DOSE

Segundo o Ministério da Saúde (MS), em relatório divulgado em 14 de abril, pelo próprio Ministro, mais de 1,5 milhão de brasileiros não voltaram para tomar a 2ª dose da vacina contra a Covid-19, sendo que, os estados com piores indicadores são: São Paulo com 343 mil pessoas que não retornaram, Bahia com 148 mil e Rio de Janeiro 143 mil. O Jornal A Folha de São Paulo fez um levantamento divulgado em 09 de abril que relatava que mais de 500 mil brasileiros não haviam retornado para tomar a 2ª dose da vacina Coronavac. No mesmo caminho, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), divulgou relatório onde aponta a negativa para a 2ª dose da vacina em mais de 1,3 milhão de brasileiros.


Este fato é preocupante, precisa ser entendido e revertido neste momento em que o país bate recordes de óbitos pela Covid-19, tendo alcançado em 07 de abril 4.249 mortes em 24h, sendo líder mundial neste nefasto quesito.

Vivemos nosso pior momento, com a pandemia em alta, vitaminada por novas cepas virais mais agressivas, com maior velocidade de contágio, que atingem de maneira preocupante pessoas com menos de 40 anos e, lamentavelmente, temos pouca oferta de vacinas.

Segundo dados do Sistema Integrado de Mortalidade (SIM), plataforma criada pelo MS em 1979, em março houve um decréscimo populacional nos estados do Sul e em 12 das 50 cidades brasileiras com mais 500 mil habitantes. O Portal da Transparência da ARPEN/Brasil (Associação Brasileira de Registradores de Pessoas Naturais), criado em 2015 e que atua compilando dados dos Cartórios de Registro de Nascimentos, Casamentos e Óbitos, confirmou este fato histórico. Já a Revista Piauí publicou matéria em 13 de abril sobre estudo de pesquisadores da Universidade de Harvard (EUA), Universidade de Princeton (EUA), Universidade do Sul da California (EUA) e Universidade Federal de Minas Gerais, o qual dimensionou o impacto direto das mortes por Covid-19 no crescimento demográfico brasileiro, o resultado apresentado mostra que a pandemia diminuiu em 2 anos a expectativa de vida da população. Desde 1945 a expectativa de vida do brasileiro aumentava, em média, 5 meses a cada ano.

Mas uma pergunta não pode silenciar, perante o quadro terrível elaborado pela pandemia em nosso país, por que está ocorrendo a negação à 2ª dose da vacina?

Em setembro de 2020 foi divulgada uma pesquisa do IBOPE que mostrava que 1 em cada 4 brasileiros resistiam à ideia de tomar vacina contra a Covid-19, sendo o maior índice de rejeição na faixa de 25 aos 34 anos (34%) e entre evangélicos (36%). Na época, as principais justificativas elencadas se referiam a dúvidas quanto à segurança e a eficácia, ainda quanto a teorias da conspiração. A pesquisa entrevistou 1.000 pessoas por todo o país, com os seguintes resultados: 75% tomariam a vacina, 20% tinham dúvidas e 5% não tomariam em hipótese alguma.

O que estamos vendo acontecer era previsível e acaba sendo relativizado ao não identificarmos aqueles que efetivamente não irão se vacinar com dose alguma.

Mas, se a negação à vacina contra a Covid-19 começa a ser dimensionada na prática através dos que se negam a receber a 2ª dose, as causas, apesar de estarem presentes desde o início deste evento sanitário no país, acabaram se tornando sistêmicas ao não serem combatidas e, em muitas oportunidades, estimuladas por diversos governantes.

Tenho alertado desde o início desta pandemia sobre os erros e omissões do Governo Federal e do MS na condução desta grave crise sanitária. No afã de preparar a população com narrativas distantes da ciência e que miravam única e exclusivamente à preservação de nossa economia, objetivo obviamente não alcançado, os erros se sucederam. Com “ações de governança” que dimensionavam a ocorrência de uma “corrida de 100 metros e não de uma maratona”, se abstendo de vislumbrar a história e o comparativo do momento que vivemos com o vivido na última pandemia desta dimensão, isto há 100 anos, a da Gripe Espanhola, que transcorreu de janeiro de 1918 a dezembro de 1920, vitimando entre 50 e 100 milhões de pessoas mundo afora, 35 mil no Brasil. Com este “olhar vesgo” dos fatos, caminhamos embalados por narrativas negacionistas e ideológicas, a tragédia que era iminente, hoje é realidade.

Os erros na condução do enfrentamento se iniciaram pela falta de um discurso nacional por parte do MS, mas respeitando a equidade loco-regional, testes em massa para se identificar os contaminados e refrear a cadeia de contágio nunca ocorreram, as UTIs continuam insuficientes, a busca por curas milagrosas com medicações que, por vezes, trazem mais malefícios e já foram comprovadas cientificamente carecerem de eficácia no combate à Covid-19, continua despertando amplos debates e, inclusive, a tentativa de silenciar aqueles que procuram fazer um contraponto respaldado pela ciência. As vacinas não foram compradas em tempo e este caminho principal para o desfecho desta pandemia só deve se apresentar em maior quantidade, no segundo semestre.

Na ocasião da divulgação dos dados relativos à negação a 2ª dose da vacina, o Ministro da Saúde abordou a necessidade de se trabalhar a conscientização da população, pois é, Campanhas de Conscientização amplas precisam urgentemente serem desenvolvidas pela União, estados e municípios. Se é tarde para consertar esta tragédia nacional, sempre é tempo de evitar uma pior.

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terça-feira, 13 de abril de 2021

MARÇO HISTÓRICO EM SANTA CATARINA, COM MORTES SUPERANDO NASCIMENTOS


Os estados do Sul do país tiveram uma queda inédita de sua população no mês de março de 2021. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul apresentaram mais mortes que nascimentos, segundo dados compilados no Sistema Integrado de Mortalidade (SIM), plataforma virtual do Ministério da Saúde (MS). Esta plataforma foi criada em 1979, portanto, esta é a data mais antiga de registro destes indicadores no país, anteriormente estes dados eram compilados unicamente através do registro em cartórios. Desde a criação do SIM isto nunca havia ocorrido.

O Portal da Transparência da Arpen/Brasil (Associação Brasileira de Registradores de Pessoas Naturais), criado em 2015 e que compila dados dos cartórios de registro de nascimentos, óbitos e casamentos, confirma esta informação e informa que foram registrados no sistema em março, 34.439 óbitos contra 34.211 nascimentos nos estados do Sul do país, estes dados foram atualizados em 07 de abril e podem sofrer alterações, mas chancelam as informações do SIM. Se faz importante como comparativo os dados de março de 2020, onde foram registrados 28.820 nascimentos e 15.762 mortes.

O relatório apresentado pelo Portal Arpen/Brasil, com base em dados dos Cartórios de Registro Civil, identifica 17.220 óbitos, no conjunto dos 3 estados do Sul do país no mês de março, causados pela Covid-19, portanto, 50% dos óbitos. Segundo este portal, o Rio Grande do Sul apresentou neste período, 8.148 emissões de Certidões de Óbitos, o Paraná 5.737 e Santa Catarina 3.335. Estes números sombrios são um alerta neste momento que o Sul do país é o epicentro da pandemia, mesmo para os negacionistas, os quais contestam, inclusive, os atestados de óbitos, onde a “causa mortis” é pela Covid-19.

Esta inversão da lógica do binômio nascimentos/óbitos, portanto, morrendo mais pessoas do que nascendo, não é fato isolado dos estados do Sul, sendo também identificada em 12 das 50 cidades do país com mais de 500 mil habitantes no mês de março, o mais mortal desta pandemia e existe a possibilidade concreta desta situação inédita e complicada, se alastrar por todo o país, a partir do mês de abril.

O Brasil fracassou rotundamente no combate a esta pandemia, somos o país com maior número diário de óbitos pela Covid-19 e os recordes são batidos dia após dia. Em 06 de abril, estabeleceu-se a marca de 4.195 óbitos em 24h, na mesma data em que Santa Catarina registrou número recorde de mortes com 226 óbitos em 24h. Somos assolados por uma segunda onda ou, como identificam alguns cientistas, uma nova pandemia, catapultada por uma nova cepa viral, a P1, nascida em Manaus-AM, mais contagiosa, agressiva, que atinge de maneira preocupante uma população mais jovem e que aterroriza com a possibilidade de pulverizar a eficácia das vacinas. As vacinas, único caminho para o encerramento deste terrível evento, são escassas neste momento. Entretanto, sobram os que negam, os que querem ocultar dados e fatos, como se nada estivesse acontecendo, imbuídos na única missão de resguardar seus interesses, claro, existem também aqueles que querem utilizar a pandemia para catapultar seus negócios, neste caso, entendo que uma crise deste porte é um celeiro de oportunidades para prosperar, mas, respeito humano e empatia precisa haver.

O mês de março descortinou uma nova pandemia, onde o fracasso no combate deste evento sanitário foi desnudado na toada de cepas virais mais agressivas, que, segundo dados da plataforma UTIs Brasileiras, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), fazem com que 52,2% das UTIs do Brasil sejam ocupadas por pessoas com menos de 40 anos, portanto, invertendo a lógica de faixa etária atingida de maneira mais grave e o total de pacientes que precisam de ventilação mecânica atingiu 58,1%, ambas as taxas são recordes. De maneira igualmente inédita, 1/3 dos pacientes graves não apresentam comorbidades. Estes e outros dados divulgados pela AMIB foram coletados a partir da expressiva amostragem de 20.865 leitos de UTI no país, 25% do total existente, destes, 1/3 atende o SUS e 2/3 o Sistema Suplementar. O relatório da AMIB reforça percepções do meio científico e propõe conclusões, quais sejam, as novas cepas virais efetivamente são mais agressivas e parecem atingir de maneira importante os mais jovens, a vacinação das pessoas mais idosas parece estar contribuindo para a inversão desta lógica de faixa etária mais atingida e a falta de conscientização e cuidados demonstra ser relevante, contribuindo para os mais jovens serem o grupo mais atingido neste momento.

Ao tempo em que a pandemia mostra a sua cara mais agressiva, fazendo história ao provocar a inédita situação de termos mais mortes que nascimentos no Sul do país e em algumas das maiores cidades brasileiras, e com uma quantidade pequena de vacinas disponibilizadas para a população, surpreende negativamente a matéria divulgada pelo jornal A Folha de São Paulo, a partir de dados levantados pelo próprio jornal, segundo a qual 14,13% das pessoas vacinadas com a vacina Coronavac, não retornaram para tomar a 2ª dose, por volta de 500 mil pessoas.

O momento é difícil, as pessoas vivem a dicotomia de temerem por suas vidas, mas ao mesmo tempo pela paralisação das atividades econômicas e o caos que isto poderia causar. Acredito que o caos já fez do nosso país a sua morada, uma unidade nacional no combate a pandemia seria o remédio ideal, com narrativas próximas à ciência, ações de governança mais eficazes, vacinas para todos e campanhas de conscientização.

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terça-feira, 6 de abril de 2021

BRASIL, IMUNIDADE DE REBANHO POR VACINAS SÓ EM 2022

O Brasil bate recordes de mortes pela Covid-19 dia após dia, em 31/03 estabeleceu a marca de 3.950 óbitos em 24h, segundo levantamento do Conselho Nacional de Secretarias de Estado da Saúde (CONASS), estando na liderança em óbitos/dia no mundo e já ultrapassando o total de 330 mil mortes.


Nosso país sofre os efeitos de uma segunda onda, ou como preferem alguns cientistas, uma nova pandemia, patrocinada por uma nova cepa viral concebida em Manaus-AM, a P1, a qual se apresenta como mais contagiosa, agressiva, que atinge de maneira importante pessoas com menos de 50 anos e, por conter a mutação E484K, tem a possibilidade de “driblar os anticorpos”, em virtude disto, pode vir a diminuir a eficácia das vacinas. Enquanto isso, mesmo os negacionistas, sonham com uma maior disponibilidade de vacinas, esta ferramenta tão importante, que inclusive os distantes da ciência, já entenderam, ou começam a compreender, ser o caminho para o final deste evento sanitário e para evitar muito mais mortes.

Entretanto, as ações do Ministério da Saúde e do Governo Federal para a aquisição de imunizantes, que neste momento ocorrem de maneira célere, careceram de planejamento e logística, atuando para sua compra de maneira tardia e, em função disto, o meio científico entende que o país atingirá uma imunidade de rebanho por meio da vacina contra a Covid-19 apenas em abril de 2022.

A consultoria Airfinity, principal fonte de dados e de inteligência do setor farmacêutico global, analisou o nosso ritmo vacinal, os acordos de compra de vacinas divulgados pelo Governo Federal, o prazo de entrega destes imunizantes, a capacidade nacional de produção, entre outros fatores, e chancelou esta análise. Portanto, nosso país precisará esperar ainda mais de um ano para atingir a tão sonhada imunidade de rebanho vacinal, qual seja, quando 75% da população terá sido vacinada.

Esta consultoria contextualiza através de um levantamento mundial do ritmo vacinal para a Covid-19 a complicada situação vivida pelo Brasil e reforça o sinal de alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a qual, nosso país precisa adotar urgentemente medidas de controle social para controlar a contaminação viral. Segundo esta projeção, os EUA e o Reino Unido imunizarão 75% da sua população até agosto/2021, o Canadá atingirá este volume em julho/2021, o Japão atingirá em outubro/2021 e mesmo a China, país com maior população do mundo (1,3 bilhão de habitantes), evolui a vacinação de maneira célere, mas em função do seu volume populacional, deve atingir a imunização de rebanho apenas em junho/2022. Neste momento, segundo dados oficiais, nos aproximamos de 6% de brasileiros que receberam a 1ª dose da vacina e em torno de 2% a 2ª dose.

Nossa situação é dramática, sem vacinas suficientes para implementar uma vacinação em massa, com os sistemas de saúde colapsando, carentes de um direcionamento nacional por parte do MS, imersos em discussões ideológicas e narrativas negacionistas, percebemos a dificuldade de os governos estaduais implementarem medidas mais rígidas de distanciamento social, as quais, cientificamente, seriam imprescindíveis neste momento e que são cobradas pela OMS, mas que causam danos severos à economia.

No momento em que o Governo Federal anuncia a assinatura de contratos para a aquisição de 415 milhões de doses de vacinas, esta projeção da Consultoria Airfinity é um “balde de água fria” a refrear o otimismo por este anúncio, nos trazendo à dura realidade e a prática dos fatos, a qual nos reporta a prazos de entrega, aprovação de vacinas por parte da ANVISA e a um tempo de espera para a resolução de diversos trâmites, tempo o qual não temos.

O Programa Nacional de Imunização (PNI), criado em 1973 e regido pela Lei Federal nº 6259/1974, é referência mundial, responsável pela erradicação da Varíola em 1973 e da Poliomielite em 1989, sendo capaz de prover a imunização de 80 milhões de brasileiros em 3 meses na campanha de vacinação contra a Influenza em 2011, podendo desenvolver uma vacinação em massa contra a Covid-19 de 1 milhão de brasileiros por dia, números que podem ser aumentados perante uma ampliação do número de salas de vacinação e de profissionais vacinadores. Entretanto, a letargia do Governo Federal na aquisição de vacinas faz com que, se não houverem contratempos, venhamos a ter um maior volume de vacinas apenas no segundo semestre de 2021 e, claro, espero que estejam desenvolvendo uma logística de aquisição de insumos (seringas, agulhas, entre outros), visto que até o momento, segundo informações divulgadas, estaria sendo utilizada a reserva técnica de 60 milhões de seringas e agulhas, adquiridas para outras vacinas.

Mesmo que tardiamente, o Governo Federal sinaliza com a intenção de fomentar um pacto nacional de combate à pandemia, o MS, sob a batuta do seu 4º Ministro neste evento sanitário, parece disposto a se reaproximar da ciência, buscando honrar sua história iniciada em 1953.

Precisamos que as narrativas se transformem em ações de governança, lamentavelmente, uma vacinação em massa da nossa gente, ainda é apenas um objeto de desejo, as pessoas estão morrendo em virtude desta doença em número cada vez maior, dia após dia, e agora, os mais jovens também estão na “alça de mira” da Covid-19. O negacionismo perdura, portanto, campanhas de conscientização são fundamentais e na espreita delas, o entendimento que cada cidadão precisa fazer a sua parte e apenas unidos como nação, vamos vencer esta guerra.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...