terça-feira, 14 de setembro de 2021

SETEMBRO AMARELO, A VIDA PRECISA SER VALORIZADA

 


O Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de valorização da vida e de prevenção ao suicídio, de iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), iniciada em 2015 e ocorre anualmente neste mês em função de 10 de setembro ser Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2003.

A cor amarela faz alusão à morte, por suicídio, de um jovem americano, Mike Emme de apenas 17 anos em 1994. Ele tirou a própria vida em um Mustang amarelo 1968, que havia sido restaurado por ele. Cartões com frases motivacionais foram distribuídos durante o seu velório, dirigidas àqueles que padeciam das mesmas dores que Mike, e estes, tinham laços amarelos. Este episódio motivou os familiares e amigos de Mike a iniciarem uma campanha de prevenção contra o suicídio que se ampliou e originou a data mundial de 10 de setembro.

Segundo a OMS, ocorrem cerca de 800 mil suicídios anuais, uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos, sendo a 3ª causa de morte de jovens de 15 a 29 anos e a 7ª de crianças entre 10 e 14 anos. Estes dados foram coletados através de uma ampla pesquisa mundial realizada pela entidade no ano de 2012 e revelavam o Brasil como o 8º país com maior número de suicídios, com uma média nacional de 32 ocorrências por dia ou 5,5 ocorrências por 100 mil habitantes. Entre os estados brasileiros, o Rio Grande do Sul liderava, seguido pelo Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, estado que apresentava uma média maior que a nacional, qual seja, de 8,58 suicídios por 100 mil habitantes.

Em 17 de junho de 2021, a OMS fez o seguinte pronunciamento: “Não podemos e não devemos ignorar o suicídio”. Segundo a entidade, todos os anos, mais pessoas morrem como resultado do suicídio do que da AIDS, do Câncer de Mama, por guerras ou homicídios. Em 2019, mais de 700 mil pessoas tiraram a própria vida, 1 em cada 100 mortes identificadas. Continua a entidade: “Nossa atenção à prevenção do suicídio é ainda mais importante agora, depois de muitos meses convivendo com a pandemia da Covid-19, com muitos dos fatores de risco para o suicídio, como a perda de emprego, estresse financeiro e isolamento social, ainda muito presentes”.

Dados atuais da OMS identificam que, mundialmente, a taxa de suicídios diminuiu em 36% entre os anos de 2000 e 2019, contudo, neste mesmo período, houve um aumento de 17% na região das Américas. Preocupante também, o aumento da incidência entre os jovens de 15 a 29 anos, sendo a 4ª causa de morte nesta faixa etária, depois de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal.

Quando se aborda o suicídio, necessário se faz discorrer sobre situações orgânicas que habitualmente estão relacionadas: o estresse, a ansiedade e a depressão.

Toda vez que o ser humano se confronta com uma situação que coloque risco a sua vida ou que provoque tensão nervosa, um mecanismo orgânico de proteção se desencadeia, a começar pela liberação através das glândulas suprarrenais dos hormônios cortisol e adrenalina, estes hormônios catalisam reações químicas que provocam os pulmões a inflarem na busca de mais ar para oxigenar as células, que o coração bata mais rápido para bombear mais sangue e levar mais oxigênio para os músculos, há um aumento da pressão arterial, enfim, todo um mecanismo de defesa é disparado e assim a espécie humana tem sobrevivido através dos tempos. Contudo, quando este mecanismo de defesa é ativado constantemente, pode desencadear problemas orgânicos e mentais, acarretando o estresse, o qual se apresenta passageiro, e distúrbios psicossociais mais graves e que necessitam de tratamento qualificado, como os Transtornos de Ansiedade e a Depressão.

Os Transtornos de Ansiedade e a Depressão podem ser causados por diversos outros fatores internos e externos, sendo que a Depressão, que envolve uma deficiência nos neurotransmissores cerebrais, é a principal causa do suicídio.

O tema do Setembro Amarelo de 2021 é: “Criando esperança por meio da ação”. Segundo o CVV, este tema alerta sobre a importância de ajudar o próximo.

Em 2021, a OMS lançou uma orientação para a prevenção do suicídio, a ser adotada pelos países perante a sua abordagem “Live Life”, a qual envolve 4 estratégias:

· Limitar o acesso aos métodos de suicídio, como pesticidas e armas de fogo;

· Educar a mídia sobre a cobertura responsável sobre o suicídio;

· Promover habilidades socioemocionais para a vida em adolescentes;

· Identificação precoce, avaliação, gestão e acompanhamento de qualquer pessoa afetada por pensamentos e comportamentos suicidas.

A prevenção começa em casa, sendo importante o diálogo entre pais e filhos, a observação das alterações de comportamento das pessoas próximas, afinal, as pessoas emitem sinais, o cuidado com a imersão em redes sociais, manter rotinas de vida que incluam atividades físicas, lazer, momento para orar e/ou meditar com músicas que provoquem o relaxamento, buscar a boa informação evitando a “infodemia” das redes sociais e, claro, conversar sobre o que sente, suas dores e buscar ajuda qualificada.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio de forma voluntária e gratuita, sob total sigilo, pelo telefone 188.

A saúde mental e o suicídio são temas correlatos, a prevenção se inicia com o entendimento de que precisamos conversar sobre o assunto.

Vem comigo!!!

Contatos:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99916-0744
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com

 

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

ATIVIDADE FÍSICA, EXCELENTE REMÉDIO PARA PREVENIR E TRATAR DOENÇAS FÍSICAS E MENTAIS

 

 A atividade física regular é fundamental para prevenir e controlar as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como: doenças cardiovasculares (infarto, AVC e Hipertensão Arterial), diferentes tipos de Câncer (mama, colo de útero, entre outros) e Diabetes tipo 2; atuando ainda para amenizar sintomas de Depressão e Ansiedade, reduzir o declínio cognitivo e melhorar a memória, inibindo também os quadros de Osteoporose e a Sarcopenia (síndrome responsável pela perda progressiva da massa e da força muscular e redução do desempenho físico), consequências do envelhecimento. Esta definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) explica a importância de se manter ativo fisicamente.


As DCNTs são responsáveis por 71% de todas as mortes no mundo, sendo as principais responsáveis pela morte de 15 milhões de pessoas entre 30 e 70 anos, por ano.

Em junho de 2018, a OMS lançou um plano de ação global sobre atividade física para reduzir comportamento sedentário e promover a saúde, indicando como os países podem reduzir a inatividade física em adultos e adolescentes em 15% até 2030. Este plano recomenda um conjunto de 20 áreas políticas, que combinadas, objetivam criar sociedades mais ativas por meio da melhoria dos ambientes e oportunidades para pessoas de todas as idades e habilidades para praticarem mais caminhadas, ciclismo, diversos esportes, recreação ativa, dança e jogos. Este documento solicita o apoio ao treinamento de profissionais de saúde e outros profissionais, sistemas de dados mais sólidos e o uso de tecnologias digitais.

Segundo a OMS, a inatividade física, além do prejuízo à saúde humana, explicitado na perda de vidas, também provoca enormes custos financeiros. Por ano, algo em torno de US$ 54 bilhões em assistência médica direta, dos quais, 57% são custeados por recursos do setor público e outros US$ 14 bilhões são atribuídos a perda de produtividade.

Estudo publicado pelo The American Journal of Psichiatry, em 2018, demonstra que os exercícios físicos contribuem para prevenir e tratar a saúde mental, exercendo, por exemplo, um efeito protetor contra a Depressão em indivíduos saudáveis. Este estudo foi desenvolvido por pesquisadores de 4 Universidades brasileiras e 7 estrangeiras, reunindo informações de 49 trabalhos e analisando dados de 265 mil pessoas de 20 países. Os exercícios físicos, além dos mecanismos neuronais e bioquímicos, segundo esta pesquisa, interferem em outros fatores que impactam a saúde mental, reduzindo os efeitos do estresse do dia-a-dia, elevando a qualidade do sono e favorecendo o ganho de autoestima, seja por modelar o corpo e, principalmente quando feita em grupo, possibilitando interações com outras pessoas, evitando o isolamento social.

A OMS fortalece a importância dos exercícios físicos para prevenir e tratar doenças relativas à saúde mental, sendo que, para a entidade, na Depressão leve, a primeira opção não é a Psicoterapia nem a medicação e sim, a atividade física aeróbica, visto que, o treino causa mudança no funcionamento dos neurotransmissores e alivia os sintomas da doença.

Pesquisa recente, elaborada nos EUA, sugere que o exercício físico pode evitar o desenvolvimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), uma das complicações causadas pela Covid-19 e que, por ser predominante, acaba classificando a doença.

Depois de 10 anos, a OMS atualizou (abril de 2021) os parâmetros ideais para a realização de atividades físicas em cada faixa etária. Essas recomendações se baseiam em estudos científicos, com o objetivo de combater o sedentarismo e garantir o bem-estar físico e mental proporcionado pela atividade física regular. Lembro que, a OMS define a atividade física como sendo qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos, que requeiram gasto de energia, incluindo atividades físicas praticadas durante o trabalho, jogos, execução de tarefas domesticas, viagens e em atividades de lazer.

Os parâmetros formulados pela OMS, conforme os grupos etários são:

· crianças e jovens (5 a 17 anos): pelo menos, 60 minutos de atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa por dia, sendo as aeróbicas as mais recomendadas, com periodicidade de 3 vezes por semana;

· adultos (18 a 64 anos): pelo menos, 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada durante a semana, sendo que os benefícios são mais significativos se houver o aumento da atividade física aeróbica de intensidade moderada para 300 minutos por semana, podendo haver junção de atividade de fortalecimento muscular;

· idosos (acima de 65 anos): ao menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada durante a semana ou, pelo menos, 75 minutos de atividade física aeróbica intensa neste mesmo período, a atividade aeróbica deve ter, pelo menos, 10 minutos de duração. Os idosos com dificuldade de mobilidade devem realizar atividades físicas para melhorar o equilíbrio, reduzindo o risco de quedas em, pelo menos, 3 dias na semana. Esse grupo, mesmo que acometido de limitações físicas, deve realizar atividades de acordo com as suas condições, mas é importante que se mantenha ativo e funcional.

As atividades físicas, como vimos, trazem grandes benefícios para o corpo e a mente, melhorando o condicionamento físico, aprimorando a capacidade respiratória, estimulando a coordenação motora, aumentando a força e a resistência, melhorando a postura, fortalecendo os ossos e as articulações, aumentando a flexibilidade, prevenindo e tratando doenças físicas e mentais, elevando a autoestima e proporcionando condições para a longevidade do ser humano e para o bem viver.

Movimente-se!

Vem comigo!!!
 

 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

DEPRESSÃO, O MAL DO SÉCULO PRECISA SER DESVENDADO E TRATADO

 


A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertava, já em 2017, que a Depressão é o mal do século, mas tem tratamento e este se inicia por conversar sobre o tema. Esta doença é a principal causa do suicídio, atingindo pessoas de todas as idades e com diferentes estilos de vida, causando desesperança, angústia, prostração e impedindo que as pessoas façam, inclusive, atividades mais simples do seu cotidiano.

A Depressão é um transtorno psiquiátrico, sendo provocada por alterações químicas no cérebro, se conotando por uma deficiência com consequente diminuição na presença dos neurotransmissores: a Noradrenalina, a Serotonina e a Dopamina, hormônios relacionados com a regulação da atividade motora, do apetite, do sono e do humor. Além da sensação de tristeza e de desesperança crônicas, provoca alterações fisiológicas, diminuindo a capacidade de imunização do organismo, potencializando os processos inflamatórios e se configurando como um fator importante a provocar doenças cardiovasculares.

Segundo a OMS, o número de pessoas que vivem com Depressão no mundo aumentou em 18% entre 2005 e 2015, sendo que, mais de 300 milhões de pessoas de todas as faixas etárias conviviam com a doença em 2017. É a principal causa de incapacidade no trabalho.

No Brasil, conforme a OMS, algo em torno de 5,8% de nossa população sofre de depressão, mais de 12 milhões de casos, sendo o maior índice da América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás dos EUA (5,9% da população).

Os principais sinais e sintomas são: angústia, ansiedade exagerada, baixa autoestima, cansaço excessivo, irritabilidade, fraqueza, dormir mal ou ter insônia, desinteresse pelo que lhe dava prazer, compulsividade, falta de concentração, disfunções sexuais, impotência ou incapacidade para atividades cotidianas.

A Depressão tem como principais fatores de risco: histórico familiar, estresse crônico, ansiedade crônica, disfunções hormonais, transtornos psiquiátricos preexistentes, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, vício em drogas ilícitas, uso excessivo de internet e redes sociais, traumas de ordem física ou psicológica, problemas cardíacos, enxaqueca crônica, problemas familiares, traumatismo cranioencefálico e alterações bruscas nas condições socioeconômicas e desemprego.

Já conversamos sobre o fato de a Depressão estar associada a um desequilíbrio químico, relacionado a neurotransmissores do cérebro. Desvendamos os principais sinais e sintomas, assim como os fatores de risco. Contudo as causas que levam ao início deste processo não são de todo conhecidas, provavelmente sendo resultantes da combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais.

Segundo estudos recentes, o componente genético, em 40% dos casos, é o principal responsável por desencadear a depressão. Os fatores ambientais, representados por eventos estressantes também podem desencadear episódios depressivos em quem tem uma predisposição genética para a doença. Claro que, a causa biológica, está sempre presente, através de uma alteração na bioquímica cerebral.

Esta doença afeta de maneira importante as mulheres, estimando-se que em algum momento de suas vidas, até 20% das mulheres podem apresentar um episódio depressivo, conquanto que nos homens isto ocorre numa porcentagem até 12%. Entretanto, na adolescência, os meninos apresentam maior risco de depressão que as meninas. O mais comum é o seu aparecimento a partir dos 30 anos.

O seu diagnóstico é clinico, elaborado pelo médico após coleta completa da história do paciente e realização de exames que identifiquem o estado mental, não sendo utilizados exames laboratoriais específicos.

Esta doença tende a ser crônica e recorrente, como já foi dito, sendo a principal responsável pelo suicídio e precisa ser tratada. Seu tratamento associa uma terapia medicamentosa e psicoterápica. Sendo que, 90% a 95% dos pacientes apresentam resultados totalmente satisfatórios com o tratamento com antidepressivo.

A principal dica de prevenção é manter um estilo de vida saudável, associado a ter uma dieta equilibrada, evitar o consumo de álcool, não usar drogas ilícitas, praticar esportes com regularidade, combater o estresse com atividades prazerosas, não utilizar cafeína em excesso, ter uma rotina de sono regular e não interromper o tratamento sem orientação médica. Claro, ao perceber a existência dos sinais e sintomas da depressão, é fundamental conversar com seus familiares sobre o assunto e procurar auxílio profissional.

A pandemia tem impactado, além do aspecto sanitário intrínseco a este terrível evento sanitário, a economia, as relações humanas, as formas de trabalho e de ensino, enfim, todos os aspectos da nossa vida, também de maneira importante a saúde mental. A pressão que todos estão sofrendo e que provoca que o mecanismo do estresse seja acionado de forma contínua, atinge de maneira preocupante a saúde mental. Os casos de Depressão e de Transtorno de Ansiedade tem aumentado exponencialmente, portanto, todos devemos estar atentos, conversar sobre o tema, nos informarmos e buscarmos auxílio.

O SUS elaborou uma Política de Atenção Psicossocial e instituiu em 2011 a Rede de Atenção Psicossocial (portaria GM/MS nº 3088/2011), a qual oferta gratuitamente serviços que focam no tratamento da saúde mental, inclusive a Depressão, através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) capilarizados pelo país. Na mesma ordem, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio de forma voluntária e gratuita, sob total sigilo pelo telefone 188, e-mail e chat 24h todos os dias.

A Depressão tem tratamento e o primeiro passo é conversar sobre o assunto.

Vem comigo!!!

 



TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...