terça-feira, 13 de outubro de 2020

OUTUBRO ROSA EM TEMPOS DE PANDEMIA



A pandemia da Covid-19, que iniciou na China em 30 de dezembro de 2019, bagunçou a vida de todos por todo o mundo, modelos econômicos foram subjugados, fragilidades conjunturais nos sistemas de saúde e outras tantas relativas a integridade da saúde física e mental das pessoas foram descortinadas, a forma e as relações de trabalho sofrem importantes alterações, assim como, crises paralelas de dimensões incalculáveis estão sendo germinadas, tanto na economia, como também na própria área da saúde, afinal, quantas pessoas deixaram de ser assistidas em virtude de outras patologias.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) se pronunciou a poucos dias com relação a sua preocupação pelo aumento de casos de depressão, transtornos de ansiedade e suicídios, visto os efeitos maléficos para o organismo ditados pelo isolamento social, pelo mecanismo do estresse a atuar ininterruptamente no corpo humano em virtude do temor, seja pela doença, pelo desemprego e pelo futuro. Este mecanismo do estresse, quando o organismo humano sob pressão estimula a glândula suprarrenal a liberar adrenalina e cortisol, hormônios que alteram os circuitos metabólicos humanos, também pode provocar ou potencializar outras patologias. Portanto, o quadro provocado por esta pandemia vai além dos indicadores de contaminados e de óbitos, afinal, este evento com referências históricas, é sem precedentes nos malefícios correlatos.

Estando no “novo agora”, onde todos buscamos tocar nossas vidas com cuidados sanitários e responsabilidade, visto que esta pandemia só começará a se encerrar com o advento da vacina, aguardada para final de 2020 e início de 2021, vivenciamos o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e mais recentemente do câncer de colo de útero.

“Quanto antes, melhor”, o slogan da campanha Outubro Rosa de 2020 da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) dá o recado preciso, prevenir o câncer ao diagnosticá-lo prematuramente é responsável por 95% de curas relatadas.

Este movimento surgiu em1990, quando aconteceu a primeira corrida pela cura, em Nova Iorque (EUA) e desde então é promovida anualmente na cidade. Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi (EUA) escolheram o mês de outubro para promover ações com foco no diagnóstico precoce e prevenção da doença, tendo se disseminado por diversos estados americanos e, posteriormente, no formato de campanha, sendo aprovada pelo Congresso Americano, o qual instituiu este mês para epicentro das ações e como símbolo, o laço rosa lançado na primeira corrida pela cura.

No Brasil, o Outubro Rosa iniciou em 2002, com a iluminação, em rosa, do Obelisco do Ibirapuera, se disseminando pelo país em 2008. Em 2011 foi incluído na campanha o diagnóstico precoce e a prevenção do câncer de colo de útero. Esta campanha está incorporada pelo Ministério da Saúde (MS), com ações de conscientização e de disponibilização de exames, sendo mais utilizados a mamografia e a ultrassonografia para o diagnóstico de câncer de mama, e o Papanicolau para o câncer de colo de útero. Diversas entidades participam, com relevo para a SBM e o Instituto Brasileiro do Câncer (INCA).

A SBM preconiza a importância de as pessoas adotarem um estilo de vida saudável com a prática de atividades físicas e alimentação adequada, isto evita uma série de doenças, inclusive o câncer. Soma-se a estas atitudes o entendimento, por parte da mulher, da importância de se apalpar os seios na frente do espelho e na identificação de irregularidades ou nódulos, procurar imediatamente o auxílio médico. Ainda ter uma rotina de visita ao ginecologista, ao menos anual, efetuando exames que podem identificar precocemente um câncer de colo de útero ou de mama.

O câncer é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células, provocada por fatores internos que normalmente estão associados a agentes externos. Dos fatores internos sobressaem os genéticos, hormonais e imunológicos, sendo que os genéticos/hereditários são responsáveis por 5% a 10% dos casos. A idade também é um fator interno importante e os cuidados precisam ser redobrados a partir dos 40 anos. Entre 80% e 90% dos casos estão associados causas externas, sendo as mais presentes: sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, excesso de peso, maus hábitos alimentares e de vida. No câncer de colo de útero, além destes fatores, sobressai a infecção pelo vírus Papiloma Humanus (HPV) e por outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), com relevo para a Clamídia, ainda o uso incorreto de anticoncepcionais e múltiplas gestações.

Segundo a OMS, o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo, em 2018 foram 9,6 milhões de mortes. O câncer de mama apresentou 2,09 milhões de casos, com 16% de letalidade (627 mil mortes). O INCA relata no Brasil (1980 a 2014), 285.165 mortes por câncer de mama, estima-se mais de 66 mil casos novos em 2020. Santa Catarina é um dos estados com maior incidência de câncer de mama, em 20 anos houve um aumento de 158% e, segundo o INCA, em 2020 serão mais 3.370 casos novos.

A campanha deste ano está ofuscada pela pandemia e pelas eleições municipais, segundo pesquisa do IBOPE contratada pela farmacêutica Pfizer e executada entre 11 e 20 de setembro com 1.400 mulheres, 62% destas com idade de 20 a 59 anos pararam de ir ao ginecologista ou ao mastologista, este número aumenta para 73% na faixa etária acima dos 60 anos. Isto é preocupante e vislumbra o que há por vir.

Esta pandemia terá o tempo do seu desfecho, o “novo agora” é um momento de transição responsável e de reflexão, mas não podemos descuidar da nossa saúde geral, afinal, o câncer tem cura e a prevenção associada ao diagnóstico precoce, é o melhor remédio.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

Vem comigo!!!

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