A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertava, já em 2017, que a Depressão é o mal do século, mas tem tratamento e este se inicia por conversar sobre o tema. Esta doença é a principal causa do suicídio, atingindo pessoas de todas as idades e com diferentes estilos de vida, causando desesperança, angústia, prostração e impedindo que as pessoas façam, inclusive, atividades mais simples do seu cotidiano.
A Depressão é um transtorno psiquiátrico, sendo provocada por alterações químicas no cérebro, se conotando por uma deficiência com consequente diminuição na presença dos neurotransmissores: a Noradrenalina, a Serotonina e a Dopamina, hormônios relacionados com a regulação da atividade motora, do apetite, do sono e do humor. Além da sensação de tristeza e de desesperança crônicas, provoca alterações fisiológicas, diminuindo a capacidade de imunização do organismo, potencializando os processos inflamatórios e se configurando como um fator importante a provocar doenças cardiovasculares.
Segundo a OMS, o número de pessoas que vivem com Depressão no mundo aumentou em 18% entre 2005 e 2015, sendo que, mais de 300 milhões de pessoas de todas as faixas etárias conviviam com a doença em 2017. É a principal causa de incapacidade no trabalho.
No Brasil, conforme a OMS, algo em torno de 5,8% de nossa população sofre de depressão, mais de 12 milhões de casos, sendo o maior índice da América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás dos EUA (5,9% da população).
Os principais sinais e sintomas são: angústia, ansiedade exagerada, baixa autoestima, cansaço excessivo, irritabilidade, fraqueza, dormir mal ou ter insônia, desinteresse pelo que lhe dava prazer, compulsividade, falta de concentração, disfunções sexuais, impotência ou incapacidade para atividades cotidianas.
A Depressão tem como principais fatores de risco: histórico familiar, estresse crônico, ansiedade crônica, disfunções hormonais, transtornos psiquiátricos preexistentes, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, vício em drogas ilícitas, uso excessivo de internet e redes sociais, traumas de ordem física ou psicológica, problemas cardíacos, enxaqueca crônica, problemas familiares, traumatismo cranioencefálico e alterações bruscas nas condições socioeconômicas e desemprego.
Já conversamos sobre o fato de a Depressão estar associada a um desequilíbrio químico, relacionado a neurotransmissores do cérebro. Desvendamos os principais sinais e sintomas, assim como os fatores de risco. Contudo as causas que levam ao início deste processo não são de todo conhecidas, provavelmente sendo resultantes da combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais.
Segundo estudos recentes, o componente genético, em 40% dos casos, é o principal responsável por desencadear a depressão. Os fatores ambientais, representados por eventos estressantes também podem desencadear episódios depressivos em quem tem uma predisposição genética para a doença. Claro que, a causa biológica, está sempre presente, através de uma alteração na bioquímica cerebral.
Esta doença afeta de maneira importante as mulheres, estimando-se que em algum momento de suas vidas, até 20% das mulheres podem apresentar um episódio depressivo, conquanto que nos homens isto ocorre numa porcentagem até 12%. Entretanto, na adolescência, os meninos apresentam maior risco de depressão que as meninas. O mais comum é o seu aparecimento a partir dos 30 anos.
O seu diagnóstico é clinico, elaborado pelo médico após coleta completa da história do paciente e realização de exames que identifiquem o estado mental, não sendo utilizados exames laboratoriais específicos.
Esta doença tende a ser crônica e recorrente, como já foi dito, sendo a principal responsável pelo suicídio e precisa ser tratada. Seu tratamento associa uma terapia medicamentosa e psicoterápica. Sendo que, 90% a 95% dos pacientes apresentam resultados totalmente satisfatórios com o tratamento com antidepressivo.
A principal dica de prevenção é manter um estilo de vida saudável, associado a ter uma dieta equilibrada, evitar o consumo de álcool, não usar drogas ilícitas, praticar esportes com regularidade, combater o estresse com atividades prazerosas, não utilizar cafeína em excesso, ter uma rotina de sono regular e não interromper o tratamento sem orientação médica. Claro, ao perceber a existência dos sinais e sintomas da depressão, é fundamental conversar com seus familiares sobre o assunto e procurar auxílio profissional.
A pandemia tem impactado, além do aspecto sanitário intrínseco a este terrível evento sanitário, a economia, as relações humanas, as formas de trabalho e de ensino, enfim, todos os aspectos da nossa vida, também de maneira importante a saúde mental. A pressão que todos estão sofrendo e que provoca que o mecanismo do estresse seja acionado de forma contínua, atinge de maneira preocupante a saúde mental. Os casos de Depressão e de Transtorno de Ansiedade tem aumentado exponencialmente, portanto, todos devemos estar atentos, conversar sobre o tema, nos informarmos e buscarmos auxílio.
O SUS elaborou uma Política de Atenção Psicossocial e instituiu em 2011 a Rede de Atenção Psicossocial (portaria GM/MS nº 3088/2011), a qual oferta gratuitamente serviços que focam no tratamento da saúde mental, inclusive a Depressão, através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) capilarizados pelo país. Na mesma ordem, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio de forma voluntária e gratuita, sob total sigilo pelo telefone 188, e-mail e chat 24h todos os dias.
A Depressão tem tratamento e o primeiro passo é conversar sobre o assunto.
Vem comigo!!!


Nenhum comentário:
Postar um comentário