terça-feira, 1 de setembro de 2020

COVID-19 NO BRASIL: O DESAFIO DO TRABALHO SEGURO DURANTE A PANDEMIA.

 


Apresentando mais de 16 milhões de recuperados, o que é reconfortante, a Covid-19 continua a avançar de maneira avassaladora mundo afora, já passamos dos 25 milhões de casos e dos 840 mil óbitos. A Europa, com relevo para Espanha, França e Itália, se aterroriza com uma possível 2ª onda, assim como a Coreia do Sul. Os EUA, liderando em casos e óbitos, alterna fases de aceleração, platô e desaceleração, lá e cá, numa onda intermitente. Hong Kong, Bélgica e Holanda registraram casos de reinfecção por Covid-19, o que pode afetar na elaboração de uma vacina, sinalizando o tempo de imunização e dando cores pessimistas a quem aguarda pela imunização de rebanho. A OMS se manifestou sobre a importância das vacinas, mas alertou da necessidade de se conhecer a sua real eficácia para toda a população, a complexa logística global de produção e imunização, e que, mesmo contando com esta importante ferramenta, a pandemia deve levar por volta de 2 anos para se encerrar. Ainda que as políticas governamentais, calcadas na ampla testagem, identificação precoce dos contaminados e rompimento da cadeia de transmissão, são fundamentais, assim como a população precisa incorporar ao seu cotidiano o uso da máscara, higienização constante das mãos e cuidados de distanciamento social.

O Brasil completou seis meses de pandemia, se situando perante seus mais de 3,8 milhões de casos oficiais e mais de 120 mil óbitos, como segundo no mundo nos dois indicadores, comemorando mais de 3 milhões de recuperados, mas se entristecendo por superar os EUA em taxa de mortes por 100 mil habitantes, escancarando uma desigualdade social brutal e inadmissível, como inaceitável é a falta de gestão e de respeito ao valor humano demonstrada por boa parte dos nossos governantes.

Nosso país apresenta desaceleração de contágio em muitas regiões, outras estão em fase de platô, estabilizado com números altos de contágio e óbitos, certos locais, como o Rio de Janeiro, começam a apresentar novamente aumento no número de casos e óbitos, estes indicadores somados aos relatados mundialmente, tendo como base os alertas da OMS e do meio científico, nos impõe a compreensão que, mesmo com o advento da vacina, teremos que nos condicionar ao “novo normal” que poderá se prolongar até o final de 2021 e talvez se arraste por 2022, com previsíveis novas ondas.

Refeitos do susto inicial, ainda a mercê do imenso despreparo dos nossos governantes, mesmo cientes que esta pandemia pode demorar para se encerrar, precisamos nos adaptar e voltarmos as nossas vidas, da maneira possível. Nossa vida profissional já está sendo retomada, o home office foi ampliado substancialmente, as redes digitais estão sendo utilizadas como nunca, mas o trabalho presencial se reveste de mais cuidados e regramentos, tanto para garantir a integridade da saúde dos colaboradores, dos consumidores e também a segurança jurídica dos empregadores.

As relações de trabalho e a forma de atender o consumidor precisam se adaptar a legislação criada nesta pandemia, com relevo para a Lei nº 13.979/2020 (lei da quarentena do Coronavírus), o Decreto de Calamidade Pública aprovado pelo Congresso Nacional (DLG 6-2020), a Portaria GM/MS nº 188/2020 que declara Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, a Portaria conjunta do Ministério da Economia/Secretaria Especial de Previdência e Trabalho nº 20/2020, as Medidas Provisórias nº 927 e nº 931/2020, já suprimidas em favor da Lei nº 14.020/2020 que institui o Programa Emergencial do Emprego e da Renda, ainda os Decretos Federais, Estaduais e Municipais identificando os serviços essenciais perante sua competência e regrando sua operacionalização. Importante o fato do Supremo Tribunal Federal ter criado jurisprudência (29/04) sobre a Covid-19 ser uma doença ocupacional, se conotando como um acidente de trabalho.

As ações apresentadas à Justiça do Trabalho até 27 de agosto, relacionadas à pandemia, já somam R$ 6,03 bilhões. É o que revela o Termômetro Covid-19 da Justiça do Trabalho, plataforma desenvolvida pela Datalawyer Insights onde se vê em tempo real os processos em andamento. Nesta data, havia 89.194 ações em todo o país, com valor médio das causas de R$ 67.585,00. Até março, mês seguinte ao primeiro caso de Covid-19 no Brasil, havia 2.959 ações. Em abril se somaram mais de 16.313, aumento de 451,3%. De maio para junho chegaram mais 19.607 casos nos tribunais. Santa Catarina acumula 10.475 ações no total, com valor médio das causas de R$ 22.827,00, sendo o segundo estado brasileiro com mais ações trabalhistas. Até agora, o maior número de casos está na indústria da transformação, seguido de comércio e reparação de veículos, em 3º lugar estão as atividades administrativas.

Esta pandemia impõe modificações nas rotinas de trabalho perante um “novo normal” e na exigência do empregador proporcionar condições de biossegurança aos seus colaboradores e aos consumidores. Para tanto, a legislação específica criada deve ser seguida e esta exige o treinamento dos colaboradores, protocolos sanitários e uma série de regras a serem cumpridas.

É imenso o desafio do resguardo à vida neste momento pandêmico e da continuidade do trabalho, respeitando a integridade física de colaboradores e consumidores, assim como garantindo juridicamente os empregadores. Com a chegada do final do ano e da temporada de verão, tão importante para o Brasil que tem no turismo regional e internacional um dos alicerces da sua economia, este desafio se ampliará. Mas se a pandemia demonstra que prosseguirá, a continuidade da vida precisa se sobrepor a ela.

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terça-feira, 25 de agosto de 2020

COVID-19: SAÚDE MENTAL, UMA NOVA ONDA OCULTA E PREOCUPANTE.

 



A pandemia deste novo Coronavírus já contaminou mais de 23 milhões de pessoas mundo afora, com mais de 800 mil óbitos. No Brasil, segundo país em número de casos e óbitos, com relevo para uma grande subnotificação, somam-se mais de 3,6 milhões de casos e nos aproximamos dos 115 mil óbitos, salta aos olhos que nosso país produziu algo em torno de 14% dos óbitos globais. Quando olhamos este entre outros indicadores, entendemos o papel nefasto causado pela ausência de um Ministério da Saúde atuante no comando das ações nacionais, as consequências de discursos governamentais que relativizam a doença e menosprezam a ciência, induzindo a população a fazer o mesmo. Apenas a história para julgar os atos e as consequências deles na proteção da saúde humana neste momento ímpar.

Segundo a OMS, o Brasil apresenta sinais de entrar em fase de platô, em 21/08 se manifestou sobre a tendência de estabilização de casos e de óbitos no país, enaltecendo o trabalho dos profissionais da área da saúde, mas ressaltando que a evolução da doença impõe atenção constante e a chegada da vacina, apesar de importante ferramenta, não extinguirá sozinha esta pandemia e os esforços de prevenção, como o distanciamento social e higienização das mãos, precisarão continuar sendo feitos para que a transmissão diminua, ainda espera que a crise do Coronavírus demande 2 anos para acabar, tendo como parâmetro a gripe espanhola que durou de janeiro 1918 a dezembro de 1920. De outra forma, o Imperial College de Londres analisa queda na taxa de infecção, com taxa de contágio em 1,01 em parte do país, sinalizando a possibilidade de entrada em fase de desaceleração de contágio. Claro que o Brasil é um país continental, com várias curvas de crescimento e indicadores variados conforme a região, é perceptível que está fechando em platô alto de contágio e de óbitos, e isto é preocupante. Mas como saber a verdade, se o nosso país é um dos que menos testa a população e quando faz, o faz de maneira ineficaz.

Esta pandemia é sem parâmetros, visto a sua abrangência e gravidade, com a evolução da tecnologia, a informação chega instantaneamente e maciçamente às pessoas, isto é importante, mas pode se somar a outros fatores para desencadear a depressão e transtornos de ansiedade.

Paralelamente a COVID-19 que ainda deve nos alarmar por um bom tempo, uma nova onda oculta e muito preocupante começa a se mostrar, a da Saúde Mental. A OMS contabiliza 5% da população mundial sofrendo de depressão, no Brasil são 12 milhões de pessoas, 10% de nossa população padece de algum transtorno de ansiedade e a China divulga que após a epidemia do SARS-COV, causador do SARS em 2003, 30% de sua população foi atingida por uma onda de depressão e transtornos de ansiedade. Estes indicadores pré-pandemicos sinalizam o que há por vir.

Quando o ser humano está diante de uma ameaça à vida, ele libera um mecanismo de luta ou fuga que se traduz pelo estresse. Impulsos nervosos estimulam a glândula suprarrenal a aumentar a produção do cortisol e da adrenalina, isto faz o coração disparar com o objetivo de levar mais sangue para os músculos trabalharem, para captar mais oxigênio, a respiração acelera e estoques de energia são liberados para servir de combustível, esse mecanismo ágil e eficiente proporciona que nossa espécie sobreviva as adversidades. Entretanto, o inimigo que enfrentamos atualmente é invisível, não se apresenta solução fácil e de curto prazo, gera instabilidade para o sustento de nossas famílias e incertezas sobre o futuro, fazendo com que o gatilho da tensão dispare a todo instante e isto é destrutivo para a saúde humana e impactante para a saúde mental.

Estudo publicado pela revista inglesa The Lancet identifica que casos de ansiedade e estresse dobraram durante a pandemia e os de depressão tiveram aumento de 90%; pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro indica que os casos de depressão saltaram de 4,2% para 8% e os de ansiedade de 8,7% para 14,9%; em pesquisa divulgada pelo Grupo Abril, 76% da população temem adoecer pela COVID-19 e não ter atendimento hospitalar, 70% tem medo do desemprego, 59% sentem insegurança constante e 47% afirmam ter dificuldade para relaxar.

A ansiedade é um termo geral que se usa para caracterizar vários distúrbios que causam angústia, apreensão, medo, nervosismo e preocupação. É uma reação natural às situações cotidianas, se tornando um problema quando vivenciados de forma intensa e bastante frequente, comprometendo a qualidade de vida e a saúde emocional, caracterizando os transtornos, como o Transtorno de Ansiedade Generalizado. A depressão é uma doença psiquiátrica que relata tristeza profunda, sentimento de culpa recorrente e baixa estima, desencadeando distúrbios do sono, do apetite, entre outros. Se soma a isso, a dependência química e o abuso de álcool, transtornos graves relacionados ao enfrentamento de tantas adversidades as quais estamos passando e agravadas pelo distanciamento social que somos obrigados a nos impor.

Estes distúrbios podem e devem ser tratados, as causas precisam ser investigadas, o fator desencadeador ou potencializador merece ser melhor analisado e cada qual precisa fazer a sua parte para minimizá-lo. Os especialistas indicam ter o momento para se informar sobre esta pandemia e isto é importante, através de meios de comunicação abalizados, evitando a “infodemia” de redes sociais, mas não deixando a televisão constantemente ligada em noticiários, encontrando momentos para meditar em silêncio ou com áudios que estimulem a auto estima e o otimismo ou ainda através da oração, ter uma rotina que inclua atividades físicas, alimentação saudável e a elaboração de projetos de vida. Afinal, o momento é difícil, mas vai passar e o sucesso espreita as dificuldades.

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terça-feira, 18 de agosto de 2020

SANTA CATARINA E A COVID-19: SPUTNIK-V, OXFORD, CORONAVAC, O REAL ESTÁGIO DAS VACINAS.



O Coronavírus continua a destronar modelos econômicos, confinar pessoas e a desnudar incertezas por parte do meio científico. As suas causas estão cada vez mais explícitas e continuam aí, como um desafio a ser vencido para controlar este vírus e esta doença terríveis e evitar o surgimento de outro vírus ainda mais agressivo, a desigualdade social, a destruição da fauna e flora do nosso planeta, falta de saneamento básico, a dificuldade de acesso à água potável, a fragilidade dos sistemas de saúde, os modelos de governo que subjugam os valores humanos e priorizam as questões econômicas, e a política a construir narrativas convincentes mas incapaz de identificar os reais problemas da população, combate-los e propor soluções realmente eficazes.

Esta pandemia não permite vacilos, vejamos a Europa, em fase mais avançada que o nosso país, se permitindo uma retomada mais ampla de sua economia e de sua vida perante um “novo normal”, com os cuidados de uso da máscara, higienização das mãos constantemente, evitando aglomerações de pessoas e monitorando o quadro com uma ampla e contínua testagem da população, via, ainda em julho, um novo crescimento de contágio em 28 de 55 países monitorados pela OMS.

De certo, temos a prevenção como única arma neste momento, ela se inicia com a identificação precoce do contaminado, evitando que evolua para fases mais graves da doença, incorrendo em risco de vida e de sequelas pós COVID-19, cortando a cadeia de contágio e, em última análise, evitando o colapso do sistema de saúde. Para isto ocorrer é imprescindível que políticas regionais sejam adotadas, com foco na ampla testagem com o RT-PCR, mas também na conscientização das pessoas sobre a necessidade do uso da máscara, higienização das mãos, evitar aglomerações, assim como os governos precisam adotar medidas adequadas de distanciamento social, em dose e tempo, baseadas em dados corretos e sem constrangimentos de ordem política ou pressão de setores econômicos, mas com muita sensibilidade social. Também existe uma evolução nos protocolos clínicos desde o início da pandemia, temos a pronação (colocar o paciente de bruços), técnica antiga e que se mostrou muito eficaz para facilitar a respiração tão prejudicada, o entendimento da extensão e da gravidade da doença no organismo e suas possíveis sequelas. Quanto aos medicamentos, afora os de suporte, os de combate são experimentais e quando utilizados, devem sê-lo perante protocolos e acompanhamento médico, destes, os medicamentos com reconhecimento científico são: o antiviral Remdesivir, usado de maneira intravenosa, em fase mais grave, sendo eficaz na redução do tempo de internação dos pacientes e o corticoide Dexametasona, utilizado em fases mais graves para reduzir a inflamação. De novidade, pesquisa da USP de Ribeirão Preto sobre o uso do anti-inflamatório Colchicina, droga barata, usada no tratamento da Gota, para acelerar a recuperação, devendo ser usada em ambiente hospitalar.

Perante a rapidez de contágio, a agressividade desta doença, de suas possíveis sequelas, temporárias ou definitivas, além do tempo que pode durar esta pandemia até se prover a imunidade do rebanho e isto pode ser ao preço de muitas mais vidas, a vacina se tornou uma necessidade e um objeto de disputa entre países nunca visto desde o início da corrida espacial, não por outro motivo, o nome da vacina russa é Sputnik-V.

Lembro que ainda não existe vacina para outras cepas virais do Coronavírus, que uma vacina demora em média 10 anos para ser elaborada e aprovada, que a desenvolvida e aprovada em menor prazo de tempo foi contra o Ebola, após 5 anos a OMS aprovou o Ervebo, da farmacêutica Merck em 2019.

Atualmente são mais de 165 vacinas em desenvolvimento, 28 delas em etapa clínica e 6 na fase 3 (mais avançada). A russa Sputinik-V, alardeada pelo presidente Vladimir Putin como a 1ª a ser registrada no mundo, está sendo desenvolvida no Instituto Gamaleia de Moscou, justificada a sua precocidade por um trabalho extenso para desenvolver a vacina contra outro Coronavírus (MERS-COV) causador da MERS, utilizando o método de 2 vetores adenovirais, com 2 vacinações intercaladas por 21 dias e dotadas de vetores diferentes. A OMS estima que, na realidade, estejam na 2ª etapa de testes, mas o governo russo divulga para outubro o início de vacinação em massa da população.

No Brasil há 2 vacinas, talvez as mais promissoras, em 3ª fase de testes em humanos, a de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, em acordo com o governo federal para transferência de tecnologia e início de produção estimada para outubro pela FioCruz com investimento de R$ 2 bilhões e a Coronavac da farmacêutica Sinovac, em acordo celebrado pelo governo do estado de São Paulo e o governo Chinês, com transferência de tecnologia e produção a partir de outubro pelo Instituto Butantan.

Sendo otimista, acredito que teremos vacina no primeiro semestre de 2021, entretanto, a logística de produção e imunização de mais de 200 milhões de pessoas, é complexa, mesmo com a experiência e eficácia demonstrada através dos anos pelo Ministério da Saúde em outras doenças. Afora isso, teremos que avaliar o seu percentual de eficácia, se será 1 ou 2 doses, por quanto tempo durará esta imunização e haverá um prazo para o retorno em diminuição de contágio, portanto, entendo que apenas no final de 2021, com todos os processos culminando em êxito, teremos o resultado de seu uso.

No Brasil da pandemia, do discurso fácil e confuso, do Ministério da Saúde sem ministro e com políticas que transgridem a ciência e envergonham a sua história, sobressai Santa Catarina do desgoverno estadual neste momento tão difícil, atualmente em curva de crescimento, dependente dos prefeitos que procuram fazer sua parte mesmo imersos em um movediço período eleitoral e regidos pelos profissionais da área da saúde, de corpo e alma comprometidos em salvar vidas e trazer a luz perante a escuridão da ausência de gestão.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

OZONOTERAPIA E A COVID-19: PIADA PERIGOSA OU TERAPIA PROMISSORA?

O "Desvendando a Saúde do Brasil" na 1ª edição do Jornal da Cidade (104,1 FM) de Itapema-SC do dia 13/08, com a participação dos médicos Dr. Nilton Mendes Minervini e Dra. Mirian Gonzalez Minervini onde abordamos o tema: OZONOTERAPIA E A COVID-19: Piada perigosa ou terapia promissora? 



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terça-feira, 11 de agosto de 2020

SANTA CATARINA DA COVID-19: VACINAS, OZONOTERAPIA E AS POLÍTICAS PÚBLICAS

Esta pandemia continua a alarmar a população e preocupar os governantes. A Europa, já na fase de imunização e retomando as atividades perante um “novo normal” que impõe o monitoramento das pessoas através da ampliação das testagens com o RT-PCR (teste ouro, laboratorial e o único preconizado pela OMS para o diagnóstico) e o Sorológico, medidas de higiene (uso da máscara e higienização das mãos) e a restrição de aglomeração de pessoas, convive com o temor de novas ondas, como a Alemanha que registrou em 06/08 o maior número diário de casos em 3 meses, com 1045 contágios e a Itália, que registrou 552 casos em 24h no dia 07/08, maior número desde 28/05. Os EUA, que fizeram o relaxamento das medidas de distanciamento social precocemente em muitos estados, continuam a ver crescer o número de casos e de óbitos.

O Brasil que ultrapassou, oficialmente, 3 milhões de casos e o alarmante número de 100 mil óbitos, surpreende positivamente com mais de 2 milhões de recuperados, sendo um dos países que lideram neste quesito. Santa Catarina, paraíso da falta de governança estadual nesta pandemia e em curva de aceleração de contágio, já passou dos 100 mil casos, dos 1400 óbitos e aplaude mais de 90 mil recuperados.

Á mercê da falta de políticas públicas consistentes no combate à COVID-19, com um discurso que relativiza a sua gravidade e sem prover campanhas de informação e conscientização, embaralhando a cabeça das pessoas e com um papel nefasto que a história se incumbirá de contar, o governo federal acerta ao destinar 2 bilhões de reais através de Medida Provisória (06/08) para a Fio Cruz encaminhar a estruturação da fábrica de vacinas Bio-Manguinhos, concluir as tratativas com transferência de tecnologia e viabilizar a produção da vacina da Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. Foi divulgado a pretensão de se produzir 100 milhões de doses à partir de outubro. Em São Paulo, o governo estadual celebrou parceria com o governo chinês que inclui transferência de tecnologia e produção da vacina Coronavac, da farmacêutica Sinovac pelo Instituto Butantã, iniciou em 20/07 a terceira fase de testes em humanos e, também anuncia para outubro o início de sua produção. Sendo otimista, acredito que nos primeiros meses de 2021 teremos vacina disponibilizada no país e a possibilidade de retomada da normalidade de nossas vidas.

Vislumbrando uma imensa ausência de gestão e imerso em problemas conjunturais severos, no Brasil da pandemia sobressai o trabalho dos profissionais da área da saúde e desta “árvore” curativa estão evoluindo os protocolos de cuidados, visto o aprendizado diário sobre esta nova doença e surgindo soluções ainda experimentais que precisam ser melhor analisadas, em sendo utilizadas, exigem critérios rigorosos com contínuo aprimoramento, mas ao tempo que não devem servir como base para políticas sanitárias, podem ser importantes e de grande valia. Os protocolos com medicamentos sem comprovação científica e os de recuperação para eventuais sequelas do pós doença, a Cápsula Vanessa e a Ozonoterapia Medicinal são exemplos destas soluções e se não devem gerar uma falsa segurança, talvez surjam como um legado pós pandêmico.

A Ozonoterapia, que gerou mídia nacional e até internacional a poucos dias, tratada como uma piada, com base na divulgação de seu uso via retal para o tratamento de pacientes com a COVID-19, precisa ser olhada com respeito. Afinal, o Ozônio foi descoberto em 1840, em 1856 era utilizado para a desinfecção de salas de operação e esterilização de instrumentos cirúrgicos, desde 1956 é utilizado na odontologia, atua na purificação da água, cicatrização de feridas e tem estudos de sua utilização para o tratamento complementar de inúmeras patologias, motivando muitos artigos científicos e ao tempo que angaria simpatizantes, também gera controvérsia.

Durante a 1ª Guerra Mundial, foi utilizada por ingleses e alemães para o tratamento de feridas, antes disto, em 1892, a conceituada revista científica inglesa The Lancet, publicou artigo sobre seu uso para o tratamento da tuberculose. É muito difundida nos países europeus, como na Alemanha (ofertada em planos de saúde), na Itália e na Inglaterra. Desde 1976 os EUA discutem a Ozonoterapia Medicinal e em 2016 a FDA (Food and Drugs Administration), espécie de ANVISA americana, proibiu o seu uso medicinal. Em 1975 chegou ao Brasil (São Paulo) através do médico Dr. Heinz Konrad; nos anos 90, o Dr. Edison de Cezar Philippi trouxe esta terapia para SC e difundiu pelo Sul do país. Através da Portaria GM/MS nº 702/2018, foi incluída na Política Nacional das Práticas Integrativas e Complementares do SUS, o Conselho Federal de Medicina, através da Resolução nº 2.181/2018, restringiu seu uso invasivo apenas em caráter experimental, através de autorização do Conselho Nacional de Pesquisas e Ética, perante o que lhe é facultado pela Lei nº 12.832/2013, que dispõe sobre o exercício da medicina. Agora em junho, foi divulgada pesquisa da Itália com mais de 100 pacientes de COVID-19 em 15 hospitais, relatando seu uso em todas as fases da doença, com o intuito de aumentar a imunidade e diminuir a carga viral, registrando melhora da condição clínica destes pacientes. As pesquisas ainda são muito incipientes e a administração de gases tóxicos pode causar sequelas ao organismo, mas a sua história de utilização que remonta o século XIX, impõe nosso respeito e que nos aprofundemos em estudos.

Direcionar os recursos públicos para políticas regionais com foco na ampla testagem com o RT-PCR, identificando quem está contaminado, cortando a cadeia de transmissão e provendo os cuidados precocemente, impedindo que a doença evolua para fases mais agressivas, seria o óbvio, mas na ausência de gestão nesta pandemia, deixo o meu respeito e aplausos aos profissionais da saúde, que estão fazendo a sua parte e indo além.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

COVID-19: OZONOTERAPIA, CÁPSULA VANESSA E AS POLÍTICAS PÚBLICAS.

Olá!!! 



Convido você para acompanhar a minha participação no Jornal da Cidade 1° edição (Rádio Cidade 104,1 FM) de Itapema-SC desta quinta-feira (06/08), onde abordo a Covid-19: Ozonoterapia, Cápsula Vanessa e as Políticas Públicas. 



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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...