terça-feira, 24 de março de 2020

EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS: SOLIDARIEDADE, BOM SENSO E ATITUDES DE ENFRENTAMENTO EXECUTADAS MUNDO AFORA.


O SARS-COV-2 e a doença por ele provocada, a COVID-19, chegou ao Brasil em 26/02 com 1º caso confirmado (importado) em SP. Em 03/03 o Ministério da Saúde (MS), ciente que nadava na superfície, resolveu mergulhar na realidade da sua circulação, transferindo para os estados a consolidação de casos, preparando os LACENS para executarem os exames de confirmação, entre outras atitudes. Semana passada, muitos estados entenderam o perigo de uma epidemia deste vírus, de baixa letalidade (média 3,5%), mas de altíssimo contágio e que atinge de maneira mais intensa 20% da população formada por idosos, doentes crônicos e pessoas com comorbidades (que tenham mais de uma doença pré-existente), podendo apresentar quadros graves para 5% destes.

O governo de Santa Catarina, já monitorando a situação e tomando atitudes pontuais, perante a perspectiva do aumento de casos e da circulação comunitária no sul do estado, decretou em 17/03 Emergência Sanitária e quarentena de 7 dias, paralisando todas as atividades não essenciais.

Atitude extrema, mas que tem sido adotada, em algum momento, pela maior parte dos países. Acredito que o governo tenha indicadores epidemiológicos, com curvas de crescimento e projeções de quadros possíveis e digo isto porque uma epidemia não é uma corrida de 100 metros, e sim uma maratona, lembro também, que segundo estudiosos, o pico da epidemia no Brasil será em abril e maio, ocorrendo uma estabilização e queda gradativa à partir de julho, quiçá agosto.

Parar e isolar as pessoas é uma forma de retardar a curva de crescimento de um vírus de tão alto contágio, entretanto a capacidade em manter cidades e os estados em quarentena por um tempo elevado, é dúbio, afora os prejuízos psicológicos, econômicos e de abastecimento que se somam a dificuldade das famílias gerirem o seu sustento.

Sou favorável a esta atitude, pode-se questionar o momento de sua execução e a sua dosimetria, mas entendo que o mais eficaz seria uma busca ativa intensa, com uma cobertura ampla de exames de comprovação e à partir disso, um isolamento seletivo e esta deveria ser a política também do MS, como recomenda a Organização Mundial da Saúde.

Santa Catarina conta com 450 leitos de UTI (Rede Pública e Hospitais Filantrópicos) entre os 117 hospitais que atendem pelo SUS, 10% (45) estão reservados no plano de contingência e o MS vai custear a instalação de 20 leitos, ainda sendo pouco, e isto também está por trás desta medida dura do governo catarinense neste momento. O Brasil conta com por volta de 6.700 hospitais, 70% privados, dos quase 500 mil leitos hospitalares 70% são SUS. Os leitos de UTI somam quase 50 mil, divididos igualmente entre o SUS e a saúde suplementar, com 98% de ocupação dos leitos do SUS e 75% da saúde suplementar, estando os hospitais mal distribuídos regionalmente. Perante este quadro nacional o Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta relatou que ‘o sistema deve entrar em colapso em abril e maio’.

Segundo o MS, este vírus não está reagindo negativamente ao calor, para cada caso confirmado há 15 ocultos, espera-se uma epidemia uniforme por todo o país e os picos de crescimento apresentam similaridade com o ocorrido na França.

Quanto a experiência de outros países, a China, que apresenta um frágil sistema de saúde, adotou um isolamento social severo, experiência adquirida da epidemia do SARS (2003), se tardiamente, não sabemos, errando ao centralizar os casos para os hospitais, erros corrigidos e que hoje permite a estabilização de casos. A Itália, citada como um modelo a não ser seguido, apresenta taxa de letalidade de 7,7%, com mais de 26 mil infectados (2 mil por dia) e mais de 4 mil mortes, com um sistema de saúde universal (similar ao SUS), descentralizado e com dificuldades de ações de comando único. Tem intenso tráfego aéreo com a China, ainda o paciente nº1 foi atendido por um hospital que não seguiu o protocolo de doenças infectocontagiosas e disseminou o vírus. Sua população idosa é proporcionalmente maior, se espelhando na média de idade dos mortos (63 anos), a maioria tinha comorbidades (37% cardiovasculares).

Como experiência exitosa, cito a Coreia do Sul, com 51,47 milhões de habitantes, que chegou a 8 mil casos e estabilizou, com letalidade extremamente baixa (84 mortes). Buscaram o diálogo transparente com a comunidade e uma ampla busca ativa, com mais de 500 laboratórios credenciados e mais de 10 mil exames por dia. O isolamento é seletivo, a partir de casos confirmados e grupos vulneráveis, ocorrendo em locais específicos, distante dos hospitais e de suas residências. A Alemanha segue receita similar a da Coreia do Sul, com o diferencial de investir em leitos de UTI e apresenta resultados igualmente positivos.

São Paulo, com seus 13 milhões de habitantes apenas na capital, está sendo mais atingido e de lá, à partir de uma equipe de técnicos gabaritados, comandados pelo dr. David Uip, se espera atitudes de enfrentamento racional e científico, contudo, ao não priorizarem uma ampla busca ativa com grande volume de exames de comprovação, entendo que já erra, pois teria condições financeiras e estruturais de fazê-lo, independente do MS.

A medicação mais promissora está em testes em SP, a associação da Azitromicina com a Cloroquina (usada contra a malária, lúpus e artrite). Com permissão da ANVISA, os hospitais Albert Einstein e Prevent Sênior estão testando esta medicação em pacientes graves. A vacina, está em fase de testes em humanos (China e EUA), com previsão de 12 a 18 meses para estar disponibilizada.

O momento é de buscar a boa informação, de evitarmos o contato social, de isolarmos e protegermos os nossos idosos, de seguirmos as recomendações governamentais, de termos cuidados de higiene, de mantermos a calma e de sermos solidários, isto nos afasta da catarse geral que vive o país.

Vem comigo!!!

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