O SARS-COV-2 e a COVID-19 não são indícios do apocalipse, de certo sabemos que pode atingir intensamente 20% da população (idosos, doentes crônicos e pessoas com comorbidades), tem baixa letalidade, não há vacina, é de altíssimo contágio e a cada dia um pouco mais é desvendado, isto assusta. De concreto, a transformação que o mundo está sofrendo, de costumes, de relações de trabalho e ainda desnudando as fragilidades do ser humano, dos governos e dos sistemas de saúde.
Temos mais de 7,5 milhões de casos no mundo, com mais de 420 mil óbitos, no Brasil são mais de 860 mil e mais de 43 mil óbitos, claro que a subnotificação de casos e em menor proporção de óbitos ocorre mundo afora e aqui de maneira exponencial.
Conjuntamente a esta situação muito complexa, vimos o mundo se transformar num palco de radicalismo com manifestações de desrespeito aos direitos civis e humanos, a diversidade de ideias e de opiniões. Em nosso país também vemos este estado de coisas, esta semana a temperatura dos embates abrandou, mas existe uma catarse de problemas conjunturais, de pensamentos radicais e discriminatórios que estavam ocultos, que vão desde a desestruturação dos nossos hospitais, do mau uso do dinheiro público, a desigualdade social que nos afronta assim como o radicalismo de ideias e atitudes que não respeitam a nada nem a ninguém, esta “geleia real” do pior que há em nosso país, está na ordem do dia e precisa ser definitivamente equacionada.
O trinômio testar, para então planejar e executar, não existe em nosso país, estão buscando dirimir esta questão com testes rápidos (baixíssima eficácia) em detrimento do RT-PCR (alta eficácia) e do sorológico, este a ser utilizado pós pico da pandemia, para identificar o nível de imunização da população. Sem isto, o distanciamento social é utilizado perante critérios duvidosos em tempo e dose que tem logicamente alguma eficácia, entretanto estamos longe de saber qual é, contudo os malefícios de ordem psicológica e econômica causados são nefastos. Mas olhe bem, o distanciamento social, o uso da máscara e atitudes de higiene pessoal são imprescindíveis.
Na falta destas atitudes, de um diálogo informativo com a população, num processo de desmonte técnico e com ministro interino que não é da área, o Ministério da Saúde (MS) ainda tentou restringir o acesso aos dados nacionais desta pandemia, o que foi impedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de se lamentar, assim como é lamentável que tantos escândalos de compras de equipamentos, insumos e outros gêneros hospitalares, necessários nesta emergência, tenham ocorrido antes que o governo federal e os estados descobrissem que a indústria nacional poderia fornecer estes produtos, amenizando a crise em que vive, entretanto ainda não existe uma política nacional para que isto ocorra.
O Brasil vive o pico da pandemia em algumas regiões, para se identificar isto, a epidemiologia se baseia em 3 indicadores: na evolução de números de casos e mortes por dia, dados estes prejudicados pela ampla subnotificação; na taxa de reprodução do vírus (RT), que indica o quanto a doença está acelerando ou desacelerando através da média que um contaminado pode infectar outras pessoas, quando este número está caindo e se aproxima de 1, o pico está chegando, abaixo de 1, começa a entrar em fase de desaceleração e os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, os quais são de notificação compulsória, SUS e Suplementar, na plataforma Infogripe (Fio Cruz).
O governo de Santa Catarina, que continua tendo como bandeira o distanciamento social executado em tempo e dose, a meu ver, absolutamente duvidosos, não creio que adotará uma política de ampla testagem e os dados que informa são desencontrados, arregimentados conforme a necessidade, cito o número de UTIs, onde conjuga SUS e Suplementar, mexendo conforme a conveniência. A região do Grande Oeste, populosa, com sistemas de saúde frágeis e IDH baixo (em média), está bastante afetada, assim como a região da Foz do Rio Itajaí, beirando o limite de ocupação dos leitos de UTI, igualmente populosa, com cidades conurbadas e um grande volume de idosos. Segundo o Infogripe, em maio houve um aumento de 700% nas notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave. O governador, que compareceu a poucos dias em festa junina bem frequentada, parece acreditar que o pior já foi, quem sou eu para contestar, mas a responsabilidade nos impõe ficar atentos.
O momento é de tomarmos os cuidados necessários contra esta doença, a qual se não nos afetar, pode atingir nossos entes queridos, entretanto, precisamos estar alertas, tanto ao que desencadeou esta pandemia e pode provocar algo pior ainda, como as fragilidades conjunturais que temos, as quais são muito mais letais que a doença, assim como é momento propício para compreendermos as transformações que estão ocorrendo, no mundo e no nosso país, com a visão dura e precisa do que deve ser melhorado, mas também com um entendimento criativo e entusiasta do senso de oportunidades que um país em transformação pode nos oferecer.
O “novo normal” já se iniciou e se consolidará com segurança à partir do mês de agosto, as atividades presenciais pós pandemia terão o viés do distanciamento social e de medidas de higiene, o trabalho remoto e o mundo virtual serão definitivamente incorporados em nosso cotidiano e ampliados de maneira exponencial nas relações de trabalho, quem já entendeu isso, iniciou um projeto de estudo, de planejamento ou já está em execução, está atinado com os fatos e no caminho do sucesso.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!
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