terça-feira, 30 de junho de 2020

O BRASIL DA COVID-19: OS DESAFIOS DE AGORA E AS OPORTUNIDADES DO PÓS PANDEMIA




O mundo se aproxima dos 10 milhões de contaminados e das 500 mil mortes, evolui 136 vacinas para a COVID-19, 2 delas em testes no Brasil, com muitos países já tendo percorrido a fase de crescimento de contágio e ensaiando o relaxamento das medidas restritivas, adentrando a um “novo normal”, mas intensificando a testagem e monitorando a possibilidade de uma nova onda desta pandemia, concomitantemente a isso, buscando o entendimento do que está ocorrendo e se adaptando as imensas transformações sociais, das relações de trabalho e econômicas que estão em curso.

O Brasil que já passou 1.3 milhões de casos e das 60 mil mortes (dados oficiais afora a ampla subnotificação), desde de 15/05 está com ministro da saúde interino, com a pasta passando por desmanche técnico, pouco testa, só agora sinaliza com uma ampla testagem de 22% da população através do RT-PCR (teste ouro), intenção importante, mas sem indicar a logística de mobilização de estados e municípios, e no momento que a maior parte do Brasil já passou ou passa pela fase de crescimento de contágio. Com alguns estados já no pico de crescimento, o teste sorológico nem é cogitado. Pois é, princípios técnicos passam longe do Ministério da Saúde (MS).

Uma pandemia tem várias fases, seu período de duração pode ser longo, como a gripe espanhola que durou 2 anos e meio (janeiro/1918 – dezembro/1920) e teve 4 ondas. Tendo o Brasil como referência, temos a entrada do vírus no país (26/02), o contágio comunitário, a fase de aceleração ou de crescimento de contágio (4 a 7 semanas), o pico ou platô (estabiliza a aceleração de contágio, tempo indeterminado), fase de desaceleração, fase de imunização (60% da população imunizada se denomina “imunização do rebanho” e o contágio é controlado), podendo haver novas ondas.

Não havendo vacina e nem medicações de combate de absoluta eficácia, medidas de prevenção são fundamentais e estas dependem do cidadão tomar cuidados de higiene (usar máscara, lavar as mãos constantemente com água e sabão ou higienizá-las com álcool gel) e entender a necessidade das medidas de distanciamento social. Quanto aos governos, dialogar com transparência e embasar a tomada de atitudes em princípios técnicos, para isto, é imprescindível a ampla testagem.

Temos 3 tipos de testes: o RT-PCR (mais de 96% de eficácia, laboratorial), identifica a presença do vírus no organismo, detecta onde a infecção está ativa e com isso bloqueia a cadeia de transmissão, é imprescindível para o planejamento de ações, como o distanciamento social em tempo e dose necessários; os testes rápidos (até 30% de eficácia, aplicado após o 7º dia de sintomas), aponta a existência de anticorpos no sangue e mostra quem já foi infectado, pode ser utilizado em municípios para revelar em quais bairros há mais circulação do vírus, como tem baixa eficácia, não é preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para nortear políticas de enfrentamento; teste sorológico (laboratorial), o mais conhecido é o Elysa, utilizado na fase de imunização para monitorar com segurança à população que já foi exposta ao vírus.

Com 103 milhões de pessoas sem saneamento básico, 35 milhões sem acesso à água potável, com hospitais mal distribuídos e mal preparados, o Brasil perde apenas da Índia em pouco testar, não preparou a tão atingida indústria nacional para fornecer equipamentos e insumos hospitalares nesta crise e convive com radicalismos políticos, ampla desigualdade social e o mau uso dos recursos públicos, o resto são narrativas.

O governo de Santa Catarina, estado que sinaliza entrar na fase de crescimento de contágio, o que pode se agravar com a chegada do inverno, continua na mesma toada, fez o distanciamento social precocemente, em dose descabida, visto municípios que até o lockdown aplicaram, baseado em dados empíricos já que é um dos estados que menos oferta o teste RT-PCR, embaralha números de leitos de UTI SUS e Suplementar e com isso, mesmo estando no limite de ocupação em uma região, essa situação acaba relativizada. Não construiu hospitais de campanha e não estruturou o sistema de saúde, não incentivou a indústria estadual, não utilizou a estrutura das associações de municípios e de seus consórcios de saúde para prover ações regionalizadas de ampla testagem e outras que deveriam constar numa política de enfrentamento eficaz, fez deste distanciamento social, medida importante, entretanto mal utilizada em tempo e dose, a sua marca negativa nesta pandemia e deve deixar como legado a desintegração da economia catarinense e a vergonhosa suspeita de mau uso do dinheiro público.

A região do Grande Oeste catarinense está bastante atingida, assim como a região da Foz do Rio Itajaí, com seus mais de 715 mil habitantes, cidades conurbadas (ligadas umas as outras) facilitando a disseminação do contágio e seu grande volume de idosos (média de 10%). Um caminho importante seria o uso do consórcio de saúde da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) e da entidade, para a mobilização financeira do empresariado, planejamento e execução de políticas de enfrentamento regionalizadas, como a ampla testagem com o RT-PCR (teste ouro), estruturação do sistema hospitalar, entre outras ações.

Países da Europa e, inclusive da América Latina, como a Argentina, estão montando conselhos de especialistas para identificar tudo o que nos levou a esta pandemia e planejar ações de prevenção e também, perante as imensas transformações sociais, educacionais, econômicas e nas relações de trabalho que já estão ocorrendo. O Brasil igualmente passará por transformações e precisa rever problemas conjunturais que assolam nossa gente a muito tempo, as mudanças, mesmo as causadas pela dor, produzem um senso de oportunidades imenso a quem as entende e se prepara para o novo mundo.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

Vem comigo!!! 
 

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