terça-feira, 11 de agosto de 2020

SANTA CATARINA DA COVID-19: VACINAS, OZONOTERAPIA E AS POLÍTICAS PÚBLICAS

Esta pandemia continua a alarmar a população e preocupar os governantes. A Europa, já na fase de imunização e retomando as atividades perante um “novo normal” que impõe o monitoramento das pessoas através da ampliação das testagens com o RT-PCR (teste ouro, laboratorial e o único preconizado pela OMS para o diagnóstico) e o Sorológico, medidas de higiene (uso da máscara e higienização das mãos) e a restrição de aglomeração de pessoas, convive com o temor de novas ondas, como a Alemanha que registrou em 06/08 o maior número diário de casos em 3 meses, com 1045 contágios e a Itália, que registrou 552 casos em 24h no dia 07/08, maior número desde 28/05. Os EUA, que fizeram o relaxamento das medidas de distanciamento social precocemente em muitos estados, continuam a ver crescer o número de casos e de óbitos.

O Brasil que ultrapassou, oficialmente, 3 milhões de casos e o alarmante número de 100 mil óbitos, surpreende positivamente com mais de 2 milhões de recuperados, sendo um dos países que lideram neste quesito. Santa Catarina, paraíso da falta de governança estadual nesta pandemia e em curva de aceleração de contágio, já passou dos 100 mil casos, dos 1400 óbitos e aplaude mais de 90 mil recuperados.

Á mercê da falta de políticas públicas consistentes no combate à COVID-19, com um discurso que relativiza a sua gravidade e sem prover campanhas de informação e conscientização, embaralhando a cabeça das pessoas e com um papel nefasto que a história se incumbirá de contar, o governo federal acerta ao destinar 2 bilhões de reais através de Medida Provisória (06/08) para a Fio Cruz encaminhar a estruturação da fábrica de vacinas Bio-Manguinhos, concluir as tratativas com transferência de tecnologia e viabilizar a produção da vacina da Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. Foi divulgado a pretensão de se produzir 100 milhões de doses à partir de outubro. Em São Paulo, o governo estadual celebrou parceria com o governo chinês que inclui transferência de tecnologia e produção da vacina Coronavac, da farmacêutica Sinovac pelo Instituto Butantã, iniciou em 20/07 a terceira fase de testes em humanos e, também anuncia para outubro o início de sua produção. Sendo otimista, acredito que nos primeiros meses de 2021 teremos vacina disponibilizada no país e a possibilidade de retomada da normalidade de nossas vidas.

Vislumbrando uma imensa ausência de gestão e imerso em problemas conjunturais severos, no Brasil da pandemia sobressai o trabalho dos profissionais da área da saúde e desta “árvore” curativa estão evoluindo os protocolos de cuidados, visto o aprendizado diário sobre esta nova doença e surgindo soluções ainda experimentais que precisam ser melhor analisadas, em sendo utilizadas, exigem critérios rigorosos com contínuo aprimoramento, mas ao tempo que não devem servir como base para políticas sanitárias, podem ser importantes e de grande valia. Os protocolos com medicamentos sem comprovação científica e os de recuperação para eventuais sequelas do pós doença, a Cápsula Vanessa e a Ozonoterapia Medicinal são exemplos destas soluções e se não devem gerar uma falsa segurança, talvez surjam como um legado pós pandêmico.

A Ozonoterapia, que gerou mídia nacional e até internacional a poucos dias, tratada como uma piada, com base na divulgação de seu uso via retal para o tratamento de pacientes com a COVID-19, precisa ser olhada com respeito. Afinal, o Ozônio foi descoberto em 1840, em 1856 era utilizado para a desinfecção de salas de operação e esterilização de instrumentos cirúrgicos, desde 1956 é utilizado na odontologia, atua na purificação da água, cicatrização de feridas e tem estudos de sua utilização para o tratamento complementar de inúmeras patologias, motivando muitos artigos científicos e ao tempo que angaria simpatizantes, também gera controvérsia.

Durante a 1ª Guerra Mundial, foi utilizada por ingleses e alemães para o tratamento de feridas, antes disto, em 1892, a conceituada revista científica inglesa The Lancet, publicou artigo sobre seu uso para o tratamento da tuberculose. É muito difundida nos países europeus, como na Alemanha (ofertada em planos de saúde), na Itália e na Inglaterra. Desde 1976 os EUA discutem a Ozonoterapia Medicinal e em 2016 a FDA (Food and Drugs Administration), espécie de ANVISA americana, proibiu o seu uso medicinal. Em 1975 chegou ao Brasil (São Paulo) através do médico Dr. Heinz Konrad; nos anos 90, o Dr. Edison de Cezar Philippi trouxe esta terapia para SC e difundiu pelo Sul do país. Através da Portaria GM/MS nº 702/2018, foi incluída na Política Nacional das Práticas Integrativas e Complementares do SUS, o Conselho Federal de Medicina, através da Resolução nº 2.181/2018, restringiu seu uso invasivo apenas em caráter experimental, através de autorização do Conselho Nacional de Pesquisas e Ética, perante o que lhe é facultado pela Lei nº 12.832/2013, que dispõe sobre o exercício da medicina. Agora em junho, foi divulgada pesquisa da Itália com mais de 100 pacientes de COVID-19 em 15 hospitais, relatando seu uso em todas as fases da doença, com o intuito de aumentar a imunidade e diminuir a carga viral, registrando melhora da condição clínica destes pacientes. As pesquisas ainda são muito incipientes e a administração de gases tóxicos pode causar sequelas ao organismo, mas a sua história de utilização que remonta o século XIX, impõe nosso respeito e que nos aprofundemos em estudos.

Direcionar os recursos públicos para políticas regionais com foco na ampla testagem com o RT-PCR, identificando quem está contaminado, cortando a cadeia de transmissão e provendo os cuidados precocemente, impedindo que a doença evolua para fases mais agressivas, seria o óbvio, mas na ausência de gestão nesta pandemia, deixo o meu respeito e aplausos aos profissionais da saúde, que estão fazendo a sua parte e indo além.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!



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