quarta-feira, 4 de novembro de 2020

A COVID-19 E A TEMPORADA DE VERÃO


Poucas certezas nos unem neste momento, uma delas é que a máxima que diz que “o ano no Brasil começa após o carnaval”, foi reescrita em 2020 com o primeiro caso oficial da COVID-19 em 26/02 para “o ano terminou após o carnaval”, ainda que a despeito de vivermos um momento pandêmico, esta temporada de verão 2020/2021 precisa ser um sucesso.

Mas como termos uma ocupação sanitariamente sustentável de nossas praias, cidades e equipamentos turísticos?

Afinal, a Europa vive uma segunda onda, extremamente preocupante da doença, com países como a Alemanha, Reino Unido, França e Espanha com aumento de casos que já faz com que seus governos adotem novos protocolos de distanciamento social. O número de óbitos caminha em curva menor do que foi visto na primeira onda, entretanto, este quadro começa a se reverter em alguns locais e faz com os cientistas tenham dúvidas sobre a ideia de que uma segunda onda seria menos letal que a primeira. De outra ordem, os EUA, país que adotou nacionalmente ações de governança calcadas no negacionismo da doença, reflete este enfrentamento irresponsável desta pandemia com um quadro de uma onda contínua e intermitente em diversos estados. Conforme se pronunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS), a situação do Hemisfério Norte é muito preocupante e a vinda do inverno pode tornar esta situação ainda mais complexa.

Nosso país está em terceiro em números de casos, atrás dos EUA e da Índia, este o segundo país mais populoso do mundo, com um sistema de saúde precário e imerso em imensa desigualdade social. Somos o segundo em número de óbitos, perdendo apenas dos EUA, aliás, salta aos olhos que estes dois países adotaram políticas negacionistas, com discursos governamentais difusos e com a proteção econômica sendo priorizada em detrimento a proteção à vida. O feriado de 12/10, pensando nos 14 dias para a repercussão sanitária pandêmica da ocupação sem qualquer sustentabilidade de nossas praias e outros equipamentos turísticos, repercute neste momento com regiões que estavam em fase de estabilização no crescimento de contágio, migrando para a fase de aceleração, é o caso de Santa Catarina, que se soma ao Acre, Amapá, Ceará e Espírito Santo, nesta mesma situação em final de outubro. Imagino que o feriadão de 02/11 vai agravar este quadro e “medir o termômetro” do que pode ocorrer na temporada de verão.

E não me venham falar em vacinas já neste final de ano, claro que alguma das 35 que estão em fase mais avançada de testes em humanos, sendo 9 as que se apresentam na vanguarda destas testagens, pode ter sua aprovação no apagar das luzes de 2020, acho pouco provável. Acredito que isso só ocorrerá no primeiro semestre de 2021. Mas vamos lá, que este fato ocorra, toda uma logística de produção, distribuição e imunização precisará ser vencida, e olhem, acreditem, esses processos invadirão 2022. Conspira ainda em nosso país para a dificuldade de imunização de nossa população a posição contrária do governo federal à imunização obrigatória e a inclusão da vacina Coronavac no Programa Nacional de Imunização (PNI), situações estas que deverão ser judicializadas e discutidas no Supremo Tribunal Federal.

Portanto, reitero que uma das certezas de que nos une é de que precisamos ter uma temporada de verão bem sucedida, mas claro, será em ritmo pandêmico, à mercê da possibilidade de uma segunda onda tão impactante quanto a primeira e sem vislumbre de vacina no horizonte.

Mas afinal, como termos uma ocupação sustentável de nossas praias, cidades e equipamentos turísticos?

Creio que o início de tudo está em aceitarmos e entendermos o momento em que vivemos, adotarmos uma narrativa calcada nesta realidade e na ciência, pautarmos nossas ações em indicadores que reflitam o real momento da pandemia em nosso país, para tanto, testes sorológicos precisam ser realizados no intuito de identificar a real parcela da população que já teve contato com o SARS-COV-2 e a COVID-19, ainda prover elementos para entender a evolução pandêmica em nosso país. Olha só, são ações de governança e que se não forem adotadas em nível federal, precisam num plano de contingência serem adotadas por estados e municípios. Ainda, manter a guarda alta com estas e outras ações de monitoramento, assim como no atendimento aos infectados.

Lembro que as tradicionais “viroses” de verão continuarão a ocorrer, assim como a dengue, já endêmica em nosso país, a febre-amarela, a meningite e tantas outras doenças.

Paralelamente a isto, os municípios precisam elaborar campanhas que tenham foco na segurança sanitária, com a elaboração de protocolos, treinamentos para os atores sociais, ferramentas de conscientização, estimulando o comprometimento de seus munícipes e de seus visitantes. Campanhas estas que conversem com as ações de governança, forneçam subsídios e sejam paritadas pelo aumento ou diminuição de casos.

A ocupação sustentável das praias é um desafio à parte, mas campanhas de educação ambiental, já amplamente desenvolvidas, podem dar um modelo de logística e a eficiência na fiscalização será fundamental. Difícil será, mas a sua eficácia será regulada pelo comprometimento de cada qual.

Todos estão ávidos de passear e de buscar novos horizontes após um ano tão complexo, ainda de equilibrar as suas finanças e tecer planos futuros, mas isto só será possível com ações que garantam a segurança do bem viver.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

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terça-feira, 27 de outubro de 2020

O SENTIDO DA VIDA EM TEMPOS DE PANDEMIA



Viktor Emil Frankl (1905-1997), médico neurologista e psiquiatra austríaco, fundador da 3ª Escola Vienense de Psicoterapia, escreveu em 1946 o best seller “Em busca de sentido”, retratando suas experiências como judeu e prisioneiro que foi em 4 campos de concentração nazistas, inclusive o de Auschwitz, de 1942 até o final da 2ª Grande Guerra em 1945. Nesta mesma condição, perderam a vida sua esposa que estava grávida, seus pais e seu irmão. Através destas experiências, elaborou o seu método psicoterapêutico baseado em como encontrar uma razão para viver.

Me reporto a esta figura histórica, mundialmente conhecida e laureada, ainda a seu trabalho basilar para nos situar perante o momento em que vivemos. Se esta pandemia já provocou, globalmente, mais de 1 milhão de vítimas fatais, mais de 10% em nosso país, o segundo no mundo em óbitos e continua a avançar com segundas ondas em vários países da Europa, como Grã-Bretanha, Alemanha, França e Espanha, além de uma onda intermitente em diversos estados dos EUA, ela também assusta por provocar o negacionismo, as narrativas distantes da ciência, o radicalismo político e, por vezes, a sordidez humana expressa em discursos e atitudes claramente calcados em interesses menores.

Seria o sentido da vida neste momento buscar uma vacina salvadora ou cura miraculosa para podermos voltar as nossas rotinas? Mas se assim o é, o que levaria o governo federal a desautorizar o Ministro da Saúde a adquirir 46 milhões de doses da vacina Coronavac (parceria do governo do estado de São Paulo através do Instituto Butantã e governo chinês com transferência de tecnologia) alegando falta de credibilidade técnica, por ser oriunda da China, sendo que, a vacina de Oxford (parceria do governo federal através da Fio Cruz com transferência de tecnologia) utiliza insumos chineses na sua elaboração e ambas estão em terceira fase de testes em humanos?

Oras, mas nossa vida pregressa não causou esta pandemia? Senão vejamos, suas causas concretas são: a superpopulação do planeta, a desigualdade social, a degradação ambiental, a falta de acesso ao saneamento básico e a água potável de boa parte da população, os maus hábitos de higiene, a fragilidade dos sistemas de saúde, as ações de governança ineficazes, o radicalismo, a falta de empatia, de solidariedade e o egoísmo. Portanto, a culpa não é da China, os reais culpados são os seres humanos e suas ações nefastas para o planeta, para os outros e para si mesmos. É razoável acreditar que, se estes condicionantes não forem alterados, em algum lugar surgirá um vírus e uma doença que desencadeará uma pandemia ainda mais terrível que esta.

O distanciamento social, a alteração brusca de nossas vidas, o temor pela doença, pelo desemprego e pelo futuro nos faz, obrigatoriamente, pararmos e pensarmos sobre o sentido das coisas. Mas como entender, dar credibilidade ao que está acontecendo e as razões para este fato histórico, se somos impactados diariamente por narrativas dissonantes? O mundo está mostrando a sua cara e, infelizmente, alguns que confiamos a nos liderar ou exercem a formação de opinião, optaram por seus próprios interesses.

O sentido das coisas pode estar focado nesta conscientização, sobre o que é a doença, acompanhando a ciência no entendimento de sua gravidade, respeitando a sua vida e a do próximo ao adotar o uso da máscara, medidas de higiene e de distanciamento social, compreendendo o significado do “novo agora” e o quanto ele depende de nossas ações responsáveis.

De outra forma, cobrar dos governos atitudes igualmente responsáveis. Olha só, se a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou em 23/10 que: “o Brasil não deve baixar a guarda e, apesar da redução de mortes nos últimos dias, existe um risco real de que uma segunda onda da Covid-19 seja tão forte como a primeira”, ainda que: “ninguém está fora de risco e o que aprendemos, certamente no Hemisfério Norte, é que segundas ondas não apenas são possíveis, mas fortemente provável em qualquer lugar”. Pensando neste alerta, será que a ocupação de nossos equipamentos turísticos no feriadão de 12/10 foi sustentável sanitariamente? Estamos tomando os cuidados preconizados pela OMS?

O sentido das coisas pode estar focado no trabalho e nas transformações que está sofrendo, o home office e a era digital que já estava aí, tende a se ampliar de maneira avassaladora, modificando e inovando processos. Se o momento é de transformação, na forma e nas relações de trabalho, a despeito da depressão econômica global que deve se inserir como uma onda paralela a esta pandemia, historicamente as grandes oportunidades são aderentes a estes eventos e estão a espreita de quem entende o “novo mundo” e suas necessidades.

De forma mais ampla, o sentido da vida nesta pandemia pode estar calcado em observar e analisar todas estas situações que aqui relatei, entendendo o que é certo e errado e para tanto a ciência, a história e a busca de variadas fontes de informação é salutar. Estar aberto para entender as dificuldades do momento e a se preparar para elaborar soluções profissionais, familiares e de outras ordens. Ter a vontade de se repensar, de se transformar e contribuir para a transformação do mundo e das pessoas, afinal, esta pandemia há de se encerrar, mas que outras piores não a sucedam, mas para isso, um mundo mais justo e formado por pessoas melhores, precisa florescer.

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terça-feira, 20 de outubro de 2020

O BRASIL NO “NOVO AGORA” E O TURISMO SUSTENTÁVEL

 



Essa pandemia que assola o mundo e que teve o seu início em 30 de dezembro de 2019, quando do surgimento do SARS-COV-2 e da COVID-19 em Wuhan na China, já contaminou quase 40 milhões de pessoas, mais de 5 milhões no Brasil, vitimando mais de 1 milhão, um pouco mais de 151 mil em nosso país. A cada dia conhecemos um pouco mais sobre este vírus e esta doença, nos alarmamos com a possibilidade de reinfecção, com as sequelas temporárias e definitivas, pouco sabemos ainda sobre os percentuais para “imunização de rebanho” e nem quanto tempo esta imunização da população duraria, especula-se de 3 a 6 meses. Alguns países da Europa vivem uma segunda onda, Reino Unido, França, Espanha e Alemanha já discutem novas medidas restritivas de convívio social, de outra maneira, os EUA continuam o seu calvário pandêmico, com surtos intermitentes em diversos estados o que deve se agravar com a chegada do inverno no Hemisfério Norte.

Perante este quadro que traz referências históricas da Peste Negra (século XIV), da Gripe Espanhola (1918-1920), a despeito da evolução da ciência e da tecnologia, acaba ganhando maior dimensão que estes outros eventos históricos pandêmicos em função da globalização que vivemos, isto democratiza os problemas, exige que as soluções abranjam todos os países e provoca eventos correlatos de crise econômica, social, política, assim como transformações na forma e nas relações de trabalho. Já se fala em uma depressão mundial para este e os próximos anos maior que a depressão dos anos 30, provocada pelo “crash” da bolsa de valores de Nova Iorque (1929).

O mundo vive a expectativa de uma “salvadora” vacina. Das 185 em desenvolvimento, 35 estão em fases mais avançadas e 9 em terceira fase de testes em humanos, espera-se ansiosamente a sua chegada para final de 2020 e primeiro semestre de 2021, mas lembro que a logística de produção, aplicação e imunização pode demorar até final de 2021 e início de 2022, para então pensarmos no encerramento desta pandemia.

O Brasil que vive uma acefalia do Ministério da Saúde (MS) nunca vista desde a sua criação em 1953, já cometeu todos os erros possíveis, se aliou a curas milagrosas e a narrativas que pregam o negacionismo científico. Este conjunto de atitudes se espelha no fato do país ser o 3º em número de casos e o 2º em óbitos. Aqui se diz que o ano começa após o carnaval, 2020 se encerrou após as “festas de momo”, com o primeiro caso relatado em 26/02. Neste momento estamos em fase de desaceleração de contágio, entretanto, fechamos em patamar alto de casos e óbitos, o que é preocupante. A despeito disso tudo, nossas vidas precisam continuar, com cuidados e responsabilidade perante o “novo agora” e assim será nossa temporada de verão, tão importante para a economia de nosso país e para nós, anda mais em um ano que não existiu.

É razoável acreditar que o turismo internacional pouco dará as caras nesta temporada 2020/2021, o carnaval do Rio de Janeiro e de outros locais sendo desmarcados, as festas de reveillón sendo redimensionadas para evitar afluxo de público e cruzeiros marítimos sendo cancelados, sinalizam esta evidência. Entretanto, a EMBRATUR já se manifestou sobre o grande aquecimento do turismo regional nesta temporada, o feriadão de 12 de outubro comprovou isto com uma grande visitação nas cidades litorâneas.

É lamentável que o MS em conjunto com as Secretarias de Estado da Saúde não esteja desenvolvendo um inventário epidemiológico, através de testes sorológicos que identifiquem qual parcela da população está imunizada, além de prover maiores elementos sobre esta pandemia. Continuamos a trabalhar com o fato consumado, com o crescimento da ocupação de leitos de UTI e teremos um sinal da evolução da Covid-19 passados 15 dias deste feriadão, com o ciclo de contaminação dando cores a esta ocupação irrestrita e desprovida de fiscalização de nossos equipamentos turísticos.

As pessoas precisam passear, viajar, ir às compras e, certamente, o farão. Acredito piamente em uma temporada superaquecida, entretanto, a dor de cada qual neste momento é o temor, pela vida, pelo trabalho, pelo futuro, sendo o remédio para isto a segurança. Mesmo os negacionistas, carregam consigo este sentimento, portanto, os que menos se cuidam serão os primeiros a “apontar o dedo” para os destinos turísticos que elevarem seus números de casos e causarem insegurança.

Soma-se a esta realidade, toda uma legislação pandêmica criada em nosso país à partir da manifestação da Organização Mundial da Saúde de Emergência Sanitária de Importância Internacional pelo Coronavírus (30/01) e também o fato de, desde 29/04, existir jurisprudência criada pelo STF que a Covid-19 é doença ocupacional.

Ciente destes fatos, a SANTUR está criando para Santa Catarina protocolos sanitários com certificação para seu trade turístico, a cidade de Foz do Iguaçu (PR) fez algo similar, anteriormente, e se tornou um “case” de sucesso, elevando sua ocupação hoteleira.

Portanto entendo que precisamos tocar nossas vidas na toada do “novo agora”, com cuidados e responsabilidade. A temporada de verão será um imenso sucesso do turismo regional, entretanto, há necessidade de elaboração e cumprimento de protocolos sanitários por parte dos governos municipais e pelos empreendedores, com treinamento adequado dos colaboradores e todo o zelo para garantir a biossegurança de todos, assim como, a segurança jurídica de quem emprega. Afinal, todos precisam se divertir, mas com segurança.

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terça-feira, 13 de outubro de 2020

OUTUBRO ROSA EM TEMPOS DE PANDEMIA



A pandemia da Covid-19, que iniciou na China em 30 de dezembro de 2019, bagunçou a vida de todos por todo o mundo, modelos econômicos foram subjugados, fragilidades conjunturais nos sistemas de saúde e outras tantas relativas a integridade da saúde física e mental das pessoas foram descortinadas, a forma e as relações de trabalho sofrem importantes alterações, assim como, crises paralelas de dimensões incalculáveis estão sendo germinadas, tanto na economia, como também na própria área da saúde, afinal, quantas pessoas deixaram de ser assistidas em virtude de outras patologias.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) se pronunciou a poucos dias com relação a sua preocupação pelo aumento de casos de depressão, transtornos de ansiedade e suicídios, visto os efeitos maléficos para o organismo ditados pelo isolamento social, pelo mecanismo do estresse a atuar ininterruptamente no corpo humano em virtude do temor, seja pela doença, pelo desemprego e pelo futuro. Este mecanismo do estresse, quando o organismo humano sob pressão estimula a glândula suprarrenal a liberar adrenalina e cortisol, hormônios que alteram os circuitos metabólicos humanos, também pode provocar ou potencializar outras patologias. Portanto, o quadro provocado por esta pandemia vai além dos indicadores de contaminados e de óbitos, afinal, este evento com referências históricas, é sem precedentes nos malefícios correlatos.

Estando no “novo agora”, onde todos buscamos tocar nossas vidas com cuidados sanitários e responsabilidade, visto que esta pandemia só começará a se encerrar com o advento da vacina, aguardada para final de 2020 e início de 2021, vivenciamos o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e mais recentemente do câncer de colo de útero.

“Quanto antes, melhor”, o slogan da campanha Outubro Rosa de 2020 da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) dá o recado preciso, prevenir o câncer ao diagnosticá-lo prematuramente é responsável por 95% de curas relatadas.

Este movimento surgiu em1990, quando aconteceu a primeira corrida pela cura, em Nova Iorque (EUA) e desde então é promovida anualmente na cidade. Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi (EUA) escolheram o mês de outubro para promover ações com foco no diagnóstico precoce e prevenção da doença, tendo se disseminado por diversos estados americanos e, posteriormente, no formato de campanha, sendo aprovada pelo Congresso Americano, o qual instituiu este mês para epicentro das ações e como símbolo, o laço rosa lançado na primeira corrida pela cura.

No Brasil, o Outubro Rosa iniciou em 2002, com a iluminação, em rosa, do Obelisco do Ibirapuera, se disseminando pelo país em 2008. Em 2011 foi incluído na campanha o diagnóstico precoce e a prevenção do câncer de colo de útero. Esta campanha está incorporada pelo Ministério da Saúde (MS), com ações de conscientização e de disponibilização de exames, sendo mais utilizados a mamografia e a ultrassonografia para o diagnóstico de câncer de mama, e o Papanicolau para o câncer de colo de útero. Diversas entidades participam, com relevo para a SBM e o Instituto Brasileiro do Câncer (INCA).

A SBM preconiza a importância de as pessoas adotarem um estilo de vida saudável com a prática de atividades físicas e alimentação adequada, isto evita uma série de doenças, inclusive o câncer. Soma-se a estas atitudes o entendimento, por parte da mulher, da importância de se apalpar os seios na frente do espelho e na identificação de irregularidades ou nódulos, procurar imediatamente o auxílio médico. Ainda ter uma rotina de visita ao ginecologista, ao menos anual, efetuando exames que podem identificar precocemente um câncer de colo de útero ou de mama.

O câncer é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células, provocada por fatores internos que normalmente estão associados a agentes externos. Dos fatores internos sobressaem os genéticos, hormonais e imunológicos, sendo que os genéticos/hereditários são responsáveis por 5% a 10% dos casos. A idade também é um fator interno importante e os cuidados precisam ser redobrados a partir dos 40 anos. Entre 80% e 90% dos casos estão associados causas externas, sendo as mais presentes: sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, excesso de peso, maus hábitos alimentares e de vida. No câncer de colo de útero, além destes fatores, sobressai a infecção pelo vírus Papiloma Humanus (HPV) e por outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), com relevo para a Clamídia, ainda o uso incorreto de anticoncepcionais e múltiplas gestações.

Segundo a OMS, o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo, em 2018 foram 9,6 milhões de mortes. O câncer de mama apresentou 2,09 milhões de casos, com 16% de letalidade (627 mil mortes). O INCA relata no Brasil (1980 a 2014), 285.165 mortes por câncer de mama, estima-se mais de 66 mil casos novos em 2020. Santa Catarina é um dos estados com maior incidência de câncer de mama, em 20 anos houve um aumento de 158% e, segundo o INCA, em 2020 serão mais 3.370 casos novos.

A campanha deste ano está ofuscada pela pandemia e pelas eleições municipais, segundo pesquisa do IBOPE contratada pela farmacêutica Pfizer e executada entre 11 e 20 de setembro com 1.400 mulheres, 62% destas com idade de 20 a 59 anos pararam de ir ao ginecologista ou ao mastologista, este número aumenta para 73% na faixa etária acima dos 60 anos. Isto é preocupante e vislumbra o que há por vir.

Esta pandemia terá o tempo do seu desfecho, o “novo agora” é um momento de transição responsável e de reflexão, mas não podemos descuidar da nossa saúde geral, afinal, o câncer tem cura e a prevenção associada ao diagnóstico precoce, é o melhor remédio.

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terça-feira, 6 de outubro de 2020

NO BRASIL DA PANDEMIA, O NOVO AGORA E SEUS DESAFIOS



 Esta pandemia da Covid-19 ainda não se encerrou e, segundo a Organização Mundial da Saúde, isto deve se encaminhar com a existência da vacina, mesmo assim devendo se encerrar apenas em 2022. Perante quase 35 milhões de casos mundo afora e mais de 1 milhão de mortes, os mais de 23 milhões de recuperados nos servem de conforto, mas a experiência relatada pela história, de outras pandemias, nos impõe ficar atentos para outras ondas da doença. Na Europa isto está acontecendo, em países como a França, o Reino Unido e a Espanha, os EUA são um caso à parte, onde diversos estados apresentam surtos intermitentes. No Brasil, a pandemia se apresenta em fase de desaceleração de contágio e de óbitos, entretanto nos alarmamos com uma segunda onda a assolar o estado do Amazonas, um dos primeiros a ser atingido e um dos mais afetados.


Entender o que está acontecendo e não trilhar o caminho do negacionismo científico é uma lição de sabedoria que outros momentos históricos similares nos deixaram como legado, esta atitude preserva vidas e nos facilita a reinvenção pessoal e profissional que este mundo em transformação nos impõe. De outra maneira, o “novo agora” deve ser encarado com otimismo, esperança e motivação, perante as oportunidades que este momento de transição irá nos proporcionar.

Desde a Peste Negra, no século XIV, que dizimou 1/3 da população da Europa, passando pela Gripe Espanhola, pós 1ª Guerra Mundial, a história nos relata reações similares das pessoas perante estes momentos críticos, assim como nos faz entender como superá-los. A Bíblia Sagrada, escrita a mais de 2 mil anos, livro mais lido e conhecido do mundo, em Mateus 6:34, nos dá uma grande dica a ser seguida: “Não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta a cada dia o seu desafio.”

O “novo agora” nos impõe um desafio inicial e maior de tocarmos nossas vidas conciliando nossa biossegurança e a de colaboradores; para empreendedores, ainda a biossegurança de consumidores e a segurança jurídica nas relações trabalhistas, afinal, toda uma legislação foi criada nesta pandemia e, desde 29/04, o Supremo Tribunal Federal criou jurisprudência como a Covid-19 sendo uma doença ocupacional. Portanto, a largada para este “tocando a vida” passa pelo uso da máscara, higienização constante das mãos, utilização do álcool em gel, medidas preventivas de distanciamento social e para os empregadores, entendimento da legislação pandêmica, criação de protocolos sanitários e aplicação de rotinas que gerem segurança. Segurança é o remédio para a grande dor da população neste momento: o temor, seja da doença, do desemprego e do futuro; remédio que, se bem aplicado, pode ser um grande diferencial, inclusive, para atrair novos clientes.

A era digital, que já estava aí, ganhou imenso relevo, o home office já faz parte desta nova rotina de trabalho e não acredito que será descartado, nem após o encerramento desta pandemia. Nas empresas, novos postos de trabalho estão sendo criados, mas claro que o risco do enxugamento do corpo de colaboradores e do desemprego é concreto, visto a crise econômica que caminha paralela a esta pandemia e, certamente, será potencializada a níveis incalculáveis neste mundo globalizado. A história novamente pode nos socorrer com um evento que julgo de igual dimensão em consequências futuras: o “crach” da bolsa de valores de Nova Iorque (1929), que gerou a grande depressão dos anos 30. Mas, olhando a história com otimismo e verdade, percebemos que este evento modificador, igualmente abriu um celeiro de oportunidades e, perante ações de governança impostas pelas dificuldades, o liberalismo moderno foi definido e um ciclo de prosperidade se sucedeu.

É inegável que o sistema educacional foi impactado e está sofrendo profundas alterações, imagino que o seu retorno presencial em final 2020 e início de 2021 seja marcado por protocolos de biossegurança e por uma ampliação, ainda a ser dimensionada, do uso de plataformas digitais e do meio virtual.

Falei bastante sobre a ampliação do uso do meio virtual, me parece óbvio que profissionais que ofertem serviços relacionados, serão supervalorizados, assim como profissionais liberais e empreendedores que entenderem a importância destas ferramentas se diferenciarão. Mesmo as eleições municipais de 2020 estarão marcadas pelo uso dos meios digitais, será uma eleição atípica. Será que os candidatos que entenderem isto e souberem melhor usar estas ferramentas, não encontrarão um caminho para o sucesso?

Nos aproximamos do final do ano e da temporada de verão, nosso país tem o turismo como uma de suas principais atividades econômicas. O carnaval está sendo desmarcado em diversos locais, a começar pelo Rio de Janeiro, o reveillón está sendo igualmente cancelado em grandes centros ou reestruturado para evitar o afluxo de público. É sensato afirmar que o turismo internacional dificilmente se fará presente nesta temporada 2020/2021, contudo, o turismo regional tende a ser potencializado, afinal, as pessoas estão avidas de sair, de viajar, de se divertir, de ir as compras, mas convive com este sentimento um outro que já citei, a maior dor da população destes tempos, o temor.

Acredito em uma temporada de verão em ritmo pandêmico, onde as medidas sanitárias terão de ser redimensionadas e os protocolos preparados para permitir uma ocupação sanitária sustentável de praias e de outros aparelhos turísticos, sob pena de termos crescimento nos indicadores de contágio e de óbitos com o surgimento de novas ondas. Portanto, esta temporada 2020/2021 será totalmente atípica, onde, reitero, o remédio da segurança tende a ser o grande diferencial para atrair visitantes e consumidores.

O “novo agora” nos exige entendimento deste novo mundo, cuidados e responsabilidade, mas tenham otimismo, pois, certamente, é um celeiro de oportunidades.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...