terça-feira, 18 de agosto de 2020

SANTA CATARINA E A COVID-19: SPUTNIK-V, OXFORD, CORONAVAC, O REAL ESTÁGIO DAS VACINAS.



O Coronavírus continua a destronar modelos econômicos, confinar pessoas e a desnudar incertezas por parte do meio científico. As suas causas estão cada vez mais explícitas e continuam aí, como um desafio a ser vencido para controlar este vírus e esta doença terríveis e evitar o surgimento de outro vírus ainda mais agressivo, a desigualdade social, a destruição da fauna e flora do nosso planeta, falta de saneamento básico, a dificuldade de acesso à água potável, a fragilidade dos sistemas de saúde, os modelos de governo que subjugam os valores humanos e priorizam as questões econômicas, e a política a construir narrativas convincentes mas incapaz de identificar os reais problemas da população, combate-los e propor soluções realmente eficazes.

Esta pandemia não permite vacilos, vejamos a Europa, em fase mais avançada que o nosso país, se permitindo uma retomada mais ampla de sua economia e de sua vida perante um “novo normal”, com os cuidados de uso da máscara, higienização das mãos constantemente, evitando aglomerações de pessoas e monitorando o quadro com uma ampla e contínua testagem da população, via, ainda em julho, um novo crescimento de contágio em 28 de 55 países monitorados pela OMS.

De certo, temos a prevenção como única arma neste momento, ela se inicia com a identificação precoce do contaminado, evitando que evolua para fases mais graves da doença, incorrendo em risco de vida e de sequelas pós COVID-19, cortando a cadeia de contágio e, em última análise, evitando o colapso do sistema de saúde. Para isto ocorrer é imprescindível que políticas regionais sejam adotadas, com foco na ampla testagem com o RT-PCR, mas também na conscientização das pessoas sobre a necessidade do uso da máscara, higienização das mãos, evitar aglomerações, assim como os governos precisam adotar medidas adequadas de distanciamento social, em dose e tempo, baseadas em dados corretos e sem constrangimentos de ordem política ou pressão de setores econômicos, mas com muita sensibilidade social. Também existe uma evolução nos protocolos clínicos desde o início da pandemia, temos a pronação (colocar o paciente de bruços), técnica antiga e que se mostrou muito eficaz para facilitar a respiração tão prejudicada, o entendimento da extensão e da gravidade da doença no organismo e suas possíveis sequelas. Quanto aos medicamentos, afora os de suporte, os de combate são experimentais e quando utilizados, devem sê-lo perante protocolos e acompanhamento médico, destes, os medicamentos com reconhecimento científico são: o antiviral Remdesivir, usado de maneira intravenosa, em fase mais grave, sendo eficaz na redução do tempo de internação dos pacientes e o corticoide Dexametasona, utilizado em fases mais graves para reduzir a inflamação. De novidade, pesquisa da USP de Ribeirão Preto sobre o uso do anti-inflamatório Colchicina, droga barata, usada no tratamento da Gota, para acelerar a recuperação, devendo ser usada em ambiente hospitalar.

Perante a rapidez de contágio, a agressividade desta doença, de suas possíveis sequelas, temporárias ou definitivas, além do tempo que pode durar esta pandemia até se prover a imunidade do rebanho e isto pode ser ao preço de muitas mais vidas, a vacina se tornou uma necessidade e um objeto de disputa entre países nunca visto desde o início da corrida espacial, não por outro motivo, o nome da vacina russa é Sputnik-V.

Lembro que ainda não existe vacina para outras cepas virais do Coronavírus, que uma vacina demora em média 10 anos para ser elaborada e aprovada, que a desenvolvida e aprovada em menor prazo de tempo foi contra o Ebola, após 5 anos a OMS aprovou o Ervebo, da farmacêutica Merck em 2019.

Atualmente são mais de 165 vacinas em desenvolvimento, 28 delas em etapa clínica e 6 na fase 3 (mais avançada). A russa Sputinik-V, alardeada pelo presidente Vladimir Putin como a 1ª a ser registrada no mundo, está sendo desenvolvida no Instituto Gamaleia de Moscou, justificada a sua precocidade por um trabalho extenso para desenvolver a vacina contra outro Coronavírus (MERS-COV) causador da MERS, utilizando o método de 2 vetores adenovirais, com 2 vacinações intercaladas por 21 dias e dotadas de vetores diferentes. A OMS estima que, na realidade, estejam na 2ª etapa de testes, mas o governo russo divulga para outubro o início de vacinação em massa da população.

No Brasil há 2 vacinas, talvez as mais promissoras, em 3ª fase de testes em humanos, a de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, em acordo com o governo federal para transferência de tecnologia e início de produção estimada para outubro pela FioCruz com investimento de R$ 2 bilhões e a Coronavac da farmacêutica Sinovac, em acordo celebrado pelo governo do estado de São Paulo e o governo Chinês, com transferência de tecnologia e produção a partir de outubro pelo Instituto Butantan.

Sendo otimista, acredito que teremos vacina no primeiro semestre de 2021, entretanto, a logística de produção e imunização de mais de 200 milhões de pessoas, é complexa, mesmo com a experiência e eficácia demonstrada através dos anos pelo Ministério da Saúde em outras doenças. Afora isso, teremos que avaliar o seu percentual de eficácia, se será 1 ou 2 doses, por quanto tempo durará esta imunização e haverá um prazo para o retorno em diminuição de contágio, portanto, entendo que apenas no final de 2021, com todos os processos culminando em êxito, teremos o resultado de seu uso.

No Brasil da pandemia, do discurso fácil e confuso, do Ministério da Saúde sem ministro e com políticas que transgridem a ciência e envergonham a sua história, sobressai Santa Catarina do desgoverno estadual neste momento tão difícil, atualmente em curva de crescimento, dependente dos prefeitos que procuram fazer sua parte mesmo imersos em um movediço período eleitoral e regidos pelos profissionais da área da saúde, de corpo e alma comprometidos em salvar vidas e trazer a luz perante a escuridão da ausência de gestão.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!



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