Me reporto a esta figura histórica, mundialmente conhecida e laureada, ainda a seu trabalho basilar para nos situar perante o momento em que vivemos. Se esta pandemia já provocou, globalmente, mais de 1 milhão de vítimas fatais, mais de 10% em nosso país, o segundo no mundo em óbitos e continua a avançar com segundas ondas em vários países da Europa, como Grã-Bretanha, Alemanha, França e Espanha, além de uma onda intermitente em diversos estados dos EUA, ela também assusta por provocar o negacionismo, as narrativas distantes da ciência, o radicalismo político e, por vezes, a sordidez humana expressa em discursos e atitudes claramente calcados em interesses menores.
Seria o sentido da vida neste momento buscar uma vacina salvadora ou cura miraculosa para podermos voltar as nossas rotinas? Mas se assim o é, o que levaria o governo federal a desautorizar o Ministro da Saúde a adquirir 46 milhões de doses da vacina Coronavac (parceria do governo do estado de São Paulo através do Instituto Butantã e governo chinês com transferência de tecnologia) alegando falta de credibilidade técnica, por ser oriunda da China, sendo que, a vacina de Oxford (parceria do governo federal através da Fio Cruz com transferência de tecnologia) utiliza insumos chineses na sua elaboração e ambas estão em terceira fase de testes em humanos?
Oras, mas nossa vida pregressa não causou esta pandemia? Senão vejamos, suas causas concretas são: a superpopulação do planeta, a desigualdade social, a degradação ambiental, a falta de acesso ao saneamento básico e a água potável de boa parte da população, os maus hábitos de higiene, a fragilidade dos sistemas de saúde, as ações de governança ineficazes, o radicalismo, a falta de empatia, de solidariedade e o egoísmo. Portanto, a culpa não é da China, os reais culpados são os seres humanos e suas ações nefastas para o planeta, para os outros e para si mesmos. É razoável acreditar que, se estes condicionantes não forem alterados, em algum lugar surgirá um vírus e uma doença que desencadeará uma pandemia ainda mais terrível que esta.
O distanciamento social, a alteração brusca de nossas vidas, o temor pela doença, pelo desemprego e pelo futuro nos faz, obrigatoriamente, pararmos e pensarmos sobre o sentido das coisas. Mas como entender, dar credibilidade ao que está acontecendo e as razões para este fato histórico, se somos impactados diariamente por narrativas dissonantes? O mundo está mostrando a sua cara e, infelizmente, alguns que confiamos a nos liderar ou exercem a formação de opinião, optaram por seus próprios interesses.
O sentido das coisas pode estar focado nesta conscientização, sobre o que é a doença, acompanhando a ciência no entendimento de sua gravidade, respeitando a sua vida e a do próximo ao adotar o uso da máscara, medidas de higiene e de distanciamento social, compreendendo o significado do “novo agora” e o quanto ele depende de nossas ações responsáveis.
De outra forma, cobrar dos governos atitudes igualmente responsáveis. Olha só, se a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou em 23/10 que: “o Brasil não deve baixar a guarda e, apesar da redução de mortes nos últimos dias, existe um risco real de que uma segunda onda da Covid-19 seja tão forte como a primeira”, ainda que: “ninguém está fora de risco e o que aprendemos, certamente no Hemisfério Norte, é que segundas ondas não apenas são possíveis, mas fortemente provável em qualquer lugar”. Pensando neste alerta, será que a ocupação de nossos equipamentos turísticos no feriadão de 12/10 foi sustentável sanitariamente? Estamos tomando os cuidados preconizados pela OMS?
O sentido das coisas pode estar focado no trabalho e nas transformações que está sofrendo, o home office e a era digital que já estava aí, tende a se ampliar de maneira avassaladora, modificando e inovando processos. Se o momento é de transformação, na forma e nas relações de trabalho, a despeito da depressão econômica global que deve se inserir como uma onda paralela a esta pandemia, historicamente as grandes oportunidades são aderentes a estes eventos e estão a espreita de quem entende o “novo mundo” e suas necessidades.
De forma mais ampla, o sentido da vida nesta pandemia pode estar calcado em observar e analisar todas estas situações que aqui relatei, entendendo o que é certo e errado e para tanto a ciência, a história e a busca de variadas fontes de informação é salutar. Estar aberto para entender as dificuldades do momento e a se preparar para elaborar soluções profissionais, familiares e de outras ordens. Ter a vontade de se repensar, de se transformar e contribuir para a transformação do mundo e das pessoas, afinal, esta pandemia há de se encerrar, mas que outras piores não a sucedam, mas para isso, um mundo mais justo e formado por pessoas melhores, precisa florescer.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!
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