terça-feira, 7 de julho de 2020

PANDEMIA DA COVID-19 NO BRASIL E EM SANTA CATARINA: QUANDO VOLTAREMOS AO NORMAL?




Quando o mundo e o Brasil voltará a ter um estado de normalidade? Esta é a pergunta que mais ouço e as respostas ainda são imprecisas, afinal, já passamos de 11 milhões de casos e dos 500 mil óbitos globalmente, o Brasil, com relevo para a ampla subnotificação de casos e em menor proporção de óbitos, oficialmente contabiliza mais 1,6 milhão de casos e se aproxima de 65 mil óbitos, Santa Catarina, estado que inicia sua fase de aceleração de contágio, contabiliza mais de 32 mil casos e já passou dos 390 óbitos.

Para pensarmos no “quando voltaremos a normalidade de nossas rotinas”, é salutar o entendimento que uma pandemia se compõe de várias fases, cito a gripe espanhola que perdurou por 2 anos e meio, claro que a fase mais agressiva é a de aceleração de contágio (4 a 7 semanas), posteriormente teremos o platô ou pico (tempo indeterminado, onde se estabiliza o crescimento), fase de desaceleração, fase de imunização (com 60% da população já tendo contato com o vírus se denomina “imunização do rebanho” e o contágio é controlado), podendo incidir outras ondas.

O mundo vive fases distintas desta pandemia, a Europa inicia a retomada de atividades, estando na fase de imunização, com protocolos de higiene, de distanciamento social e com monitoramento através de testagem, sendo o teste mais utilizado nesta fase o sorológico (laboratorial, o mais conhecido é o Elysa), para se evitar novas ondas. O EUA, país continental como o Brasil, presenciou momentos distintos de aceleração de contágio em seus estados, em alguns deles, inicia uma fase de relaxamento e retomada das atividades, com os mesmos cuidados que os países europeus, mas com o agravo de ter iniciado o relaxamento do distanciamento social de maneira prematura em algumas localidades, está vivenciando novos surtos da doença.

A América Latina é o atual epicentro da pandemia, com relevo para o Brasil, portanto vive um momento distinto da Europa, tendo a possibilidade de observar o que já aconteceu e exercitar a expertise das ações que são eficazes.

Nosso país apresenta os estados do Norte, boa parte do Nordeste e o Sudeste já demonstrando estar na fase de pico ou platô, em alguns locais existe indícios de desaceleração, já os estados do Sul e Centro-Oeste iniciam a fase de aceleração.

A expertise de combate a esta pandemia indica um comando científico e transparente por parte do Ministério da Saúde (MS), a mobilização da indústria nacional para suprir as necessidades sanitárias e também para ser aquecida neste momento de crise, uma ampla testagem com o RT-PCR (teste ouro) e, a partir disso, se planejar ações com foco no distanciamento social, tendo em mente que a prevenção salva muito mais vidas e custa menos do que paritar as ações por hospitais superlotados com seus leitos de UTI totalmente ocupados. O Brasil não escolheu este caminho.

Com a ausência de vacina, 136 estão sendo desenvolvidas no mundo e 2 em testes no Brasil, a mais promissora da Universidade de Oxford em parceria com o Instituto Butantã, Sinovac Biotech Ltda e o governo do estado de São Paulo. Pouco testando, com planejamento e execução de ações que beiram o caos, hospitais e médicos sob pressão, nosso país se vê a mercê de responder a população com soluções imediatas e duvidosas, como as medicações de combate. Neste quesito, a controversa Cloroquina continua a ser utilizada; a Dexametasona, corticóide utilizado para combater inflamação severa causada pela COVID-19 e eficaz em casos mais graves; a Azitromicina, antibiótico utilizado para combater infecção secundária de origem bacteriana; fungicidas, como a Ivermectina; o Oseltamivir (Tamiflu), antiviral utilizado contra a Influenza (H1N1); entre outros. O Conselho Regional de Medicina de SC emitiu Nota Técnica em 29/06, genérica, ressaltando a falta de comprovação científica, mas estimulando os gestores, perante o difícil momento, a proverem o acesso da população ao uso destes medicamentos, permitindo a prescrição criteriosa com avaliação do quadro geral de saúde do paciente e monitoramento médico.

Santa Catarina convive com o aumento de casos e de óbitos, com curva de aceleração em seu início, o que deve se intensificar com a queda das temperaturas, suas principais cidades e as regiões do Extremo Oeste e da Foz do Rio Itajaí bastante atingidas, a escuridão proporcionada pela quase inexistência de testagem do RT-PCR e pela falta de governança em âmbito estadual pressionam os municípios, amedrontam a população e projetam semanas muito desafiadoras.

Afora a COVID-19, os catarinenses conviveram nos últimos dias com a iminência da vinda de uma nuvem com 400 milhões de gafanhotos e 10 km de extensão, que não chegou e de um ciclone extratropical , “bomba”, que chegou trazendo destruição, falta de energia por alguns dias em diversas áreas do estado, descortinando a falta de estrutura e de políticas públicas que estão marcando presença nesta pandemia e que, certamente, são muito mais graves que esta doença.

Esta pandemia está trazendo transformações definitivas na vida de todos nós, que estas também repercutam nas suas causas, quais sejam, crescimento populacional excessivo e sem sustentação, desigualdade social, políticas públicas ineficazes ou inexistentes, destruição do meio ambiente, falta de saneamento básico, sistemas de saúde frágeis e o mau uso do dinheiro público.

Quando voltaremos às nossas vidas normais é uma resposta difícil de se dar, certamente voltaremos com restrições e perante uma nova realidade de mundo, com muitas oportunidades e também responsabilidades, se melhor ou pior, depende de nós.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

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terça-feira, 30 de junho de 2020

O BRASIL DA COVID-19: OS DESAFIOS DE AGORA E AS OPORTUNIDADES DO PÓS PANDEMIA




O mundo se aproxima dos 10 milhões de contaminados e das 500 mil mortes, evolui 136 vacinas para a COVID-19, 2 delas em testes no Brasil, com muitos países já tendo percorrido a fase de crescimento de contágio e ensaiando o relaxamento das medidas restritivas, adentrando a um “novo normal”, mas intensificando a testagem e monitorando a possibilidade de uma nova onda desta pandemia, concomitantemente a isso, buscando o entendimento do que está ocorrendo e se adaptando as imensas transformações sociais, das relações de trabalho e econômicas que estão em curso.

O Brasil que já passou 1.3 milhões de casos e das 60 mil mortes (dados oficiais afora a ampla subnotificação), desde de 15/05 está com ministro da saúde interino, com a pasta passando por desmanche técnico, pouco testa, só agora sinaliza com uma ampla testagem de 22% da população através do RT-PCR (teste ouro), intenção importante, mas sem indicar a logística de mobilização de estados e municípios, e no momento que a maior parte do Brasil já passou ou passa pela fase de crescimento de contágio. Com alguns estados já no pico de crescimento, o teste sorológico nem é cogitado. Pois é, princípios técnicos passam longe do Ministério da Saúde (MS).

Uma pandemia tem várias fases, seu período de duração pode ser longo, como a gripe espanhola que durou 2 anos e meio (janeiro/1918 – dezembro/1920) e teve 4 ondas. Tendo o Brasil como referência, temos a entrada do vírus no país (26/02), o contágio comunitário, a fase de aceleração ou de crescimento de contágio (4 a 7 semanas), o pico ou platô (estabiliza a aceleração de contágio, tempo indeterminado), fase de desaceleração, fase de imunização (60% da população imunizada se denomina “imunização do rebanho” e o contágio é controlado), podendo haver novas ondas.

Não havendo vacina e nem medicações de combate de absoluta eficácia, medidas de prevenção são fundamentais e estas dependem do cidadão tomar cuidados de higiene (usar máscara, lavar as mãos constantemente com água e sabão ou higienizá-las com álcool gel) e entender a necessidade das medidas de distanciamento social. Quanto aos governos, dialogar com transparência e embasar a tomada de atitudes em princípios técnicos, para isto, é imprescindível a ampla testagem.

Temos 3 tipos de testes: o RT-PCR (mais de 96% de eficácia, laboratorial), identifica a presença do vírus no organismo, detecta onde a infecção está ativa e com isso bloqueia a cadeia de transmissão, é imprescindível para o planejamento de ações, como o distanciamento social em tempo e dose necessários; os testes rápidos (até 30% de eficácia, aplicado após o 7º dia de sintomas), aponta a existência de anticorpos no sangue e mostra quem já foi infectado, pode ser utilizado em municípios para revelar em quais bairros há mais circulação do vírus, como tem baixa eficácia, não é preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para nortear políticas de enfrentamento; teste sorológico (laboratorial), o mais conhecido é o Elysa, utilizado na fase de imunização para monitorar com segurança à população que já foi exposta ao vírus.

Com 103 milhões de pessoas sem saneamento básico, 35 milhões sem acesso à água potável, com hospitais mal distribuídos e mal preparados, o Brasil perde apenas da Índia em pouco testar, não preparou a tão atingida indústria nacional para fornecer equipamentos e insumos hospitalares nesta crise e convive com radicalismos políticos, ampla desigualdade social e o mau uso dos recursos públicos, o resto são narrativas.

O governo de Santa Catarina, estado que sinaliza entrar na fase de crescimento de contágio, o que pode se agravar com a chegada do inverno, continua na mesma toada, fez o distanciamento social precocemente, em dose descabida, visto municípios que até o lockdown aplicaram, baseado em dados empíricos já que é um dos estados que menos oferta o teste RT-PCR, embaralha números de leitos de UTI SUS e Suplementar e com isso, mesmo estando no limite de ocupação em uma região, essa situação acaba relativizada. Não construiu hospitais de campanha e não estruturou o sistema de saúde, não incentivou a indústria estadual, não utilizou a estrutura das associações de municípios e de seus consórcios de saúde para prover ações regionalizadas de ampla testagem e outras que deveriam constar numa política de enfrentamento eficaz, fez deste distanciamento social, medida importante, entretanto mal utilizada em tempo e dose, a sua marca negativa nesta pandemia e deve deixar como legado a desintegração da economia catarinense e a vergonhosa suspeita de mau uso do dinheiro público.

A região do Grande Oeste catarinense está bastante atingida, assim como a região da Foz do Rio Itajaí, com seus mais de 715 mil habitantes, cidades conurbadas (ligadas umas as outras) facilitando a disseminação do contágio e seu grande volume de idosos (média de 10%). Um caminho importante seria o uso do consórcio de saúde da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) e da entidade, para a mobilização financeira do empresariado, planejamento e execução de políticas de enfrentamento regionalizadas, como a ampla testagem com o RT-PCR (teste ouro), estruturação do sistema hospitalar, entre outras ações.

Países da Europa e, inclusive da América Latina, como a Argentina, estão montando conselhos de especialistas para identificar tudo o que nos levou a esta pandemia e planejar ações de prevenção e também, perante as imensas transformações sociais, educacionais, econômicas e nas relações de trabalho que já estão ocorrendo. O Brasil igualmente passará por transformações e precisa rever problemas conjunturais que assolam nossa gente a muito tempo, as mudanças, mesmo as causadas pela dor, produzem um senso de oportunidades imenso a quem as entende e se prepara para o novo mundo.

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terça-feira, 23 de junho de 2020

O CORONAVÍRUS, O BRASIL E A VIDA PÓS PANDEMIA



No mundo esta pandemia já se aproxima de 9 milhões de casos e de 450 mil mortes, no Brasil, atual epicentro, já passou de 1 milhão de casos e de 50 mil óbitos. O próximo epicentro da pandemia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), será a Índia, país que lidera o péssimo ranking de menos testar a população, seguido pelo Brasil, em segundo lugar. Isto significa que, quem não tem política de ampla testagem, não tem planejamento e execução de ações eficazes, apresenta grande subnotificação de casos e até de óbitos, trabalhando numa escuridão extremamente perigosa.

Os países da Europa já passaram pelo pico da pandemia e estão entrando na fase de imunização, claro que com o risco de uma nova onda incidir, o EUA se encaminha para esta realidade, diante desta perspectiva estão retomando gradativamente as suas atividades, inclusive as esportivas, contudo perante um “novo normal”, com os cuidados sanitários, testes de sorologia para detectar o nível de imunização da população, entre outras medidas para identificar uma possível segunda onda, além de ações que impeçam o contato desnecessário entre as pessoas.

O Brasil, que pouco testa, que faz o distanciamento social em tempo e dose inadequados na maior parte dos estados, de maneira prematura ou tardia, por absoluto pavor, já com o contágio acelerando, neste momento que a curva de crescimento ou o pico da pandemia incide na maior parte dos estados, acena com o relaxamento do distanciamento social e até a volta de atividades esportivas, como o futebol que voltou no Rio de Janeiro em 18/06, Flamengo 3x0 Bangu, enquanto isso, dois pacientes de COVID-19 morriam no hospital de campanha anexo ao estádio do Maracanã.

Com o norte e nordeste estando no pico da pandemia e adentrando a fase de desaceleração, o sudeste se aproximando do pico, o sul e o centro-oeste devendo adentrar ou já estando na fase de aceleração, os meses de junho e julho vão definir o que esta pandemia será para este país que transborda em desacertos administrativos, que nos envergonha pelo mau uso do dinheiro público, que mostra uma “suspeita” falta de inteligência ao não incentivar a indústria nacional tão atingida, preferindo fazer compras “suspeitas” de equipamentos e insumos hospitalares no exterior, efetivamente não fará uma política de ampla testagem e faz do distanciamento social, ferramenta tão necessária, um artificio de destruição psicológica e econômica da sua população.

Pois é, precoce e inadvertido no distanciamento social, quando tem que fazê-lo, não pode, pois a sofrida população brasileira padeceria de mais necessidades financeiras ainda, claro, também tem o fator político, afinal as eleições municipais serão este ano, o resto são narrativas.

O governo de Santa Catarina, absolutamente precoce e inadvertido no seu decreto de distanciamento social amplo em 17/03, sem política de ampla testagem, com dados estaduais e municipais que não se encontram e mitigando a carência de UTIs já com a “porta arrombada”, vê o número de casos aumentar no Grande Oeste, com suas maiores cidades, Chapecó e Concórdia, liderando em contaminados, região pródiga em pequenos municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo, conurbados e com sistemas de saúde frágeis, é o segundo mais afetado. A região da Foz do Rio Itajaí assumiu a liderança de contaminados e de óbitos, já apresentando mais de 3.500 casos e isto se explica pelo seu contingente populacional (mais de 850 mil habitantes), por suas cidades conurbadas, o que facilita a disseminação da contaminação pelas cidades e por seu grande volume de idosos (média de 20%). As cidades de Itajaí e Balneário Camboriú, por serem mais populosas e referência hospitalar, são as mais atingidas, Navegantes, cidade portuária, que tem aeroporto e IDH baixo, é uma das mais afetadas percapitamente no estado, seguida por Camboriú, também com relevo ao seu IDH baixo.

De positivo, a revelação de pesquisa desenvolvida pela Oxford University do Reino Unido, muito bem alicerçada, que comprova a eficácia do corticoide Dexametasona, medicamento oriundo do cortisol, hormônio produzido pela glândula suprarrenal, no tratamento da COVID-19 para pacientes graves, em ambiente hospitalar. Quanto à vacina, das 136 que estão sendo desenvolvidas, duas estão em desenvolvimento no Brasil, uma de parceria da Universidade Federal de Minas Gerais com a Fio Cruz e outra, já na fase de testes em pacientes, desenvolvida numa parceria do governo do estado de São Paulo, Instituto Butantan e Sinovac Biotech Ltda. A OMS anunciou que pretende ter vacina disponibilizada para a população mundial até o final deste ano.

As ciências sociais e a história mostram que a sociedade e as relações de trabalho se transformam após grandes eventos, em especial, repentinos como este, posso citar o crash (quebra) da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, que desencadeou “a grande depressão americana” dos anos 30, redefiniu o liberalismo moderno e as relações de trabalho no EUA e em países do bloco capitalista. As guerras mundiais alteraram o mundo, o Japão se tornou este expoente tecnológico e se redefiniu com sua derrota na 2ª grande guerra. Apenas estes eventos transformam sistemas sociais e economias.

Esta pandemia que tanto está nos afetando, nos impondo o distanciamento social e amplas alterações em nosso modo de vida, não é o apocalipse, devemos seguir as orientações da ciência, mas as alterações advindas dela, como o trabalho remoto, ampliação da telemedicina, mudanças na indústria, a educação à distância e as novas formas de trabalho deverão ser incorporadas ao mundo pós pandemia. As grandes histórias de sucesso surgiram nos escombros das crises e no seu senso de oportunidades.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...