sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

BRASIL, O PAÍS DA DENGUE, DO SARAMPO, DA FEBRE AMARELA, DA MENINGITE: POR QUE MUDOU O PERFIL EPIDEMIOLÓGICO?



Faço aqui um intervalo na escrita de “Um novo Hospital Municipal para Itapema”, que volta na próxima semana, para abordar a grave situação da mudança do perfil epidemiológico nacional e de SC, inclusive com o ressurgimento de doenças já erradicadas.

O mundo está em perigosa transformação e lamentavelmente a saúde da população começa a ser afetada com mais intensidade neste momento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), braço em saúde da ONU, doenças já erradicadas estão voltando a assolar diversos países, os surtos de sarampo aumentaram 300% no mundo ao compararmos os primeiros meses de 2018 e 2019 (a maior incidência em 13 anos), servindo como exemplo para outros surtos de doenças preveníveis por vacinação que estão afligindo a população mundial neste momento. A OMS prevê ainda, uma epidemia global de gripe provocada pelo vírus Influenza que pode chegar a qualquer momento.

Em função disto, a OMS lançou em 11/03/2019 um novo Plano Estratégico, com abrangência de 05 anos, que pretende ampliar o acesso à saúde de qualidade ao redor do mundo e listou 10 grandes problemas que precisam ser contra-atacados: 1) Poluição do ar e mudança climática (07 milhões de mortes por doenças relacionadas à poluição). 2) Doenças crônicas não contagiosas (diabetes, hipertensão, câncer, entre outras, são responsáveis por 70% das mortes no mundo). 3) Pandemia global de gripe (vírus Influenza). 4) Locais em crise ou fragilidade social. 5) Resistência Bacteriana (causada pelo uso excessivo de antibióticos). 6) Ebola e outros agentes infecciosos letais. 7) Atendimento primário da saúde deficiente. 8) Medo da vacina (movimento anti-vacina sustentado pelas fake News e por movimentos políticos ultra conservadores). 9) Dengue. 10) HIV.

No Brasil, doenças já erradicadas estão voltando com força total e o Sarampo é o maior exemplo. Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-americana da Saúde (OPA) o Certificado de Eliminação de Circulação do Vírus, em 2018, após 18 anos sem registro, voltou a ter casos de Sarampo autóctone (adquirido em território nacional). Hoje são mais de 300 casos confirmados, tendo São Paulo e Rio de Janeiro em situação endêmica.

A Fundação Oswaldo Cruz alertou, ainda em 2018, para o momento preocupante em relação às doenças imunopreveníveis (preveníveis com vacina), afinal o nível de imunização do brasileiro caiu para menos de 60% e, em função disto, o Ministério da Saúde (MS) já se preocupa com o retorno da Poliomielite (paralisia infantil), erradicada a mais de 30 anos.

Segundo o relatório do MS de 15/06/2019, notificou-se 767 mil casos de Dengue no país (com 295 mortes), 3 mil casos por dia, sendo que 8 Unidades Federativas estão em situação epidêmica mais preocupante: Tocantins, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Acre, Espírito Santo, São Paulo, Distrito Federal e Paraná.

O interior do estado de São Paulo está infestado pelo mosquito Aedes Aegypti (vetor da Dengue) e 2 cidades lideram este ranking: Rio Preto apresenta 24,3 mil casos e Bauru, 22.484 casos (28 mortes).

Em SC, estado que se orgulhava de não apresentar casos de Dengue autóctone (adquiridos aqui) até 2011, a situação epidemiológica desde esta data tem se alterado negativamente e a Dengue é emblemática neste quesito, senão vejamos, em 2018 (30/12/2017 à 10/08/2018) o estado apresentava: 12.279 focos do mosquito, 1.295 casos notificados e 55 confirmados; em 2019, neste mesmo período, temos: 22.224 focos, 6.332 casos notificados e 1.730 confirmados. Sendo que os municípios do litoral norte são os mais afetados, com relevo para: Itapema (666 casos confirmados), Camboriú (359) e Porto Belo (85). Estes dados são da DIVE-SC (Departamento de Vigilância Epidemiológica) e apresenta um incremento de 2018 para 2019 de 289%. Me preocupa também a postura do Estado, que desde maio de 2019 não disponibiliza pelo SUS o exame de sorologia (comprobatório) e criou um protocolo onde preconiza 2 hemogramas (com intervalo de 1 semana) e fechamento de diagnóstico por parte do médico, baseado em evidências clínicas e epidemiológicas. Isto me faz pensar sobre qual o critério do Estado para a inclusão de casos confirmados e que os números da Dengue possam ser maiores.

Os motivos para esta preocupante alteração epidemiológica, com foco no Brasil e em SC, creio passar por questões demográficas, pelas alterações climáticas, estas causadas inegavelmente pelo aquecimento global e a ação irresponsável de muitos, os mesmos que destroem a floresta Amazônica, a qual é responsável por 20% do total mundial de toda a flora, ao invés de explorar a sua biodiversidade e as suas mais de 55 mil espécies vegetais catalogadas, as quais poderiam trazer a cura de muitas doenças. Esses mesmos, que em função de preceitos políticos radicais, estão liderando campanhas anti-vacinação, em especial na Europa e se somam a sociopatas virtuais que difundem através da internet, fake News, as quais de maneira irresponsável, mentem sobre os efeitos danosos de determinadas vacinas.

Claro que existe problemas de gestão envolvidos, salientando que o Planejamento e as Ações Epidemiológicas, área tão fundamental em todos os processos da saúde, dependem muito do Governo Federal e dos Estados, e hoje estão principalmente relegadas aos municípios.

A você e a mim, cabe sermos comprometidos com a prevenção e sem isto não se combate à Dengue, assim como, com a busca e a proliferação da boa informação.

Vem comigo!!!

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