quarta-feira, 14 de julho de 2021

ALÉM DA PANDEMIA: TRANSFORMAÇÕES, DESAFIOS E OPORTUNIDADES.

 

A pandemia da COVID-19 tem sido muito dura com a saúde física e mental das pessoas, afinal são milhares de contaminados e de mortos mundo afora, não sendo diferente no Brasil com seus mais de 530 mil óbitos. As preocupações com relação a nossa saúde e de nossos entes queridos, as incertezas profissionais, as dificuldades financeiras inerentes a este período de crise sanitária global, enfim, são muitos fatores que se somam e que nos impactam diariamente com cargas de preocupação e de estresse.

Entretanto o momento ímpar que vivemos provoca além das dificuldades e sofrimentos, transformações importantes nas relações profissionais, na forma de trabalho, nas interações sociais, nos modelos políticos e econômicos, os problemas conjunturais que foram corresponsáveis ou aprofundaram este evento sanitário deverão entrar em pauta e diversas outras mudanças já estão ocorrendo no mundo. Certamente nada voltará a ser exatamente como antes, se melhor ou pior, creio que dependerá de nós.

Paralelo as transformações inerentes ao momento que vivemos, um imenso caminho se abre para aqueles que enxergam as oportunidades advindas deste mundo em transformação. É creditada à Leonardo da Vinci (1452-1519) a seguinte frase: ”Onde muitos enxergam pedras eu vejo os meios para edificar a minha catedral”, qual seja, olhar através das dificuldades, ter capacidade de se adaptar, de entender as necessidades oriundas das mudanças e motivação para empreender no novo mundo que se avizinha, pode se tornar o caminho perfeito para a prosperidade.

Há 100 anos, entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, tivemos o último evento sanitário da proporção do que estamos vivendo, a pandemia da Gripe Espanhola. Assolando um mundo que vivia as dificuldades da 1ª Guerra Mundial (encerrada em 1918), contaminando mais de 500 milhões de pessoas (1/4 da população mundial na época), vitimando mais de 50 milhões, sendo 35 mil no Brasil. Esta pandemia de Influenza apresentou 4 ondas e se somou aos impactos econômicos do pós-guerra para aprofundar a desigualdade social, a fome e o desemprego. O mundo vivia a 2ª Revolução Industrial (1850-1949), com o desenvolvimento de indústrias elétricas, de petróleo, química e aço, ainda, a evolução dos meios de transporte e comunicação.

A pandemia da Gripe Espanhola se somou aos impactos pós 1ª Grande Guerra, que ocasionou uma mudança geopolítica na Europa, já evidenciada com a revolução Bolchevique de 1917 que ascendeu ao poder o socialismo de Lenin na Rússia. Os Estados Unidos fortaleceram sua hegemonia no setor industrial mundial, beneficiado pela crise Europeia do pós-guerra. A Europa teve que se reinventar imersa em profunda crise social e econômica. A pandemia de Influenza potencializou os efeitos pós-guerra e mergulhou o mundo em um palco de problemas sociais, mudanças geopolíticas, crises econômicas, portanto, de muitos problemas, transformações, mas, igualmente de oportunidades, muitos prosperaram e impérios econômicos se edificaram neste ambiente de caos.

Historicamente percebemos que eventos da dimensão de uma guerra mundial ou de uma pandemia como a que estamos vivendo, são os únicos capazes de desestruturar e criar modelos econômicos, provocar mudanças importantes nos processos sociais, políticos, nas formas de trabalho, além de acarretar melhorias em problemas conjunturais na saúde, educação e em outras áreas.

A pandemia da COVID-19 já está trazendo consequências para a política global, tendo sido fator importante para a derrota do extremismo conservador e nacionalista de Donald Trump nos Estados Unidos, expoente no negacionismo a ciência e nas narrativas de desprezo à vida humana. As políticas de enfrentamento e as vidas ceifadas nesta pandemia certamente irão desencadear análises e investigações em muitos países, sendo bem provável que homens públicos que adotaram uma postura similar a de Trump, sejam responsabilizados e defenestrados de seus cargos pela população. Nesta mesma linha, este evento sanitário e a crise econômica oriunda dele, trará para a ordem do dia pautas relativas à desigualdade social, a superpopulação do planeta com sua fragilidade social e sanitária, a preservação do meio ambiente, a fragilidade dos sistemas de saúde, a ineficaz resposta global a pandemia, entre outras.

De outra medida, o mundo digital, expoente da 4ª Revolução Industrial que vivemos, se inseriu de maneira exponencial e definitiva nesta pandemia. A educação sofre mudanças importantes com a incorporação do ensino 4.0, o trabalho remoto foi incorporado definitivamente ao nosso dia a dia e está modificando os ambientes e as relações de trabalho.

A presença das vacinas já sinaliza o fim desta pandemia, muitos países, como os EUA e diversos países da Europa, que diferentemente do Brasil, encaminharam uma logística de compra de vacinas e iniciaram uma imunização em massa da sua população no início de 2021, estão revertendo as medidas de restrições sanitárias e voltando a normalidade da vida. Este novo normal é regido pelo controle epidemiológico através de ampla testagem da população e do inventário genômico que avalia a presença de novas variantes, além de outras ações de governança focadas na ciência, que se somam a campanhas de conscientização e claro, as vacinas.

Conforme o Brasil avance para a imunização coletiva vacinal (mais de 70% da população) e perante indicadores epidemiológicos favoráveis, igualmente iremos adentrar a realidade vivida por países em estágios mais avançados da vacinação.

O momento é propicio para compreender que apesar das dificuldades, das dores e receios, um mundo em crise se transforma, cria necessidades e isto gera enormes oportunidades para prosperar.

Vem comigo!!!
 

 

terça-feira, 13 de julho de 2021

EM MEIO A ERROS, O BRASIL EVOLUI A VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19

O Brasil atingiu a marca de 100 milhões de doses aplicadas de vacinas contra a Covid-19 no dia 1º de julho. Estão sendo aplicadas as vacinas de Oxford/AstraZeneca (predominante), Coronavac/Butantan (2ª mais aplicada), Pfizer e Janssen. Entretanto, apenas 16,45% da população brasileira recebeu a imunização completa, apesar de 46,09% terem recebido ao menos a 1ª dose de uma das vacinas, lembrando que apenas a Janssen é em dose única. Se formos observar os países que compõe o G20, quais sejam, as 20 maiores economias do mundo, o Brasil subiu de 19º para um modesto 10º lugar entre os países que mais aplicam vacinas na proporção de seu volume populacional e esta contabilidade é a que realmente importa. Estamos avançando na vacinação, isto é excelente, mas este avanço tardio, ainda não é na proporção de nossos problemas e necessidades sanitárias.

O desenrolar desta pandemia em nosso país tem sido marcado por erros e omissões do Governo Federal e do Ministério da Saúde. Com uma política de enfrentamento claramente embasada na expectativa de uma imunização de rebanho, política já implementada pelo Reino Unido no início da pandemia e rapidamente descartada, visto o volume de mortes causadas e a sua ineficácia no enfrentamento da Covid-19, o Governo Federal também apostou nas medicações de tratamento precoce, o “kit Covid”, política igualmente perigosa, visto a falsa sensação de segurança que propicia as pessoas, enfraquecendo a necessidade de cuidados de higiene, uso de máscara, de distanciamento social e da vacinação, além da falta de comprovação científica contra a Covid-19, aliás, já existe comprovação da ineficácia da maior parte delas, assim como do perigo do uso da Cloroquina, por exemplo, em razão da possibilidade de efeitos colaterais perigosos. Os erros até aqui foram diversificados e graves, como são graves as denúncias que estão sendo feitas e investigadas na CPI da Pandemia do Senado Federal, relacionadas ao favorecimento financeiro de agentes públicos na compra de vacinas.

Desta forma turbulenta, entre “trancos e barrancos”, chegamos, lamentavelmente de forma tardia e de maneira lenta, a fase de vacinação da nossa população. Após quase 6 meses de seu início, a imunização dos brasileiros contra a Covid-19 já aponta para uma queda na média geral de mortes, desaceleração nas internações e diminuição de óbitos em idosos. Os boletins epidemiológicos divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) mostram este quadro, em 2020, idosos com 60 anos ou mais representavam 73% das mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave, em 2021, até o mês de junho, este índice caiu para 60%. Os Cartórios de Registro Civil corroboram com este novo quadro ditado pela vacinação. Se em 2020, idosos com 60 anos ou mais, contabilizavam 77% dos óbitos por Covid-19 registrados e a faixa etária mais atingida era dos 70 aos 79 anos, com uma a cada quatro mortes, em junho deste ano, houve uma inversão de lógica destas mortes registradas, com a faixa etária de 60 anos ou mais se tornando minoria (45,7%) e a faixa etária de 50 a 59 anos se tornando majoritária. Com relação a faixa etária mais atingida em 2020 (70 aos 79 anos), os registros de óbitos diminuíram de 25,5% para 13,6%. Estes indicadores comprovam a eficiência das vacinas e sua ação importante na diminuição de óbitos dos grupos imunizados.

É de se lamentar o tardio entendimento do Governo Federal sobre a importância das vacinas, estudos da Universidade Federal de Pelotas – RS indicam que, ao menos, 90 mil mortes poderiam ter sido evitadas com a compra antecipada das vacinas e a vacinação em massa dos brasileiros ainda no primeiro semestre de 2021. Mas os erros do planejamento vacinal não param por aí, afinal, o MS definiu os grupos prioritários a serem vacinados, entretanto, deixou as diretrizes de acesso por conta dos municípios. Aí vejamos, tomemos como exemplo os profissionais da área da saúde, é razoável que os que estão na linha de frente de combate à pandemia sejam os primeiros imunizados, entretanto, o acesso do restante dos profissionais deste grupo é diferente conforme o município e diversas distorções têm ocorrido. De outra medida, os municípios estão sujeitos a uma pressão direta dos seguimentos profissionais e econômicos. Em uma situação grave como esta pandemia, as diretrizes necessariamente deveriam ter sido elaboradas pelo MS e apenas ajustadas perante a equidade loco-regional.

Um novo escândalo repercutiu no início de julho, quando registros oficiais do MS indicaram que 26 mil pessoas receberam doses vencidas da vacina da AstraZeneca, de 8 lotes que foram utilizados em 1532 municípios. Segundo a Fiocruz, estes lotes não saíram da sua linha de produção. O mistério continua e, segundo a ex-diretora do Programa Nacional de Imunização, a epidemiologista Carla Domingues, houve um erro no sistema e as vacinas vencidas não foram aplicadas. Pois é, erro houve, não se sabe de que ordem.

As campanhas de conscientização e de vacinação nesta pandemia, tão importantes, parecem um sonho de consumo inalcançável, mas a vacinação avança e o esforço dos municípios é de se aplaudir. Entretanto, cabe um alerta, vacinar em massa é fundamental, mas é importante que se evite filas e aglomerações que possam levar a contaminação dos que vão se vacinar. Neste quesito, a utilização do modelo drive-thru e uma logística vacinal que inclua a pulverização do público-alvo em mais de um local de vacinação, seria o indicado.

Vem comigo!!!

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quarta-feira, 7 de julho de 2021

VACINAS, O CAMINHO PARA A RETOMADA ECONÔMICA E DE NOSSAS VIDAS

 

Em março de 2021, 50.723 pessoas assistiram a um jogo de futebol entre Carlton Blues e Collingwood Magpies, dois times rivais da Austrália e o jogo ocorreu no estado de Victória, região sem nenhum caso ativo de Covid-19 naquela data. Em abril de 2021, a Austrália apresentava apenas 32 casos ativos da doença e uma morte, tendo registrado desde o início da pandemia, pouco mais de 30 mil contaminados e 910 mortes. Estes resultados colocam este país com mais de 25,36 milhões de habitantes como modelo no combate a este evento sanitário e isto foi conseguido através de uma política de contenção nacional capitaneada pelo Governo Federal, com um trabalho preventivo muito intenso focado na testagem em massa da população, rastreamento dos infectados, ruptura na cadeia de contágio e isolamento dos contaminados, campanhas de conscientização da população para a importância do uso da máscara, dos cuidados de higiene e do distanciamento social, ainda com lockdowns executados em tempo e dose regidos pela ciência. Mas, mesmo tendo seguido a cartilha do que deve ser feito e se tornado referência mundial no combate à pandemia, vivendo os primeiros meses de 2021 em ritmo de vida praticamente normal, o país pecou ao iniciar tardiamente e de maneira lenta, a vacinação da sua população, com isto, viu crescer o número de casos perante um surto provocado pela variante indiana (Delta) e o estado de Victória, segundo mais populoso e local do jogo de futebol com mais de 50 mil pessoas ocorrido em março e nesta data sem nenhum caso ativo, entrou em lockdown em junho.

Este relato mostra a importância das vacinas, ainda que, são o caminho para o encerramento desta pandemia, para a retomada econômica e de nossas vidas.

O Brasil, com mais de 18,6 milhões de infectados e mais de 518 mil mortes, 2º em mortes no mundo, ameaçando superar os EUA, adotou um modelo de combate à pandemia diametralmente oposto ao australiano e fracassou rotundamente, política de estado que não priorizou as vacinas e apostou na imunização de rebanho, termo cunhado na veterinária e que não pode ser projetado para humanos, visto o preço das vidas que se perdem.

Segundo estudos da Universidade Federal de Pelotas – RS, cerca de 90 mil óbitos poderiam ter sido evitados se o Governo Federal, através do Ministério da Saúde (MS), tivesse elaborado uma logística de compra antecipada de vacinas que permitisse uma imunização em massa da população já no primeiro semestre do ano. Outro estudo publicado na conceituada revista científica The Lancet pelo renomado epidemiologista brasileiro Pedro Hallal, professor da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas – RS e coordenador do Epicovid-19, um dos maiores estudos sobre o Coronavírus no país, diz que: “caso o Brasil estivesse na média mundial de controle da pandemia, 3 de 4 mortes poderiam ter sido evitadas”, portanto, por este estudo, mais de 300 mil mortes por Covid-19 não teriam ocorrido.

Os EUA, egressos do negacionismo à ciência, da relativização da pandemia e do desrespeito à vida humana da “era Trump”, ainda estão liderando o ranking mundial de casos e óbitos pela Covid-19, com mais de 33,6 milhões de casos e mais de 604 mil mortes, chegando a registrar mais de 4 mil óbitos pela doença em 24h. Mas este quadro tenebroso começou a ser revertido com uma política de estado focada na ciência, implementada a partir de dezembro de 2020 pelo novo presidente, Joe Biden. Esta política tem como alicerce a vacinação em massa dos mais de 328,2 milhões de americanos, tem surtido efeitos e coloca os EUA como referência sobre o que precisa ser feito, as consequências nefastas de se negar a ciência e a importância das vacinas.

O governo Biden chegou a imunizar 3,4 milhões de pessoas por dia até abril de 2021, índice que caiu para 2,4 milhões em maio, momento em que as campanhas de conscientização foram intensificadas e se disponibilizou a vacina para imigrantes, sem comprovação de residência. Segundo análise feita pela Associated Press, publicada em 25 de junho, tendo como referência o mês de maio, apenas 1% das mortes por Covid-19 no país são de pessoas vacinadas, a média de mortes em 24h caiu para menos de 300. Esta mesma análise indica que infecções em pessoas que receberam as duas doses da vacina correspondem a apenas 0,1% dos internados e das 18 mil mortes registradas, apenas 0,8% foram de pessoas totalmente vacinadas.

Segundo dados oficiais do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, até 25 de junho haviam sido aplicadas 229 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, 42% da população vacinada com a 1ª dose e aproximadamente 30% totalmente imunizadas. Caminhando para a imunidade coletiva vacinal (70% da população vacinada) e controlando os dados epidemiológicos através de uma ampla testagem da população, o país começa a reverter as medidas restritivas e retomar a normalidade da vida.

Apesar de erros e equívocos, o Brasil avança na sua campanha de vacinação. Neste momento, passamos de 100 milhões de vacinados entre 1ª dose e imunização completa, acredito que mais próximo do final de 2021 teremos um volume populacional vacinado que justifique, se os indicadores epidemiológicos assim permitirem, a retomada à normalidade de nossas vidas e a economia certamente viverá melhores dias.

Vem comigo!!!

 

TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...