terça-feira, 1 de dezembro de 2020

A COVID-19 E AS VACINAS

 

Desde a virada do ano esta pandemia que assola o mundo, já contaminou mais de 50 milhões de pessoas e vitimou mais de 1 milhão, continuando a “causar o terror” no Hemisfério Norte, com uma segunda onda em curso, potencializada pela chegada do inverno e não demonstra refrear o seu efeito devastador por todo o globo. Nosso país conheceu a Covid-19 em 26/02, com o primeiro caso oficial e, desde então, firmamos entendimento da gravidade deste quadro sanitário que nos coloca como terceiro país em casos e segundo em óbitos.

Segundo levantamento do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do estado de São Paulo (19/11), 44,7% dos hospitais privados tiveram aumento das internações de pacientes com a Covid-19 nos últimos 15 dias. Já o Governo do Estado de São Paulo indica um aumento de 18% das internações neste mesmo período. Outros estados apresentam indicadores similares e reforçam alerta feito por pesquisadores do Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da USP sobre uma segunda onda da doença já estar em curso em nosso país.

Com este quadro que preocupa, mas que reforça o entendimento de que esta pandemia ainda não se encerrou e que o momento continua sendo complexo, as vacinas se tornaram um sonho de todos.

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 24/10 havia 211 vacinas em desenvolvimento no mundo, sendo: 164 em fase pré-clínico; 20 em primeira fase de testes em humanos; 13 em fases 1 e 2 de testes em humanos; 3 em fase 2 de testes em humanos e 11 em terceira fase de testes em humanos.

O seu desenvolvimento segue altos padrões de exigência e protocolos de procedimentos éticos em todas as suas fases, tendo como fatores norteadores a segurança, a qualidade e a eficácia, dividido em 6 fases (3 pré-clínicas): 1 – definição da melhor composição da vacina; 2 – testes em animais para comprovação dos dados obtidos “in vitro”; 3 – fase clínica, se planeja a execução das fases que envolvem testes em humanos (divididas em 3 outras fases); 4 – primeira etapa de testes em humanos, testa a segurança, poucos voluntários (20 a 80), geralmente adultos saudáveis; 5 – segunda etapa de testes em humanos, testa mais detalhadamente a segurança e a eficácia, grupo um pouco maior de voluntários podendo chegar a centenas de pessoas; 6 – terceira etapa de testes em humanos, testa a segurança e a eficácia no público-alvo, os voluntários podem chegar aos milhares, envolvendo todas as faixas etárias e etnias. Após a aprovação, o seu monitoramento é um ato contínuo.

Na realização de qualquer pesquisa clínica envolvendo seres humanos em nosso país, exige-se a aprovação dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) e/ou da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). A anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) se aplica somente aos estudos clínicos que tem a finalidade de registro e pós-registro de medicamentos, o que inclui as vacinas. A ANVISA não efetua o registro provisório de vacinas, mas, em função da pandemia, definiu critérios extraordinários e temporários para o tratamento de pedidos de registro de medicamentos, de produtos biológicos e de diagnóstico “in vitro”, através da RDC nº 348/2020 e definiu os procedimentos de submissão contínua de dados técnicos para o registro de vacinas contra a Covid-19, através da Instrução Normativa nº 77/2020.

Das vacinas em terceira fase de testes em humanos, a da Pfizer/BioNTech e a da Moderna, são as mais adiantadas, concebidas a partir de RNA, técnica inovadora e nunca utilizada para vacinas em seres humanos, esse produto contém uma pequena sequência genética criada em laboratório que “ensina” as células humanas a produzirem proteínas similares ao Sars-CoV-2, ativando o mecanismo imunológico. Esta técnica acelera a produção da vacina, os testes de segurança e eficácia publicados indicam 95 e 94,5%, respectivamente, sendo eficaz para todas as faixas etárias e etnias. Entretanto, serão caras, por volta R$ 160,00 e R$ 120,00 cada dose e necessitam ser mantidas em baixíssima refrigeração, -80ºC e -20ºC, respectivamente.

As vacinas da Universidade de Oxford/AstraZeneca e a Sputnik-V utilizam um vetor viral não replicante, um adenovírus que carrega genes do Sars-CoV-2 para provocar nosso sistema imunológico. Os resultados de eficácia são de 70 a 90% e 95% respectivamente. A inglesa mostrou melhores resultados quando inoculada 1/2 dose e 28 dias após uma segunda dose completa. Seus custos devem ser entre R$ 12,00 e R$ 20,00 (mais acessíveis), mas a logística de produção é mais longa que as da Pfizer e da Moderna, aliás, quase todas o são.

A Coronavac, da Sinovac, no Brasil em parceria com o Instituto Butantã, é feita a partir do vírus inativo, com testes de fase 2 publicados bastante promissores, mas não tendo divulgado ainda os testes de eficácia de terceira fase. Temos ainda a da Jansen (Johnson&Johnson), tecnologia de adenovírus; Bharat/Biotech, tecnologia de vírus inativo; Novamax, tecnologia de fragmentos de proteína; CanSinoBIO, tecnologia de adenovírus (registro provisório de uso para o exército chinês); Sinopharm, tecnologia de vírus inativo (registro provisório de uso para atores sanitários da China) e a EpiVacCorona, tecnologia de fragmentos de proteína.

A intenção dos EUA é de iniciar em dezembro a imunização com a vacina da Pfizer e/ou da Moderna. O Brasil tem acordo com a vacina de Oxford (Ministério da Saúde) e a Coronavac (Governo do Estado de SP). Também aderiu ao COVAX Facility, ferramenta de acesso global de vacinas da Covid-19 da OMS e receberá 10% das vacinas adquiridas por este consórcio.

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terça-feira, 24 de novembro de 2020

AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DURANTE A PANDEMIA


A pandemia da Covid-19 continua a se propagar mundo afora com uma onda contínua, intermitente e crescente nos EUA, com uma segunda onda preocupante em diversos países da Europa, além de uma situação complexa vivida pela Índia, 2º país com maior número de casos e um fluxo intermitente em escala global. A América do Sul vê um aumento de casos e óbitos preocupante na Argentina e uma segunda onda em germinação no Brasil, quadro reforçado pelos dados divulgados em 17/11 pelo Imperial College de Londres, segundo o qual, no dia 10 deste mês o índice de transmissão em nosso país estava em 0,68, tendo subido para 1,10. Estes números indicam que cada grupo de 100 pessoas contaminadas transmite o vírus para outras 110, dados levantados através da média das estimativas de mortes dos últimos 14 dias, tendo a média móvel de novas infecções subido 59% nos últimos 7 dias em relação a 14 dias atrás, sendo o maior percentual desde 03/06.

Perante este quadro que suscita preocupação, cuidados de todos e impõe ações de governança para conter a propagação de uma nova onda da Covid-19, vimos acontecer nossas eleições municipais. Ainda anestesiados pela complexa eleição presidencial americana, vencida pelo democrata Joe Biden, histórica por derrotar o nacionalismo radical, xenofóbico e distante da ciência da era Trump, eleição que será lembrada por termos visto o quinto presidente americano a perder a reeleição nos últimos 100 anos, ainda por ter sido o único a não reconhecer a lisura das urnas e a vitória do adversário, claro pelo sistema eleitoral de difícil entendimento e com uma apuração demorada em comparação aos padrões brasileiros, mas principalmente pelo efeito devastador deste evento sanitário nas estruturas da mais poderosa nação do mundo.

O Brasil, terceiro país em casos e segundo em óbitos, vivencia a dicotomia de entender que sua gente precisa trabalhar e, para tanto, vive a expectativa das festas de final de ano e de uma temporada de verão que precisa ser exitosa para aquecer os setores produtivos, municiando financeiramente os brasileiros após um ano que existiu da pior maneira possível, tendo como contraponto a iminência de uma segunda onda, a qual exige que mantenhamos os cuidados sanitários e de distanciamento social, assim como ações de governança que monitorem, dissequem a evolução do vírus no país e protejam sua gente.

O Governo Federal não dá demonstrações de entender, desde o início, a real dimensão do momento em que vivemos. Acertou ao demonstrar sensibilidade social e instrumentar o Auxílio Emergencial, mas erra ao persistir com narrativas dissonantes da ciência e da realidade dos fatos, ao tentar aparelhar politicamente o Ministério da Saúde e a ANVISA e na insistência de uma ação continuada de desgovernança desta crise sanitária.

As eleições municipais, assim como a eleição americana o foi, tiveram como discussão maior, o enfrentamento da pandemia. Diante desta constatação, vemos os candidatos explicitamente apoiados pelo Presidente da República serem derrotados em sua ampla maioria, um grande apoiamento a candidatos de centro, com discursos balizados pela ciência e pelo bom senso, ainda o fortalecimento de algumas lideranças de esquerda, as quais atenuaram seu discurso radical.

O primeiro turno destas eleições ratificou a premissa que a reeleição beneficia o prefeito que a busca, a não ser em situação de um mau governo explícito, ainda mostrou que a população tem a percepção das ações de governança adotadas por eles e aprovou os que buscaram seguir a ciência, utilizaram narrativas com base na empatia e privilegiaram os cuidados com a vida humana. Foi praticamente unanime o “não” ao radicalismo verbal, ao extremismo ideológico e as propostas descoladas da realidade. Em função da pandemia, houve uma abstenção histórica de votos e, lamentavelmente, visto a dificuldade financeira da população, o poder econômico foi preponderante. Acredito que o segundo turno a ocorrer em 57 municípios brasileiros seguirá este mesmo caminho e consolidará um quadro do perfil eleitoral da população brasileira para as eleições de 2022.

Esta pandemia ceifou vidas e trouxe prejuízos de diversas ordens para todos, de outra maneira desestruturou os modelos políticos e econômicos que eram prevalentes, obrigou as pessoas a pararem e terem tempo de raciocinar sobre o mundo e necessariamente elaborarem menção de juízo sobre as ações de seus governantes. Entendo que estamos mais exigentes com aqueles que nos governam, independente do perfil ideológico, mas, certamente, cansados de discursos ríspidos, insensíveis e fantasiosos. Afinal, quando se percebe tantas vidas sendo perdidas, quando se caminha por tantos meses em companhia do temor da doença, do desemprego e do futuro, o ser humano se torna mais sensível e exigente.

Acabada estas eleições, ainda na expectativa da salvadora vacina, que acredito esteja à disposição a partir do primeiro semestre de 2021, mas com um tempo razoável para ter resultados práticos e iniciar a contenção desta pandemia, temos a missão de tocar nossas vidas com a responsabilidade e os cuidados que o momento exige, afinal, uma segunda onda da pandemia já mostra sua cara. Ainda, entendermos os motivos que nos trouxeram a situação em que estamos e exigirmos de nossos governantes práticas administrativas que vislumbrem melhoria na qualidade de vida e reduzam a desigualdade social.

Em tempo, os protocolos adotados pelo Tribunal Superior Eleitoral foram bem elaborados e houve exigência de seu cumprimento nos locais de votação. Ainda, o TSE desenvolveu uma campanha de educação sanitária em nível nacional, a primeira realizada nesta pandemia. Espero que estas ações sirvam de exemplo ao Governo Federal.

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terça-feira, 17 de novembro de 2020

2020, O MUNDO APRENDENDO E IMPROVISANDO.



O ano de 2020 não aconteceu, ou melhor, aconteceu da pior maneira possível, impulsionado por uma pandemia que já contaminou mais de 50 milhões de pessoas e vitimou mais de 1 milhão ao redor do mundo. Muitos tinham projetos profissionais, familiares ou de viagens, sonhos foram adiados e muitas vidas, onde germinam os sonhos, foram ceifadas. No Brasil, terceiro país com mais casos no mundo, com mais de 5 milhões de contaminados e segundo em óbitos, com mais de 162 mil vidas perdidas, a impressão de um ano perdido também é prevalente. Segundo pesquisa do Colégio Notarial do Brasil, de janeiro a agosto diminuiu em 33% o número de casamentos se comparado com 2019 e neste mesmo período tivemos uma queda de 90% nos voos nacionais.

Segundo estudos do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, o distanciamento social imposto por esta pandemia nos fez perder diversas ferramentas para elaborar planos, com relevo para conhecer novas pessoas e se oportunizar a novos caminhos, somando a isto, as tarefas cotidianas limitadas e o sentimento de estagnação, o que se conjuga para afetar as funções cerebrais, em especial o córtex pré-frontal, responsável pelo controle da atenção, do raciocínio e do comportamento. Já o campo da psicologia positiva enumera 5 principais pilares que se interagem para uma vida plena, quais sejam: emoções positivas, engajamento, relacionamentos saudáveis, propósito e realizações.

Esta pandemia bagunçou os principais pilares para uma vida plena, afinal, quantas emoções positivas tivemos em contraponto a sentimentos negativos causados pelo medo da doença, do desemprego e do futuro, alavancados por uma crise econômica sem precedentes que caminha como uma onda paralela e ainda por ser dimensionada e sem prazo para se encerrar. Seria possível pensar em relacionamentos saudáveis, quando nos é imposto o distanciamento das pessoas e vivemos num mundo onde a palavra saudável é uma retórica a ser alcançada? Quanto a propósito e realizações, creio que o momento exclui, se não por completo, em grande parte, estes sentimentos em nossa vida de agora.

Como tempero importante proporcionado pelo nosso organismo a se juntar a esta “geleia real” de sentimentos que vivemos, o mecanismo do estresse, o qual fez com que a espécie humana sobrevivesse pelos tempos, e se materializa organicamente a partir da liberação pelas glândulas suprarrenais do cortisol e da adrenalina, provocando uma série de reações orgânicas e neurológicas, as quais quando repetidas constantemente, como creio ter ocorrido até aqui, pode desencadear transtornos de ansiedade, depressão, levar ao suicídio e diversas outras patologias.

Olha só, um ano complicado, onde o planejamento de vida de cada qual se viu prejudicado ou esquecido, onde os sonhos deram vez a realidade do enfrentamento da pandemia e também de problemas que estavam aí, escondidos em camadas mais profundas do nosso esteio social, boa parte destes problemas oriundos de ações de governança ineficazes, da falta de cuidados das pessoas para com nosso planeta e para consigo mesmas e, claro, o momento mundial onde emerge o nacionalismo radical pouco afeito ao diálogo e ao contraditório, absolutamente distante da ciência, da solidariedade e da razão. Mas se não há espaço para o planejamento, o ato de sonhar é humano e se ancora na esperança, se materializando no improviso, na arte de criar e de se adaptar.

Historicamente o mundo se transforma apenas nestes momentos de dificuldades, assim foi no pós guerras mundiais, após o “crash” da Bolsa de Valores de Nova Iorque que gerou a maior depressão econômica mundial vista até agora, mas germinou um novo ciclo de prosperidade ditado pelo liberalismo econômico da era Roosevelt nos EUA. Os modelos econômicos e políticos-administrativos, de difícil alteração de ciclo, tem aderência a se modificarem nestes momentos.

A derrocada do nacionalismo radical e xenofóbico da era Trump nos EUA, sinônimo de negacionismo científico e de narrativas descoladas de valor humano é um exemplo claro do efeito devastador desta pandemia, com relevo para o fato da maior potência global ser igualmente a campeã em casos e óbitos da Covid-19, apresentando uma onda única, intermitente e crescente.

No Brasil, país tão afetado pela Covid-19, em que o Governo Federal negou a ciência e subvalorizou os mortos na pandemia, continuamos à mercê do negacionismo científico, das narrativas dissonantes, vendo o Ministério da Saúde (MS), criado em 1953, envergonhando e se distanciando de sua história e agora a discussão política das vacinas, com a ANVISA, autarquia de regime especial, criada pela Lei nº 9782/1999 e que tem a sua Diretoria Colegiada indicada pelo Presidente da República com referendo do Senado Federal, suspendendo sem motivação técnica comprovada, os testes da vacina Coronavac. Este ato da ANVISA já foi revertido, mas colocou em suspeição esta autarquia, a qual desconheço ter adotado decisões políticas em sua história, ao menos até aqui.

O momento está sendo de transformação e assim continuará a sê-lo, se para melhor, depende de nossa percepção dos fatores que nos trouxeram onde estamos. A possibilidade de mudança já é motivo para sonharmos, inicialmente improvisarmos, mas a seguir identificarmos as novas oportunidades, planejarmos e perseverarmos em nossos objetivos.

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terça-feira, 10 de novembro de 2020

NOVEMBRO AZUL E O COMBATE AO CÂNCER DE PRÓSTATA NA PANDEMIA

 

Vivemos um ano atípico com uma pandemia que continua a caminhar em ritmo avassalador, neste momento se evidenciando em uma segunda onda no Hemisfério Norte, com relevo para diversos países da Europa, continente que deve ser bastante atingido com a chegada do inverno. O mundo contabiliza mais de 50 milhões de contaminados e mais de 1,2 milhões de mortes. No Brasil, mais de 5,6 milhões de pessoas foram contaminadas e destas, mais de 160 mil perderam a vida. Somado a este quadro sanitário preocupante e ainda em curso, uma crise econômica sem precedentes caminha em uma onda paralela.

A despeito disto, as outras doenças não deixaram de existir, ao contrário, preocupa o fato da desassistência em curso, com cirurgias eletivas desmarcadas por meses e exames preventivos ou de diagnóstico adiados. Segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), houve uma redução de mais de 50% das cirurgias urológicas eletivas e de 25% das cirurgias de emergência. Outra pesquisa, da farmacêutica Janssen, identifica uma queda de 70% das cirurgias oncológicas e de até 90% das análises de biopsia, estimando que mais de 50 mil brasileiros deixaram de ter acesso ao diagnóstico de câncer. Estes indicadores sinalizam uma onda sanitária municiada por outras doenças que está sendo germinada, precisa ser dimensionada e enfrentada.

Perante este quadro complexo, entramos no Novembro Azul, movimento desenvolvido neste mês no Brasil, que é espelho de campanhas similares mundo afora, alusivo ao Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, celebrado em 17 de novembro.

O movimento com este intuito, pioneiro e mais conhecido no mundo é o Movember, que surgiu em 2003 na Austrália, através dos amigos Travis Garone e Luke Slattery, os quais inspirados pela mãe de um outro amigo que desenvolvia ações para o combate do câncer de mama, idealizaram um concurso de bigodes para arrecadar fundos. Esta ação repercutiu e multiplicou, ao ponto de criarem a Fundação Movember, com todos os recursos arrecadados nas ações, agora mais articuladas, sendo destinados ao combate do câncer de próstata. O Movember foi institucionalizado na Austrália e se disseminou por diversos países, dando origem a outros movimentos, como o No-Shave November.

No Brasil, a SBU iniciou em 2004, ações de esclarecimento sobre o câncer de próstata no mês de novembro e em 2011 o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) lançou a campanha Novembro Azul.

O câncer é um termo genérico que designa um grupo de doenças que pode afetar qualquer parte do corpo humano, sendo causado pela multiplicação desordenada de células, provocado por fatores internos normalmente associados a agentes externos. Os fatores internos prevalentes são os genéticos, hormonais e imunológicos, com os genéticos/hereditários originando de 5 a 10% dos casos. A idade também é um fator interno importante, sendo predominante no câncer de próstata. Entre 80 e 90% dos casos existe associação com causas externas: sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, excesso de peso, maus hábitos alimentares e de vida, entre outros.

O câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e foi responsável por 9,6 milhões de mortes em 2018, sendo o câncer de próstata responsável por 1,28 milhão de casos novos, segundo relato da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 65.840 novos casos para 2020, com 15.576 mortes, sendo o 2º tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros (o 1º é o câncer de pele não melanoma). É predominante na terceira idade, visto que mais de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.

A próstata é uma glândula existente apenas no homem, do tamanho de uma castanha, localizada abaixo da bexiga e a frente do reto, tendo como principal função auxiliar na produção de sêmen. Esta glândula pode desenvolver 3 doenças: a prostatite (inflamação que atinge 30% dos homens), a hiperplasia prostática benigna (HPB) e o câncer.

O câncer de próstata se apresenta normalmente assintomático em sua fase inicial, quando existem sintomas, estes são semelhantes ao do crescimento benigno da próstata, quais sejam: dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou noite e, inclusive, surgimento de sangue na urina. Em fase mais avançada: dores ósseas, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Segundo relato do INCA, o seu diagnóstico precoce, assim como em outros tipos de câncer, é responsável por 90% das curas. Entretanto, ainda se reveste de imenso “tabu” o exame de toque retal, utilizado para se prover um diagnóstico em conjunto com o exame de sangue para avaliar a dosagem de PSA (Antígeno Prostático Específico) e, em se reforçando a suspeita, a biopsia de confirmação. O diagnóstico pode ser fechado com a utilização de exames complementares de imagem.

Desde 2009, através da Portaria nº1994, o Ministério da Saúde instituiu, no âmbito do SUS, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem.

Ao tempo que precisamos tocar nossas vidas com as limitações que o “novo agora” nos impõe, ainda precisamos nos cuidar com relação as outras doenças que continuam a existir. Para tanto, a prevenção e o diagnóstico precoce são os remédios mais eficazes.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...