quarta-feira, 17 de novembro de 2021

ENXAQUECA, DOENÇA QUE ATRAPALHA A QUALIDADE DE VIDA.





A medicina identifica mais de 200 tipos de Cefaléia (dor de cabeça), a Enxaqueca é uma de suas formas mais comuns, atingindo algo em torno de 15% da população mundial. No Brasil, mais de 30 milhões de pessoas padecem de Enxaqueca.

Olha só, não confunda dor de cabeça com Enxaqueca. Dor de cabeça é um termo genérico ou “jargão” utilizado para identificar diferentes tipos de Cefaléia, sendo a Enxaqueca, um destes tipos.

A dor de cabeça ou Cefaléia pode ser causada por diversos fatores, como: estresse, ansiedade, sinusite, gripe e diversos outros problemas de saúde relacionados, ou não, a doenças pré-existentes. Sendo divididas em primárias e secundárias.

A Cefaléia primária é aquela onde a dor de cabeça é a própria doença, caso da Enxaqueca e da Cefaléia Tensional. Esclareço que, a Cefaléia Tensional tem como principais fatores predisponentes: o estresse, o sono inadequado e a má postura; sendo conotada como uma dor leve a moderada e apresentando a sensação de uma faixa apertada ao redor da cabeça. Já a Cefaléia secundária, se apresenta como sintoma de outras alterações que estão acontecendo em nosso organismo, por exemplo, dores causadas durante crises de sinusite ou em função de outros tipos de doenças.

A Enxaqueca é uma doença neurológica definida, tendo a Cefaléia como um dos seus sintomas mais frequentes, apresentando características específicas, quais sejam: forte intensidade, latejante, pode aparecer em um dos lados da cabeça e também pode vir acompanhada de grande sensibilidade à luz, som, toque ou cheiro e, inclusive, náuseas e vômitos.

Esta doença é composta por 4 fases bem definidas:

· 1ª fase – Premonitória (Pródromo): seus primeiros sintomas são de fadiga, bocejo, dificuldade de concentração, irritabilidade, depressão e vontade de comer doce, antecedendo em até 72 horas o início da Cefaléia;

· 2ª fase – Aura: apresenta manifestações neurológicas localizadas, as quais surgem gradualmente, sendo a aura visual mais frequente, se manifestando com o surgimento de pontos pretos, imagens em zig-zag e pontos brilhantes;

· 3ª fase – Cefaléia: fase que mais incomoda e que, normalmente, ocasiona a procura do profissional de saúde, podendo durar de 4 a 72 horas e se apresentando como dor latejante e de forte intensidade;

· 4ª fase – Resolução (Pósdromo): os sintomas são parecidos com os da 1ª fase, quais sejam, fadiga, sonolência, dificuldade de concentração, por vezes, dor leve e residual em toda a cabeça, podendo durar até 48 horas (2 dias).

A ocorrência da Enxaqueca é prevalente em pessoas que apresentam o sistema nervoso mais sensível, com as células nervosas do cérebro sendo facilmente estimuladas, produzindo atividade elétrica, esta ação repercute pelo cérebro e perturba de maneira temporária diversas funções, como: visão, sensação, equilíbrio, coordenação muscular e fala. Estes distúrbios acarretam os sintomas que ocorrem em sua 1ª e 2ª fases. Já a Cefaléia está relacionada a estimulação do 5º nervo craniano (trigêmeo), o qual envia impulsos (inclusive de dor) dos olhos, couro cabeludo, testa, pálpebras superiores, boca e mandíbula, para o cérebro. Ao serem estimulados, os nervos podem liberar substâncias causadoras de inflamação dolorosas dos vasos sanguíneos do cérebro e das camadas de tecidos que o recobrem (meninges), esta inflamação provoca Cefaléia latejante, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som.

A Enxaqueca afeta pessoas de todas as idades, contudo, é mais prevalente em adolescentes e jovens adultos, sendo que as mulheres são mais atingidas, e isto se explicaria pela presença dos estrógenos, principais hormônios femininos, os quais são um fator importante a desencadear sua ocorrência.

Segundo a Fundação Americana de Enxaqueca (American Migraine Foundation), os principais tipos são: com aura, a qual gera uma série de alterações sensoriais e visuais, geralmente precedendo a dor de cabeça e apresentando crises que podem durar entre 10 a 30 minutos; sem aura, difícil de ser diagnosticada por apresentar sintomas comuns aos outros tipos, quais sejam, dor pulsátil ou latejante na cabeça, fotofobia, fonofobia, náuseas e vômitos; sem dor de cabeça ou silenciosa, onde a Cefaléia não se manifesta; hemiplégica, nem sempre há dor de cabeça e os sintomas se assemelham ao de um AVC, tais como, fraqueza, perda de sensibilidade e alfinetadas no corpo; retiniana, causa perda temporária de visão de um dos olhos, com duração de um minuto a vários meses, sendo mais comum em mulheres durante o período fértil; crônica, se caracteriza por dores de cabeça intensas por, pelo menos, 15 dias por mês.

A Organização Mundial da Saúde considera a Enxaqueca como a 6ª doença mais incapacitante, sendo a predisposição genética um importante fator para o seu surgimento. Segundo a Fundação Americana de Enxaqueca, se um de seus pais tiver a doença, suas chances de desenvolvê-la são de 50 a 75%.

Não existe cura, o tratamento é individual e se baseia nas características da crise, na identificação de problemas de saúde pré-existentes e no controle dos gatilhos que desencadeiam o processo, sendo que o seu foco principal é reduzir a duração e a gravidade das crises. Fazer exercícios físicos regularmente, ter um estilo de vida e uma alimentação saudável, evitando o álcool e a cafeína, mantendo-se hidratado e dormindo bem, também se reveste de muita importância.

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