terça-feira, 23 de junho de 2020

O CORONAVÍRUS, O BRASIL E A VIDA PÓS PANDEMIA



No mundo esta pandemia já se aproxima de 9 milhões de casos e de 450 mil mortes, no Brasil, atual epicentro, já passou de 1 milhão de casos e de 50 mil óbitos. O próximo epicentro da pandemia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), será a Índia, país que lidera o péssimo ranking de menos testar a população, seguido pelo Brasil, em segundo lugar. Isto significa que, quem não tem política de ampla testagem, não tem planejamento e execução de ações eficazes, apresenta grande subnotificação de casos e até de óbitos, trabalhando numa escuridão extremamente perigosa.

Os países da Europa já passaram pelo pico da pandemia e estão entrando na fase de imunização, claro que com o risco de uma nova onda incidir, o EUA se encaminha para esta realidade, diante desta perspectiva estão retomando gradativamente as suas atividades, inclusive as esportivas, contudo perante um “novo normal”, com os cuidados sanitários, testes de sorologia para detectar o nível de imunização da população, entre outras medidas para identificar uma possível segunda onda, além de ações que impeçam o contato desnecessário entre as pessoas.

O Brasil, que pouco testa, que faz o distanciamento social em tempo e dose inadequados na maior parte dos estados, de maneira prematura ou tardia, por absoluto pavor, já com o contágio acelerando, neste momento que a curva de crescimento ou o pico da pandemia incide na maior parte dos estados, acena com o relaxamento do distanciamento social e até a volta de atividades esportivas, como o futebol que voltou no Rio de Janeiro em 18/06, Flamengo 3x0 Bangu, enquanto isso, dois pacientes de COVID-19 morriam no hospital de campanha anexo ao estádio do Maracanã.

Com o norte e nordeste estando no pico da pandemia e adentrando a fase de desaceleração, o sudeste se aproximando do pico, o sul e o centro-oeste devendo adentrar ou já estando na fase de aceleração, os meses de junho e julho vão definir o que esta pandemia será para este país que transborda em desacertos administrativos, que nos envergonha pelo mau uso do dinheiro público, que mostra uma “suspeita” falta de inteligência ao não incentivar a indústria nacional tão atingida, preferindo fazer compras “suspeitas” de equipamentos e insumos hospitalares no exterior, efetivamente não fará uma política de ampla testagem e faz do distanciamento social, ferramenta tão necessária, um artificio de destruição psicológica e econômica da sua população.

Pois é, precoce e inadvertido no distanciamento social, quando tem que fazê-lo, não pode, pois a sofrida população brasileira padeceria de mais necessidades financeiras ainda, claro, também tem o fator político, afinal as eleições municipais serão este ano, o resto são narrativas.

O governo de Santa Catarina, absolutamente precoce e inadvertido no seu decreto de distanciamento social amplo em 17/03, sem política de ampla testagem, com dados estaduais e municipais que não se encontram e mitigando a carência de UTIs já com a “porta arrombada”, vê o número de casos aumentar no Grande Oeste, com suas maiores cidades, Chapecó e Concórdia, liderando em contaminados, região pródiga em pequenos municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo, conurbados e com sistemas de saúde frágeis, é o segundo mais afetado. A região da Foz do Rio Itajaí assumiu a liderança de contaminados e de óbitos, já apresentando mais de 3.500 casos e isto se explica pelo seu contingente populacional (mais de 850 mil habitantes), por suas cidades conurbadas, o que facilita a disseminação da contaminação pelas cidades e por seu grande volume de idosos (média de 20%). As cidades de Itajaí e Balneário Camboriú, por serem mais populosas e referência hospitalar, são as mais atingidas, Navegantes, cidade portuária, que tem aeroporto e IDH baixo, é uma das mais afetadas percapitamente no estado, seguida por Camboriú, também com relevo ao seu IDH baixo.

De positivo, a revelação de pesquisa desenvolvida pela Oxford University do Reino Unido, muito bem alicerçada, que comprova a eficácia do corticoide Dexametasona, medicamento oriundo do cortisol, hormônio produzido pela glândula suprarrenal, no tratamento da COVID-19 para pacientes graves, em ambiente hospitalar. Quanto à vacina, das 136 que estão sendo desenvolvidas, duas estão em desenvolvimento no Brasil, uma de parceria da Universidade Federal de Minas Gerais com a Fio Cruz e outra, já na fase de testes em pacientes, desenvolvida numa parceria do governo do estado de São Paulo, Instituto Butantan e Sinovac Biotech Ltda. A OMS anunciou que pretende ter vacina disponibilizada para a população mundial até o final deste ano.

As ciências sociais e a história mostram que a sociedade e as relações de trabalho se transformam após grandes eventos, em especial, repentinos como este, posso citar o crash (quebra) da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, que desencadeou “a grande depressão americana” dos anos 30, redefiniu o liberalismo moderno e as relações de trabalho no EUA e em países do bloco capitalista. As guerras mundiais alteraram o mundo, o Japão se tornou este expoente tecnológico e se redefiniu com sua derrota na 2ª grande guerra. Apenas estes eventos transformam sistemas sociais e economias.

Esta pandemia que tanto está nos afetando, nos impondo o distanciamento social e amplas alterações em nosso modo de vida, não é o apocalipse, devemos seguir as orientações da ciência, mas as alterações advindas dela, como o trabalho remoto, ampliação da telemedicina, mudanças na indústria, a educação à distância e as novas formas de trabalho deverão ser incorporadas ao mundo pós pandemia. As grandes histórias de sucesso surgiram nos escombros das crises e no seu senso de oportunidades.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

Vem comigo!!!

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