Quando o mundo e o Brasil voltará a ter um estado de normalidade? Esta é a pergunta que mais ouço e as respostas ainda são imprecisas, afinal, já passamos de 11 milhões de casos e dos 500 mil óbitos globalmente, o Brasil, com relevo para a ampla subnotificação de casos e em menor proporção de óbitos, oficialmente contabiliza mais 1,6 milhão de casos e se aproxima de 65 mil óbitos, Santa Catarina, estado que inicia sua fase de aceleração de contágio, contabiliza mais de 32 mil casos e já passou dos 390 óbitos.
Para pensarmos no “quando voltaremos a normalidade de nossas rotinas”, é salutar o entendimento que uma pandemia se compõe de várias fases, cito a gripe espanhola que perdurou por 2 anos e meio, claro que a fase mais agressiva é a de aceleração de contágio (4 a 7 semanas), posteriormente teremos o platô ou pico (tempo indeterminado, onde se estabiliza o crescimento), fase de desaceleração, fase de imunização (com 60% da população já tendo contato com o vírus se denomina “imunização do rebanho” e o contágio é controlado), podendo incidir outras ondas.
O mundo vive fases distintas desta pandemia, a Europa inicia a retomada de atividades, estando na fase de imunização, com protocolos de higiene, de distanciamento social e com monitoramento através de testagem, sendo o teste mais utilizado nesta fase o sorológico (laboratorial, o mais conhecido é o Elysa), para se evitar novas ondas. O EUA, país continental como o Brasil, presenciou momentos distintos de aceleração de contágio em seus estados, em alguns deles, inicia uma fase de relaxamento e retomada das atividades, com os mesmos cuidados que os países europeus, mas com o agravo de ter iniciado o relaxamento do distanciamento social de maneira prematura em algumas localidades, está vivenciando novos surtos da doença.
A América Latina é o atual epicentro da pandemia, com relevo para o Brasil, portanto vive um momento distinto da Europa, tendo a possibilidade de observar o que já aconteceu e exercitar a expertise das ações que são eficazes.
Nosso país apresenta os estados do Norte, boa parte do Nordeste e o Sudeste já demonstrando estar na fase de pico ou platô, em alguns locais existe indícios de desaceleração, já os estados do Sul e Centro-Oeste iniciam a fase de aceleração.
A expertise de combate a esta pandemia indica um comando científico e transparente por parte do Ministério da Saúde (MS), a mobilização da indústria nacional para suprir as necessidades sanitárias e também para ser aquecida neste momento de crise, uma ampla testagem com o RT-PCR (teste ouro) e, a partir disso, se planejar ações com foco no distanciamento social, tendo em mente que a prevenção salva muito mais vidas e custa menos do que paritar as ações por hospitais superlotados com seus leitos de UTI totalmente ocupados. O Brasil não escolheu este caminho.
Com a ausência de vacina, 136 estão sendo desenvolvidas no mundo e 2 em testes no Brasil, a mais promissora da Universidade de Oxford em parceria com o Instituto Butantã, Sinovac Biotech Ltda e o governo do estado de São Paulo. Pouco testando, com planejamento e execução de ações que beiram o caos, hospitais e médicos sob pressão, nosso país se vê a mercê de responder a população com soluções imediatas e duvidosas, como as medicações de combate. Neste quesito, a controversa Cloroquina continua a ser utilizada; a Dexametasona, corticóide utilizado para combater inflamação severa causada pela COVID-19 e eficaz em casos mais graves; a Azitromicina, antibiótico utilizado para combater infecção secundária de origem bacteriana; fungicidas, como a Ivermectina; o Oseltamivir (Tamiflu), antiviral utilizado contra a Influenza (H1N1); entre outros. O Conselho Regional de Medicina de SC emitiu Nota Técnica em 29/06, genérica, ressaltando a falta de comprovação científica, mas estimulando os gestores, perante o difícil momento, a proverem o acesso da população ao uso destes medicamentos, permitindo a prescrição criteriosa com avaliação do quadro geral de saúde do paciente e monitoramento médico.
Santa Catarina convive com o aumento de casos e de óbitos, com curva de aceleração em seu início, o que deve se intensificar com a queda das temperaturas, suas principais cidades e as regiões do Extremo Oeste e da Foz do Rio Itajaí bastante atingidas, a escuridão proporcionada pela quase inexistência de testagem do RT-PCR e pela falta de governança em âmbito estadual pressionam os municípios, amedrontam a população e projetam semanas muito desafiadoras.
Afora a COVID-19, os catarinenses conviveram nos últimos dias com a iminência da vinda de uma nuvem com 400 milhões de gafanhotos e 10 km de extensão, que não chegou e de um ciclone extratropical , “bomba”, que chegou trazendo destruição, falta de energia por alguns dias em diversas áreas do estado, descortinando a falta de estrutura e de políticas públicas que estão marcando presença nesta pandemia e que, certamente, são muito mais graves que esta doença.
Esta pandemia está trazendo transformações definitivas na vida de todos nós, que estas também repercutam nas suas causas, quais sejam, crescimento populacional excessivo e sem sustentação, desigualdade social, políticas públicas ineficazes ou inexistentes, destruição do meio ambiente, falta de saneamento básico, sistemas de saúde frágeis e o mau uso do dinheiro público.
Quando voltaremos às nossas vidas normais é uma resposta difícil de se dar, certamente voltaremos com restrições e perante uma nova realidade de mundo, com muitas oportunidades e também responsabilidades, se melhor ou pior, depende de nós.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!
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