terça-feira, 25 de agosto de 2020

COVID-19: SAÚDE MENTAL, UMA NOVA ONDA OCULTA E PREOCUPANTE.

 



A pandemia deste novo Coronavírus já contaminou mais de 23 milhões de pessoas mundo afora, com mais de 800 mil óbitos. No Brasil, segundo país em número de casos e óbitos, com relevo para uma grande subnotificação, somam-se mais de 3,6 milhões de casos e nos aproximamos dos 115 mil óbitos, salta aos olhos que nosso país produziu algo em torno de 14% dos óbitos globais. Quando olhamos este entre outros indicadores, entendemos o papel nefasto causado pela ausência de um Ministério da Saúde atuante no comando das ações nacionais, as consequências de discursos governamentais que relativizam a doença e menosprezam a ciência, induzindo a população a fazer o mesmo. Apenas a história para julgar os atos e as consequências deles na proteção da saúde humana neste momento ímpar.

Segundo a OMS, o Brasil apresenta sinais de entrar em fase de platô, em 21/08 se manifestou sobre a tendência de estabilização de casos e de óbitos no país, enaltecendo o trabalho dos profissionais da área da saúde, mas ressaltando que a evolução da doença impõe atenção constante e a chegada da vacina, apesar de importante ferramenta, não extinguirá sozinha esta pandemia e os esforços de prevenção, como o distanciamento social e higienização das mãos, precisarão continuar sendo feitos para que a transmissão diminua, ainda espera que a crise do Coronavírus demande 2 anos para acabar, tendo como parâmetro a gripe espanhola que durou de janeiro 1918 a dezembro de 1920. De outra forma, o Imperial College de Londres analisa queda na taxa de infecção, com taxa de contágio em 1,01 em parte do país, sinalizando a possibilidade de entrada em fase de desaceleração de contágio. Claro que o Brasil é um país continental, com várias curvas de crescimento e indicadores variados conforme a região, é perceptível que está fechando em platô alto de contágio e de óbitos, e isto é preocupante. Mas como saber a verdade, se o nosso país é um dos que menos testa a população e quando faz, o faz de maneira ineficaz.

Esta pandemia é sem parâmetros, visto a sua abrangência e gravidade, com a evolução da tecnologia, a informação chega instantaneamente e maciçamente às pessoas, isto é importante, mas pode se somar a outros fatores para desencadear a depressão e transtornos de ansiedade.

Paralelamente a COVID-19 que ainda deve nos alarmar por um bom tempo, uma nova onda oculta e muito preocupante começa a se mostrar, a da Saúde Mental. A OMS contabiliza 5% da população mundial sofrendo de depressão, no Brasil são 12 milhões de pessoas, 10% de nossa população padece de algum transtorno de ansiedade e a China divulga que após a epidemia do SARS-COV, causador do SARS em 2003, 30% de sua população foi atingida por uma onda de depressão e transtornos de ansiedade. Estes indicadores pré-pandemicos sinalizam o que há por vir.

Quando o ser humano está diante de uma ameaça à vida, ele libera um mecanismo de luta ou fuga que se traduz pelo estresse. Impulsos nervosos estimulam a glândula suprarrenal a aumentar a produção do cortisol e da adrenalina, isto faz o coração disparar com o objetivo de levar mais sangue para os músculos trabalharem, para captar mais oxigênio, a respiração acelera e estoques de energia são liberados para servir de combustível, esse mecanismo ágil e eficiente proporciona que nossa espécie sobreviva as adversidades. Entretanto, o inimigo que enfrentamos atualmente é invisível, não se apresenta solução fácil e de curto prazo, gera instabilidade para o sustento de nossas famílias e incertezas sobre o futuro, fazendo com que o gatilho da tensão dispare a todo instante e isto é destrutivo para a saúde humana e impactante para a saúde mental.

Estudo publicado pela revista inglesa The Lancet identifica que casos de ansiedade e estresse dobraram durante a pandemia e os de depressão tiveram aumento de 90%; pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro indica que os casos de depressão saltaram de 4,2% para 8% e os de ansiedade de 8,7% para 14,9%; em pesquisa divulgada pelo Grupo Abril, 76% da população temem adoecer pela COVID-19 e não ter atendimento hospitalar, 70% tem medo do desemprego, 59% sentem insegurança constante e 47% afirmam ter dificuldade para relaxar.

A ansiedade é um termo geral que se usa para caracterizar vários distúrbios que causam angústia, apreensão, medo, nervosismo e preocupação. É uma reação natural às situações cotidianas, se tornando um problema quando vivenciados de forma intensa e bastante frequente, comprometendo a qualidade de vida e a saúde emocional, caracterizando os transtornos, como o Transtorno de Ansiedade Generalizado. A depressão é uma doença psiquiátrica que relata tristeza profunda, sentimento de culpa recorrente e baixa estima, desencadeando distúrbios do sono, do apetite, entre outros. Se soma a isso, a dependência química e o abuso de álcool, transtornos graves relacionados ao enfrentamento de tantas adversidades as quais estamos passando e agravadas pelo distanciamento social que somos obrigados a nos impor.

Estes distúrbios podem e devem ser tratados, as causas precisam ser investigadas, o fator desencadeador ou potencializador merece ser melhor analisado e cada qual precisa fazer a sua parte para minimizá-lo. Os especialistas indicam ter o momento para se informar sobre esta pandemia e isto é importante, através de meios de comunicação abalizados, evitando a “infodemia” de redes sociais, mas não deixando a televisão constantemente ligada em noticiários, encontrando momentos para meditar em silêncio ou com áudios que estimulem a auto estima e o otimismo ou ainda através da oração, ter uma rotina que inclua atividades físicas, alimentação saudável e a elaboração de projetos de vida. Afinal, o momento é difícil, mas vai passar e o sucesso espreita as dificuldades.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

Vem comigo!!!

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