terça-feira, 13 de julho de 2021

EM MEIO A ERROS, O BRASIL EVOLUI A VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19

O Brasil atingiu a marca de 100 milhões de doses aplicadas de vacinas contra a Covid-19 no dia 1º de julho. Estão sendo aplicadas as vacinas de Oxford/AstraZeneca (predominante), Coronavac/Butantan (2ª mais aplicada), Pfizer e Janssen. Entretanto, apenas 16,45% da população brasileira recebeu a imunização completa, apesar de 46,09% terem recebido ao menos a 1ª dose de uma das vacinas, lembrando que apenas a Janssen é em dose única. Se formos observar os países que compõe o G20, quais sejam, as 20 maiores economias do mundo, o Brasil subiu de 19º para um modesto 10º lugar entre os países que mais aplicam vacinas na proporção de seu volume populacional e esta contabilidade é a que realmente importa. Estamos avançando na vacinação, isto é excelente, mas este avanço tardio, ainda não é na proporção de nossos problemas e necessidades sanitárias.

O desenrolar desta pandemia em nosso país tem sido marcado por erros e omissões do Governo Federal e do Ministério da Saúde. Com uma política de enfrentamento claramente embasada na expectativa de uma imunização de rebanho, política já implementada pelo Reino Unido no início da pandemia e rapidamente descartada, visto o volume de mortes causadas e a sua ineficácia no enfrentamento da Covid-19, o Governo Federal também apostou nas medicações de tratamento precoce, o “kit Covid”, política igualmente perigosa, visto a falsa sensação de segurança que propicia as pessoas, enfraquecendo a necessidade de cuidados de higiene, uso de máscara, de distanciamento social e da vacinação, além da falta de comprovação científica contra a Covid-19, aliás, já existe comprovação da ineficácia da maior parte delas, assim como do perigo do uso da Cloroquina, por exemplo, em razão da possibilidade de efeitos colaterais perigosos. Os erros até aqui foram diversificados e graves, como são graves as denúncias que estão sendo feitas e investigadas na CPI da Pandemia do Senado Federal, relacionadas ao favorecimento financeiro de agentes públicos na compra de vacinas.

Desta forma turbulenta, entre “trancos e barrancos”, chegamos, lamentavelmente de forma tardia e de maneira lenta, a fase de vacinação da nossa população. Após quase 6 meses de seu início, a imunização dos brasileiros contra a Covid-19 já aponta para uma queda na média geral de mortes, desaceleração nas internações e diminuição de óbitos em idosos. Os boletins epidemiológicos divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) mostram este quadro, em 2020, idosos com 60 anos ou mais representavam 73% das mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave, em 2021, até o mês de junho, este índice caiu para 60%. Os Cartórios de Registro Civil corroboram com este novo quadro ditado pela vacinação. Se em 2020, idosos com 60 anos ou mais, contabilizavam 77% dos óbitos por Covid-19 registrados e a faixa etária mais atingida era dos 70 aos 79 anos, com uma a cada quatro mortes, em junho deste ano, houve uma inversão de lógica destas mortes registradas, com a faixa etária de 60 anos ou mais se tornando minoria (45,7%) e a faixa etária de 50 a 59 anos se tornando majoritária. Com relação a faixa etária mais atingida em 2020 (70 aos 79 anos), os registros de óbitos diminuíram de 25,5% para 13,6%. Estes indicadores comprovam a eficiência das vacinas e sua ação importante na diminuição de óbitos dos grupos imunizados.

É de se lamentar o tardio entendimento do Governo Federal sobre a importância das vacinas, estudos da Universidade Federal de Pelotas – RS indicam que, ao menos, 90 mil mortes poderiam ter sido evitadas com a compra antecipada das vacinas e a vacinação em massa dos brasileiros ainda no primeiro semestre de 2021. Mas os erros do planejamento vacinal não param por aí, afinal, o MS definiu os grupos prioritários a serem vacinados, entretanto, deixou as diretrizes de acesso por conta dos municípios. Aí vejamos, tomemos como exemplo os profissionais da área da saúde, é razoável que os que estão na linha de frente de combate à pandemia sejam os primeiros imunizados, entretanto, o acesso do restante dos profissionais deste grupo é diferente conforme o município e diversas distorções têm ocorrido. De outra medida, os municípios estão sujeitos a uma pressão direta dos seguimentos profissionais e econômicos. Em uma situação grave como esta pandemia, as diretrizes necessariamente deveriam ter sido elaboradas pelo MS e apenas ajustadas perante a equidade loco-regional.

Um novo escândalo repercutiu no início de julho, quando registros oficiais do MS indicaram que 26 mil pessoas receberam doses vencidas da vacina da AstraZeneca, de 8 lotes que foram utilizados em 1532 municípios. Segundo a Fiocruz, estes lotes não saíram da sua linha de produção. O mistério continua e, segundo a ex-diretora do Programa Nacional de Imunização, a epidemiologista Carla Domingues, houve um erro no sistema e as vacinas vencidas não foram aplicadas. Pois é, erro houve, não se sabe de que ordem.

As campanhas de conscientização e de vacinação nesta pandemia, tão importantes, parecem um sonho de consumo inalcançável, mas a vacinação avança e o esforço dos municípios é de se aplaudir. Entretanto, cabe um alerta, vacinar em massa é fundamental, mas é importante que se evite filas e aglomerações que possam levar a contaminação dos que vão se vacinar. Neste quesito, a utilização do modelo drive-thru e uma logística vacinal que inclua a pulverização do público-alvo em mais de um local de vacinação, seria o indicado.

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