terça-feira, 6 de abril de 2021

BRASIL, IMUNIDADE DE REBANHO POR VACINAS SÓ EM 2022

O Brasil bate recordes de mortes pela Covid-19 dia após dia, em 31/03 estabeleceu a marca de 3.950 óbitos em 24h, segundo levantamento do Conselho Nacional de Secretarias de Estado da Saúde (CONASS), estando na liderança em óbitos/dia no mundo e já ultrapassando o total de 330 mil mortes.


Nosso país sofre os efeitos de uma segunda onda, ou como preferem alguns cientistas, uma nova pandemia, patrocinada por uma nova cepa viral concebida em Manaus-AM, a P1, a qual se apresenta como mais contagiosa, agressiva, que atinge de maneira importante pessoas com menos de 50 anos e, por conter a mutação E484K, tem a possibilidade de “driblar os anticorpos”, em virtude disto, pode vir a diminuir a eficácia das vacinas. Enquanto isso, mesmo os negacionistas, sonham com uma maior disponibilidade de vacinas, esta ferramenta tão importante, que inclusive os distantes da ciência, já entenderam, ou começam a compreender, ser o caminho para o final deste evento sanitário e para evitar muito mais mortes.

Entretanto, as ações do Ministério da Saúde e do Governo Federal para a aquisição de imunizantes, que neste momento ocorrem de maneira célere, careceram de planejamento e logística, atuando para sua compra de maneira tardia e, em função disto, o meio científico entende que o país atingirá uma imunidade de rebanho por meio da vacina contra a Covid-19 apenas em abril de 2022.

A consultoria Airfinity, principal fonte de dados e de inteligência do setor farmacêutico global, analisou o nosso ritmo vacinal, os acordos de compra de vacinas divulgados pelo Governo Federal, o prazo de entrega destes imunizantes, a capacidade nacional de produção, entre outros fatores, e chancelou esta análise. Portanto, nosso país precisará esperar ainda mais de um ano para atingir a tão sonhada imunidade de rebanho vacinal, qual seja, quando 75% da população terá sido vacinada.

Esta consultoria contextualiza através de um levantamento mundial do ritmo vacinal para a Covid-19 a complicada situação vivida pelo Brasil e reforça o sinal de alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a qual, nosso país precisa adotar urgentemente medidas de controle social para controlar a contaminação viral. Segundo esta projeção, os EUA e o Reino Unido imunizarão 75% da sua população até agosto/2021, o Canadá atingirá este volume em julho/2021, o Japão atingirá em outubro/2021 e mesmo a China, país com maior população do mundo (1,3 bilhão de habitantes), evolui a vacinação de maneira célere, mas em função do seu volume populacional, deve atingir a imunização de rebanho apenas em junho/2022. Neste momento, segundo dados oficiais, nos aproximamos de 6% de brasileiros que receberam a 1ª dose da vacina e em torno de 2% a 2ª dose.

Nossa situação é dramática, sem vacinas suficientes para implementar uma vacinação em massa, com os sistemas de saúde colapsando, carentes de um direcionamento nacional por parte do MS, imersos em discussões ideológicas e narrativas negacionistas, percebemos a dificuldade de os governos estaduais implementarem medidas mais rígidas de distanciamento social, as quais, cientificamente, seriam imprescindíveis neste momento e que são cobradas pela OMS, mas que causam danos severos à economia.

No momento em que o Governo Federal anuncia a assinatura de contratos para a aquisição de 415 milhões de doses de vacinas, esta projeção da Consultoria Airfinity é um “balde de água fria” a refrear o otimismo por este anúncio, nos trazendo à dura realidade e a prática dos fatos, a qual nos reporta a prazos de entrega, aprovação de vacinas por parte da ANVISA e a um tempo de espera para a resolução de diversos trâmites, tempo o qual não temos.

O Programa Nacional de Imunização (PNI), criado em 1973 e regido pela Lei Federal nº 6259/1974, é referência mundial, responsável pela erradicação da Varíola em 1973 e da Poliomielite em 1989, sendo capaz de prover a imunização de 80 milhões de brasileiros em 3 meses na campanha de vacinação contra a Influenza em 2011, podendo desenvolver uma vacinação em massa contra a Covid-19 de 1 milhão de brasileiros por dia, números que podem ser aumentados perante uma ampliação do número de salas de vacinação e de profissionais vacinadores. Entretanto, a letargia do Governo Federal na aquisição de vacinas faz com que, se não houverem contratempos, venhamos a ter um maior volume de vacinas apenas no segundo semestre de 2021 e, claro, espero que estejam desenvolvendo uma logística de aquisição de insumos (seringas, agulhas, entre outros), visto que até o momento, segundo informações divulgadas, estaria sendo utilizada a reserva técnica de 60 milhões de seringas e agulhas, adquiridas para outras vacinas.

Mesmo que tardiamente, o Governo Federal sinaliza com a intenção de fomentar um pacto nacional de combate à pandemia, o MS, sob a batuta do seu 4º Ministro neste evento sanitário, parece disposto a se reaproximar da ciência, buscando honrar sua história iniciada em 1953.

Precisamos que as narrativas se transformem em ações de governança, lamentavelmente, uma vacinação em massa da nossa gente, ainda é apenas um objeto de desejo, as pessoas estão morrendo em virtude desta doença em número cada vez maior, dia após dia, e agora, os mais jovens também estão na “alça de mira” da Covid-19. O negacionismo perdura, portanto, campanhas de conscientização são fundamentais e na espreita delas, o entendimento que cada cidadão precisa fazer a sua parte e apenas unidos como nação, vamos vencer esta guerra.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

Vem comigo!!!

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