terça-feira, 27 de outubro de 2020

O SENTIDO DA VIDA EM TEMPOS DE PANDEMIA



Viktor Emil Frankl (1905-1997), médico neurologista e psiquiatra austríaco, fundador da 3ª Escola Vienense de Psicoterapia, escreveu em 1946 o best seller “Em busca de sentido”, retratando suas experiências como judeu e prisioneiro que foi em 4 campos de concentração nazistas, inclusive o de Auschwitz, de 1942 até o final da 2ª Grande Guerra em 1945. Nesta mesma condição, perderam a vida sua esposa que estava grávida, seus pais e seu irmão. Através destas experiências, elaborou o seu método psicoterapêutico baseado em como encontrar uma razão para viver.

Me reporto a esta figura histórica, mundialmente conhecida e laureada, ainda a seu trabalho basilar para nos situar perante o momento em que vivemos. Se esta pandemia já provocou, globalmente, mais de 1 milhão de vítimas fatais, mais de 10% em nosso país, o segundo no mundo em óbitos e continua a avançar com segundas ondas em vários países da Europa, como Grã-Bretanha, Alemanha, França e Espanha, além de uma onda intermitente em diversos estados dos EUA, ela também assusta por provocar o negacionismo, as narrativas distantes da ciência, o radicalismo político e, por vezes, a sordidez humana expressa em discursos e atitudes claramente calcados em interesses menores.

Seria o sentido da vida neste momento buscar uma vacina salvadora ou cura miraculosa para podermos voltar as nossas rotinas? Mas se assim o é, o que levaria o governo federal a desautorizar o Ministro da Saúde a adquirir 46 milhões de doses da vacina Coronavac (parceria do governo do estado de São Paulo através do Instituto Butantã e governo chinês com transferência de tecnologia) alegando falta de credibilidade técnica, por ser oriunda da China, sendo que, a vacina de Oxford (parceria do governo federal através da Fio Cruz com transferência de tecnologia) utiliza insumos chineses na sua elaboração e ambas estão em terceira fase de testes em humanos?

Oras, mas nossa vida pregressa não causou esta pandemia? Senão vejamos, suas causas concretas são: a superpopulação do planeta, a desigualdade social, a degradação ambiental, a falta de acesso ao saneamento básico e a água potável de boa parte da população, os maus hábitos de higiene, a fragilidade dos sistemas de saúde, as ações de governança ineficazes, o radicalismo, a falta de empatia, de solidariedade e o egoísmo. Portanto, a culpa não é da China, os reais culpados são os seres humanos e suas ações nefastas para o planeta, para os outros e para si mesmos. É razoável acreditar que, se estes condicionantes não forem alterados, em algum lugar surgirá um vírus e uma doença que desencadeará uma pandemia ainda mais terrível que esta.

O distanciamento social, a alteração brusca de nossas vidas, o temor pela doença, pelo desemprego e pelo futuro nos faz, obrigatoriamente, pararmos e pensarmos sobre o sentido das coisas. Mas como entender, dar credibilidade ao que está acontecendo e as razões para este fato histórico, se somos impactados diariamente por narrativas dissonantes? O mundo está mostrando a sua cara e, infelizmente, alguns que confiamos a nos liderar ou exercem a formação de opinião, optaram por seus próprios interesses.

O sentido das coisas pode estar focado nesta conscientização, sobre o que é a doença, acompanhando a ciência no entendimento de sua gravidade, respeitando a sua vida e a do próximo ao adotar o uso da máscara, medidas de higiene e de distanciamento social, compreendendo o significado do “novo agora” e o quanto ele depende de nossas ações responsáveis.

De outra forma, cobrar dos governos atitudes igualmente responsáveis. Olha só, se a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou em 23/10 que: “o Brasil não deve baixar a guarda e, apesar da redução de mortes nos últimos dias, existe um risco real de que uma segunda onda da Covid-19 seja tão forte como a primeira”, ainda que: “ninguém está fora de risco e o que aprendemos, certamente no Hemisfério Norte, é que segundas ondas não apenas são possíveis, mas fortemente provável em qualquer lugar”. Pensando neste alerta, será que a ocupação de nossos equipamentos turísticos no feriadão de 12/10 foi sustentável sanitariamente? Estamos tomando os cuidados preconizados pela OMS?

O sentido das coisas pode estar focado no trabalho e nas transformações que está sofrendo, o home office e a era digital que já estava aí, tende a se ampliar de maneira avassaladora, modificando e inovando processos. Se o momento é de transformação, na forma e nas relações de trabalho, a despeito da depressão econômica global que deve se inserir como uma onda paralela a esta pandemia, historicamente as grandes oportunidades são aderentes a estes eventos e estão a espreita de quem entende o “novo mundo” e suas necessidades.

De forma mais ampla, o sentido da vida nesta pandemia pode estar calcado em observar e analisar todas estas situações que aqui relatei, entendendo o que é certo e errado e para tanto a ciência, a história e a busca de variadas fontes de informação é salutar. Estar aberto para entender as dificuldades do momento e a se preparar para elaborar soluções profissionais, familiares e de outras ordens. Ter a vontade de se repensar, de se transformar e contribuir para a transformação do mundo e das pessoas, afinal, esta pandemia há de se encerrar, mas que outras piores não a sucedam, mas para isso, um mundo mais justo e formado por pessoas melhores, precisa florescer.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

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terça-feira, 20 de outubro de 2020

O BRASIL NO “NOVO AGORA” E O TURISMO SUSTENTÁVEL

 



Essa pandemia que assola o mundo e que teve o seu início em 30 de dezembro de 2019, quando do surgimento do SARS-COV-2 e da COVID-19 em Wuhan na China, já contaminou quase 40 milhões de pessoas, mais de 5 milhões no Brasil, vitimando mais de 1 milhão, um pouco mais de 151 mil em nosso país. A cada dia conhecemos um pouco mais sobre este vírus e esta doença, nos alarmamos com a possibilidade de reinfecção, com as sequelas temporárias e definitivas, pouco sabemos ainda sobre os percentuais para “imunização de rebanho” e nem quanto tempo esta imunização da população duraria, especula-se de 3 a 6 meses. Alguns países da Europa vivem uma segunda onda, Reino Unido, França, Espanha e Alemanha já discutem novas medidas restritivas de convívio social, de outra maneira, os EUA continuam o seu calvário pandêmico, com surtos intermitentes em diversos estados o que deve se agravar com a chegada do inverno no Hemisfério Norte.

Perante este quadro que traz referências históricas da Peste Negra (século XIV), da Gripe Espanhola (1918-1920), a despeito da evolução da ciência e da tecnologia, acaba ganhando maior dimensão que estes outros eventos históricos pandêmicos em função da globalização que vivemos, isto democratiza os problemas, exige que as soluções abranjam todos os países e provoca eventos correlatos de crise econômica, social, política, assim como transformações na forma e nas relações de trabalho. Já se fala em uma depressão mundial para este e os próximos anos maior que a depressão dos anos 30, provocada pelo “crash” da bolsa de valores de Nova Iorque (1929).

O mundo vive a expectativa de uma “salvadora” vacina. Das 185 em desenvolvimento, 35 estão em fases mais avançadas e 9 em terceira fase de testes em humanos, espera-se ansiosamente a sua chegada para final de 2020 e primeiro semestre de 2021, mas lembro que a logística de produção, aplicação e imunização pode demorar até final de 2021 e início de 2022, para então pensarmos no encerramento desta pandemia.

O Brasil que vive uma acefalia do Ministério da Saúde (MS) nunca vista desde a sua criação em 1953, já cometeu todos os erros possíveis, se aliou a curas milagrosas e a narrativas que pregam o negacionismo científico. Este conjunto de atitudes se espelha no fato do país ser o 3º em número de casos e o 2º em óbitos. Aqui se diz que o ano começa após o carnaval, 2020 se encerrou após as “festas de momo”, com o primeiro caso relatado em 26/02. Neste momento estamos em fase de desaceleração de contágio, entretanto, fechamos em patamar alto de casos e óbitos, o que é preocupante. A despeito disso tudo, nossas vidas precisam continuar, com cuidados e responsabilidade perante o “novo agora” e assim será nossa temporada de verão, tão importante para a economia de nosso país e para nós, anda mais em um ano que não existiu.

É razoável acreditar que o turismo internacional pouco dará as caras nesta temporada 2020/2021, o carnaval do Rio de Janeiro e de outros locais sendo desmarcados, as festas de reveillón sendo redimensionadas para evitar afluxo de público e cruzeiros marítimos sendo cancelados, sinalizam esta evidência. Entretanto, a EMBRATUR já se manifestou sobre o grande aquecimento do turismo regional nesta temporada, o feriadão de 12 de outubro comprovou isto com uma grande visitação nas cidades litorâneas.

É lamentável que o MS em conjunto com as Secretarias de Estado da Saúde não esteja desenvolvendo um inventário epidemiológico, através de testes sorológicos que identifiquem qual parcela da população está imunizada, além de prover maiores elementos sobre esta pandemia. Continuamos a trabalhar com o fato consumado, com o crescimento da ocupação de leitos de UTI e teremos um sinal da evolução da Covid-19 passados 15 dias deste feriadão, com o ciclo de contaminação dando cores a esta ocupação irrestrita e desprovida de fiscalização de nossos equipamentos turísticos.

As pessoas precisam passear, viajar, ir às compras e, certamente, o farão. Acredito piamente em uma temporada superaquecida, entretanto, a dor de cada qual neste momento é o temor, pela vida, pelo trabalho, pelo futuro, sendo o remédio para isto a segurança. Mesmo os negacionistas, carregam consigo este sentimento, portanto, os que menos se cuidam serão os primeiros a “apontar o dedo” para os destinos turísticos que elevarem seus números de casos e causarem insegurança.

Soma-se a esta realidade, toda uma legislação pandêmica criada em nosso país à partir da manifestação da Organização Mundial da Saúde de Emergência Sanitária de Importância Internacional pelo Coronavírus (30/01) e também o fato de, desde 29/04, existir jurisprudência criada pelo STF que a Covid-19 é doença ocupacional.

Ciente destes fatos, a SANTUR está criando para Santa Catarina protocolos sanitários com certificação para seu trade turístico, a cidade de Foz do Iguaçu (PR) fez algo similar, anteriormente, e se tornou um “case” de sucesso, elevando sua ocupação hoteleira.

Portanto entendo que precisamos tocar nossas vidas na toada do “novo agora”, com cuidados e responsabilidade. A temporada de verão será um imenso sucesso do turismo regional, entretanto, há necessidade de elaboração e cumprimento de protocolos sanitários por parte dos governos municipais e pelos empreendedores, com treinamento adequado dos colaboradores e todo o zelo para garantir a biossegurança de todos, assim como, a segurança jurídica de quem emprega. Afinal, todos precisam se divertir, mas com segurança.

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terça-feira, 13 de outubro de 2020

OUTUBRO ROSA EM TEMPOS DE PANDEMIA



A pandemia da Covid-19, que iniciou na China em 30 de dezembro de 2019, bagunçou a vida de todos por todo o mundo, modelos econômicos foram subjugados, fragilidades conjunturais nos sistemas de saúde e outras tantas relativas a integridade da saúde física e mental das pessoas foram descortinadas, a forma e as relações de trabalho sofrem importantes alterações, assim como, crises paralelas de dimensões incalculáveis estão sendo germinadas, tanto na economia, como também na própria área da saúde, afinal, quantas pessoas deixaram de ser assistidas em virtude de outras patologias.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) se pronunciou a poucos dias com relação a sua preocupação pelo aumento de casos de depressão, transtornos de ansiedade e suicídios, visto os efeitos maléficos para o organismo ditados pelo isolamento social, pelo mecanismo do estresse a atuar ininterruptamente no corpo humano em virtude do temor, seja pela doença, pelo desemprego e pelo futuro. Este mecanismo do estresse, quando o organismo humano sob pressão estimula a glândula suprarrenal a liberar adrenalina e cortisol, hormônios que alteram os circuitos metabólicos humanos, também pode provocar ou potencializar outras patologias. Portanto, o quadro provocado por esta pandemia vai além dos indicadores de contaminados e de óbitos, afinal, este evento com referências históricas, é sem precedentes nos malefícios correlatos.

Estando no “novo agora”, onde todos buscamos tocar nossas vidas com cuidados sanitários e responsabilidade, visto que esta pandemia só começará a se encerrar com o advento da vacina, aguardada para final de 2020 e início de 2021, vivenciamos o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e mais recentemente do câncer de colo de útero.

“Quanto antes, melhor”, o slogan da campanha Outubro Rosa de 2020 da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) dá o recado preciso, prevenir o câncer ao diagnosticá-lo prematuramente é responsável por 95% de curas relatadas.

Este movimento surgiu em1990, quando aconteceu a primeira corrida pela cura, em Nova Iorque (EUA) e desde então é promovida anualmente na cidade. Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi (EUA) escolheram o mês de outubro para promover ações com foco no diagnóstico precoce e prevenção da doença, tendo se disseminado por diversos estados americanos e, posteriormente, no formato de campanha, sendo aprovada pelo Congresso Americano, o qual instituiu este mês para epicentro das ações e como símbolo, o laço rosa lançado na primeira corrida pela cura.

No Brasil, o Outubro Rosa iniciou em 2002, com a iluminação, em rosa, do Obelisco do Ibirapuera, se disseminando pelo país em 2008. Em 2011 foi incluído na campanha o diagnóstico precoce e a prevenção do câncer de colo de útero. Esta campanha está incorporada pelo Ministério da Saúde (MS), com ações de conscientização e de disponibilização de exames, sendo mais utilizados a mamografia e a ultrassonografia para o diagnóstico de câncer de mama, e o Papanicolau para o câncer de colo de útero. Diversas entidades participam, com relevo para a SBM e o Instituto Brasileiro do Câncer (INCA).

A SBM preconiza a importância de as pessoas adotarem um estilo de vida saudável com a prática de atividades físicas e alimentação adequada, isto evita uma série de doenças, inclusive o câncer. Soma-se a estas atitudes o entendimento, por parte da mulher, da importância de se apalpar os seios na frente do espelho e na identificação de irregularidades ou nódulos, procurar imediatamente o auxílio médico. Ainda ter uma rotina de visita ao ginecologista, ao menos anual, efetuando exames que podem identificar precocemente um câncer de colo de útero ou de mama.

O câncer é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células, provocada por fatores internos que normalmente estão associados a agentes externos. Dos fatores internos sobressaem os genéticos, hormonais e imunológicos, sendo que os genéticos/hereditários são responsáveis por 5% a 10% dos casos. A idade também é um fator interno importante e os cuidados precisam ser redobrados a partir dos 40 anos. Entre 80% e 90% dos casos estão associados causas externas, sendo as mais presentes: sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, excesso de peso, maus hábitos alimentares e de vida. No câncer de colo de útero, além destes fatores, sobressai a infecção pelo vírus Papiloma Humanus (HPV) e por outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), com relevo para a Clamídia, ainda o uso incorreto de anticoncepcionais e múltiplas gestações.

Segundo a OMS, o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo, em 2018 foram 9,6 milhões de mortes. O câncer de mama apresentou 2,09 milhões de casos, com 16% de letalidade (627 mil mortes). O INCA relata no Brasil (1980 a 2014), 285.165 mortes por câncer de mama, estima-se mais de 66 mil casos novos em 2020. Santa Catarina é um dos estados com maior incidência de câncer de mama, em 20 anos houve um aumento de 158% e, segundo o INCA, em 2020 serão mais 3.370 casos novos.

A campanha deste ano está ofuscada pela pandemia e pelas eleições municipais, segundo pesquisa do IBOPE contratada pela farmacêutica Pfizer e executada entre 11 e 20 de setembro com 1.400 mulheres, 62% destas com idade de 20 a 59 anos pararam de ir ao ginecologista ou ao mastologista, este número aumenta para 73% na faixa etária acima dos 60 anos. Isto é preocupante e vislumbra o que há por vir.

Esta pandemia terá o tempo do seu desfecho, o “novo agora” é um momento de transição responsável e de reflexão, mas não podemos descuidar da nossa saúde geral, afinal, o câncer tem cura e a prevenção associada ao diagnóstico precoce, é o melhor remédio.

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terça-feira, 6 de outubro de 2020

NO BRASIL DA PANDEMIA, O NOVO AGORA E SEUS DESAFIOS



 Esta pandemia da Covid-19 ainda não se encerrou e, segundo a Organização Mundial da Saúde, isto deve se encaminhar com a existência da vacina, mesmo assim devendo se encerrar apenas em 2022. Perante quase 35 milhões de casos mundo afora e mais de 1 milhão de mortes, os mais de 23 milhões de recuperados nos servem de conforto, mas a experiência relatada pela história, de outras pandemias, nos impõe ficar atentos para outras ondas da doença. Na Europa isto está acontecendo, em países como a França, o Reino Unido e a Espanha, os EUA são um caso à parte, onde diversos estados apresentam surtos intermitentes. No Brasil, a pandemia se apresenta em fase de desaceleração de contágio e de óbitos, entretanto nos alarmamos com uma segunda onda a assolar o estado do Amazonas, um dos primeiros a ser atingido e um dos mais afetados.


Entender o que está acontecendo e não trilhar o caminho do negacionismo científico é uma lição de sabedoria que outros momentos históricos similares nos deixaram como legado, esta atitude preserva vidas e nos facilita a reinvenção pessoal e profissional que este mundo em transformação nos impõe. De outra maneira, o “novo agora” deve ser encarado com otimismo, esperança e motivação, perante as oportunidades que este momento de transição irá nos proporcionar.

Desde a Peste Negra, no século XIV, que dizimou 1/3 da população da Europa, passando pela Gripe Espanhola, pós 1ª Guerra Mundial, a história nos relata reações similares das pessoas perante estes momentos críticos, assim como nos faz entender como superá-los. A Bíblia Sagrada, escrita a mais de 2 mil anos, livro mais lido e conhecido do mundo, em Mateus 6:34, nos dá uma grande dica a ser seguida: “Não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta a cada dia o seu desafio.”

O “novo agora” nos impõe um desafio inicial e maior de tocarmos nossas vidas conciliando nossa biossegurança e a de colaboradores; para empreendedores, ainda a biossegurança de consumidores e a segurança jurídica nas relações trabalhistas, afinal, toda uma legislação foi criada nesta pandemia e, desde 29/04, o Supremo Tribunal Federal criou jurisprudência como a Covid-19 sendo uma doença ocupacional. Portanto, a largada para este “tocando a vida” passa pelo uso da máscara, higienização constante das mãos, utilização do álcool em gel, medidas preventivas de distanciamento social e para os empregadores, entendimento da legislação pandêmica, criação de protocolos sanitários e aplicação de rotinas que gerem segurança. Segurança é o remédio para a grande dor da população neste momento: o temor, seja da doença, do desemprego e do futuro; remédio que, se bem aplicado, pode ser um grande diferencial, inclusive, para atrair novos clientes.

A era digital, que já estava aí, ganhou imenso relevo, o home office já faz parte desta nova rotina de trabalho e não acredito que será descartado, nem após o encerramento desta pandemia. Nas empresas, novos postos de trabalho estão sendo criados, mas claro que o risco do enxugamento do corpo de colaboradores e do desemprego é concreto, visto a crise econômica que caminha paralela a esta pandemia e, certamente, será potencializada a níveis incalculáveis neste mundo globalizado. A história novamente pode nos socorrer com um evento que julgo de igual dimensão em consequências futuras: o “crach” da bolsa de valores de Nova Iorque (1929), que gerou a grande depressão dos anos 30. Mas, olhando a história com otimismo e verdade, percebemos que este evento modificador, igualmente abriu um celeiro de oportunidades e, perante ações de governança impostas pelas dificuldades, o liberalismo moderno foi definido e um ciclo de prosperidade se sucedeu.

É inegável que o sistema educacional foi impactado e está sofrendo profundas alterações, imagino que o seu retorno presencial em final 2020 e início de 2021 seja marcado por protocolos de biossegurança e por uma ampliação, ainda a ser dimensionada, do uso de plataformas digitais e do meio virtual.

Falei bastante sobre a ampliação do uso do meio virtual, me parece óbvio que profissionais que ofertem serviços relacionados, serão supervalorizados, assim como profissionais liberais e empreendedores que entenderem a importância destas ferramentas se diferenciarão. Mesmo as eleições municipais de 2020 estarão marcadas pelo uso dos meios digitais, será uma eleição atípica. Será que os candidatos que entenderem isto e souberem melhor usar estas ferramentas, não encontrarão um caminho para o sucesso?

Nos aproximamos do final do ano e da temporada de verão, nosso país tem o turismo como uma de suas principais atividades econômicas. O carnaval está sendo desmarcado em diversos locais, a começar pelo Rio de Janeiro, o reveillón está sendo igualmente cancelado em grandes centros ou reestruturado para evitar o afluxo de público. É sensato afirmar que o turismo internacional dificilmente se fará presente nesta temporada 2020/2021, contudo, o turismo regional tende a ser potencializado, afinal, as pessoas estão avidas de sair, de viajar, de se divertir, de ir as compras, mas convive com este sentimento um outro que já citei, a maior dor da população destes tempos, o temor.

Acredito em uma temporada de verão em ritmo pandêmico, onde as medidas sanitárias terão de ser redimensionadas e os protocolos preparados para permitir uma ocupação sanitária sustentável de praias e de outros aparelhos turísticos, sob pena de termos crescimento nos indicadores de contágio e de óbitos com o surgimento de novas ondas. Portanto, esta temporada 2020/2021 será totalmente atípica, onde, reitero, o remédio da segurança tende a ser o grande diferencial para atrair visitantes e consumidores.

O “novo agora” nos exige entendimento deste novo mundo, cuidados e responsabilidade, mas tenham otimismo, pois, certamente, é um celeiro de oportunidades.

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terça-feira, 29 de setembro de 2020

O BRASIL DA PANDEMIA ASSISTE COM INDIGNAÇÃO A AMAZÔNIA E O PANTANAL QUEIMAREM


 Esta pandemia da Covid-19 maculou 2020 como o ano em que o mundo parou, em que as pessoas foram obrigadas a se recolherem em seus lares, os modelos econômicos foram subjugados pelo SARS-Cov-2, a forma e as relações de trabalho estão sofrendo transformações, talvez apenas vistas na Revolução Industrial (1760 a 1840).


Os números continuam avassaladores, se o otimismo nos preenche com mais de 22 milhões de recuperados mundo afora, mais de 32 milhões foram infectados e quase 1 milhão perderam suas vidas. O Brasil, 2º país em número de casos e de óbitos, que neste momento se apresenta em fase de desaceleração da contaminação, se conforta com quase 4 milhões de recuperados, mas se entristece por mais de 4,6 milhões de contaminados e pelas mais de 140 mil mortes. Estamos ansiosos e esperançosos por uma vacina, a qual deve estar disponibilizada para início de 2021, mas precisamos estar conscientes que a logística de produção e imunização é complexa, e o seu resultado deve se apresentar para o final de 2021.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já se pronunciou, mesmo com o advento da vacina, deveremos ter o encerramento desta pandemia apenas em 2022. Portanto, viveremos até lá perante um “novo normal”, que impõe ações de governança para conter a evolução da contaminação e o uso da máscara, higiene constante das mãos, evitar aglomerações, enfim, tocar a vida com cuidados e responsabilidade.

O momento nos impõe pensar nas reais causas desta pandemia, quais sejam: a superpopulação do planeta, as atitudes de higiene falhas ou inexistentes, a fragilidade dos sistemas de saúde, a desigualdade social, a falta de acesso à água potável de grande parcela da população global e a destruição de nosso planeta, com relevo para degradação da fauna e flora. Com relação a esta última causa, o Brasil assiste com perplexidade e imensa tristeza o aumento das queimadas na Amazônia, no Cerrado e agora no Pantanal.

Nosso país detém a maior parcela de biodiversidade, em torno de 15 a 20% do total mundial de toda a flora, além de possuir cerca de 55 mil espécies vegetais catalogadas, representando a maior diversidade genética vegetal do mundo, com relevo para o fato que, apenas 8% foram estudadas para pesquisa de compostos bioativos e 1.100 espécies foram avaliadas em suas propriedades medicinais.

A floresta Amazônica representa 1/3 das florestas tropicais do mundo, 10% de toda a biomassa do planeta e as queimadas com o consequente desmatamento na região representam, neste momento, a liberação de 200 milhões de toneladas de carbono por ano (2,2% do fluxo total global), contribuindo com este ato deletério para o aumento do aquecimento global e a destruição da camada de ozônio. Ainda produz imensa quantidade de água para o país, através dos chamados “rios voadores”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água gerados pela evapotranspiração na Amazônia, consequentemente, com o desmatamento, haverá alteração climática e diminuição no volume de chuvas predominantemente nos estados do Sudeste, do Centro-Oeste e do Sul.

As queimadas sucedem ao desmatamento, afinal, é caro desmatar, cada 100 hectares custam cerca de 100 mil reais, portanto, quem desmatou provoca as queimadas para a limpeza do local desmatado. Segundo dados da plataforma MapBiomas Alerta, termômetro do desmatamento, em 2019, mais de 99% dos desmatamentos foram irregulares.

O desmatamento e as queimadas na Amazônia, estão intimamente associadas à especulação e grilagem de terras públicas, a exploração predatória da madeira e outras atividades ilegais. É contumaz conotar o agronegócio como o grande vilão, entretanto, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), isto não condiz com a realidade, até porque a imagem do Brasil no exterior está bastante desgastada por estes eventos nefastos e este setor depende sobremaneira da exportação de seus produtos. Continua esta pesquisa, que no ano de 2019 se ampliou sobremaneira o desmatamento na região, com indicadores não vistos desde 2017, o que prosseguiu por 2020, sendo que, em 12 meses, a partir de agosto de 2019 houve um aumento de 34%.

Na origem desta ação nociva a todos, está a irresponsabilidade e atos criminosos de pessoas sem qualquer senso coletivo ou de respeito ao planeta, mas prossegue a pesquisa da USP, denunciando o desmantelamento das políticas de proteção ambiental por parte do governo federal, a ausência de fiscalização ou ineficácia deste processo e o consequente não cumprimento dos tratados internacionais de preservação do meio ambiente e de diminuição na emissão de gases poluentes.

Este crime contra o meio ambiente e a humanidade que ocorre de maneira continuada e agora ampliada na Amazônia e no Cerrado, neste momento, se propaga para o Pantanal mato-grossense, outra região diferenciada por sua beleza e por seu bioma, onde sobressaem animais em risco de extinção. Os motivos e os agentes causadores, me parece óbvio, que são similares aos da Amazônia.

Neste momento pandêmico, de se reinventar perante o novo mundo que já está aqui, de se cuidar e de tocar nossas vidas com responsabilidade, é imperativo que também seja o momento para pensarmos nos fatores que nos levaram ao que vivemos. As narrativas governamentais dissociadas da realidade sabemos que continuarão a ocorrer, entretanto, cabe a nós cobrarmos pela preservação de nossas riquezas naturais, por atitudes que levem a um mundo melhor e com otimismo agirmos no sentido destes objetivos.

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terça-feira, 22 de setembro de 2020

NO “NOVO NORMAL”, OS CAMINHOS DE VIVER, DE TRABALHAR COM SEGURANÇA E ATINGIR O SUCESSO

 



Quando nos referimos a pandemia da Covid-19, a história é o melhor alicerce para entendermos o seu desenrolar, as atitudes das pessoas e dos governos, o seu tempo de duração e as consequências destes momentos difíceis.

Podemos nos reportar a Peste Negra ou Peste Bubônica (1343-1356), que dizimou 1/3 da população da Europa e provocou a grande crise da Baixa Idade Média, ainda a Gripe Espanhola (janeiro de 1918 a dezembro de 1920), no pós 1ª Grande Guerra, vitimando mais de 50 milhões de pessoas, 35 mil no Brasil, ainda no “crash” (quebra) da bolsa de valores de Nova Iorque de 1929, motivadora da Grande Depressão dos anos 30 e um dos fatores a desencadear a 2ª Grande Guerra. Todos estes eventos dramáticos se encontram no medo que causam nas pessoas e deste se originam atitudes as mais diversas, a começar pela negação dos fatos, o distanciamento da ciência e a busca de curas milagrosas. Claro que os erros e as fragilidades dos governos se desnudam, a desigualdade social aflora de maneira implacável, assim como a saúde das pessoas é terrivelmente abalada pela ação continuada do mecanismo do estresse, esta defesa do organismo contra as adversidades, a qual já dediquei uma coluna e que, quando acionado continuamente, pode provocar problemas orgânicos e mentais importantes.

De outra medida, estes eventos históricos também se encontram no fato de provocarem profundas alterações nas relações de trabalho e no mundo de maneira geral, se transformando num imenso palco para quem entende o momento histórico e identifica as grandes oportunidades que apenas estes propiciam.

A pandemia da Covid-19 une um evento histórico sanitário, com outro correlato de ordem econômica e social, visto a globalização, portanto, problemas desta ordem são compartilhados por todos os países, assim como as soluções precisam sê-las.

É inegável que esta pandemia só começará a ser controlada a partir do advento da vacina que, com otimismo, a ciência aguarda para o primeiro semestre de 2021 o início da imunização das pessoas, mas existe uma complexa logística de produção, distribuição e aplicação, ainda há o tempo para surtir seu efeito e isto pode se arrastar até final de 2021 e início 2022. Estamos conhecendo o SARS-Cov-2 e a Covid-19, a ciência evoluiu nos protocolos médicos, vidas estão sendo salvas por isto, entretanto, muito ainda temos que aprender sobre suas sequelas, o tempo para a imunização de rebanho, cientificar medicamentos de combate seguros, é cedo para pensarmos no fim deste terrível momento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mesmo com o advento da vacina, levará por volta de 2 anos para esta pandemia se encerrar, isto é perceptível, por exemplo, no aumento de casos e óbitos que visualizam uma possível 2ª onda na França, na Espanha, na Coreia do Sul, além de uma onda intermitente em alguns estados dos EUA. Continua a OMS, que o mundo deve permanecer em alerta, se faz imprescindível o uso da máscara, adotar as atitudes de higiene preconizadas e manter o distanciamento social, entretanto não indica o retorno do distanciamento social mais amplo, a não ser em situação extrema.

O Brasil apresenta um quadro de diminuição de casos e de óbitos, o que é muito bom, contudo, como foi contextualizado anteriormente, a pandemia não se encerrou, precisamos continuar alertas, os governos precisam ampliar as testagens da população e aperfeiçoar a governança desta crise, e sim, teremos uma temporada de verão em ritmo pandêmico.

O momento se faz de tocarmos nossas vidas com responsabilidade e cuidados perante o “novo normal”, mas nossas ações estão balizadas pela declaração da OMS (30/01) de Emergência Sanitária de Interesse Internacional do Coronavírus, a qual desencadeou toda uma legislação específica nos países. No Brasil, a partir da Portaria GM/MS nº 188/2020 (Emergência Sanitária), temos, com relevo, a Lei nº 13.979/2020 (Quarentena), a DLG nº 6/2020 (Calamidade Pública), a Portaria conjunta dos Ministérios da Economia e da Saúde nº 20/2020 (regra o trabalho na pandemia), a Lei nº 14.020/2020 (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda) e Decretos regrando as atividades essenciais em nível federal, estadual e municipal. Importante lembrar que, em 29/04, o Supremo Tribunal Federal criou jurisprudência que a Covid-19 é uma doença ocupacional.

Perante esta situação, o trabalho na pandemia impõe o desafio de resguardar a biossegurança de colaboradores e consumidores, contudo, os empregadores tem sofrido diversos reveses, talvez o maior deles com relação a segurança jurídica. Se em março tínhamos 2.607 ações trabalhistas no Brasil, em abril houve um aumento de quase 500% e assim se sucedeu nos outros meses. Neste momento, o Termômetro Covid, plataforma virtual da Justiça do Trabalho que permite acompanhar em tempo real as ações trabalhistas, identifica 105.218 ações, com mais de 7 bilhões de reais no valor total das causas. Santa Catarina, segundo estado mais atingido, tem mais de 11 mil ações, totalizando quase 270 milhões de reais.

Mas para todo mal há um remédio, nestes tempos pandêmicos e em uma temporada que assim o será, visto que a dor da população é o temor da doença, da morte, do desemprego, o empreendedor que entender isto e oferecer esta segurança para seus colaboradores e consumidores, divulgando este diferencial, certamente estará “saindo da caixa”, se distinguindo, através do mote da segurança atraindo e fidelizando clientes.

Claro que existe a necessidade de se investir na expertise de protocolos sanitários, treinamento de colaboradores, na assessoria qualificada para estas e outras ações, como também para o resguardo jurídico do empregador, mas a área da saúde ensina que salvar vidas é investir na prevenção para não ter que mitigar a doença ou conviver com a morte.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

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