terça-feira, 29 de setembro de 2020

O BRASIL DA PANDEMIA ASSISTE COM INDIGNAÇÃO A AMAZÔNIA E O PANTANAL QUEIMAREM


 Esta pandemia da Covid-19 maculou 2020 como o ano em que o mundo parou, em que as pessoas foram obrigadas a se recolherem em seus lares, os modelos econômicos foram subjugados pelo SARS-Cov-2, a forma e as relações de trabalho estão sofrendo transformações, talvez apenas vistas na Revolução Industrial (1760 a 1840).


Os números continuam avassaladores, se o otimismo nos preenche com mais de 22 milhões de recuperados mundo afora, mais de 32 milhões foram infectados e quase 1 milhão perderam suas vidas. O Brasil, 2º país em número de casos e de óbitos, que neste momento se apresenta em fase de desaceleração da contaminação, se conforta com quase 4 milhões de recuperados, mas se entristece por mais de 4,6 milhões de contaminados e pelas mais de 140 mil mortes. Estamos ansiosos e esperançosos por uma vacina, a qual deve estar disponibilizada para início de 2021, mas precisamos estar conscientes que a logística de produção e imunização é complexa, e o seu resultado deve se apresentar para o final de 2021.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já se pronunciou, mesmo com o advento da vacina, deveremos ter o encerramento desta pandemia apenas em 2022. Portanto, viveremos até lá perante um “novo normal”, que impõe ações de governança para conter a evolução da contaminação e o uso da máscara, higiene constante das mãos, evitar aglomerações, enfim, tocar a vida com cuidados e responsabilidade.

O momento nos impõe pensar nas reais causas desta pandemia, quais sejam: a superpopulação do planeta, as atitudes de higiene falhas ou inexistentes, a fragilidade dos sistemas de saúde, a desigualdade social, a falta de acesso à água potável de grande parcela da população global e a destruição de nosso planeta, com relevo para degradação da fauna e flora. Com relação a esta última causa, o Brasil assiste com perplexidade e imensa tristeza o aumento das queimadas na Amazônia, no Cerrado e agora no Pantanal.

Nosso país detém a maior parcela de biodiversidade, em torno de 15 a 20% do total mundial de toda a flora, além de possuir cerca de 55 mil espécies vegetais catalogadas, representando a maior diversidade genética vegetal do mundo, com relevo para o fato que, apenas 8% foram estudadas para pesquisa de compostos bioativos e 1.100 espécies foram avaliadas em suas propriedades medicinais.

A floresta Amazônica representa 1/3 das florestas tropicais do mundo, 10% de toda a biomassa do planeta e as queimadas com o consequente desmatamento na região representam, neste momento, a liberação de 200 milhões de toneladas de carbono por ano (2,2% do fluxo total global), contribuindo com este ato deletério para o aumento do aquecimento global e a destruição da camada de ozônio. Ainda produz imensa quantidade de água para o país, através dos chamados “rios voadores”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água gerados pela evapotranspiração na Amazônia, consequentemente, com o desmatamento, haverá alteração climática e diminuição no volume de chuvas predominantemente nos estados do Sudeste, do Centro-Oeste e do Sul.

As queimadas sucedem ao desmatamento, afinal, é caro desmatar, cada 100 hectares custam cerca de 100 mil reais, portanto, quem desmatou provoca as queimadas para a limpeza do local desmatado. Segundo dados da plataforma MapBiomas Alerta, termômetro do desmatamento, em 2019, mais de 99% dos desmatamentos foram irregulares.

O desmatamento e as queimadas na Amazônia, estão intimamente associadas à especulação e grilagem de terras públicas, a exploração predatória da madeira e outras atividades ilegais. É contumaz conotar o agronegócio como o grande vilão, entretanto, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), isto não condiz com a realidade, até porque a imagem do Brasil no exterior está bastante desgastada por estes eventos nefastos e este setor depende sobremaneira da exportação de seus produtos. Continua esta pesquisa, que no ano de 2019 se ampliou sobremaneira o desmatamento na região, com indicadores não vistos desde 2017, o que prosseguiu por 2020, sendo que, em 12 meses, a partir de agosto de 2019 houve um aumento de 34%.

Na origem desta ação nociva a todos, está a irresponsabilidade e atos criminosos de pessoas sem qualquer senso coletivo ou de respeito ao planeta, mas prossegue a pesquisa da USP, denunciando o desmantelamento das políticas de proteção ambiental por parte do governo federal, a ausência de fiscalização ou ineficácia deste processo e o consequente não cumprimento dos tratados internacionais de preservação do meio ambiente e de diminuição na emissão de gases poluentes.

Este crime contra o meio ambiente e a humanidade que ocorre de maneira continuada e agora ampliada na Amazônia e no Cerrado, neste momento, se propaga para o Pantanal mato-grossense, outra região diferenciada por sua beleza e por seu bioma, onde sobressaem animais em risco de extinção. Os motivos e os agentes causadores, me parece óbvio, que são similares aos da Amazônia.

Neste momento pandêmico, de se reinventar perante o novo mundo que já está aqui, de se cuidar e de tocar nossas vidas com responsabilidade, é imperativo que também seja o momento para pensarmos nos fatores que nos levaram ao que vivemos. As narrativas governamentais dissociadas da realidade sabemos que continuarão a ocorrer, entretanto, cabe a nós cobrarmos pela preservação de nossas riquezas naturais, por atitudes que levem a um mundo melhor e com otimismo agirmos no sentido destes objetivos.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

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terça-feira, 22 de setembro de 2020

NO “NOVO NORMAL”, OS CAMINHOS DE VIVER, DE TRABALHAR COM SEGURANÇA E ATINGIR O SUCESSO

 



Quando nos referimos a pandemia da Covid-19, a história é o melhor alicerce para entendermos o seu desenrolar, as atitudes das pessoas e dos governos, o seu tempo de duração e as consequências destes momentos difíceis.

Podemos nos reportar a Peste Negra ou Peste Bubônica (1343-1356), que dizimou 1/3 da população da Europa e provocou a grande crise da Baixa Idade Média, ainda a Gripe Espanhola (janeiro de 1918 a dezembro de 1920), no pós 1ª Grande Guerra, vitimando mais de 50 milhões de pessoas, 35 mil no Brasil, ainda no “crash” (quebra) da bolsa de valores de Nova Iorque de 1929, motivadora da Grande Depressão dos anos 30 e um dos fatores a desencadear a 2ª Grande Guerra. Todos estes eventos dramáticos se encontram no medo que causam nas pessoas e deste se originam atitudes as mais diversas, a começar pela negação dos fatos, o distanciamento da ciência e a busca de curas milagrosas. Claro que os erros e as fragilidades dos governos se desnudam, a desigualdade social aflora de maneira implacável, assim como a saúde das pessoas é terrivelmente abalada pela ação continuada do mecanismo do estresse, esta defesa do organismo contra as adversidades, a qual já dediquei uma coluna e que, quando acionado continuamente, pode provocar problemas orgânicos e mentais importantes.

De outra medida, estes eventos históricos também se encontram no fato de provocarem profundas alterações nas relações de trabalho e no mundo de maneira geral, se transformando num imenso palco para quem entende o momento histórico e identifica as grandes oportunidades que apenas estes propiciam.

A pandemia da Covid-19 une um evento histórico sanitário, com outro correlato de ordem econômica e social, visto a globalização, portanto, problemas desta ordem são compartilhados por todos os países, assim como as soluções precisam sê-las.

É inegável que esta pandemia só começará a ser controlada a partir do advento da vacina que, com otimismo, a ciência aguarda para o primeiro semestre de 2021 o início da imunização das pessoas, mas existe uma complexa logística de produção, distribuição e aplicação, ainda há o tempo para surtir seu efeito e isto pode se arrastar até final de 2021 e início 2022. Estamos conhecendo o SARS-Cov-2 e a Covid-19, a ciência evoluiu nos protocolos médicos, vidas estão sendo salvas por isto, entretanto, muito ainda temos que aprender sobre suas sequelas, o tempo para a imunização de rebanho, cientificar medicamentos de combate seguros, é cedo para pensarmos no fim deste terrível momento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mesmo com o advento da vacina, levará por volta de 2 anos para esta pandemia se encerrar, isto é perceptível, por exemplo, no aumento de casos e óbitos que visualizam uma possível 2ª onda na França, na Espanha, na Coreia do Sul, além de uma onda intermitente em alguns estados dos EUA. Continua a OMS, que o mundo deve permanecer em alerta, se faz imprescindível o uso da máscara, adotar as atitudes de higiene preconizadas e manter o distanciamento social, entretanto não indica o retorno do distanciamento social mais amplo, a não ser em situação extrema.

O Brasil apresenta um quadro de diminuição de casos e de óbitos, o que é muito bom, contudo, como foi contextualizado anteriormente, a pandemia não se encerrou, precisamos continuar alertas, os governos precisam ampliar as testagens da população e aperfeiçoar a governança desta crise, e sim, teremos uma temporada de verão em ritmo pandêmico.

O momento se faz de tocarmos nossas vidas com responsabilidade e cuidados perante o “novo normal”, mas nossas ações estão balizadas pela declaração da OMS (30/01) de Emergência Sanitária de Interesse Internacional do Coronavírus, a qual desencadeou toda uma legislação específica nos países. No Brasil, a partir da Portaria GM/MS nº 188/2020 (Emergência Sanitária), temos, com relevo, a Lei nº 13.979/2020 (Quarentena), a DLG nº 6/2020 (Calamidade Pública), a Portaria conjunta dos Ministérios da Economia e da Saúde nº 20/2020 (regra o trabalho na pandemia), a Lei nº 14.020/2020 (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda) e Decretos regrando as atividades essenciais em nível federal, estadual e municipal. Importante lembrar que, em 29/04, o Supremo Tribunal Federal criou jurisprudência que a Covid-19 é uma doença ocupacional.

Perante esta situação, o trabalho na pandemia impõe o desafio de resguardar a biossegurança de colaboradores e consumidores, contudo, os empregadores tem sofrido diversos reveses, talvez o maior deles com relação a segurança jurídica. Se em março tínhamos 2.607 ações trabalhistas no Brasil, em abril houve um aumento de quase 500% e assim se sucedeu nos outros meses. Neste momento, o Termômetro Covid, plataforma virtual da Justiça do Trabalho que permite acompanhar em tempo real as ações trabalhistas, identifica 105.218 ações, com mais de 7 bilhões de reais no valor total das causas. Santa Catarina, segundo estado mais atingido, tem mais de 11 mil ações, totalizando quase 270 milhões de reais.

Mas para todo mal há um remédio, nestes tempos pandêmicos e em uma temporada que assim o será, visto que a dor da população é o temor da doença, da morte, do desemprego, o empreendedor que entender isto e oferecer esta segurança para seus colaboradores e consumidores, divulgando este diferencial, certamente estará “saindo da caixa”, se distinguindo, através do mote da segurança atraindo e fidelizando clientes.

Claro que existe a necessidade de se investir na expertise de protocolos sanitários, treinamento de colaboradores, na assessoria qualificada para estas e outras ações, como também para o resguardo jurídico do empregador, mas a área da saúde ensina que salvar vidas é investir na prevenção para não ter que mitigar a doença ou conviver com a morte.

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terça-feira, 15 de setembro de 2020

NO BRASIL DOENTE CRESCE A NEGAÇÃO, A DESINFORMAÇÃO E A IRRESPONSABILIDADE

 


Historicamente, momentos como o que estamos vivendo, levam as pessoas ao seu limiar de tensão e medo, suscitando reações incontidas e, por vezes, irresponsáveis. Desde a pandemia da Peste Negra (1346 a 1353), também conhecida como Peste Bubônica, causada pela bactéria Yersinia Pestis, encontrada em pulgas que ficam em ratos contaminados e que dizimou cerca de 1/3 da população europeia, contribuindo para a crise da Baixa Idade Média, passando pela pandemia da Gripe Espanhola (janeiro de 1918 a dezembro 1920), vitimando mais de 50 milhões de pessoas, 35 mil delas no Brasil e, agora com a pandemia da Covid-19, os erros se repetem, mostrando traços comuns entre estes eventos, quais sejam: a culpabilização, a negação, as “curas milagrosas” e informações falsas.

A Covid-19, em seus mais de 6 meses de pandemia, apresenta quase 20 milhões de recuperados, mais de 3,5 milhões no Brasil, entretanto, contaminou quase 30 milhões de pessoas e vitimou mais de 900 mil, quase 130 mil em nosso país. Diferentemente da Peste Negra e da Gripe Espanhola, esta pandemia apresenta como plano de fundo um mundo globalizado, o vírus atinge todos os continentes com extrema rapidez através de aviões supermodernos, a informação chega a todas as pessoas em tempo real e a economia mundial está interligada, portanto, os problemas e soluções necessariamente serão compartilhados por todos os países, o que nos faz perceber uma outra crise associada a esta, de ordem social e econômica, o que nos reporta ao “crash” (quebra) da bolsa de valores de Nova Iorque de 1929, que gerou a grande depressão mundial dos anos 30 e é um dos fatores a desencadear a 2ª Grande Guerra.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), reiteradas vezes tem se pronunciado que esta pandemia, mesmo com o advento da vacina, deverá levar por volta de 2 anos para se encerrar, reforçando esta posição, o mundo vive à mercê de novos surtos lá e cá, em localidades que já estavam em estágio mais avançado de retomada das atividades sociais e econômicas, o conhecimento deste vírus e desta doença se mostra um ato continuado onde a reinfecção já se apresenta possível e a imunização de rebanho se constata ocorrer com 67% da população tendo sido contagiada. Ainda, das 185 vacinas que estão sendo elaboradas, 35 estão em estágio de testes em humanos e 8 na 3ª fase, preocupando a interrupção, por alguns dias, dos testes da vacina bastante promissora da Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca, em função de possível efeito colateral severo de ordem neurológica, apresentado por um paciente testado. Já a da Sinovac, em parceria nacional com o Instituto Butantã e governo do estado de São Paulo, tem demonstrado em testes ainda não conclusivos, ser mais eficaz em jovens. Pois é, a fase 3 de testes em humanos, todos os testes de segurança e eficácia são rígidos e longos, portanto, precisar quando teremos vacina é difícil.

Olha só, motivos para medo e angústia não nos faltam, estamos cansados, entretanto, se associar a negação, se distanciar da ciência e propagar a desinformação é um ato de irresponsabilidade, infelizmente patrocinado por muitos governantes.

Segundo pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, este momento ímpar fornece a matéria-prima para rumores, boatos e narrativas desconectadas da verdade, qual seja, o temor, assim foi nos tempos da Peste Bubônica e da Gripe Espanhola, buscando sempre encontrar um culpado, negar a ciência e os fatos com teorias conspiratórias ou relativizando a doença, ainda buscando curas milagrosas e difundindo a desinformação.

Quanto as curas milagrosas, se hoje temos a Cloroquina, medicamento que pode ser útil em fases mais avançadas, mas não apresenta comprovação científica e pode causar efeitos colaterais severos, em especial, no sistema cardiovascular, na época da Gripe Espanhola tínhamos o homeopático “Grippina”, o aparelho Farador de Madame Virginia (máquina inspirada nos trabalhos de Michael Faraday e que se propunha através de correntes elétricas, aliviar o sofrimento dos pacientes) e até um composto a base de cachaça, limão e mel, mais tarde intitulado caipirinha. Claro que os protocolos médicos evoluíram com a prática nesta pandemia, certas medicações, ainda que não comprovadas cientificamente, estão sendo utilizadas e são úteis quando administradas com diretrizes rígidas e sob tutela médica, mas não são a solução. Assusta muito manifestações como as ocorridas em Curitiba-PR, em 07 de setembro, onde os manifestantes empunhavam cartazes com dizeres: “nós temos Cloroquina, não precisamos de vacina”.

Com certeza, estamos fadados a viver nossas vidas perante um “novo normal” por um período ainda indeterminado, mas que deve se prolongar por 2021, isto nos impõe o uso da máscara, higiene constante das mãos e evitarmos aglomerações. Quanto aos governantes, entender que esta pandemia não se encerrará por decreto e que a ciência é a maior aliada, sendo essencial ter um discurso e atitudes embasados nos fatos e não no “achismo”.

Mas calma, se por um lado me parece óbvio que teremos uma temporada de verão “galinha dos ovos de ouro” do Brasil do turismo, ainda em ritmo pandêmico, por outro as transformações deste novo mundo e o entendimento da gravidade do que está acontecendo, pode gerar um senso de oportunidades maravilhoso para aqueles que transpuserem esta expertise para a prática de suas vidas e negócios.

Nos distanciando do negacionismo, da desinformação e da irresponsabilidade, estaremos salvando vidas, mas também podemos desta maneira, atingirmos o sucesso.

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